O Legalismo na Igreja de Cristo
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Transcript
Dedico esse sermão ao meu professor Thiago, que após breves conversas e diálogos sobre a igreja na atualidade, me convidou a escrever sobre esse tema tão sensível e importante. Gostaria também de agradecer a um grande irmão em Cristo, meu amigo Paulo Muniz, que me ajudou e aconselhou ao decorrer da escrita do sermão. Espero que ele encontre quem for necessário, conforte quem for necessário e confronte quem for necessário. Tudo para honra do Deus Triuno, Pai Filho e Espírito Santo e seu povo, a Igreja, o rebanho invisível e espiritual de Cristo.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
A cultura do mundo fitness virou moda hoje em dia, não é? Vemos pessoas dedicando bastante de si para construir uma rotina saudável e corpos atraentes, eles dedicam horas, fazem restrição alimentar, 100 gramas disso para lá, 200 gramas disso para cá, de vez em quando um doce, mas nada muito agravante , buscam postar fotos, cada uma se esforçando quase que obsessivamente para ser o melhor entre os outros. E essa cultura gera uma sociedade desesperada pelo “melhor treino”, a “melhor dieta”, misturado com uma comparação exagerada, acompanhada de uma gigante busca por descredibilizar o corpo de pessoas “inferiores”. E algumas dessas pessoas se tornam até mesmo personal trainers e nutricionistas, que são responsáveis por montar dietas rigorosas e treinos exaustivos para trazerem as pessoas ao ápice de sua estadia física, com a finalidade de esbanjarem seus corpos hiper musculosos e sensuais no instagram.
E tem gente na igreja que leva a vida espiritual dessa maneira, como se a vida cristã fosse como a academia, onde você precisa fazer uma dieta extremamente regrada, que permite um pecadinho aqui e outro ali, mas mesmo assim buscando manter uma rotina rigorosa e uma tentativa egocêntrica de se aparecer sendo o melhor de todos. A comida medida na balança é trocada por mínimas ações que, segundo eles, fazem alguém ser mais espiritual ou menos, ou seja, tudo importa. Se você está com um brinco, mas vive uma vida piedosa, você é menos espiritual do que o irmão - se é que podemos chamar assim - que não tem um furo no corpo, mas que bate na mulher e nos filhos, mas na igreja está sempre com a cara lavada sorrindo e levantando as suas mãos sujas para “adorar a Deus”.
O maior erro da nossa sociedade, portanto, é tratar a vida espiritual longe da balança da graça, esquecendo de levar em conta que temos um Redentor que tirou todo o jugo de nossas costas, e nos deu o Espírito que provém do Pai e do Filho para nos ajudar a viver uma vida totalmente segundo sua vontade, e a vontade de Deus não é relacionada em pesos e medidas, em 100 gramas de devocional e jejuns intensivos misturados com 1 mg de terno e gravata, mas a vontade de Deus é que vivamos segundo as toneladas de graça que ele derrama todos os dias sobre nós como chuva serena, que nos capacita a viver em santidade e em amor.
E quando esquecemos desse elemento essencial, isto é, a graça de Deus mediante o sacrifício de Cristo, acabamos buscando homens tolos, que deturpam a Palavra de Deus para buscar maneiras de fazer com que os homens tentem ser mais santos que Deus, esses homens são chamados carinhosamente por mim de “personal trainers espirituais”.
Eles, em toda sua ousadia, criam jugos e fardos para pessoas que não entendem a graça e buscam ser “mais santos” que os demais, por seu ego, desejando se destacarem no meio dos irmãos, com isso, ao invés de criar uma variante mutante de supercrentes que vão criar poderes e quem sabe lutar com o Thanos, eles acabam aproximando ainda mais homens ímpios do Diabo, ajudando no processo de endurecimento de seus corações.
Nesse sermão nós iremos nos aprofundar em pontos importantes, abordando tanto como agem essas pessoas, quanto como lidar com elas, e como restaurar aquelas que foram feridas por esse sistema religioso que destrói a vida de tantas pessoas.
JESUS E OS FARISEUS
Mateus 23:23-24
²³ "Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas têm negligenciado os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês devem praticar estas coisas, sem omitir aquelas.
²⁴ Guias cegos! Vocês coam um mosquito e engolem um camelo.
Após a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém(Mt 21), Jesus permanece na cidade por um tempo antes de sua crucificação, debatendo no Templo e nas sinagogas com aqueles que eram os mestres da Lei de Moisés e líderes religiosos em geral. E a ênfase de Jesus em seus últimos discursos em ordem de constância eram:
(1) Condenar e pronunciar juízo aos fariseus por sua conduta legalista e pela rejeição do Messias que estava entre eles, sendo o próprio Jesus, o filho de José. (2) Estabelecer e defender sua autoridade como Messias e Filho de Deus (3) Definir princípios éticos, como por exemplo: exercer uma cidadania honesta - dando a César o que é de César- , o maior mandamento - amar a Deus e ao próximo - (4) Fim dos Tempos.
Esse grande intervalo bíblico entre Mateus 21 até Mateus 25 contém um conteúdo muito rico para nossa compreensão doutrinária e teológica, mas também para nossa compreensão acerca de quem Cristo era, e como ele, o próprio Deus encarnado desejava que nós agíssemos como seus seguidores. Pretendo fazer um sermão mais aprofundado sobre os diversos temas depois.
E em um dos discursos que Jesus proferiu no pátio do Templo, um lugar de grande “sacralidade” e importância religiosa para os judeus daquele daquele tempo. Jesus se dedica a criticar o modo de vida dos fariseus e mestres da Lei de Moisés. Os fariseus eram parte de um partido religioso muito grande dentro do judaísmo que se dedicava a seguir os mandamentos de Moisés de uma maneira radical - ou, como eles falam, seguir à risca -. O significado do termo fariseu é “perushim”, que significa “separados” em hebraico.
O engraçado é que Jesus nunca criticou o ensino e a busca por santidade e pureza, como podemos ver:
“Porque eu afirmo que, se a justiça de vocês não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrarão no Reino dos Céus.”(Mt 5.20)
Jesus eleva e muito o sentido de buscar a santidade e a justiça, considerando o jeito dos fariseus de buscar uma vida santa como algo “para iniciantes”, enquanto Jesus chama seus seguidores para um nível Hard+ de santidade.
Jesus nunca criticou a busca por “separação” - de onde vem o nome original hebraico - dos fariseus, mas sempre criticou o modus operandi desse grupo, pois os fariseus viviam de uma maneira extremamente legalista e contra os princípios principais da Lei de Deus. Calvino, em seu comentário ao Evangelho de Mateus, afirma que, devendo eles terem buscado os elementos principais da Torá - Pentateuco judaico -, eles recorriam aos apêndices, isto é, os outros 603 mandamentos descritos por Moisés. Sendo sua ênfase principal no “apêndice do apêndice”, ou seja, entre os mandamentos menos importantes, eles buscavam seguir rigorosamente os menos importantes dos menos importantes.
Jesus, em seu discurso contra os fariseus, não foi doce ou agradável, podemos ver nesta série de discursos, chamada de “os 7 ais”, que Jesus estava sendo extremamente incisivo e muitas vezes até ridicularizando o alvo de seu sermão, como veremos mais adiante desse sermão.
A conclusão é que os fariseus podem ser caracterizados como um grupo religioso extremamente legalista, focados no aparente, nas coisas materiais, esquecendo das coisas internas e espirituais, esquecendo dos mandamentos principais da Lei do Senhor e de todas as coisas que Ele coloca como importantes verdadeiramente.
E esse mesmo grupo pode servir de comparação com diversos grupos que encontramos hoje na igreja brasileira. A aliança mudou do sangue do animal para o Sangue do próprio Filho de Deus, mas a dureza de coração que vêm desde Adão persegue toda a humanidade, não só o povo judeu. E graças ao pecado original
Aplicações importantes para os nossos dias
Chegamos em uma parte importante do sermão
