(1 Co 10:1-4)

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INTRODUÇÃO: Falar do Israel étnico e a atual guerra com o Irã...
GK Beale: Paulo diz aos cristãos de Corinto que o AT foi escrito para instruí-los a viver nos tempos do fim, uma vez que ‘o fim das eras já chegou’ para eles (v.11). O apóstolo se refere ao nascimento de Jesus, que ocorreu ‘quando a plenitude dos tempos veio’ em cumprimento das profecias messiânicas (Gl4.4). Assim também, a ‘plenitude dos tempos’ é uma alusão ao tempo em que os crentes foram libertados das mãos de Satanás e do pecado por meio da morte e da ressurreição de Cristo (Ef 1:7-10; 1:20 - 2:6), o que deu início ao domínio de Cristo sobre a terra (Ef 1:19-23). A morte e a ressurreição de Cristo marcaram o começo da nova criação dos últimos dias profetizados por Isaías (2Coríntios 5.17 “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” [Is 43; 65 - 66); essa nova criação determina o momento central das eras, que Paulo chama de ‘agora’ (2Co 5:16) e mais à frente define formalmente como o ‘tempo aceitável’ e ‘dia da salvação’ (2Co 6:2). As profecias escatológicas concernentes à restauração de Israel do Exílio começaram a se cumprir na ressurreição de Cristo, o verdadeiro Israel, e nos que estão na Igreja e pela fé se identificam com ele.
1Coríntios 10.1–2 “Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés.”
Êxodo 13.21 “O Senhor ia adiante deles, durante o dia, numa coluna de nuvem, para os guiar pelo caminho; durante a noite, numa coluna de fogo, para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite.”
Isaías 4.5 “Criará o Senhor, sobre todo o monte de Sião e sobre todas as suas assembleias, uma nuvem de dia e fumaça e resplendor de fogo chamejante de noite; porque sobre toda a glória se estenderá um dossel e um pavilhão,”
Êxodo 14.24 “Na vigília da manhã, o Senhor, na coluna de fogo e de nuvem, viu o acampamento dos egípcios e alvorotou o acampamento dos egípcios;”
Números 12.5 “Então, o Senhor desceu na coluna de nuvem e se pôs à porta da tenda; depois, chamou a Arão e a Miriã, e eles se apresentaram.”
Salmo 99.7 “Falava-lhes na coluna de nuvem; eles guardavam os seus mandamentos e a lei que lhes tinha dado.”
Paulo faz uma exortação baseada no AT. Ele chama atenção dos Coríntios como Moisés chamou a atenção dos israelitas. É importante a gente perceber que não apenas Deus é o mesmo Deus no AT e no NT, mas que também o povo é o mesmo povo. A igreja é apenas. Isso deve despertar grande conforto em nossos corações, por causa das maravilhas que Deus fez no AT, esse é o mesmo Deus que pode fazer fazer maravilhas em nossas vidas hoje. Mas isso também despertar grande temor, porque esse mesmo julgo nossos pecados hoje como antes. Por isso Paulo adverte: não façam como o povo de Israel. Cuidado! Nossa situação e a deles é a mesma. Eles também tinham sacramentos, tinham sinais, como nós temos hoje, e eles desprezaram esses sinais, como muitos de nós e como nós muitas fazer hoje.
Embora a nuvem e a coluna de fogo sempre estivessem presentes (ver Êx 14.24; Nm 12.5; Dt 31.15; Sl 99.7), alguns do acampamento de Israel duvidavam da proximidade de Deus.
Paulo quer que os coríntios conheçam as linhas de continuidade entre as experiências de Israel e as da igreja. Significativamente, ele designa Israel como nossos ancestrais, mesmo que a maioria dos coríntios fosse gentia, indicando que os crentes em Jesus Cristo fazem parte de Israel restaurado. A história de Israel, a história de Israel, é a história deles.
Paulo vai mostrar mais pra frente como aquela nuvem que protegia os israelitas do calor e os guiava em marcha, e como eles atravessaram o mar, como aquilo representa o que hoje nós temos pelo batismo. Depois ele vai falar do maná, o pão que caía do céu, e como correspondia à Ceia.
As experiências de Israel no deserto tiveram um papel tipológico, antecipando e apontando para a igreja de Jesus Cristo, pois os tempos finais agora começaram com a vinda de Cristo. Os privilégios do povo de Israel estão registrados nos versículos 1–4. Eles tinham a presença e proteção divina com a coluna de nuvem, e também foram salvos através do mar. Eles foram incorporados a Moisés, o líder do povo de Deus, na nuvem e no mar. De certa forma, tiveram uma refeição semelhante à Ceia do Senhor ao participarem do maná. Da mesma forma, eles, por assim dizer, beberam de Cristo ao beberem da água no deserto, assim como os crentes bebem do cálice na Ceia do Senhor.
Com a nuvem e o mar, Deus separou seu povo das forças hostis egípcias. A nuvem saiu da frente dos israelitas e foi para trás deles, ali permanecendo para separar o povo de Deus dos exércitos de Faraó (Êx 14.19–20). O Mar Vermelho tornou-se uma barreira defensiva para os israelitas e serviu como divisa entre o Egito e Israel (Êx 23.31). Ambas as experiências, estar ‘sob a nuvem’, e ‘passar pelo mar’, relacionavam-se com a identificação dos filhos de Israel como povo, agora já separado do Egito e sob a proteção de Deus.
Assim como a passagem pelo Mar Vermelho simbolizou o fim da escravidão de Israel e seu começo como nova nação, o batismo para o cristão significa uma separação do pecado e consagração a Deus. A experiência de estar sob a nuvem protetora e passando pelas águas foi o pré-requisito do israelita para que fosse incluído no povo de Deus. De modo semelhante, o sinal de ser batizado em Cristo é a marca de que participa na redenção dele. Resumindo, ser batizado em Moisés representa a redenção de Israel, assim como ser batizado em Cristo compreende a incorporação do cristão na comunhão dele.
Aqui irmãos, eu gostaria muito que a gente entendesse melhor essa conexão entre AT e NT através dos sacramentos, porque é isso que está fazendo. É muito importante a gente lembrar que como no NT há dois sacramentos: batismo e Ceia, no AT também havia - circuncisão e Páscoa. O batismo equivale à circuncisão, e a Ceia equivale à Páscoa.
Falando à respeito do batismo e da circuncisão, o significado práticos deles é que ambos representam o ingresso na comunidade da aliança. Pra fazer parte da comunidade, tinha de ser circuncidado, assim também pra fazer parte da igreja temos de ser batizados. Mas não era apenas esse o significado - ambos tinham uma dupla promessa de bênção e maldição. A circuncisão representava o “cortar a carne” para indicar que a carne pecaminosa do coração havia sido cortada, com o sentido de regeneração e de separação da pessoa para o Senhor (Deuteronômio 30.6 “O Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua descendência, para amares o Senhor, teu Deus, de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas.”). Por outro lado a circuncisão também representava ser cortado do Senhor. “Se uma criança israelita crescesse e chegasse à fé, o que prevalecia era a bênção. Mas se a criança crescesse na incredulidade, o que prevaleceria era a maldição. O batismo também tem essa dupla promessa. Colossenses 2:12 explica que o batismo significa ser identificado tanto com a maldição da morte de Cristo quanto com sua ressurreição para a vida. O imergia na água representa a maldição da morte, e o surgia da água simboliza a ressurreição para a vida. É isso que Paulo fala em Romanos 6:3-6 sobre ser batizado na morte de Cristo - “ser sepultado com ele na morte pelo batismo”, e “o nosso velho homem foi crucificado com ele” (v.6).
Então a circuncisão separava a pessoa da maldição para um estado de bênção. Mas quando o israelita que era circuncidado e permanecia na incredulidade, a circuncisão significava que ele não era cortado ou separado da maldição, mas permanecia debaixo dela. Então essa era a ideia: o israelita ou era cortado para Deus ou cortado de Deus. A circuncisão era uma sinal de bênção e maldição.
E os cristãs que professam a fé, mas são falsos cristãos, que não perseveram, apesar de terem sido batizados. Eles têm o sinal visível da aliança, tem uma religião externa, mas interiormente a bênção não se concretiza. Essas pessoas não vencem a maldição da morte com a ressureição de Cristo, porque não vivenciam a realidade simbolizada pelos sinais da morte e ressurreição substitutivas de Cristo representada pelo batismo delas. É como se elas abraçassem apenas a maldição simbolizada, ou seja, elas morreram, mas não ressuscitaram. Elas continuam no estado de condenação, separadas, cortadas de Deus.
Paulo então explica essas coisas usando um acontecimento redentor na vida do povo de Israel, que foi a travessia do mar vermelho. O mar traz a ideia de bênção sobre os que foram redimidos através da água e de maldição para os egípcios condenados pelas mesmas águas.
Por que isso é tão importante, irmãos? O batismo é um sinal da aliança que indica antecipadamente bênção e maldição, e que o fator decisivo para a bênção ou para a condenação é a perseverança da pessoa batizada. Por isso mesmo as crianças continuam hoje recebendo a marca da aliança como era no AT - porque elas não consideradas definitivamente salvas pelo batismo, mas por meio dele elas ingressam no domínio em que bênçãos ou maldições podem vir sobre elas, dependendo da resposta que elas darão no futuro. Isso serve a todos nós. O batismo não salvo. O que vai identificar a bênção representada pelo batismo em nossas vidas, é se vamos manter nosso compromisso até o fim. Então, ou seremos como aqueles que atravessaram o mar, ou estavam na arca, ou então seremos como aqueles que foram tragados pelo mesmo mar. O sinal que você será sua bênção ou seu juízo. Essa é a importante advertência de Paulo aos coríntios.
1Coríntios 10.3–4 “Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo.”
Paulo agora faz referência à Ceia do Senhor. Se o povo de Israel desfrutou de uma espécie de batismo, também teve experiências que anteciparam a Ceia do Senhor: todos comeram o mesmo alimento espiritual. A referência é ao maná que sustentou Israel durante quarenta anos no deserto (Êxodo 16:4, 35; Neemias 9:20; Salmos 78:24–25). Paulo não diz apenas que comeram maná ou que comeram alimento; ele identifica o alimento como espiritual, o que novamente estabelece um paralelo entre a experiência de Israel e a experiência da igreja de Jesus Cristo. O paralelo entre comer o pão e beber o cálice na Ceia do Senhor é completado. Israel teve experiências sacramentais que anteciparam a experiência dos crentes ao comer o pão e beber o vinho na Ceia do Senhor.
Números 20.11 “Moisés levantou a mão e feriu a rocha duas vezes com o seu bordão, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais.”
Salmo 78.15 “No deserto, fendeu rochas e lhes deu a beber abundantemente como de abismos.”
Eu não quero desenvolver muito sobre a Ceia porque no capítulo 11 vamos ver bastante sobre isso. Mas vamos focar nas referência que Paulo usa aqui.
A água que lhes foi dada no deserto veio da Rocha que era diferente de qualquer outra rocha—em outras palavras, o verdadeiro Deus é radicalmente diferente dos ídolos
Deuteronômio 32.4 “Eis a Rocha! Suas obras são perfeitas, porque todos os seus caminhos são juízo; Deus é fidelidade, e não há nele injustiça; é justo e reto.” Deuteronômio 32.15 “Mas, engordando-se o meu amado, deu coices; engordou-se, engrossou-se, ficou nédio e abandonou a Deus, que o fez, desprezou a Rocha da sua salvação.” Deuteronômio 32.30–31 “Como poderia um só perseguir mil, e dois fazerem fugir dez mil, se a sua Rocha lhos não vendera, e o Senhor lhos não entregara? Porque a rocha deles não é como a nossa Rocha; e os próprios inimigos o atestam.”
Paulo então conclui que Cristo é a Rocha! Tal interpretação se alinha com o que frequentemente encontramos nos escritores do Novo Testamento: o que é atribuído a Javé no Antigo Testamento é aplicado a Jesus Cristo.
O propósito de Paulo, como vimos, é estabelecer a conexão mais próxima possível entre Israel e a igreja. Ele não quer que os coríntios desconsiderem suas admoestações alegando que o Israel do Antigo Testamento está muito distante da igreja para ser um paralelo adequado; na realidade, Cristo também esteve com Israel.
Pense nisso, irmãos. Paulo está dizendo em outras palavras, que quando um Israelita desprezava as obras de Deus, sua redenção no mar, na Rocha, no maná, era a Cristo que eles desprezavam. Se como em outro lugar Jesus vai dizer que ele é o maná que desce do céu, então os israelitas que enjoaram do maná, que desejaram voltar ao Egito, eles estavam na verdade menosprezando a Cristo. Vocês percebem que a gente tende a olha pra o AT e dizer: isso não é pra nós hoje, hoje é diferente. Mas na verdade isso é muito mais pra nós que era para o povo de Israel no sentido de que a revelação está muito mais clara hoje do que no passado, porque agora Cristo se encarnou e não aparece mais através de figuras, mas ele mesmo veio - o conteúdo, a substância daquelas coisas.
MH: O maná do qual se alimentavam era um tipo de Cristo crucificado, o Pão que desceu do céu, que todo aquele que come viverá para sempre. Cristo é a Rocha sobre a qual a igreja cristã é edificada; e das correntes que dela brotam, todos os crentes bebem e são renovados. Isso simbolizava as influências sagradas do Espírito Santo, conforme dadas aos crentes através de Cristo.
Irmãos, veja o que diz o escritor aos hebreus:
Hebreus 11.39–40 “Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.”
Isso quer dizer que a substância das promessas de Deus ainda não estava presente no AT. Ela aparece no NT. Isso é maravilhoso, mas é também motivo pra temor. E é isso que o escritor aos hebreus fala no capítulo anterior.
Hebreus 10.26–30 “Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.”
É essa a exortação de Paulo aos coríntios… e a nós hoje. A pergunta não só o quanto você tem de Cristo, o quanto você sabe sobre ele… mas o quanto você o ama, o quanto você o experimento na sua alma, o quanto você o deseja e busca ser semelhante a ele. Ele morreu e ressuscitou, derrotando a morte o pecado. E você? Morreu e ressuscitou com Cristo? Seus pecados foram colocados sobre ele? Foram derrotados na cruz? Sua morte foi vencida na morte de Cristo? O modo como vive dirá isso. Ame o Senhor e viva pra ele, pra sempre, até o fim. Como ontem, assim hoje e amanhã. Amém!
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