Jesus anuncia novamente a sua morte

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Ao longo de seu ministério, Jesus falou qual seria seu destino nesta terra. Os evangelhos registram ocasiões distintas em que Ele informou aos discípulos sobre os detalhes de Sua morte. Veja aqueles que Marcos registrou:
Então, começou ele a ensinar-lhes que era necessário que o Filho do Homem sofresse muitas coisas, fosse rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, fosse morto e que, depois de três dias, ressuscitasse. (Marcos 8:31)
Porque ensinava os seus discípulos e lhes dizia: O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará (Marcos 9:31)
Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios; hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará (Marcos 10:33,34)
Ele conhecia todos os detalhes antes que fossem pensados e executados pelos homens. E ele morreu na cruz porque ele decidiu fazer isso, cumprindo a vontade do Pai. Ele disse:
[…] Eu dou a minha vida para a reassumir. Ninguém a tira de mim; pelo contrário, eu espontaneamente a dou. Tenho autoridade para a entregar e também para reavê-la. Este mandato recebi de meu Pai (João 10:17,18)
Ele nasceu para morrer e ser o Salvador. Para ser o salvador ele deveria morrer como sacrifício. Deus planejou isso, os anjos o louvaram e Jesus avisou que isso ocorreria. O cerne das Escrituras e do evangelho é a salvação dos pecadores por meio da morte e ressurreição do Senhor Jesus Cristo. E, sobre isso, Jesus conhecia todos os detalhes.
E, olhando para o nosso texto hoje, vemos esse assunto:
Ninguém conhece o futuro exceto Deus, e Jesus é Deus. Mais uma vez Ele fala detalhes do que iria acontecer com Ele.
Ele estava subindo para Jerusalém com os discípulos. A cidade de Jerusalém fica a mais de 1.000 metros acima de Jericó, de onde Jesus estava vindo. Lembre-se que Jericó fica a quase 300 metros abaixo do nível do mar, a 8 km do Mar Morto, lago salgado a 400 metros abaixo nível do mar.
Ele seguiu firme para o lugar de sua própria morte, como ele mesmo havia dito. Ele sabia exatamente o que iria acontecer quando chegasse lá. Ele avisou aos discípulos sobre o que sofreria lá. Por isso eles “se admiravam e o seguiam tomados de apreensões” (Marcos 10;32).
Com o que os discípulos estavam admirados ou espantados? Com a coragem, convicção e destemor de Jesus. E os discípulos ficaram apreensivos, eles haviam sido avisados, e sabiam que os perigos eram reais. E durante a viagem Jesus voltou a lembrá-los sobre o que iria acontecer lá.
A esperança deles estava muito baixa. Eles ficaram perplexos e confusos. Eles estavam se perguntando: “Por que Ele está caminhando para este perigo mortal”?
Jesus disse aos seus discípulos: “Vamos outra vez para a Judeia”. Os discípulos exclamaram: “Mestre, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e voltas para lá?” (João 11:7,8). E Tomé disse: “Vamos também nós para morrermos com ele” (João 11:16). Eles estavam perplexos.
Em Marcos 10: 33-34, enquanto eles estavam indo para Jerusalém, Jesus chamou os discípulos e relatou sobre tudo o que estava para acontecer:
Eis que subimos para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas; condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios; hão de escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo; mas, depois de três dias, ressuscitará.
Mesmo avisados tão claramente, quando tudo aconteceu, eles fugiram apavorados. Não se pode nem compreender que nível de terror eles teriam experimentado se não tivessem sido informados de que isso iria acontecer.
Mas esses avisos de Jesus fortaleceram a fé deles após a ressurreição. No dia de Pentecostes Pedro, conhecendo verdadeiramente as Escrituras a partir das palavras de Jesus, e não da liderança religiosa apóstata, disse à multidão:
Sendo Ele entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus, vós o matastes, crucificando-o por mãos de iníquos, ao qual, porém, Deus ressuscitou… (Atos 2:23,24)
Mas por muitos séculos a liderança judaica apóstata distorceu as Escrituras, e essa distorção estava na cabeça dos discípulos, por isso eles tiveram dificuldade de entender um Messias que morreria nas mãos de pecadores. Eles não tinham um bom entendimento do Antigo Testamento.
Em Lucas 24: 13-33, depois da ressurreição, dois discípulos estavam no caminho de Emaús, eles estavam muito abatidos e perplexos com a prisão e crucificação de Jesus. Então Jesus começou a andar com eles, mas eles não o reconheceram.
Eles relataram os fatos com muito pesar. E disseram “nós esperávamos que fosse ele quem havia de redimir a Israel” (Lucas 24:21). E, por fim, falaram do desaparecimento do corpo de Jesus, de relatos sobre sua ressurreição, mas que eles não viram nada.
E Jesus responde: “Oh! néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?” (Lucas 24:25,26). Explicou-lhe o que os profetas disseram sobre o Messias.
E antes de sua prisão e morte, Jesus havia dito a eles: “Eis que subimos para Jerusalém, e vai cumprir-se ali tudo quanto está escrito por intermédio dos profetas, no tocante ao Filho do Homem” (Lucas 18:31). Mas eles não conseguiam entender essas palavras (Lucas 18:34).
Os que conheciam as Escrituras deveriam saber sobre a morte do Messias.
1) Por causa da Escritura profética
Qualquer um que conhecesse a Escritura poderia ter visto isso. Sua morte foi profetizada no Antigo Testamento de forma muito específica.
O Antigo Testamento é muito claro que o salário do pecado é a morte. Por isso havia os sacrifícios pelo pecado, mas era apenas algo provisória até que viesse o sacrifício final e perfeito.
§ Em Adão e Eva aprende-se que Deus, por meio de um sacrifício, cobrirá a culpa do pecador.
§ Em Abel aprende-se que há apenas um sacrifício aceitável.
§ De Abraão aprende-se que Deus proverá o sacrifício que lhe será satisfatório.
§ E desde a Páscoa aprende-se que devia ser um cordeiro sem defeito e sem mácula.
Eles fizeram sacrifícios a vida inteira. E Jesus foi apresentado a eles, por João Batista, com estas palavras: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29).
§ Salmo 2 mostra a fúria e conspiração dos reis, príncipes e povos contra o ungido do Senhor.
§ Zacarias 13 mostra que Ele seria abandonado por Seus amigos.
§ Zacarias 11:12 diz que Ele seria traído por 30 moedas de prata (Mateus 26:15).
§ Números 21 fala do levantamento da serpente no deserto para livrar o povo da morte, uma figura do Filho do homem levantado na cruz (João 3:14).
§ Salmo 34:20 diz que nenhum de seus ossos seria quebrado na cruz (João 19:33).
§ Salmo 22:18 diz que fariam jogo de azar com suas roupas (Mateus 27:35).
§ Salmo 69:21 diz lhe deram vinagre (João 19:29).
§ Salmo 22:1 traz o brado que Jesus deu na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46)
§ Salmo 22:31 traz o pleno cumprimento da obra de Cristo: “Está consumado!” (João 19:30).
§ Zacarias 12:10 fala sobre a lança cravada em Seu lado (João 19:34).
§ O Salmo 16 fala sobre Sua ressurreição.
§ Salmo 110 fala sobre Sua ascensão ao céu.
Tantos detalhes específicos envolvendo Sua morte estão claramente no Antigo Testamento. E certamente eles foram muitos expostos a Isaías 53, a maior de todas as passagens messiânicas e proféticas do Antigo Testamento, mostrando o servo substituto, o sacrifício do servo que fornece redenção para os pecadores, que é ferido por nossas transgressões e moído por nossas iniquidades.
O Senhor estava a caminho da cruz e, no trajeto, explicou-lhes as profecias do Antigo Testamento que Ele cumpriria. Certamente ele falou desses textos. Jesus, claro, conhecia profundamente o Antigo Testamento e o reiterou para eles.
“Subimos para Jerusalém”, disse Jesus. Ele seria o sacrifício que Deus iria prover, como diz em Gênesis 22:14, o sacrifício final perfeito. Ele seria o verdadeiro Cordeiro pascal sem defeito, sem mácula, cujo sacrifício satisfaria a justiça de Deus.
Ele abriria o caminho para a presença de Deus e proveria salvação e vida eterna para todos os que iriam confiar nele. Ele estava indo para Jerusalém. Esse era o plano eterno. Não havia alternativas.
E então Ele começa a falar sobre coisas que só Ele poderia saber. Ele diz: “O Filho do Homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas”. Ele fala da traição que sofreria.
Ele continua: “condená-lo-ão à morte e o entregarão aos gentios”. Ou seja, haveria algum tipo de processo legal que o condenaria à morte. Ele seria executado, mas não pelos judeus.
E então seria entregue aos gentios que, antes de executá-lo, zombariam dele, cuspiriam nele, iriam açoitá-lo e depois matá-lo, e três dias depois ele ressuscitaria. Ele previu cada um desses elementos, e cada um deles aconteceu exatamente como Ele previu. Tudo está detalhado nos evangelhos.
Os sofrimentos que Jesus sofreu foi algo sem comparação. Isaías 53:3 o chama de “homem de dores e que sabe o que é padecer”. Ele teve que suportar o cálice da ira de Deus contra nossos pecados, pois “o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Isaías 53:6).
Jesus sabia tudo em detalhes. Ele sabia que seria desprezado, rejeitado, entristecido, ferido por Deus, aflito, machucado, castigado, açoitado, abandonado por todos, oprimido, aflito, sofreria e morreria em silêncio. Ele sabia que seria contado com os transgressores, que derramaria sua alma até a morte e carregaria sobre si nossos pecados. Isso tudo está em Isaías 53.
Marcos 10:34 diz que Jesus sabia que os líderes religiosos iriam “escarnecê-lo, cuspir nele, açoitá-lo e matá-lo”. Ele foi humilhado, escarnecido e envergonhado publicamente. Pedro declarou:
[Jesus] não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. (1 Pedro 2:22-24)
E após sofrer cruéis violências, ele bradou na cruz: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27:46). Ele estava experimentando o abandono e o desespero que resultou do derramamento da ira de Deus sobre ele como aquele que levava sobre si o pecado. Ele sabia que passaria por tudo isso.
E, finalmente, eles o mataram. Em Marcos 10:34 diz que ele seria morto. Mas Mateus 20:19 registra o tipo de morte: “E o entregarão aos gentios para ser escarnecido, açoitado e crucificado” (Mateus 20:19). Ele sabia que seria uma morte terrível na cruz.
Ele conhecia cada detalhe. Seu sofrimento foi planejado pessoalmente por Deus, conforme registrado no Antigo Testamento, pessoalmente conhecido por Ele em detalhes por meio de Sua própria onisciência. Ele conhecia cada detalhe e, portanto, viveu na expectativa de toda essa agonia muito antes de experimentá-la.
Mas a história não termina aí. Sempre, em todas essas três previsões, ele disse que ressuscitaria em 3 dias. Ele disse isso pela primeira vez em João 2:19, no início de seu ministério.
Ele disse que morreria e que ressuscitaria. E Ele morreu exatamente da maneira que Ele disse que morreria. E Ele ressuscitou exatamente da maneira que Ele disse que ressuscitaria, exatamente no tempo que Ele disse que ressuscitaria.
Ele veio para salvar Seu povo de seus pecados. E foi exatamente isso que Ele fez na cruz e por meio da ressurreição.
Conclusão e Aplicação
Notemos bem que nada houve de involuntário ou de imprevisto na morte de nosso Senhor. Ela resultou de sua própria, livre, resoluta e deliberada escolha. Desde o começo de seu ministério na terra, ele via a cruz diante de si e foi até ela como um sofredor voluntário. Ele sabia que sua morte era o pagamento requerido, a fim de que fosse feita a reconciliação entre Deus e os homens. O pagamento que ele havia contratado e com o qual se comprometera consistia no derramamento de seu próprio sangue. Assim, quando o tempo determinado chegou, como um fiel cumpridor da palavra empenhada, Jesus realizou o que havia decidido fazer e morreu por nossos pecados, no Calvário.
Nunca devemos cessar de louvar a Deus por causa do evangelho, o qual nos expõe um Salvador tão maravilhoso — um Salvador tão fiel aos termos da aliança, tão pronto a sofrer em nosso lugar e a ser considerado como pecado e maldição em nosso lugar. Jamais duvidemos de que aquele que cumpriu seu compromisso de sofrer também cumprirá seu compromisso de salvar todos aqueles que vierem a ele. Não somente devemos recebê-lo alegremente, como nosso Redentor e Advogado, como também oferecer, com gozo, tudo o que somos e o que temos para seu serviço. Por certo, se Jesus morreu de bom grado em nosso lugar, então é coisa insignificante solicitar aos crentes que vivam para ele.
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