Estrutura homilética padrão

Série expositiva em Romanos  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 12 views

O autor descreve a nova vida cristã após a libertação do poder condenatório e escravizador do pecado, vivida no Espírito de Cristo.

Notes
Transcript

Romanos 8.1-11: A vida no Espírito.

A justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé” (Rm 1.17).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Recapitulação:
Estrutura argumentativa anterior:
1. A relação entre a Lei e o Pecado (vv. 7-13) [Apologia à Lei e identificação do problema, que está na natureza humana pecaminosa].
2. O conflito existencial cristão: a natureza pecaminosa e a Lei (vv. 14-20).
3. Conclusão sintética: “coabitação” entre a Lei de Deus e a lei do pecado no crente (vv. 21-25).
Elucidação:
- Retomada argumentativa de Paulo, ainda desenvolvendo novos frutos da justificação; no caso, a impossibilidade de condenação.
- Conexão com 7.25, isto é, graças a Cristo, desfruta-se de libertação do pendor (ou inclinação) escravizador do pecado.
- Impossibilidade de salvação pela Lei (v. 3-4): “enferma pela carne”; salvação pelo Filho, vindo “em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado”.
- Balanço elucidativo(vv.5-9) :
inclinação (gr. κατὰ = “abaixo”; “de acordo com”) / pendor (gr. φρόνημα = “pensamentos”; “propósitos”).
Estabelecimento de distinção real entre os que foram libertos por Cristo Jesus da escravização do pecado pela Lei, dos que não foram, isto é, os que ainda vivem sob o regime do pecado pela Lei, manifestam as cogitações/pensamentos/desejos típicos da natureza pecaminosa. Por outro lado, os que já dessa condição foram libertados, manifestam as cogitações/pensamentos/desejos típicos do Espírito.
2. “Estar na carne” (gr. ἐν σαρκὶ) / “Estar no Espírito” (gr. ἐν πνεύματι).
Levando em consideração que Paulo afirma como realidade experimentada pelo crente, o fato de “Cristo estar em vós” (gr. εἰ δὲ Χριστὸς ἐν ὑμῖν), estar no Espírito pode ter duas interpretações:
a) Oposição à “estar na carne” num sentido direto; uma referência ao ser espiritual que contrasta como ser carnal.
b) Referência ao Espírito Santo como vínculo da união do crente com Cristo (cf. v.9b “… se alguém não tem o Espírito de Cristo”), e agente operador da inclinação do crente na resistência contra a natureza pecaminosa (i.e. carnal).
A implicação mantem-se sob as duas possibilidades: O estar no Espírito/espírito indica um contraste de obras, baseados na operação da vida recebida pela libertação realizada por Cristo da condenação da escravidão ao pecado pela justificação do crente.
- A vida no Espírito, pela habitação de Cristo pelo Espírito Santo (vv. 10-11):
Levando em consideração que: 1) “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”; 2) Que em razão dessa libertação, não estamos mais presos à inclinação/pendor da carne, mas opera em nós a inclinação/pendor do Espírito; 3) Devido a habitação do Espírito Santo no crente, está assegurado a nova vida, ainda que marcada pela rivalidade com o pecado presente na natureza (cf. v. 10 “o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado”, i.e., ainda influenciado pelo pecado).
O pecado continua operando, tendo em vista que o corpo (i.e. a natureza humana) ainda não foi glorificado/aperfeiçoado, mas, a justiça, pela obra de Cristo segundo a habitação do Espírito, também, gerando esta vida (oposição ao pecado e obediência a Deus (cf. 4a “…a fim de que o preceito da Lei se cumprisse em nós”). E assim, é certo que, por essa habitação do Espírito, um dia, os crente ver-se-ão completamente livres dessa “mortalidade”, quando “esse mesmo que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos vivificará também o vosso corpo mortal” (v.11b); uma alusão também ao momento da ressurreição final, mas, por causa da ressurreição de Cristo, mais voltada a garantir que o processo santificador será efetivo, não deixando o crente duvidar de que vencerá o pendor da carne.
Síntese principiológica:
Ao comentar a atuação do Espírito em relação à nova vida recebida pelos crentes, Calvino assegura:
Romanos Versículos 1 a 4

Este Espírito asperge nossas almas com o sangue de Cristo, não apenas para purificar-nos das manchas do pecado em relação à nossa culpa, mas também para santificar-nos para a genuína pureza.

A obra de Cristo, que nos justificou perante Deus, estabeleceu, como efeito direto da expiação, a libertação do jugo do pecado, fazendo com que, além de sermos separados para Deus, sejamos, pelo seu Espírito, santificados/purificados, de modo a que, ainda que convivamos nessa era com a influência do pecado, não sejamos mais obrigados a vivermos segundo suas cogitações, mas sim, de acordo com o pendor do Espírito de Cristo, o qual habita em nós e por isso, nos faz vivos “por causa da justiça” (v.10).
Aplicações:
Em razão da obra justificadora de Deus operada por Cristo Jesus, estamos inteiramente livres da maldição da Lei e do poder escravizador do pecado, de modo que, não pesa sobre nós qualquer condenação (v. 1) que nos pudesse submeter a um modo de vida contrário àquele para o qual fomos libertos.
Nessa condição, opera em nós, não somente a inclinação/o pendor do pecado, mas também a inclinação/o pendor para a vida, tendo nós recebido a habitação do Espírito Santo, que é o agente responsável por conduzir-nos segundo o que ele cogita. Assim, nossas aspirações, desejos, pensamento, não estão mais presos à uma disposição mental reprovável, mas habilitados a querer “agradar a Deus”, de modo que, não há escusa que nos licencie a “cogitar o que é da carne”.
Resulta, da libertação dessa condenação, a esperança de que, embora nesse mundo vivamos em constante conflito e guerra contra o pecado em nossa natureza humana, um dia, tal conflito haverá de ser encerrado, quando “(...) aquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos (…) vivificará também o vosso corpo mortal” (v.11), por meio do próprio Espírito Santo que nos habita, de modo a ser a garantia do fim dessa tensão.
Conclusão:
A truculência da guerra contra o pecado que travamos nessa vida, não pode fazer com que percamos de vista a maravilha da libertação do poder escravizador do pecado. Como Paulo exclamou em relação a si, mas representando todo crente: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor!” (cf. 7.25), que nos livra dia a dia da desventura do conflito com o pecado, fazendo com que a habitação de seu Espírito em nós, produza uma vida que agrade a Deus.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.