Romanos
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Transcript
Contextualização
Paulo provavelmente escreveu Romanos quando estava em Corinto, por ocasião de sua terceira viagem missionária em 57 d.c, Atos 20:2-3.
Na recomendação de Paulo à irmã Febe, ele nos permite entender que possivelmente ela foi a pessoa que se deslocou para levar a Carta às Igrejas em Roma.
A temática central é a revelação da justiça de Deus no evangelho de Jesus Cristo, uma justiça que julga e salva. Na cruz de Cristo, Deus julga o pecado e, ao mesmo tempo, manifesta sua gloriosa misericórdia salvífica.
Paulo, ao escrever, tem como propósito tratar de questões de interesses particulares da Igreja de Roma, alguns destes:
É possível ser justo diante de Deus por meio da obediência à lei?
O que se pode aprender com Abraão? Será que ele é pai tanto de judeus quanto de gentios cristãos?
Qual é a função da lei no tocante ao pecado?
Essas confusões se derivaram devido à Igreja que, a princípio ou fatalmente fundada pelos judeus, foi expulsa pelo Imperador Cláudio em 49 d.C, Como Atos 18:2 nos faz compreender, e na ausência dos judeus, os cristãos gentios se desenvolvem por vários anos.
Romanos 1
1 Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado(convidado) para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,
Paulo inicialmente apresenta sua credencial, dizendo quem ele é, sua função na Igreja daquele tempo e para o que foi chamado. Quem é você?
Paulo é servo (δοῦλος — escravo) COMPRADO por Deus. É fabuloso lembrarmos que escravo é um ser privado da liberdade, está submetido à vontade de um senhor, a quem pertence como propriedade.
Você também é servo, escravo… de alguém. Quem é este alguém? Jesus Cristo? Ou você mesmo?
Paulo é escravo de Jesus Cristo, penso eu querido que, se não somos escravos de Cristo, somos escravos do diabo, só há dois senhores neste mundo, e se sou escravo de minhas paixões, não posso ser escravo de Cristo, pois a carne milita contra o espírito, ou seja, contra a vontade de Deus.
Carta aos Romanos - Comentário Expositivo do Novo Testamento Grant Osborne
No primeiro século, escravos tornavam-se parte da família de seus donos, sendo protegidos por eles e algumas vezes até compartilhando do alto status social que possuíam. Paulo está mostrando a fonte de sua autoridade. Não é inerente a quem ele é, mas ao Deus a quem ele pertence.
Este Dia com Deus, p. 130.
Sobre toda pessoa recai a solene obra de considerar-se um servo de Jesus Cristo, comprometendo-se solenemente por seus votos batismais a revestir-se da justiça de Cristo. Seguiremos o vívido exemplo do Senhor Jesus?
Paulo também é Apóstolo (ἀπόστολος — enviado). Um enviado de Jesus Cristo comissionado diretamente por Ele ou por outros apóstolos; normalmente alguém que foi ensinado diretamente por Jesus e que está investido de autoridade para falar em Seu nome. Você é um enviado para quê? Você foi comissionado pela santa Escritura, ou seja, foi comissionado por Jesus também, isso não lhe traz o título de apóstolo, pois este título está reservado para os que viram o Cristo. Qual é o convite de Jesus a você? Paulo não se fez apóstolo, ele foi convidado para tal obra.
Paulo foi separado (designado) Atos 13:2 - Gálatas 1:15 - Salmo 139:16 para o Evangelho de Deus, e o evangelho tem nome, tem endereço, o evangelho é Jesus. Que se fez carne, deixando sua glória e majestade para sofrer em nosso meio, mas com poder segundo o Espirito de santidade ressuscitou dos mortos, triunfou gloriosamente sobre a morte este é Cristo Jesus, e somente por meio dEle obtemos graça e uma função a desempenhar nesta terra por amor do seu nome, pois do contrário não seríamos nada. É o que vão nos dizer os versos seguintes 3, 4 e 5.
Cartas e Manuscritos — Volume 10 (1895), Ms 25a, 1895, par. 21.
Um homem pode negligenciar os poderes que lhe foram dados por Deus, ou pervertê-los para um uso errado, e, no que lhe diz respeito, pode frustrar o propósito de Deus. Mas ele se torna miserável ao desonrar Seu Criador. Ele pode permanecer aparentemente indiferente aos grandes temas da redenção. Ele pode, por sua conduta, encorajar outros a seguirem seu exemplo e demonstrar desrespeito declarado a Deus, Seus caminhos e Sua vontade. Mas aquele que faz isso está recebendo uma educação que é uma maldição para ele. Em grau correspondente, há benefícios a serem derivados da obediência; o uso correto dos poderes concedidos trará uma recompensa eterna.
2 que ele, no passado, prometeu por meio dos seus profetas nas Escrituras Sagradas.
3 Este evangelho diz respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi
4 e foi designado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor.
5 Por meio dele viemos a receber graça e apostolado por amor do seu nome, para a obediência da fé, entre todos os gentios.
6 Entre esses se encontram também vocês que foram chamados para pertencerem a Jesus Cristo.
O verso revela o chamado universal de Deus para todos: a SANTIDADE.
7 A todos os amados de Deus que estão em Roma, chamados para ser santos.
Que a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês.
Romanos 1
8 Em primeiro lugar, por meio de Jesus Cristo, dou graças ao “meu Deus” por todos vocês, porque a fé que vocês têm é proclamada no mundo inteiro.
Para este autor, Deus não era uma abstração (conceito) filosófica, mas um Amigo real.
O Apóstolo sempre inicia suas congratulações com ação de graças, descobrimos que a lição que nos é transmitida consiste em que todas nossas bênçãos são também dons divinos.
Paulo expressa uma gratidão incomum… gratidão pelo próximo, gratidão motivada pelo sucesso da pregação do evangelho em todo o mundo. Paulo, apesar de pessoalmente ainda não ter conhecido Roma, sabia do crescimento exponencial dessas Igrejas. De igual forma, precisamos estar não só gratos, mas envolvidos na proclamação mundial do evangelho, não podemos ser os do contra que já torcem pelo fracasso dos novos conversos, descrendo de sua permanência na Igreja.
Há uma frase conhecida que diz — o amigo de verdade se alegra com suas vitórias, torce pelo seu sucesso e lhe ajuda em seus fracassos. Paulo não era grato por uma benção pessoal oferecida por Roma, alegrava-se em ver o progresso naquele lugar e queria ser parte de maior sucesso deste.
9 Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, é minha testemunha de como nunca deixo de fazer menção de vocês
10 em todas as minhas orações, pedindo que, em algum momento, pela vontade de Deus, surja uma oportunidade de visitá-los.
Comentário Bíblico Latino-Americano
Paulo queria passar um tempo em Roma, embora já houvesse ali uma igreja estabelecida. Isso não era incomum: qualquer apóstolo teria querido saber como estava crescendo o evangelho na capital imperial.
11 Porque desejo muito vê-los, a fim de repartir com vocês algum dom espiritual, para que vocês sejam fortalecidos,
12 isto é, para que nos consolemos uns aos outros por meio da fé mútua: a de vocês e a minha.
13 Quero que vocês saibam, irmãos, que muitas vezes me propus a ir visitá-los (Atos 19:21) — no que tenho sido, até agora, impedido —, para conseguir algum fruto [João 15.16] igualmente entre vocês, assim como também tenho conseguido entre os outros gentios.
14 Pois sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a insensatos.
15 Por isso, quanto a mim, estou pronto a anunciar o evangelho também a vocês que estão em Roma.
Comentário Bíblico Latino-Americano
A dificuldade que Paulo enfrentava no ano 57 d.C. era que estavam se esgotando os lugares onde ele pudesse realizar a obra pioneira de fundação de igrejas entre os não judeus. Em pouco mais de uma década, ele havia pregado o evangelho em todo o arco nordeste do Mediterrâneo e, tendo terminado de evangelizar a região do Ilírico (Romanos 15.19-20), só poderia ir mais para noroeste ou para outra nova região.
Romanos
Aprendemos disso que o Senhor freqüentemente frustra os propósitos de seus santos com o fim de humilhá-los, e através de tal humilhação ensiná-los a sujeitarem-se a sua providência da qual dependem. Estritamente falando, contudo, seus planos não são frustrados, visto que não alimentam nenhum propósito à parte da vontade divina. É blasfema afronta estabelecer alguém planos futuros sem levar em consideração a vontade divina, como se estivesse em nosso poder planejar e executar. Isso é o que Tiago incisivamente reprova [Tiago 4.13-14].
Paulo, nestes versos, nas muitas vezes que planejou, mas não pode ir, impedido pela agenda divina, isso ainda não havia sido possível. O desejo por auferir algum fruto nos mostra que o crescimento nunca é demais e que, na verdade, nesse momento devemos pensar em mais, mais almas para o reino do Céu. Paulo assegura-nos que noutros lugares havia alcançado gentios. Uma vez que este é DEVEDOR de todos…
O que você tem almejado? Quais são os seus planos? Numa sociedade consumista como a nossa, quais são os seus planos? Casa própria? Veículo novo? iPhone do ano? Uma TV de led enorme para sua sala? Uma viagem para um lugar tão sonhado?
Nada disso é pecado, mas se são nossas prioridades em detrimento da proclamação do evangelho a todos, mostra-se que nossa agenda é contrária à agenda de Deus. Cristo não veio a passeio nessa terra, o maior sacrifício do universo feito por você merece sua melhor resposta ao grande comissionamento do Senhor.
Paulo, o Adjetivo πρόθυμος — ου, τό; (prothymos), PRONTO; DISPOSTO - QAP. Paulo assim revela estar ANSIOSO — alguém que mostra grande interesse ou desejo intenso (para fazer algo).
Paulo não iria se organizar para tal obra, para este ele já estava pronto, pois foi para isso que Deus o separou. E você está pronto para quê? Ansioso pelo quê?
Romanos 1
16 Pois não me envergonho do evangelho [1 Coríntios 1.18], porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.
17 Porque a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: “O justo viverá por fé.” [Gálatas 3.11] - [Filipenses 3.9] - [Hebreus 10.38].
É maravilhoso ouvir tal verdade… a maior loucura daqueles dias foi e sempre será nossa maior alegria a SALVAÇÃO em Cristo, quando Paulo fala sobre não se envergonha do Evangelho, ele nos faz lembrar que a mensagem da cruz era uma loucura, assim como é para muitos hoje,
A cruz naquela ocasião era motivo de repúdio por parte de muitos,
A cruz naquela ocasião era ser tachado de antiquado (que se tornou antigo; fora de moda; obsoleto, ultrapassado)
A cruz naquela ocasião representava possibilidades de: prisão - acoites - morte e perigos de morte - fustigado com varas - apedrejamento - perigo entre falsos irmãos - trabalhos e fadigas - vigílias - fome - sede - jejuns - frio - nudez.
Como me envergonha deste Evangelho? Se ele é o PODER de Deus para salvação de TODO o que nele crê. Tal coisa é maravilhosa demais para mim.
É bem provável que essa expressão - justiça de Deus; signifique principalmente, A JUSTIÇA que VEM de Deus. Denotando uma posição favorável diante de Deus (uma realidade legal) que Ele mesmo confere às pessoas.
