159 - Somos sal da terra e luz do mundo?

O Evangelho segundo Jesus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Reflexão bíblica sobre os desafios da Igreja contemporânea em manter seu testemunho bíblico efetivo em um mundo em plena revolução de propósitos e valores

Notes
Transcript

Mantendo a relevância sem perder a identidade [Mateus 5.13-16]

I. Introdução geral

Qual o maior desafio da Igreja cristã nos tempos do fim?

É a não conformidade da Igreja nominal com o mundo ímpio;
É ser diferente do mundo que nos cerca;
É permanecer relevante, sem sacrificar a fé no altar da conformidade;
É não ficar entrincheirada no dogmatismo religioso sem abraçar a inclusividade permissiva que avança a passos largos;
É falar a língua de um mundo em constante transformação, sem se perder nos arraiais da tradição religiosa inútil;
Enfim # Slide 01
É ser sal, que altera o sabor e preserva da corrupção;
É ser a luz que ilumina as trevas deste mundo corrompido e condenado, proclamando o Evangelho, a saber, a redenção em Cristo Jesus;
Vamos ao Texto Áureo da mensagem:

II. Texto(s) Áureo(s):

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Matthew 5:1–16 (NAA)
1 Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte. Ele se assentou e os seus discípulos se aproximaram dele. 2 Então ele passou a ensiná-los. Jesus disse:
3 — Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.
4 — Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
5 — Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
6 — Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
7 — Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
8 — Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
9 — Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
10 — Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus.
11 — Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. 12 Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.
13 — Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.
14 — Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte.
15 Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa.
16 Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.

O famoso Sermão do Monte

O Sermão do Monte é conhecido e até mesmo admirado por quase todos, incluindo ateus e inimigos do Evangelho;
Porém, a religião humana é antropocêntrica, focada na teórica capacidade do homem de se tornar aceitável a Deus por méritos próprios;
O que causa estranheza, porque o Sermão do Monte é um contrassenso à cultura deste mundo natural;
Bem-aventurado (muito feliz e abençoado) é o pobre, o que chora, o injustiçado, o perseguido, o insultado...)
Trata-se de um convite da graça de Deus oferecida aos cidadãos do Reino, que já está próximo, ou está conosco;
Os tempos verbais conjugados, no presente do indicativo, é significativo, pois faz do Reino e suas benções subsquentes disponiveis;
As várias bençãos são seguidas pelas declarações reversas que as acompanham
são como um convite para aqueles que desejam entrar no cuidado de Deus dos que depositam suas vidas no seu Reino;
Os que tem fome e sede de justiça, são os mesmos pobres de espirito
tais declarações possuem raízes profundas no AT sobre o cuidado de Deus pelos pobres, e que deveriam ser refletidas também pelo povo de Deus
Os pacificadrores, literalmente, os que “produzem paz a partir de seus esfooços” serão chamados (ou reconhecidos) como filhos e filhas de Deus;
pois seu comportamento objetivo de desejo pela paz de Deus na terra habitada os torna muitíssimo parecidos com seu Pai celestial;
Na linguagem reconhecida muito a posteriori por Simão Pedro, aquele que puxou a espada para lutar por Jesus no Jardim,
Matthew 5:10–11 “— Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. — Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês.”
Matthew 5:12 “Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.”
“benditos são aqueles que são perseguidos, insultados, mal-falados, injuriados injustamente,
grande é sua recompensa, pois assim perseguiram os profetas que viveram antes - os profetas do AT, os guardiões da aliança, olhos, ouvidos e boda de Deus na terra habitada;
é desta forma que Jesus compara seus discípulos, os cidadãos do Reino, com o mundo de seu entorno — E mais:
1 Peter 4:13–14 “Pelo contrário, alegrem-se na medida em que são coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vocês se alegrem, exultando. Se são insultados por causa do nome de Cristo, vocês são bem-aventurados, porque o Espírito da glória, que é o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.”
Isso está muito na contra-mão do que consideramos aceitável, muito mais ainda pra quem apregoa uma fé mercantilista;
Não tem como andar na contra-mão do mundo e não topar de frente com alguns troncos no caminho;
Porém, no meio disso tudo, na conclusão disso tudo, completamente na contramão, Jesus deixa claro um elemento proposicional muito importante;
Os cidadãos do Reino de Deus na terra habitada devem ter como propósito de vida o cumprimento de uma missão;
ser testemunhas fiéis do Senhor na terra
somos o sal da terra,
somos a luz do mundo
Isso faz sentido?
Na prática, até que a ponto a verdadeira Igreja do Senhor lançará luz e vida em uma terra desolada, destruída e condenada pelo pecado?
Vamos ao segundo Texto Áureo
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Acts 17:1–9 (NAA) — 1 Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, Paulo e Silas chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga dos judeus.
2 Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, discutiu com eles a respeito das Escrituras, 3 expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. Paulo dizia: — Este Jesus, que eu anuncio a vocês, é o Cristo.
4 Alguns deles foram persuadidos e se juntaram a Paulo e Silas. O mesmo aconteceu com numerosa multidão de gregos piedosos e muitas mulheres importantes.
5 Os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, reuniram uma multidão e provocaram um tumulto na cidade. E, atacando de surpresa a casa de Jasom, procuravam trazer Paulo e Silas para o meio do povo. 6 Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos diante das autoridades, gritando: — Estes que promovem tumulto em todo o mundo chegaram também aqui, 7 e Jasom os hospedou na casa dele. Todos estes agem contra os decretos de César, dizendo que existe outro rei, chamado Jesus.
8 Tanto a multidão como as autoridades ficaram agitadas ao ouvir estas palavras. 9 Porém, depois de terem recebido deles a fiança estipulada, as autoridades soltaram Jasom e os outros.
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O Evangelho em Tessalônica

O que significava de verdade a expressão falada pelos de Tessalônica? Slide 02
6 Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos diante das autoridades, gritando: — Estes que promovem tumulto em todo o mundo chegaram também aqui, 7 e Jasom os hospedou na casa dele. Todos estes agem contra os decretos de César, dizendo que existe outro rei, chamado Jesus.
Parece até ser uma coisa muito boa, não é?
Acts 17:6 (NA28) — 6 μὴ εὑρόντες δὲ αὐτοὺς ἔσυρον Ἰάσονα καί τινας ἀδελφοὺς ἐπὶ τοὺς πολιτάρχας βοῶντες ὅτι οἱ τὴν οἰκουμένην ἀναστατώσαντες οὗτοι καὶ ἐνθάδε πάρεισιν,
Trad literal (gr): v6 … não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos aos “politarkhas” (oficiais da cidade) gritando: _ Aqueles que tem perturbado, transtornado o (oikouménên) mundo (a terra habitada), estes também chegaram aqui neste lugar...
Aqueles que tem transtornado o mundo… de um ponto de vista romantizado, não parece realmente ser uma coisa ruim, pelo contrário;
O que tinha acontecido em Tessalônica que levou aquelas pessoas a reagirem daquela forma?
Paulo e Silas chegaram a Tessalônica, na segunda viagem missionária de Paulo, após sua separação de Barnabé;
Começaram a proclamar na Sinagoga dos judeus que Jesus Cristo, o Nazareno, que fora crucificado e morto em Jerusalém, era o Cristo;
Mas que discurso era este? Que ideia mais indigesta era esta que estes pregadores itinerantes estavam trazendo;
Para os judeus, um Cristo crucificado, um escândalo sem precedentes;
Para os romanos, um outro rei, ou Senhor que não fosse o César, um ato de rebelião a ser punido com a morte;
De todas as forma, a combinação perfeita entre desconforto e risco de vida;
Devido a inveja destes judeus influentes, eles promoveram uma rebelião que quase terminava em tragédia;
Mas é digno de nota o reconhecimento de que a mensagem daqueles homens estava “transtornando o mundo deles”;
À medida que a luz de Cristo avançava sobre as densas trevas do paganismo greco-romano, mais o reino das trevas seria perturbado;
O exército do Reino de Deus, com seus pobres bem-aventurados, perseguidos pacificadores, portando a mensagem mais poderosa do universo transtornaria, revolucionaria as bases do Império romano,
a pedra do alto da montanha, como viu Daniel, rolaria morro abaixo, transformaria tudo, e depois cresceria, e se expandiria até os confins da terra habitada;

Textos Complementares

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Matthew 5:13–16 (NAA) 13 — Vocês são o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens. 14 — Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada no alto de um monte. 15 Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa. 16 Assim brilhe também a luz de vocês diante dos outros, para que vejam as boas obras que vocês fazem e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.
Luke 6:20–23 (NAA) 20 Então, olhando para os seus discípulos, Jesus lhes disse: — Bem-aventurados são vocês, os pobres, porque o Reino de Deus é de vocês. 21 — Bem-aventurados são vocês que agora têm fome, porque serão saciados. — Bem-aventurados são vocês que agora choram, porque vocês hão de rir. 22 — Bem-aventurados são vocês quando as pessoas os odiarem, expulsarem da sua companhia, insultarem e rejeitarem o nome de vocês como indigno, por causa do Filho do Homem. 23 Alegrem-se naquele dia e exultem, porque grande é a recompensa de vocês no céu; porque os pais dessas pessoas fizeram o mesmo com os profetas.
Luke 14.34–35 (NAA) — 34 — O sal é certamente bom; mas, se o sal se tornar insípido, como lhe restaurar o sabor? 35 Não presta mais nem para a terra nem para o monte de estrume; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
Acts 17:1–9 (NAA) — 1 Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, Paulo e Silas chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga dos judeus. 2 Paulo, segundo o seu costume, foi procurá-los e, por três sábados, discutiu com eles a respeito das Escrituras, 3 expondo e demonstrando ter sido necessário que o Cristo padecesse e ressuscitasse dos mortos. Paulo dizia: — Este Jesus, que eu anuncio a vocês, é o Cristo. 4 Alguns deles foram persuadidos e se juntaram a Paulo e Silas. O mesmo aconteceu com numerosa multidão de gregos piedosos e muitas mulheres importantes. 5 Os judeus, porém, movidos de inveja, trazendo consigo alguns homens maus dentre a malandragem, reuniram uma multidão e provocaram um tumulto na cidade. E, atacando de surpresa a casa de Jasom, procuravam trazer Paulo e Silas para o meio do povo. 6 Porém, não os encontrando, arrastaram Jasom e alguns irmãos diante das autoridades, gritando: — Estes que promovem tumulto em todo o mundo chegaram também aqui, 7 e Jasom os hospedou na casa dele. Todos estes agem contra os decretos de César, dizendo que existe outro rei, chamado Jesus. 8 Tanto a multidão como as autoridades ficaram agitadas ao ouvir estas palavras. 9 Porém, depois de terem recebido deles a fiança estipulada, as autoridades soltaram Jasom e os outros.
1 Peter 4:13–14 (NAA) — 13 Pelo contrário, alegrem-se na medida em que são coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vocês se alegrem, exultando. 14 Se são insultados por causa do nome de Cristo, vocês são bem-aventurados, porque o Espírito da glória, que é o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.
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Vamos ao Desenvolvimento da mensagem:

III. Desenvolvimento da mensagem

O Cristianismo Bíblico nos Sec I e II

Carta de Plínio, o Jovem, ao imperador Trajano (110 dC)

Quão penetrante foi a mensagem da salvação em Cristo através das cidades do Império Romano?
A Igreja do Senhor foi sal e luz?
Plínio, o Jovem, governador romano da Bitínia no início do século II d.C., escreveu uma carta ao Imperador Trajano, buscando conselhos sobre como lidar com os cristãos [1][2]. O ano era ~ 110 dC;
Nessa carta, Plínio descreveu sua prática de interrogar os acusados ​​de serem cristãos, executar aqueles que persistiam em sua fé e libertar aqueles que negavam a Cristo e adoravam deuses romanos, incluindo a imagem do próprio Imperador [2][3].
Ele observou que os cristãos se reuniam antes do amanhecer para cantar hinos a Cristo como Deus e se comprometiam por juramento a ter um comportamento ético[1][2].
Plínio expressou preocupação com a disseminação do cristianismo, que chamou de "superstição baixa", observando que ela havia afetado pessoas de todas as idades e classes sociais, e se espalhado das cidades para as áreas rurais [2][4].
Ele também mencionou que os templos pagãos estavam sendo abandonados à medida que o cristianismo crescia [4].
A resposta de Trajano, embora aprovasse as ações de Plínio, desaconselhou a busca ativa por cristãos ou a aceitação de acusações anônimas [1][5].
Esta correspondência fornece informações valiosas sobre as práticas cristãs primitivas e a atitude do Império Romano em relação à religião em crescimento [1][4].
[1] Olbricht, T. H. (1997). Exegese no Segundo Século. Em Manual de Exegese do Novo Testamento (Vol. 25, p. 410). Brill.
[2] McDonald, L. M. (2013). A História de Jesus na História e na Fé (p. 139). Baker Academic.
[3] McDonald, L. M. (2023). Antes da Bíblia: Autoridades no Cristianismo Primitivo (p. 39). T&T Clark.
[4] M’Clintock, J., & Strong, J. (1894). Plínio, o Jovem, ou Caio Cæc. P. Secundus. Em Ciclopédia da Literatura Bíblica, Teológica e Eclesiástica (Vol. 8, p. 293). Harper & Brothers, Editora.
[5] Wuest, K. S. (1997). Estudos de palavras de Wuest a partir do Novo Testamento Grego: para o leitor de língua inglesa (Vol. 22, p. 17). Eerdmans.

Contexto da Carta de Plínio, o Jovem:

Província de Bitínia:
Plínio era governador da Bitínia e Ponto,
uma província romana localizada na atual Turquia.
Primeiro encontro com o Cristianismo:
Essa foi a primeira vez que Plínio se deparou com a religião cristã de forma significativa;
buscou orientação de Trajano sobre como lidar com ela.
Religião em ascensão:
O cristianismo estava se espalhando rapidamente na época,
Plínio estava preocupado com a possível perturbação da ordem social e religiosa romana.

Conteúdo da carta:

Procedimento:
Plínio descreve como interrogou os acusados,
oferecendo a oportunidade de negar a fé e adorar os deuses romanos, o que resultaria em absolvição.
Punição: Aqueles que se confessaram cristãos e não se retrataram foram punidos (normalmente, com a morte);
Acusações anônimas:
Plínio expressa preocupação com o problema das acusações anônimas,
questionando se elas deveriam ser levadas a sério.
Idade dos acusados: Ele também levanta dúvidas sobre se a idade dos acusados deveria influenciar o tratamento legal que recebiam.
Respeito à ordem romana:
Plínio estava preocupado em manter a ordem social e religiosa romana,
o cristianismo, com suas práticas e crenças distintas, representava um desafio a essa ordem.

Resposta de Trajano:

Aprovação do procedimento:
Trajano confirmou o procedimento adotado por Plínio,
aprovando a punição dos cristãos convictos e a absolvição daqueles que negavam a fé.
Rejeição de acusações anônimas: Ele também deixou claro que acusações anônimas não deveriam ser consideradas.
Equilíbrio entre rigidez e tolerância: A resposta de Trajano mostra um equilíbrio entre a necessidade de manter a ordem romana e a possibilidade de indulgência em alguns casos.

Carta de Plínio, o Jovem, a Trajano (110 d.C)

Tenho por praxe, Senhor, consultar Vossa Majestade nas questões duvidosas. Quem melhor dirigirá minha incerteza e instruirá minha ignorância?
Nunca presenciei nenhum julgamento de cristãos. Por isso ignoro as penalidades e investigações costumeiras, bem como as pautas em uso. Tenho muitas dúvidas a respeito de certas questões, tais como: estabelecem-se diferenças e distinções de acordo com a idade? Cabe o mesmo tratamento a enfermos e robustos? Aqueles que se retratam devem ser perdoados? A quem sempre foi cristão, compete gratificar quando deixa de sê-lo? Há de punir-se o simples fato de alguém ser cristão, mesmo que inocente de qualquer crime, o exclusivamente os delitos praticados sob esse nome? Entretanto, eis o procedimento que adotei nos casos que me foram submetidos sob acusação de cristianismo. Aos incriminados pergunto se são cristãos. Na afirmativa, repito a pergunta segunda e terceira vez, ameaçando condená-los à pena capital. Se persistirem, condeno-os à morte. Não duvido que, seja qual for o crime que confessem, sua pertinácia e obstinação inflexíveis devem ser punidas. Alguns apresentam indícios de loucura; tratando-se de cidadãos romanos, separo-os para enviá-los a Roma. Mas o que geralmente se dá é o seguinte: o simples fato de julgar essas causas confere enorme divulgação às acusações, de modo que meu tribunal está inundado com uma grande variedade de casos.
Recebi uma lista anônima com muitos nomes. Os que negaram ser cristãos, considerei-os merecedores de absolvição. De fato, sob minha pressão, devotaram-se aos deuses e reverenciaram com incenso e libações vossa imagem colocada, para este propósito, ao lado das estátuas dos deuses, e, pormenor particular, amaldiçoaram a Cristo, coisa que um genuíno cristão jamais aceita fazer. Outros inculpados da lista anônima começaram declarando-se cristãos e, logo, negaram sê-lo, declarando ter professado esta religião durante algum tempo e renunciando a ela há três ou mais anos; alguns a tinham abandonado há mais de vinte anos. Todos veneraram vossa imagem e as estátuas dos deuses, amaldiçoando a Cristo. Foram unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo, como a um deus; obrigavam-se por juramento não a algum crime, mas à abstenção de roubos, rapinas, adultérios, perjúrios e sonegação de depósitos reclamados pelos donos. Concluído este rito, costumavam distribuir e comer seu alimento. Este, aliás, era um alimento comum e inofensivo.
Eles deixaram essas práticas depois do edito que promulguei, de conformidade com vossas instruções, proibindo as sociedades secretas. Julguei ser mais importante descobrir o que havia de verdade nessas declarações através da tortura a duas moças, chamadas diaconisas, mas nada achei senão superstição baixa e extravagante. Suspendi, portanto, minhas observações na espera do vosso parecer.
Creio que o assunto justifica minha consulta, mormente tendo em vista o grande número de vítimas em perigo. Muita gente, de todas as idades e de ambos os sexos, corre o risco de ser denunciada e o mal não terá como parar. Esta superstição contagiou não apenas as cidades, mas as aldeias e até as estâncias rurais. Contudo, o mal ainda pode ser contido e vencido. Sem dúvida os templos que estavam quase desertos são novamente frequentados; os ritos sagrados há muito negligenciados, celebram-se de novo; vítimas para sacrifícios estão sendo vendidas por toda a parte, ao passo que, até recentemente, raramente um comprador era encontrado. Esses indícios permitem esperar que legiões de homens sejam susceptíveis de emenda, desde que tenham a oportunidade de se retratar.
Plínio não questiona a legitimidade da ilicitude do cristianismo,
Na verdade considera a fé cristã um movimento supersticioso;
A adoração aos deuses e ao Imperador é que o faz sentido para aquele governador;
Muitos cristãos foram mortos pela sua fé naquele tempo;
Mas muitos outros simplesmente abandonaram a fé, porque amaram mais sua vidas e ao mundo do que a Cristo;
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O que estava acontecendo por todo o império romano nos tempos de Trajano?

Durante o período relatado em Atos ou nas Cartas do NT, o cristianismo nunca foi considerado uma ameaça por Roma;
Os principais inimigos da Igreja durante aquele período foram os judeus;
No texto lido em Atos 17, os magistrados não se posicionaram contra os cristãos, mas sim o povo;
Nos tempos de Nero, ~64 dC, houve uma perseguição à Igreja, em alguns locais de Roma, especialmente onde o Imperador deveria ser adorado;
A adoração imperial se desenvolveu ao longo de décadas, e se tornou um tema muito sensível no final do Sec I;
O Imperador Domiciano (dos tempos do Apocalipse joanino) decretou o Cristianismo como “religio ilícita”;
A partir daquele momento, o exercício da fé cristã se tornou crime passível de pena de morte;
Esta era a realidade dos tempos de Plínio, o Jovem, Governador da Bitínia, atual região noroeste da Turquia,
Curiosamente esta era uma região +/- próxima das cidades que aparecem nas cartas do Livro do Apocalipse;
João foi enviado à Ilha de Patmos nos tempos de Domiciano, o imperador que antecedeu a Trajano;
A fé cristã tinha se espalhado por todo o império, o que trouxe muitos prejuízos para o mercado religioso local (idolatria, paganismo);
Famílias poderosas, sacerdotais, a alta aristocracia, perdeu seu sustento garantido por séculos pelo paganismo reinante;
Agora, com o Cristianismo visto como crime de morte, estes personagens retornam ao cenário da “fé” e uma confusão é formada;
Pessoas eram denunciadas simplesmente para que seus bens fossem confiscados e famílias sacerdotais fossem benificiadas;
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Vamos ao Encerramento da mensagem:

IV. Encerramento da mensagem

E se o sal se tornar insípido?

Jesus nos diz que somos os sal da terra, não que seremos, ou que podemos ser; os Filhos do Reino são o sal da terra e a luz doo mundo
não haverá verdadeira luz e sal se os filhos do reino não cumprirem o seu papel; pensem nisso… não há plano B;
Mas....
Luke 14.34–35 (NAA) — 34 — O sal é certamente bom; mas, se o sal se tornar insípido, como lhe restaurar o sabor? 35 Não presta mais nem para a terra nem para o monte de estrume; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.
O que pode nos tornar crentes insípidos, ou encapsulados em um mundo tão desafiador?
Recentemente, em um grupo de estudos bíblicos, surgiu a seguinte questão referente ao mundo da atualidade e toda a sua corrupção;
Será que os homens da atualidade são muito piores do que os homens do mundo antigo?
Será que o mundo da atualidade é muito pior que o mundo da antiguidade?
Ver pintura de Pierro Della Francesca - Slide 03:
À esquerda, ao fundo, num ponto distante da perspectiva, Cristo, uma pequena e desamparada figura, amarrado a uma coluna enquanto soldados romanos o torturam com chicotes.
À direita, à frente da perspectiva , com cores vibrantes há três cidadãos daquele período da história, conversando despreocupadamente. Seria sobre mulheres, política, filosofia, negócios, planos para o futuro, dinheiro? Não sabemos;
Fato é que eles não prestam a mínima atenção para o que ocorre atrás deles.
Seus olhos estão longe do sofrimento do filho de Deus, e evidentemente eles não ouvem seus gemidos de dor, tampouco o som dos chicotes..
A pintura mostra no séc XV um mundo no qual as coisas terrenas são altamente valorizadas.
O sofrimento de Cristo, embora não esquecido pela religião, se tornou absurdamente sem importância, sem significado para uma época tão vibrante de tantas descobertas.
Significantes agora são a busca doentia pela juventude eterna, a boa aparência, roupas finas, o culto ao corpo (fitness), dinheiro, sucesso no mundo dos negócios, a autorrealização, o vício da adrenalina...
Proverbs 27:20 (NAA) — 20 O mundo dos mortos e o abismo nunca se fartam, e os olhos do ser humano nunca se satisfazem.
Ecclesiastes 1:8 (NAA) — 8 Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
Por incrível que pareça, estamos falando da análise de um historiador secular acerca da mentalidade do homem do século XV, a saber, 500 anos atrás.
O Curioso é o nome da obra: Flagelacione di Cristo, mas o quadro tem tudo, menos a ênfase no flagelo de Cristo em favor do homem caído.
Basta trocar as vestes dos homens da pintura por vestes atuais, colocar um celular na mão de cada um, e não vai se notar nenhuma diferença do que temos atualmente em nosso mundo;
Como bem disse o Eclesiastes, não há nada de novo debaixo do sol.
É possível ficar em cima do muro?
Não, definitivamente não é possivel;
Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha [Mt 12.30]
Qual o maior desafio da Igreja nos tempos do fim?
é a indiferença!
... O mundo do fim não exclui Deus da sua Agenda;
... O mundo do fim exclui Deus do coração;
é difícil ser diferente, é difícil não fazer parte, somos seres gregários,
É difícil ser visto pelos outros como um ET, um alienado, um fanático, um beato religioso;
Mas quer saber? Quem está ficando no prejuízo?
Se alguém aqui não faz parte do Reino de Deus, preferindo permanecer em um mundo caído que lhe faz sentido, por exemplo...
Se nós, pelo interesse do nosso conforto ou de nossos planos egoístas decidirmos que “a religião me basta”, não a graça;
Quem fica no prejuizo?
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Somos sal da terra e luz do mundo?
Manter a relevância sem perder a identidade [Mateus 5.13-16]
Qual o maior desafio da Igreja cristã nos tempos do fim?
É a não conformidade da Igreja nominal com o mundo ímpio;
É ser diferente do mundo que nos cerca;
É permanecer relevante, sem sacrificar a fé no altar da conformidade;
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