Perder para ganhar
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Lucas 9.23-27
Lucas 9.23-27
23 Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.
24 Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará.
25 Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?
26 Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos.
27 Verdadeiramente, vos digo: alguns há dos que aqui se encontram que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam o reino de Deus.
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Judah Ben-Hur era um homem rico, respeitado e poderoso em Jerusalém. Um príncipe judeu com uma vida confortável — até que tudo lhe é tirado: ele é traído por um amigo de infância, acusado injustamente, separado da mãe e da irmã, e lançado às galés, ao fundo de um navio de guerra, acorrentado a outros excravos é obrigado a integrar o grupo dos remadores de um navio romano.
Estamos falando do protagonista de um dos filmes mais espetaculares já produzidos: Ben-Hur, ganhador de 11 estatuetas do Oscar, lançado em 1959, um clássico que atravessa gerações e que eu já perdi a conta de quantas vezes já assiti.
Mas o que torna essa história tão poderosa não são apenas as corridas de bigas, os cenários grandiosos ou os feitos heroicos — é o paradoxo profundo que ela revela:
Judah só encontrou paz quando abriu mão da vingança. Só venceu de verdade quando perdeu. Só viveu plenamente quando se rendeu.
É o mesmo caso de quando alguém está morrendo afogado. Interessante que, para não morrer, é preciso se entregar — deixar de lutar desesperadamente contra a água, soltar o corpo e simplesmente boiar. Quanto mais a pessoa tenta controlar e resistir, mais afunda. Mas se ela se rende à água e confia em sua capacidade de sustentação, paradoxalmente ela sobe, ela vive.
Ben Hur passou de príncipe a escravo, de vencedor a quebrado, de justiceiro a homem redimido — e tudo isso porque, em um momento inesperado, encontrou o olhar de um homem rejeitado e crucificado: Jesus de Nazaré.
Esse é também o grande paradoxo da vida cristã, e o tema do nosso sermão de hoje: Perder para Ganhar.
Ninguém quer perder, o auge da depravação humana é querer tirar vantagem de tudo, não importa como, não importa o passar por cima do que ou de quem, o importante é se dar bem, é a satisfação pessoal. Mas o que Jesus nos ensina vai na contra mão de tudo isso: é que o verdadeiro ganho está em perder, em abrir mão — em renunciar o controle, o orgulho e até a própria vida.
Ele nos chama a um caminho contraintuitivo, um caminho de renúncia diária, de tomar a cruz. É isso que Lucas 9.23–27 revela para nós:
Jesus, em Lucas 9.23–27, revela que o discipulado verdadeiro passa pelo mesmo caminho que Ele percorreu: a cruz. Não há atalho. Não há glória sem entrega.
O convite de Jesus para tomar a cruz é estranho e pavoroso demais. No mundo romano, a cruz era instrumento de morte vergonhosa, reservado aos criminosos e subversivos. Falar de “tomar a cruz” soava chocante e assustador para os ouvintes.
Discipulado não era uma associação casual, mas uma entrega completa, onde o discípulo se subordinava plenamente ao mestre, inclusive disposto a compartilhar seu destino.
No contexto judaico, a expectativa messiânica era de um rei conquistador, não de um Messias sofredor. Assim, as palavras de Jesus confrontavam diretamente tanto as expectativas culturais quanto as religiosas.
Não se trata de um convite leve — é um chamado radical para seguir um Rei coroado com espinhos.
A ideia central do sermão de hoje é essa: “Seguir a Cristo exige renúncia diária, disposição para sofrer por Ele e a certeza de que só assim encontramos a verdadeira vida e a glória do Reino de Deus”.
Sengundo o Pr Carlos Osvaldo Pinto, A rejeição máxima do Messias exige que seus seguidores entreguem suas vidas a Ele, a fim de serem recompensados quando Ele for vindicado em glória.
O que Lucas nos apresenta aqui é queJesus nos trás três verdades que precisam moldar nossa caminhada cristã enquanto estivermos aqui nessa terra:
1. O Caminho da Cruz Sugere Perda no versículo 23
2. É tendo essa perda que na realidade estamos sendo salvos nos versículos 23 e 24 , e que
3. o resultado final é a Glória do Reino de Deus, nos versículos 26–27.
Então, o grande paradoxo da vida cristã é este: perder para ganhar.
Negar a si mesmo a cada dia, tomar a cruz, seguir a Jesus, não se envergonhar dEle — e, no final, ser acolhido no Reino eterno, na glória que ultrapassa toda compreensão humana.
Agora, a pergunta é inevitável — você quer mesmo seguir Jesus? Está disposto a entrar nesse caminho de perda aparente, mas de ganho eterno?
A sequência dos ensinamentos de Jesus em Lucas nos leva exatamente a esse momento decisivo.
Logo após Pedro confessar que Jesus é o Cristo nos vv 18 a 20 (Lc 9.18–20), e Jesus anunciar pela primeira vez que será rejeitado, sofrerá, morrerá e ressuscitará nos vv 21 e 22, o que refletimos no domingo passado(Lc 9.21–22), Ele volta-se aos discípulos — e a todos nós — e deixa isso claro: Seguir o Cristo glorioso é seguir o Cristo rejeitado.
O caminho dEle passa pela cruz — e quem quiser segui-lo precisa saber disso. Precisa viver isso.
É a partir dessa declaração de identidade e missão que Jesus nos chama a segui-lo com tudo o que somos. E, como se não bastasse, logo depois, na sequência do texto que refletiremos no próximo domingo, acontece a transfiguração, Ele demonstra na prática, Ele nos dá um vislumbre da glória futura — para nos lembrar de que o sofrimento presente não é o fim da história mas o ínicio de uma vida gloriosa, eterna, ao lado de Deus.
Agora, com isso em mente, vamos olhar com atenção para as três verdades que Jesus nos apresenta sobre o verdadeiro discipulado — e a primeira delas é esta: O caminho da cruz sugere perda.
1. O caminho da cruz sugere perda (23)
1. O caminho da cruz sugere perda (23)
Vamos ler novamente o verso 23: “Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.”
A primeira verdade que Jesus nos apresenta é esta: o caminho do discipulado passa, inegociavelmente, pela cruz.
Esta é uma passagem pesada, solene e desconcertante. Não há como suavizá-la sem traí-la. Aquele que não se dispõe a carregar a cruz não usará a coroa. Como disse o Pr Hernandes Dias Lopes, “A religião que não nos custa nada não tem nenhum valor.”
A grande tensão deste texto está justamente aqui: buscar prazer neste mundo à parte de Deus, ou encontrar Deus neste mundo e fazer dEle o nosso maior prazer. Jesus sabia que muitos O seguiam apenas pelos milagres, pelos benefícios temporais — mas não estavam dispostos a pagar o preço da renúncia, do arrependimento, da cruz.
Por isso, Jesus não apenas abraça o caminho da cruz, como também exige o mesmo de seus seguidores.
Ele não é um mestre que impõe pesos sobre os outros — Ele mesmo carregou o fardo mais pesado.
Jesus rechaçou com firmeza todas as propostas para fugir da cruz. Satanás o tentou no deserto oferecendo-lhe glória sem sofrimento. A multidão quis fazê-lo rei, coroando-o sem cruz. Pedro tentou dissuadi-lo, repreendendo o próprio Messias por falar de sofrimento. Mas em todas essas ocasiões, Jesus rejeitou o atalho, pois sabia que “era necessário” sofrer, ser rejeitado, morrer e ressuscitar (v.22).
Esse "necessário" é mais do que uma constatação histórica. É um imperativo divino, um plano eterno que o Filho aceitou voluntariamente.
O apóstolo Paulo expressa isso com profundidade em Filipenses 2: “Embora sendo Deus, não considerou o ser igual a Deus algo a que devesse apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo, e foi obediente até à morte — e morte de cruz!” (Fp 2.6–8)
Cristo não foi vencido pela cruz — Ele a escolheu.
Ele se humilhou. Desceu ao ponto mais baixo. Fez da cruz o seu trono e da vergonha, o caminho para a exaltação.
E é com essa consciência, com essa clareza, que Ele agora se volta para nós e diz:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia, e siga-me.”
Em outras palavras:
“Eu abracei a cruz por você. Agora, venha — abrace a sua por mim.”
Esse é o caminho do discipulado. Não é um chamado à vida fácil. Não é uma promessa de conforto. É o convite de um Rei que venceu pela cruz, para que seus seguidores vivam na contramão do mundo, carregando a cruz como estilo de vida.
Mas não nos enganemos sobre o que significa esse chamado.
Quando Jesus convida seus seguidores a tomarem a cruz, Ele não está falando de um símbolo decorativo pendurado no pescoço, de um símbolo de lembrança como essa cruz aqui atrás de mim. Não é uma metáfora leve para problemas cotidianos.
Essa cruz não é uma doença, um inimigo, uma fraqueza, uma dor, um filho rebelde, um casamento infeliz. Essa cruz se refere à nossa disposição de morrer para nós mesmos, para os prazeres e deleites.
Jesus está falando de um instrumento real de execução — doloroso, humilhante e cruel. A cruz era a forma mais vergonhosa de morte nos dias de Jesus. Era um castigo reservado aos piores criminosos — e não apenas para matá-los, mas para fazê-los sofrer com o máximo de exposição pública e vergonha.
É por isso que Lucas enfatiza: “Tome a sua cruz a cada dia.”
Não se trata de um momento isolado de sofrimento, mas de uma entrega contínua, constante. De uma decisão diária de morrer para si mesmo. É esforço, é luta constante, é travar uma batalha consigo mesmo o tempo inteiro.
A própria carta aos Hebreus nos mostra a gravidade desse caminho. O autor fala sobre Jesus:
Leia comigo alguns versículos - vou projetar aqui, acompanhe
Hebreus 6.6 “e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia.” A cruz é exposição à vergonha
Hebreus 11.26 “porquanto considerou o opróbrio de Cristo por maiores riquezas do que os tesouros do Egito, porque contemplava o galardão.” De novo, vergonha
Hebreus 12.2 “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.” Mais uma vez - ignomínia é uma grande desonra infligida por um julgamento público; degradação social; opróbrio; vergonha
Hebreus 13.12 “Por isso, foi que também Jesus, para santificar o povo, pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta.” Sofrimento. O autor compara Jesus ao bode da expiação, que era falado todo o pecado do povo na cabeça dele e depois solto no deserto, fora da cidade para morrer. O famoso bode expiatório.
Mais um versículo, Hebreus 13.13 “Saiamos, pois, a ele, fora do arraial, levando o seu vitupério.”
Cristo foi desprezado, humilhado e excluído — e foi por esse caminho que Ele venceu. Ele fez voluntariamente o que os condenados faziam sob coação.
A cruz não é apenas um emblema ou símbolo cristão, mas um instrumento de morte que expõe todo o sofrimento e humilhação que Jesus suportou por causa dos nossos pecados.
Tomar a cruz é aceitar a morte do eu. É dizer: “Não vivo mais eu, mas Cristo vive em mim.” É viver como quem já tem um atestado de óbito no bolso.
É estar preparado para perder — a reputação, os direitos, os sonhos — por fidelidade ao Senhor.
Como Paulo escreveu em Romanos 8.36 “Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro.”
Essa é a marca do verdadeiro discípulo: carregar a cruz todos os dias, sabendo que a vergonha da cruz é o caminho para a glória da ressurreição.
Então, meus irmãos, a pergunta que ecoa é: você está disposto a segui-lo nesse caminho? Mesmo sabendo que “aquele que deseja viver piedosamente vai sofrer perseguição?”
Esse convite não é exclusivo para um de pessoas, não é exclusivo para quem decidiu ser um pastor. Lucas deixa claro que Ele se dirige a todos:
Lucas 9.23 “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.”
O discipulado exige uma decisão pessoal. Jesus inicia com um chamado condicional: Se alguém quer vir após mim, se alguém quer me seguir. Ele não força. Ele não manipula. Ele convida. Mas o convite não é leve.
Muitos querem apenas o glamour do evangelho, mas não a cruz. Querem milagres, mas não renúncia. Querem prosperidade e saúde, mas não arrependimento.
Não basta admirar Jesus — é preciso segui-lo. Esse é o chamado.
O discipulado exige relação pessoal: “Negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”
Seguir a Cristo é mais que adotar uma doutrina — é seguir uma pessoa. Assim como Cristo escolheu o caminho da cruz, o discípulo precisa seguir a Cristo não rumo ao sucesso, mas rumo ao calvário. Não há coroa sem cruz. Não há céu sem renúncia.
O discipulado exige renúncia radical: Negar-se a si mesmo não é autoanulação, mas uma mudança completa de foco. É dizer: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.”
É abdicar do trono do próprio coração, abrir mão do orgulho, da autossuficiência, da autoidolatria. É deixar de viver para o “eu” e passar a viver para a vontade de Deus.
O discipulado exige caminhada diária: “Tome cada dia a sua cruz…” É uma jornada constante. Uma escolha diária. Uma entrega renovada todas as manhãs. Seguir a Cristo é algo sublime e dinâmico, é decidir hoje — e amanhã também — dizer não a si mesmo e sim a Cristo.
Então a pergunta continua: Você quer mesmo seguir a Jesus? Então precisa começar com isso: negar-se a si mesmo e tomar sua cruz todos os dias.
Isso parece perda. Mas é o primeiro passo para o maior ganho que alguém pode experimentar: a salvação e a glória eterna.
Vamos agora ao segundo ponto, onde Jesus aprofunda esse paradoxo: “a perda que salva”.
2. A perda que salva 24-25
2. A perda que salva 24-25
Vamos ler novamente os versículos 24 e 25: “Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará. Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?”
Jesus segue Sua convocação ao discipulado com uma declaração que parece ser paradoxal, parece ser controversa, mas não é: “Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por minha causa, esse a salvará.” (v.24)
Como isso funciona? Perder para ganhar?
É como o que acontece quando alguém perde peso para ganhar saúde. Parece contraditório, mas é absolutamente coerente.
O que Jesus está ensinando aqui é que seguir a Cristo exige renúncia diária, disposição para sofrer por Ele e a certeza de que só assim encontramos a verdadeira vida e a glória do Reino de Deus.
A lógica do Reino é oposta à lógica do mundo.
O mundo diz: “Salve-se, preserve-se, proteja-se, busque a própria felicidade.”
Jesus diz: “Perder por amor a mim é o único caminho para a vida verdadeira.”
Nesse ponto do sermão, Jesus nos confronta com uma escolha decisiva: viver tentando salvar a si mesmo e perder tudo — ou entregar-se a Ele, perdendo tudo… e ganhando a vida.
O que precisa ficar claro é que perder é condição essencial para viver. Jesus não está falando apenas de martírio literal — embora para muitos essa tenha sido a realidade. Ele está falando de um estilo de vida marcado pela entrega total, pelo abandono do ego, pela disposição de perder a própria vida, o próprio controle, a própria vontade — por amor a Ele.
Perder é condição essencial para viver — e essa é uma verdade central no ensino de Jesus desde o início de seu ministério. No Sermão do Monte, Ele já havia afirmado. Em Mateus 5.3 Ele disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus.”
Ser "pobre de espírito" não é ter falta de dinheiro ou confições materiais, mas é justamente reconhecer a própria falência diante de Deus — é desistir de salvar-se a si mesmo. É admitir: “Eu não tenho nada. Eu não sou suficiente. Eu preciso de Cristo.”
Essa pobreza espiritual é o primeiro passo na jornada do discipulado. É o início da verdadeira vida — a vida que só começa quando o orgulho morre.
É por isso que Jesus afirma que a salvação não é para os autossuficientes, os fortes, os que querem preservar o controle, mas para os que estão dispostos a abrir mão — da alma, do controle, do mundo, de si mesmos — por amor a Ele.
Só quem se rende, vive. E só quem morre, ressuscita.
Jesus então reforça o argumento fazendo uma pergunta bem interessante: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou a causar dano a si mesmo?” (v.25)
Possuir toda a riqueza do jamais tornará alguém feliz. Seus prazeres são falsos e ilusórios. A perda da alma é a pior de todas as perdas que podem sobrevir ao ser humano. Porque essa perda é a garantia de viver eternamente na escuridão, longe de Deus.
O mundo promete alegria, mas entrega vazio. Oferece status, mas rouba a paz. Garante prazer, mas cobra com destruição.
Ganhar o mundo e perder a alma é o maior dos fracassos. É como trocar um diamante eterno por um punhado de poeira.
O valor de uma alma excede todos os tesouros da terra. E é essa alma que muitos estão desperdiçando, negligenciando, matando diariamente por meio de uma vida sem Deus, sem cruz e sem arrependimento.
Estão pecando diariamente contra o sexto mandamento; estão assassinando suas próprias almas.”*
A pergunta desafiadora do texto é: Você está tentando salvar a sua vida? Controlar tudo? Reter sua alma? Você está tentando ganhar o mundo às custas da sua eternidade?
Jesus está dizendo hoje: perca. Perca o domínio, o orgulho, a autossuficiência — e ganhe a verdadeira vida.
A vida que começa com a cruz e termina com a coroa.
Esse é o reultado final, a glória que recompensa. Vamos ler os últimos versículos, o 26 e 27.
3. A glória que recompensa (26-27)
3. A glória que recompensa (26-27)
Lucas 9.26–27 “Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos. Verdadeiramente, vos digo: alguns há dos que aqui se encontram que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam o reino de Deus.”
A primeira questão aqui é que o discípulo verdadeiro é alguém que não se envergonha de sua relação com Cristo — mesmo que isso lhe custe zombaria, perseguição ou rejeição neste mundo.
Ser cristão nunca foi e jamais será uma posição de popularidade. Em um mundo que cada vez mais despreza a verdade e relativiza a fé, cada vez se torna mais cético, mais frio, mais egoísta, mais distante de Deus, manter-se firme ao lado de Jesus pode parecer perda — mas será, no fim, o único caminho para glória.
Envergonhar-se de Cristo, é ser tão orgulhoso ao ponto de achar que dá pra viver, dá pra resolver tudo sem desejar que Deus faça parte de nossa vida.
É esconder-se, calar-se, comprometer-se com o mundo em vez da verdade do Evangelho. E o pior é que, segundo o próprio Cristo, essa vergonha não será esquecida: “dele se envergonhará o Filho do Homem”. A perda aqui é irreparável. Aquele que se envergonhar de Cristo nesta vida será por Ele rejeitado no Dia da sua glória. (v.26)
O julgamento mais pesado que as pessoas receberão no dia do juízo é que elas vão receber exatamente aquilo que sempre desejaram. Quem desejou distância de Jesus, terá distância eterna dEle. Quem preferiu o aplauso dos homens à aprovação de Deus, será rejeitado por Aquele que poderia salvá-lo.
A seriedade dessa advertência ecoa em outros ensinamentos das Escrituras. Jesus mesmo declarou isso em Mateus 10.32–33: “Portanto, todo aquele que me confessar diante dos homens, também eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus; mas aquele que me negar diante dos homens, também eu o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.” O apóstolo Paulo reforça esse chamado à coragem e lealdade ao dizer, em Romanos 10.9: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.” Seguir a Cristo envolve vergonha aos olhos do mundo, mas honra eterna diante de Deus. Seguir a Jesus envolve fidelidade pública a Cristo, que é uma marca indispensável do verdadeiro discípulo — e a covardia espiritual vai na contramão disso, é uma estrada perigosa que conduz à rejeição final e o afastamento eterno de Deus.
Mas Jesus derrama seu amor no último versículo, com uma promessa de consolo e esperança. Jesus declara: “Em verdade vos digo: alguns dos que aqui se acham, de modo nenhum experimentarão a morte até que vejam o reino de Deus.” (v.27)
Essa afirmação se conecta diretamente ao versículo anterior. Se o v.26 aponta para a consumação final — o retorno de Cristo em glória —, o v.27 aponta para o início visível da sua exaltação, isto é, a sequência dos fatos que os discípulos presenciariam: a vitória de Jesus manifestada por meio da ressurreição, da ascensão ao céu, do derramar do Espírito Santo no Pentecostes e da explosão do evangelho por meio da igreja.
Alguns ali presentes — como Pedro, Tiago e João — experimentariam um vislumbre antecipado dessa glória no monte da transfiguração, vamos ver isso no próximo domingo em Lc 9.28–36). Mas muitos outros veriam o Reino de Deus avançando com poder nos dias que se seguiriam.
Essa promessa é um bálsamo para os que escolhem perder agora por amor a Cristo. Ele garante: toda cruz carregada em fidelidade será recompensada com glória. O Reino já começou — e um dia será plenamente revelado e só aqueles que amam a Jesus, que não se envergonham dEle, que negam a si mesmo e a cada dia tomam a sua cruz é que faram parte dessa grande glória.
O que Jesus está dizendo é que aqueles que O seguirem no caminho da cruz também verão — nesta vida e, plenamente, na eternidade — a glória que recompensa. A cruz não é o fim, mas o caminho para a coroa. A renúncia não termina no vazio, mas na ressurreição e na herança do Reino.
Jesus nunca ofereceu futilidades, Ele nunca disse que seria fácial, mas Ele garantiu glória. E essa glória não é apenas para depois da morte. Ela começa agora, à medida que vemos o Reino de Deus crescer, transformar vidas, vencer as trevas e preparar um povo para a eternidade.
Então, meus irmãos, as dificuldades de carregar a cruz não se comparam com a alegria de experimentar o poder do Reino ainda nesta vida. Como disse o apóstolo Paulo: “Porque para mim tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). O peso da glória supera o peso da cruz. Em Cristo, cada passo de renúncia, cada lágrima derramada por fidelidade, cada sacrifício feito em amor — tudo isso é depositado na eternidade e será abundantemente recompensado.
A promessa feita por Deus desde o Antigo Testamento continua firme: “A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Hc 2.14). E essa promessa começou a se cumprir quando Jesus ressuscitou dos mortos, enviou o Espírito e deu início à missão da igreja. Hoje, cada alma alcançada, cada discípulo formado, cada lar transformado é um vislumbre da glória do Reino que já veio — e que virá plenamente. Por isso, seguir a Cristo com a cruz às costas é, paradoxalmente, viver com os olhos voltados para a coroa.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Meus irmãos, o que ouvimos hoje não é um convite fácil. É, na verdade, o chamado mais radical que alguém pode receber: perder para ganhar.
Mas também é o convite mais glorioso — feito por Aquele que não apenas falou sobre cruz, mas que, por amor, viveu na prática a morte de cruz por nós e em nosso lugar.
O apóstolo Paulo em Filipenses 2.6–8 faz uma declaração brilhante sobre isso: “pois ele, (Jesus Cristo), subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” Ele perdeu tudo voluntariamente, para que em Sua perda nós fôssemos ganhadores eternamente da glória de Deus.
Então negar a si mesmo, tomar a cruz e seguir a Jesus não é perder a vida, é finalmente encontrá-la.
O mundo nos diz: preserve-se. Jesus diz: entregue-se. O mundo promete prazer imediato, mas entrega vazio eterno. Jesus promete cruz e renúncia, mas entrega paz, propósito e glória que nunca termina.
Esse é o grande paradoxo da fé cristã: a cruz que mata é a mesma que dá a vida. A perda que assusta é a única que salva. A vergonha que o mundo impõe é a honra diante de Deus. O discipulado verdadeiro exige tudo — mas, ao mesmo tempo, nos dá tudo, porque nos dá a Cristo.
E o que mais poderíamos desejar? O salmista disse no Salmo 42.1–2: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.
É isso que o discipulado produz em nós: sede por Deus. Um desejo que nenhuma conquista humana pode saciar. Quando você realmente vê Jesus — o Rei crucificado, o Salvador ressurreto, o Senhor glorioso — seu coração começa a desejar algo que este mundo não pode oferecer. E então, você está pronto para perder… porque encontrou o verdadeiro tesouro.
Então eu te pergunto:
Você quer mesmo seguir Jesus?
Está disposto a perder, para enfim ganhar?
Está pronto para negar-se, tomar sua cruz e andar com Ele — dia após dia — até vê-Lo face a face na glória?
Se o seu coração anseia por isso, como a terra seca anseia pela chuva, como o peregrino cansado anseia por um abrigo, como o prisioneiro anseia pela liberdade — então ouça o convite do Mestre:
“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz a cada dia e siga-me.”
Vale a pena.
Perder para ganhar nunca fez tanto sentido.
Vamos orar?
ORAÇÃO FINAL
ORAÇÃO FINAL
Senhor nosso Deus e Pai,
Te bendizemos pela Tua Palavra santa, viva e poderosa. Ela nos confronta, nos sacode, mas também nos consola. Hoje ouvimos do Teu Filho o chamado mais sublime e exigente: tomar a cruz, negar a nós mesmos e segui-Lo. E confessamos, ó Deus, que muitas vezes somos lentos em obedecer, apegados demais a esta vida, desejosos de conforto mais do que de fidelidade.
Tem misericórdia de nós, Senhor. Renova em nós um coração quebrantado, como o salmista que orou: “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Salmo 42.2). Faze-nos ansiar por Ti “como a terra seca, exausta e sem água” (Salmo 63.1).
Livra-nos de uma fé superficial, livra-nos de sermos uma igreja morna como a igreja de Laodicéia. Livra-nos de nos envergonharmos do Teu nome. Ensina-nos a amar a cruz, não como um peso morto, mas como o caminho da vida.
Ensina-nos a perder com alegria, sabendo que em Cristo ganhamos tudo. E quando tropeçarmos, como tantas vezes tropeçamos, levanta-nos com Tua graça, pois “Tu és o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Salmo 46.1).
Ó Senhor, firma nossos passos no caminho da cruz. Que não busquemos salvar nossa vida, mas entregá-la a Ti, confiando que “melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar” (Salmo 84.10).
E quando vier a perseguição, a vergonha, a rejeição — lembra-nos, ó Deus, que vale a pena. Porque veremos o Teu Reino, e Te veremos face a face. E a glória futura há de superar infinitamente toda dor presente.
Oramos no nome dAquele que se humilhou até a morte por nós — Jesus, nosso Senhor, a quem seguimos com alegria.
Amém.
2Coríntios 13.13 “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.” os remidos do Senhor, hoje e sempre, amém!
