Rute 2

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O autor narra o encontro providencial dos personagens, através do qual a graça e o favor do SENHOR são demonstrados nas cenas, de modo a conduzir o leitor a percepção da coexistência e cooperação de ambos os atributos divinos na salvação do povo de Deus.

Notes
Transcript

Rute 2: A providência divina na preservação da extinção pela concessão de um herdeiro real (pt 2) - A graça providencial do SENHOR.

Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de (…) dar um (…) resgatador” (Rt 4.14).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Recapitulação
Introdução (vv.1-5): Apresentação contextual:
A) Período (“No dias em que os juízes…”).
B) Foco tribal (palco principal: Belém, de Judá).
C) Movimento relacionado à terra de Israel.
D) Contexto dramático: Fome, Morte/Viuvez, Retorno).
2. Desenvolvimento cênico (vv.6-22):
Cena 1: Partida para Belém - Manifestação da no Deus do povo de Israel (vv. 6-18).
Cena 2: Chegada a Belém - conversão situacional providente (vv.19-22).
Propósito: Estabelecimento do palco para ação providencial/salvadora divina.
Elucidação
Estrutura cênica: “
v.1 - Inserção personal: apresentação do “ente-resgatador”.
Caracterização: “…um parente de seu marido, senhor de muitos bens (capacidade resgatadora (cf. ARCHER Jr, 2012, 347)), da família de Elimeleque”.
2. vv. 2-23 - Encontro providencial.
vv. 2-17 - Cena 1: Providência e Graça.
Corte I - Casualidade providencial
- Iniciativa de Rute (v.2).
- Protagonismo coadjuvante divino [saudação] (v.4).
- Apresentação de Rute à Boaz (vv.5-7).
Corte 2 -Diálogo gracioso
#Repetição do termo “חֵ֨ן” (hb. “graça” (cf. vv.2,10,13 (cf. Êx 33.12)).
- v.17 “um efa”. Segundo Walton, a quantidade de cevada apanhada por Rute “representava a porção de cereais obtida por uma pessoa do sexo masculino durante um mês de trabalho” (WALTON, 2018, p. 362).
b. vv. 18-23 - Cena 2: Reconhecimento providencial.
- Perspectiva ampliada (v.20a): “… não tem deixado a sua benevolência nem para com os vivos nem para com os mortos” (≠ 1.20-21).
- Reconhecimento (v.20b): “Esse homem é nosso… resgatado[r]”.
Síntese principiológica
O capítulo 2 do livro de Rute, estabelece um quadro que continua a demonstração da ação providencial do SENHOR iniciado antes (cap. 1), mas, agora, especificando o alvo final do trajeto, como que permitindo que os leitores vislumbrem o final da história, ainda que resguardando os detalhes desse desfecho, que não poderá ser outra coisa, senão uma ode à sabedoria divina que guia seu povo ao usufruto de sua graça e favor (i.e. “חֵ֨ן”).
O encontro entre os dois personagens principais das cenas do presente capítulo, vincula-los a partir da prática do mesmo princípio: Boaz reconhece o favor/graça de Rute para com Noemi, tendo saído com ela de Moabe até Belém e sendo-lhe fiel, (cf. v. 11), e Rute reconhece o favor/graça de Boaz em lhe providenciar todo o necessário para que colhesse fartamente e sustentasse a si e sua nora (cf. v.13). Concomitantemente, o leitor é apresentado à ação, ainda que velada, mas presente, de Deus, em encaminhar todas as coisas para que sua graça fosse experimentada tanto pelos vivos quanto pelo mortos (cf. v. 20a).
Assim é com o povo de Deus: como pobres e necessitados que éramos, entramos, pela providência, nos campos verdejantes do SENHOR e, encontrando-nos com ele, fomos fartos com sua graça e misericórdia, colhendo os frutos de sua benevolência, por meio da salvação em Cristo Jesus. Como diz Emílio Garofalo:

Deus soberanamente cuida de nós. E a expressão máxima do amor hesed de Deus, de sua benevolência, se mostra na cruz do calvário. Lá, o Senhor Jesus, em fidelidade ao pacto feito antes da criação do mundo, entrega sua vida por um povo de todas as tribos, línguas e nações. Lá ele provê para seu povo aquilo que nunca seríamos capaz de atingir, utilizando a própria carne e o próprio sangue.

Aplicações
A operação da graça/favor do SENHOR, operou na história, o encontro majestoso do Salvador com seu povo. Em nossa necessidade (i.e. pecado e miséria), estando nos campos do SENHOR, fomos alvos de seu plano maravilhoso, por meio do qual, em Cristo, somos fartos.
O cenário conflitante e difícil de viuvez e necessidade do capítulo um, é encerrado com um vislumbre da intenção providencial do SENHOR de que Noemi e Rute fossem amparadas; elas chegam à Belém “… no princípio da sega da cevada” (v.22b). Ainda que de modo velado, a mão divina encaminhou Rute ao encontro com aquele que seria o resgatador seu e de sua sogra, e tal encontro é envolto em graça e bondade, e tanto Boaz quanto Rute, vislumbram a graça do Todo-poderoso.
Analogamente, à história da redenção, nada mais é do que a história da ação providencial do SENHOR em fartar de graça aqueles que necessitavam. Os que antes estavam amargurados por seus pecados, agora repousam à salvos nos campos do SENHOR, sob a proteção e amor de Cristo, sob cujas asas temos refúgio certo.
A graça providencial, ou a providência graciosa de Deus, deve ser reconhecida por nós, pois por meio dela fomos saciados e fartos.
Detalhamento
Assim como Noemi, no capítulo 1, somos vagarosos em enxergar a provisão divina em nosso dia-a-dia. Raramente conseguimos discernir que, ao longo de nossa jornada, a boa mão do SENHOR, por “casualidade” (leia-se, providencialmente), desfrutamos do favor divino, nos assegurando o atendimento de nossas necessidades.
Não é culpa do que sejamos tão cegos ao ponto de não perceber sua ação graciosa e intencional em nossa preservação/salvação/sustento. Que abramos nossos olhos para contemplar que o SENHOR está ali, presente, por detrás da cortina de nossa história, guiando tudo conforme seu sábio roteiro.
2. “Esse homem é nossoresgatado[r]”. Boaz, em sua posição e condição, foi provido por Deus para ser o resgatador de Noemi e Rute. Porém, sua posição e condição eram limitadas, podendo atender apenas uma necessidade física/material. Cristo, em sua majestade, é aquele que é e fez o resgate que nenhum homem poderia; resgatou-nos de nossa condenação e pecado.
A inserção de Boaz na narrativa serve ao propósito de preparar o enredo para a ação resgatadora que realizaria, como registrado nos capítulos 3 e 4. Contudo, tal recurso, serve-nos de ponte a fim de observarmos a entrada daquele personagem que, representado por Boaz (e vindo de sua linhagem, diga-se) efetuaria o resgate de nossas almas.
Cristo é aquele que por essência, é a demonstração máxima do favor providencial de Deus, apresentando-nos ele, à graça abundante que somente o SENHOR poderia nos conceder. Cristo é o nosso Boaz, o instrumento providencial de Deus para o usufruto nosso de sua graça/favor!
Conclusão
O curso da providência divina, às vezes, não é evidente. Mas, por trás de cada acontecimento, está a mente sábia e graciosa do SENHOR, que nos direciona aos seus campos, para que lá, vejamos a Cristo; Aquele que está sempre pronto a nos fazer experimentar a abundância de sua graça.
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