Despedida
Livro de Colossenses • Sermon • Submitted • Presented
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Cl 4.7-10
Cl 4.7-10
Introdução:
Vimos, em nossa última mensagem, a importância de ter cuidado com as nossas atitudes em relação às pessoas com quem convivemos. Isso serve como um alerta constante e necessário para cada um de nós: nunca devemos nos esquecer de que a vida com o Senhor deve ser regada por Sua Palavra e guiada pelo Seu Espírito.
Se falharmos nisso, podemos perder de vista a responsabilidade de partilhar o evangelho — e acabamos por comunicar, ainda que indiretamente, que ele já não nos impacta mais.
Nas palavras finais desta carta, Paulo menciona aqueles que estão com ele em suas lutas e sofrimentos, e demonstra, ao mesmo tempo, o quanto as pessoas são valiosas para o Reino. Independentemente da posição que ocupamos na igreja, não somos um exército de um homem só — precisamos uns dos outros.
Paulo ilustra isso de maneira clara ao final da carta, mostrando como cada pessoa pode ser útil na obra. Assim, devemos nos lembrar: o campo de ação no Reino é vasto — basta estarmos dispostos! Veremos isso com mais clareza no texto a seguir:
Desenvolvimento:
Verso 7-8
Irmãos, percebemos que Paulo, embora tenha escrito bastante, não relatou de modo exaustivo a sua situação pessoal nesta carta. Ele menciona brevemente sua condição de prisão, sem se alongar em detalhes.
No entanto, não deixa os irmãos sem informações: fica claro que aqueles que ele menciona nos versos seguintes seriam os responsáveis por explicar melhor como tudo estava.
O primeiro citado é Tíquico. Curiosamente, o significado de seu nome pode ser “sortudo” ou “afortunado”.
Considerando com quem ele caminhou e serviu durante sua vida, podemos até chamá-lo de um privilegiado.
Segundo Paulo, Tíquico seria um dos encarregados de levar as informações sobre sua situação aos irmãos.
Por que Paulo atribui a ele tamanha responsabilidade? O próprio texto nos dá várias razões para isso. Paulo o chama de “irmão amado”, ou seja, alguém por quem tinha profundo afeto.
Esse amor, com certeza, foi fortalecido pelas experiências vividas em comum, especialmente nos momentos difíceis.
Sabemos como é mais fácil estar próximo de alguém que chorou conosco, que esteve ao nosso lado nas aflições — e Tíquico foi esse tipo de companheiro para Paulo.
Além disso, ele era confiável. Demonstrava fidelidade em sua conduta no Reino e disposição para servir, mesmo em tarefas aparentemente simples, como levar uma carta.
Mas essa carta carregava verdades profundas e pastorais — era, de fato, Palavra de Deus — e Tíquico se mostrou digno de tal missão.
Paulo o descreve nesses termos não apenas para demonstrar sua confiança pessoal, mas também para preparar sua recepção entre os irmãos.
Era uma recomendação necessária, especialmente porque, naquela época, havia muitos que tentavam se passar por Paulo ou falsificar mensagens.
Assim, era essencial que alguém tão próximo a ele fosse o portador da carta, para que não restassem dúvidas de sua autenticidade.
Como fica claro no verso 8, Paulo, mais uma vez, repete o propósito do envio de Tíquico. Agora, de forma mais explícita, ele esclarece sua situação de prisão. Mas não apenas isso — há um segundo propósito envolvido: como diz o texto, “para alentar o vosso coração”.
A ideia aqui é que esses irmãos poderiam fortalecer e encorajar a igreja. Paulo reconhece o valor das pessoas no ministério: somos chamados a animar e sustentar uns aos outros na caminhada da fé.
Ele sabe que o caminho cristão é difícil, e o nosso Deus, que nos conhece profundamente, nos concede irmãos e irmãs ao longo da jornada para nos exortarem e fortalecerem mutuamente.
A própria ideia de Hebreus 10.25 reforça esse ponto: “não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns; antes, façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima.”
O Dia do Senhor se aproxima, e é impossível estarmos verdadeiramente preparados se estivermos isolados. Precisamos do apoio dos irmãos, assim como Paulo contou com o suporte de Tíquico, e como os colossenses foram fortalecidos por essa visita.
Que aproveitemos, então, a oportunidade que Deus nos dá de cuidar e amar os irmãos com quem convivemos diariamente.
Isso é um privilégio — não um fardo. Creio que, para Tíquico, servir era visto exatamente assim: um privilégio e uma honra.
Devemos olhar para a atitude desses irmãos do passado como um exemplo a ser seguido por nós hoje. Ser útil no Reino é estar disponível para servir os irmãos!
Verso 9
Onésimo, citado no verso 9, merece uma explicação à parte — e, de fato, por isso temos uma carta específica dedicada a ele: a carta a Filemom. De forma resumida, Onésimo era um escravo que havia fugido de seu senhor.
Não sabemos ao certo como ele chegou até Paulo, mas o contato entre eles foi suficiente para que Onésimo abraçasse o evangelho.
O evangelho, como já destacamos várias vezes, não faz acepção de pessoas. Ele é oferecido a todos, independentemente de classe social, passado ou posição.
Por isso, mesmo esse escravo que antes era considerado "inútil" para seu senhor, agora se torna alguém verdadeiramente útil para o Reino — em consonância com o próprio significado do seu nome: Onésimo = útil.
Em Cristo, ele foi revestido de novo valor. Já não seria mais visto como objeto, mas como irmão. E Paulo, de forma intencional, lhe dá a mesma descrição que deu a Tíquico, destacando sua lealdade e fé.
Onésimo, que era natural de Colossos, não seria mais apenas um conterrâneo, mas um membro da família da fé — alguém disponível para servir, fiel ao Senhor e leal aos irmãos.
Apesar de sua fuga, ele encontrou perdão em Deus. Não havia mais espaço para condenação eterna sobre ele.
Agora, o próprio senhor de Onésimo (Filemom) seria chamado, em Cristo, a perdoá-lo e recebê-lo não como um servo rebelde, mas como um irmão amado, que também poderia ser útil ao Reino.
Esses dois homens, dos quais não sabemos muito, nos ensinam o suficiente para sermos desafiados.
Ser leal ao Reino, estar disponível no serviço e encontrar em Cristo o verdadeiro sentido da vida — esse é o ponto. Como diz o antigo hino do Cantor Cristão: “No serviço do meu Rei eu sou feliz!”
É exatamente ali, no serviço a Cristo e aos irmãos, que encontramos nossa real satisfação e propósito — como vemos refletido na vida de Tíquico e Onésimo.
Verso 10
Aristarco, o primeiro citado no verso 10, nos deixa grandes ensinamentos por sua atitude para com Paulo. De fato, como sugere o significado do seu nome, ele era um verdadeiro líder.
Ele esteve com Paulo em diversas viagens missionárias (cf. Atos 19–27) e, além disso, escolheu permanecer ao lado do apóstolo mesmo na prisão.
É interessante notar sua entrega: ao contrário de outros, como Demas, Aristarco preferiu amar o Reino — ainda que isso implicasse estar numa cela — a amar o presente mundo.
Para ele, estar preso por causa do evangelho era liberdade. Amar o Reino é compreender que tudo o que não é Cristo se torna, de fato, uma prisão. E ser preso por Cristo é estar em plena liberdade.
Outro nome mencionado é João Marcos, primo de Barnabé. Ele participou da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, mas, por razões não totalmente esclarecidas, abandonou a missão e voltou atrás.
Essa atitude acabou gerando a separação entre Paulo e Barnabé, pois Paulo não quis levá-lo em outra viagem.
Marcos, naquele momento, agiu como alguém “inútil”, mas Barnabé, como bom consolador, não desistiu dele. Provavelmente o acompanhou, o exortou e o discipulou.
Agora, em Colossenses, vemos os frutos dessa caminhada: Marcos é novamente citado como um colaborador digno de confiança, alguém que deve ser recebido com honra.
Irmãos, errar em algum momento não significa que estamos fora do Reino para sempre. Esses homens nos mostram que falhas não precisam nos definir.
O arrependimento sincero nos reconduz ao serviço. O pecado gera separação entre nós e Deus, mas é a permanência no pecado que impede a reconciliação.
A vida de Onésimo e Marcos nos mostra como o amor pelo Reino transforma atitudes e nos torna valiosos para os outros.
Precisamos ter essa mesma visão: sim, devemos advertir os erros com seriedade, mas também devemos acolher com esperança os que caíram, para que se levantem e prossigam com Cristo.
Foi isso que aconteceu com Marcos — sua mudança fez com que Paulo agora o visse como alguém útil para a missão e digno de ser recebido pelos irmãos.
Essa é a postura que deve nos mover: não apenas reprovar, mas apontar o caminho da restauração. Não só corrigir, mas conduzir de volta. Isso é servir no Reino!
Conclusão:
Ainda há mais irmãos a serem citados, como veremos nos versos seguintes. Mas, até aqui, já podemos perceber o que realmente devemos amar, o que precisamos rejeitar e quem devemos acolher.
Paulo não virou as costas para sempre a Marcos; pelo contrário, reconheceu o homem que ele se tornou. Da mesma forma, viu valor em um escravo, agora regenerado em Cristo. Isso precisa mover o nosso coração: as pessoas são mais importantes do que suas condições sociais.
O amor por elas deve nos impulsionar — não sua relevância segundo os critérios da carne.
Precisamos aprender a olhar com os olhos do Reino, e manter esse olhar até o fim.
