(LV 23:1-8) As Festas de Israel: Páscoa

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A Páscoa é imediatamente seguida pela Festa dos Pães Asmos. É muito difícil saber se eram um único evento ou dois eventos diferentes. Vou tratar hoje da Páscoa como um evento distinto da Festa dos Pães Asmos, mas sabendo da possibilidade de serem uma mesma Festa em duas partes. Por exemplo, dentre todas Festas de Israel, existiam três que se tornaram Festas de Peregrinação. Eram as festas em que o povo se deslocava de suas casas para ir a Jerusalém comemorar. A Páscoa junto da Festas dos Pães asmos eram comemorados como um único evento, como uma festa de Peregrinação. As outras duas Festas de Peregrinação, ou de Romagem, eram a Festa das Semanas, ou Pentecostes, porque acontecia 7 semanas depois da Páscoa, e a terceira era a Festa dos Tabernáculos.
É interessante entender que essas Festas tinham um significado ligado à colheita, por isso eram marcadas pelas estações (Festa = Estação). A Páscoa e a Festa dos Pães Ázimos caem na primavera, e a Festa dos Pães Ázimos provavelmente começou como uma celebração da colheita da cevada na primavera. A Festa das Semanas está associada às primícias (Êx 34:22), e a Festa dos Tabernáculos é um festival da colheita de outono (Lv 23:39–43).
Mas, associado a isso, elas tinham um significado ligado à obra da Redenção. Enquanto a Páscoa e a Festa dos Pães Ázimos comemoravam o próprio evento de êxodo — a partida de Israel do Egito (16:1–8), a Festa das Semanas, que era celebrada sete semanas ou 50 dias após a Páscoa, foi mais tarde associada aos eventos no Sinai (aproximadamente 7 semanas na jornada dos israelitas; Êx 19:1–3) e envolveu o pacto sendo renovado (Jubilees6:17–22). A Festa dos Tabernáculos passou a ser conectada ao período em que Israel peregrinou no deserto (Lv 23:42–43).
Então é interessante ver como esses eventos estavam relacionados tanto ao descanso da criação, quanto ao descanso da redenção.
A Instituição da Páscoa
A Páscoa comemora a libertação do povo de Israel da escravidão do Egito. Na 10ª praga do livro de Êxodo, quando o SENHOR pune o Egito matando todos os primogênitos, e preservando os primogênitos do povo de Israel pelo sangue do cordeiro nas portas. A Páscoa era celebrada do 14º dia do primeiro mês do ano (Abibe).
Deus puniu o Egito, mas poupou os primogênitos de Israel, desde que os israelitas seguissem as instruções de Moisés corretamente. Na noite da praga, os israelitas foram instruídos a permanecer em suas casas após imolar um cordeiro e colocar seu sangue na verga e nas ombreiras de suas casas (Êx 12:7, 21–22). O sangue deveria ser um sinal que distinguia os israelitas e os separava das vítimas da praga (Êx 12:13, 23). Como o povo deveria estar pronto para partir do Egito a qualquer momento, eles deveriam comer o cordeiro rapidamente, vestidos para viajar e com o cajado nas mãos (Êx 12:11).
Êxodo 12.11–13 “Desta maneira o comereis: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor. Porque, naquela noite, passarei pela terra do Egito e ferirei na terra do Egito todos os primogênitos, desde os homens até aos animais; executarei juízo sobre todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor. O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.”
Êxodo 12.23 “Porque o Senhor passará para ferir os egípcios; quando vir, porém, o sangue na verga da porta e em ambas as ombreiras, passará o Senhor aquela porta e não permitirá ao Destruidor que entre em vossas casas, para vos ferir.”
Os israelitas seguiram as instruções de Moisés e, à meia-noite, Yahweh atacou os primogênitos do Egito (Êx 12: 28-29). Faraó convocou Moisés e Arão no meio da noite e ordenou que pegassem todos os israelitas e partissem do Egito (Êx 12:31–32). Os israelitas saíram apressadamente, pegando sua massa de pão antes de ser levedada (Êx 12:34), então, na jornada, eles tiveram que assar bolos sem fermento porque eles não tiveram tempo para preparar nenhuma outra provisão (Êx 12:39).
Os Regulamentos da Páscoa
Como um dia santo, a Páscoa é inaugurada em Êxodo 12 em conexão com a libertação de Israel da escravidão egípcia por Yahweh . As instruções para a Páscoa e a Festa dos Pães Ázimos são dadas principalmente em Êxodo 12–13 e Êx 23:10–18; 34:18–25; Lv 23:4–8; Num 9:1–14; 28:16–25; Dt 16:1–8).
Em Êxodo 12 e 13, onde a Páscoa é instituída de fato, as instruções são dadas imediatamente depois que Moisés avisa ao Faraó sobre a vida da 10ª praga e a morte dos primogênitos. Tem uma mistura da história com as instruções, e também uma mistura das instruções da Páscoa com a Festa dos Pães Asmos, que eram possivelmente a mesma Festa.
Êxodo 12:1-11:
• selecionar um cordeiro (שֶׂה, seh), um macho sem defeito, para o sacrifício — normalmente um por família — no dia 10 do mês (Êx 12:3–5); • sacrificar o cordeiro no crepúsculo do dia 14 do mês (Êx 12:6); • colocar o sangue do cordeiro nas ombreiras e verga da casa (Êx 12:7); • assar o cordeiro no fogo, não comê-lo cru ou fervendo (Êx 12:8–9); • comer o cordeiro assado com pão ázimo (מַצּוֹת, matstsoth) com ervas amargas (מְרֹרִים, merorim) (Êx 12:8); • comer todo o cordeiro naquela noite e queimar as sobras (Êx 12:10); • comer a refeição com pressa, pronto para sair de casa a qualquer momento (Êx 12:11).
O sangue nas ombreiras e verga das portas era um sinal de que as pessoas que moravam naquela casa estavam confiando em Yahweh para a libertação.
Êxodo 12.13 “O sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; quando eu vir o sangue, passarei por vós, e não haverá entre vós praga destruidora, quando eu ferir a terra do Egito.”
Mais tarde, Moisés avisa os anciãos de Israel que ninguém deve sair de suas casas naquela noite e que quando Yahweh vir o sangue na porta, Ele “passará” e “não permitirá que o destruidor” entre em suas casas (Êx 12:23).
Êxodo 12 termina com mais algumas estipulações explícitas relacionadas à observância da Páscoa: • Estranhos—incluindo estrangeiros, residentes temporários ou trabalhadores contratados não israelitas, não têm permissão para comer a refeição pascal (Êx 12:43, 45). • Escravos ou estrangeiros que viviam entre os israelitas tinham de ser circuncidados antes de poderem participar da Páscoa (Êx 12:44, 48). • A refeição da Páscoa deveria ser comida em uma casa e não poderia ser tirada dela (Êx 12:46). • Nenhum osso do cordeiro pascal deveria ser quebrado (Êx 12:46).
O que era a Páscoa afinal?
John Sittema: Não há dúvida de que se tratava de uma festa, mas seu tom era solene. A primeira de todas as festas tanto em sequência quanto em importância, corporificava o drama pesado da redenção. Na Páscoa, Deus revelou que a base da aliança com seu povo era o sangue e mostrou que a salvação viria por meio da morte. Em sua graça, porém, aceitaria um cordeiro como sacrifício substitutivo. A Páscoa representava uma verdade dolorosa: o livramento da escravidão do pecado teria um alto preço. Ao mesmo tempo, corporificava paz: a liberdade traria consigo uma nova vida e um novo status. Depois da Páscoa, aqueles que outrora haviam sido escravos se tomariam filhos de Deus.
Israel devia se tomar muito mais do que um observador imparcial, pois a Páscoa também significa vida ou morte. Se os israelitas confiassem de fato em YHWH, viveriam pelo sangue do cordeiro. Se duvidassem e não marcassem as portas com sangue, seu primogênito seria morto com os primogênitos do Egito. Sob a liderança forte de Moisés, Israel confiou, respondeu com fé ativa a YHWH e o aceitou como o Deus que se manifestava a todos os seus sentidos. Os olhos bem abertos procuraram por algum defeito no cordeiro. As mãos ficaram manchadas com o sangue da imolação e aplicação à porta. Nos ouvidos, ressoaram os gritos agudos dos animais que morriam. As narinas se encheram com o fedor de morte e o aroma agradável de carne assada. A boca saboreou cada bocado na refeição que se seguiu. Os elementos da refeição mostrariam a Israel quem ele era aos olhos de Deus. As ervas amargas o lembrariam de sua própria história, dos séculos de opressão cruel e tirania severa. Os pães asmos contariam outra história, sobre um novo começo, um rompimento com o passado infeliz e o ingresso numa vida radicalmente nova e diferente. O cordeiro imolado, elemento central da refeição, era o substituto de um povo inteiro. Seu sangue daria testemunho do amor de Deus pelo povo de seu coração. Israel não havia sido esquecido no Egito; Deus tinha ouvido seu clamor e o atendera. Havia coberto seu povo, protegendo-o da justiça a ser executada pelo anjo da morte.
A Páscoa no NT
No primeiro século da era cristã, nós vemos mudanças significativas na Páscoa. Os acontecimentos da vida do povo de Israel com certeza contribuíram pra isso. O povo de Israel não eram mais simplesmente os israelitas - as 12 tribos -, mas o povo judeu. Depois do Tabernáculo veio o primeiro, que foi destruído, e depois um segundo Templo, que depois foi modificado. Houve muitas tradições.
John Sittema: As tradições desenvolvidas em torno da comemoração envolviam todos os aspectos da festa. A primeira mudança considerável na Páscoa, do século 1º, envolveu várias atividades associadas à inspeção do cordeiro. Os israelitas deviam examinar os cordeiros pascais para se certificar de que eram “sem defeito”. Quer se tratasse do cordeiro a ser consumido por uma família ou aquele que seria oferecido pela nação no Templo, todos os animais para o sacrifício eram inspecionados pelos sacerdotes que ministravam no templo. Os sacrifícios podiam, evidentemente, ser trazidos de fora do templo, mas tinham de passar pela vistoria dos sacerdotes antes de serem imolados. A maioria das pessoas comprava os cordeiros dos rebanhos certificados do Templo. Imagine um sistema corrupto de sacerdotes que encontravam imperfeições minúsculas em qualquer cordeiro trazido de fora; o único modo de se garantir era comprar um cordeiro dos rebanhos “aprovados” por eles.
No 1º século os grupos apresentavam o cordeiro no Templo, onde, ao som de uma trombeta de prata no décimo quarto dia de Nisã (Abibe), a garganta dos cordeiros sacrificados era cortada pelos sacerdotes, o sangue era recolhido em bacias e, posteriormente, derramado na base do altar. No momento do sacrifício, um coral de levitas cantava o Hallel, os salmos 113-118, enquanto a congregação respondia: “Hallelu-Yah!”, “Louvado seja o Senhor!” O povo para casa para comer o cordeiro na refeição (“ordem de culto”) tradicional. Os salmos de Hallel também estruturavam a refeição, enquanto os alimentos servidos e as quatro taças de vinho lhe conferiam um foco redentor. Recitava-se a bênção de abertura sobre a primeira taça de vinho, a taça da bênção, depois da qual se derramava água sobre as mãos do anfitrião numa lavagem cerimonial. O primeiro alimento trazido à mesa era a karpas, um tipo amargo de alface ou salsinha; as folhas eram mergulhadas em água salgada ou vinagre e entregues a cada participante. A segunda taça de vinho, a taça da ira, era servida, mas não bebida. Nesse momento, o filho mais jovem tinha a incumbência de perguntar (Ex 12.26): “Que rito é este?” e o anfitrião/pai narrava a triste história da escravidão de Israel e o livramento dos israelitas do Egito. Bebia- se, então, a taça da ira. O restante dos alimentos (cordeiro, ervas amargas e pão asmo) era servido enquanto os presentes cantavam a primeira parte do Hallel (SI 113-114), cânticos que falavam do fato de que YHWH havia livrado Israel do Egito. Depois de outra bênção, consumiam-se os alimentos. O anfitrião repartia o pão asmo e o distribuía. O pão era embebido em maror — uma mistura de ervas amargas, raiz-forte moída sozinha ou misturada com alface amarga, endívia ou coentro — para lembrar o amargor da servidão e haroseth, uma mistura de maçãs picadas, especiarias e nozes que representava a argamassa usada por Israel na tarefa árdua de produzir tijolos no Egito. Por fim, os participantes comiam o cordeiro que lhes trazia à memória a salvação. Depois da refeição, servia-se e bebia-se a terceira taça de vinho, a taça da redenção, e cantava-se ou recitava-se o restante dos salmos de Hallel (SI 115-118), cânticos que olhavam para o passado e expressavam os louvores de um povo agradecido pela redenção realizada. Por fim, servia-se e bebia-se a quarta taça de vinho, a taça do reino, e a refeição (Sêder) terminava com um cântico sobre o futuro. O cântico começava com as palavras: “Todas as tuas obras te louvarão, YHWH, nosso Deus” e concluía dizendo: “De geração em geração, tu és Deus. Não temos outro Rei, Redentor ou Salvador além de ti”.
Além da refeição Sêder observada em reuniões de família, as celebrações da Páscoa também eram observadas em público, de maneira corporativa, numa cerimônia solene e impressionante, presidida pelo sumo sacerdote no pátio do Templo. A Páscoa pública possuía o próprio conjunto de tradições. Vários dias antes da Páscoa, no décimo dia de Nisã, conforme prescrito em Êxodo 12.3, o cordeiro para o povo era colocado em exibição no pátio do Templo, para que todos pudessem examiná-lo. As nove horas da manhã do dia 14 de Nisã, como pano de fundo para o sacrifício de milhares de cordeiros para as celebrações em família, o sumo sacerdote conduzia o cordeiro para o povo até o altar e o amarrava a uma “estaca”, onde ficava aguardando a imolação na hora do sacrifício da tarde. As três horas da tarde, o cordeiro para o povo era imolado, sua garganta era cortada e seu sangue era recolhido enquanto o sumo sacerdote recitava a fórmula litúrgica para a oferta pacífica.
De acordo com Josefo, a festa da Páscoa atraiu grandes multidões de judeus para Jerusalém, e essas grandes reuniões deixavam as autoridades romanas nervosas.
O Cordeiro de Deus!
Jesus comemorou a Páscoa, mas mais do que isso, ele a encarnou! Quando João Batista viu Jesus chegando, ele disse:
João 1.29 “...Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”
Isso não era apenas uma alusão. Jesus era de fato o verdadeiro Cordeiro da Páscoa, a pessoa, o evento pra quem a Páscoa apontava desde o Êxodo. Mas veja como isso foi incrivelmente aplicado à vida e obra de Jesus. Ele era um Cordeiro sem defeito, e ele foi examinado de várias maneiras, e no final de cada uma delas houve houve um veredito.
Sittema: As primeiras provas foram públicas, realizadas pelos fariseus e saduceus, os dois partidos religiosos da época. Jesus chegou à cidade de Jerusalém no tumulto da Entrada Triunfal. No dia seguinte, na mesma hora e local em que o “cordeiro para o povo” foi colocado para exibição pública no pátio do Templo, Jesus se apresentou para ser examinado pelos principais sacerdotes, mestres da lei e anciãos. Interrogaram-no com rigor, especialmente no tocante à sua autoridade para realizar milagres (Mc 11.27s.), mas ele desmascarou a malícia por trás dos questionamentos, desse modo invalidando o julgamento deles. Em seguida, os fariseus e herodianos procuraram pegá-lo com uma pergunta ardilosa a respeito de impostos e lealdade a César (Mc 12.13s.). A resposta simples de Jesus os deixou boquiabertos. As Escrituras dizem que os interrogadores “muito se admiraram dele”. Na sequência, os saduceus o testaram com uma situação hipotética (Mc 12.18s.), mas não conseguiram apanhá-lo em contradição. Os fariseus realizaram outra tentativa (Mt 22.34s.) e foram calados. Terminados esses exames do cordeiro em público, não encontraram cri me algum nele. Como resultado, “... ninguém lhe podia responder palavra, nem ousou alguém, a partir daquele dia, fazer-lhe perguntas” (Mt 22.46). Os exames seguintes, mais formais e públicos, passaram aos tribunais de homens oficialmente encarregados de preservar a verdade e a justiça.
Foi julgado primeiro perante Anás (Jo 18.13), sogro de Caifás. Ele interrogou Jesus “acerca dos seus discípulos e da sua doutrina”. Não conseguiram acusá-lo de nada específico (Jo 18.23). Anás o enviou, então, a Caifás (Mt 26.57), o qual concluiu que Jesus havia cometido blasfêmia (Mt 26.65), um veredicto precipitado, pois nenhum dos testemunhos contra ele foi válido segundo os padrões da lei (Mt 26.60). Em seguida, o julgamento foi transferido para o tribunal civil de Pilatos, o governador romano. Depois de interrogar Jesus, Pilatos o declarou inocente: “Eu não acho nele crime algum” (Jo 18.38).Não obstante, entregou Jesus para ser crucificado. A última inspeção do cordeiro, a mais decisiva, ainda estava para ser realizada. Seria examinado não num tribunal humano, mas na corte celestial, tendo Deus como juiz. O acusado já estava na cruz, pregado às traves de madeira às nove horas da manhã, exatamente o horário em que o cordeiro para o povo era preso à estaca. Qualquer movimento era torturante e a respiração não passava de uma luta dolorosa, um esforço contra o próprio diafragma no processo lento de asfi xia pelo qual as crucificações romanas eram famosas. Quando, por fim, conseguiu proferir algumas palavras ofegantes, Jesus usou o salmo 22: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” O Deus da criação declarou o veredito com um transtorno cósmico: o véu do templo se rasgou de alto a baixo, um terremoto sacudiu o solo e despedaçou as rochas e a ressurreição de mortos escancarou as sepulturas (Mt 27.51-53). O centurião e os guardas acrescentaram um ponto de exclamação: “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27.54). Em outros tempos, Deus havia instruído Israel com respeito ao cordeiro pascal (Êx 12.46): “Nem lhe quebrareis osso nenhum”. Sem ter ideia da profecia que estavam cumprindo, os guardas responsáveis pela execução obedeceram a essa instrução ao contrariar a prática romana de quebrar as pernas do crucificado para garantir o fim de um homem que ainda se agarrava obstinadamente à vida. Em vez disso, traspassaram seu lado com uma lança para provar que ele já estava morto. Até mesmo depois de morto, ele confirmou que, segundo todos os requisitos da lei, era um cordeiro sem mácula. Não restou dúvida que Cristo era um cordeiro “sem defeito”.
A hora do dia é repleta de significado. Como observamos, o cordeiro para o povo era preso à estaca às nove horas da manhã. No momento exato em que o sumo sacerdote estava amarrando o animal, Jesus estava sendo pregado na cruz do outro lado do muro, diante dos olhos do mundo. A tarde, no horário tradicional de imolação do “cordeiro para o povo”, o sumo sacerdote cortou a garganta do animal e concluiu a oferta de paz com a declaração litúrgica habitual: “Está consumado”. Exatamente no mesmo instante, do outro lado do muro, Jesus, o Sacerdote que presidiu sobre seu próprio sacrifício, também clamou “Está consumado!” e deu seu último suspiro (Mc 15.33; Mt 27.45s.; Jo 19.30). Jesus não apenas comemorou a Páscoa. Ele a encarnou.
Pra que isso não fosse esquecido, Jesus, pouco antes da sua morte, instituiu a Ceia do Senhor, que é na verdadeira, a Páscoa Cristã, agora sem sangue, mas com vinho.
Jesus tomou o pão asmo, mergulhou-o no recipiente de ira e tristeza e anunciou com as palavras relembradas com frequência em observâncias sacramentais ao redor do mundo: “Tomai, isto é o meu corpo” (Mc 14.22). Esse é o Evangelho: Jesus tomaria em seu corpo a ira de Deus que deveria recair sobre você e eu. Aceitaria toda a aflição da injustiça, a iniquidade das eras, e a maldição da morte. Alguns instantes depois, Jesus encheria e serviria a taça. Mais uma vez, pregaria um sermão a respeito de si mesmo: “Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos” (Mc 14.24). O sangue colocado nas ombreiras e vergas das portas de Gósen tantos anos antes havia antevisto esse momento, pois o sangue que “cobriu” o povo lá. Por meio do derramamento do sangue do Cordeiro, a ira justa de Deus seria aplacada de uma vez por todas. Deus é justo; mas todos os que creem no Cordeiro de Deus encontram misericórdia no substituto.
Irmãos, é baseado nisso que nós temos esperança e buscamos uma nova vida. Paulo explica porque devemos buscar pureza de vida:
1Coríntios 5.7 “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado.”
É por Cristo e para ele que vivemos. E baseado no que el fez por nós, estamos libertos da nossa escravidão. Não há mais razão para viver no pecado, e o verdadeiro não tem mais desculpas para viver sob escravidão.
1Pedro 1.18–19 “sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo,”
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