A Eficácia da Fé

O Evangelho do Cristo Ressurreto  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução

Meus irmãos, vivemos em uma geração em que muitos falam sobre fé, mas poucos param para compreender o poder real, transformador e eficaz da fé salvadora.
Quando abrimos a carta aos Romanos, vemos um grande panorama do plano de Deus para redimir a humanidade.
👉 De Romanos 1.1 até Romanos 3.20, Paulo expõe com profundidade a universalidade do pecado: judeus e gentios, sem exceção, estão debaixo da condenação, destituídos da glória de Deus.
Mas a boa notícia surge a partir de Romanos 3.21 até Romanos 7.25, onde o apóstolo revela como Deus age na história para conduzir seu plano de redenção, justificando pela fé, restaurando pela graça e formando um novo povo entre judeus e gentios.
Nesse cenário, Paulo nos mostra, em Romanos 4, que a salvação não é fruto de obras humanas, mas da justificação que vem de Deus, mediante a fé.
E para fundamentar essa verdade, ele nos dá dois testemunhos históricos: Abraão, o pai da fé, e Davi, o rei que experimentou o perdão.
Hoje vamos caminhar por esse texto para entender o que significa crer — e como essa fé, ancorada em Cristo ressuscitado, muda tudo em nossa vida.

Dois testemunhos históricos a respeito da eficácia da fé - Rm 4.1-12

1 Que diremos, então, a respeito de Abraão, nosso pai segundo a carne? O que foi que ele conseguiu?

2 Porque, se Abraão foi justificado por obras, tem do que se orgulhar, porém não diante de Deus.

3 Pois o que diz a Escritura? Ela diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi atribuído para justiça.”

4 Ora, para quem trabalha, o salário não é considerado como favor, mas como dívida.

5 Mas, para quem não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça.

6 E é assim também que Davi declara ser bem-aventurado aquele a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras.

7 Davi disse: “Bem-aventurados aqueles cujas transgressões são perdoadas, e cujos pecados são cobertos;

8 bem-aventurado aquele a quem o Senhor jamais atribuir pecado.”

9 Esta bem-aventurança vem apenas sobre os circuncisos ou será que ela vem também sobre os incircuncisos? Porque dizemos: “A fé foi atribuída a Abraão para justiça.”

10 Como, pois, lhe foi atribuída? Estando ele já circuncidado ou sendo ainda incircunciso? Não foi no regime da circuncisão, mas quando ele ainda não havia sido circuncidado.

11 E Abraão recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda não havia sido circuncidado. E isto para que ele viesse a ser o pai de todos os que creem, embora não circuncidados, a fim de que a justiça fosse atribuída também a eles.

12 Ele é também pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado.=

O Testemunho de Abraão: Justificação pela Fé, não pelas Obras

📖 Romanos 4.1-5
“Que diremos, então, a respeito de Abraão, nosso pai segundo a carne? O que foi que ele conseguiu?” (v.1)
A resposta é clara: Abraão não foi justificado pelas suas obras. Se fosse, ele teria do que se orgulhar, mas não diante de Deus.
A Escritura diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi atribuído para justiça.” (v.3)
➡️ Por quê isso é tão importante?
Porque, se a justificação fosse por obras, ela seria dívida, não dádiva. O trabalhador recebe o salário porque o merece; mas o pecador é justificado pela graça. A fé é o canal que nos une a Cristo, não a moeda para comprar a salvação.
Paulo destaca quatro verdades:
A glória da salvação pertence a Deus, não ao homem: A justificação pelas obras colocaria o homem no centro — mas o Evangelho coloca Cristo no centro.
A justificação pelas obras contradiz as Escrituras: A Bíblia é unificada no ensino: “O justo viverá pela fé.” (Rm 1.17)
A base da salvação é a graça, não o mérito: Não somos justificados porque somos bons — mas porque Deus é bom.
A justificação traz bem-aventurança, não condenação: Davi testifica isso: “Bem-aventurados aqueles cujas transgressões são perdoadas, e cujos pecados são cobertos.” (v.7)
➡️ Portanto, não somos justificados porque somos piedosos; somos justificados apesar de sermos ímpios. (v.5)
Abraão, nosso pai na fé, é testemunho de que toda vanglória humana cai por terra diante da munificência divina.

O que é munificiência?

"Munificência divina" refere-se à generosidade e bondade de Deus, manifestada em Suas ações e provisões para com a humanidade e toda a criaçãoÉ a ideia de que Deus, como fonte de toda a bondade, oferece abundantemente bênçãos, graças e oportunidades, sem que haja necessidade ou mérito por parte dos seres humanos. 
A fé não é uma obra meritória; é o abandono do mérito próprio. É o grito de quem sabe que não pode salvar-se e confia na promessa de um Deus que chama à existência as coisas que não existem.
Neste sentido, aqueles que antes estavam destituídos da glória de Deus, por meio da fé no Filho de Deus e a justa operação da graça de Deus, passam a ser revestidos da justiça de Cristo.

O Testemunho de Davi: A Alegria do Perdão

📖 Romanos 4.6-8
Paulo evoca o salmo de Davi:
“Bem-aventurado aquele a quem o Senhor jamais atribuir pecado.”
Davi experimentou isso. Ele conhecia o peso da culpa, o abismo do pecado — mas também a alegria do perdão.
Essa bem-aventurança é a certeza de que Deus não apenas perdoa, mas não imputa mais o pecado.
Paulo refuta aqui qualquer ideia de que o perdão é parcial ou provisório. Ele mostra que a justificação não é uma meia-remissão, mas uma obra completa:
Deus não exige mais o castigo por pecados que Ele decidiu não mais imputar.
A justiça procedente das obras não pode acrescentar nada à justiça procedente da fé.
Por isso, a fé não é um ato inicial que depois depende de manutenção por obras.
O purgatório, na teologia católicaé um estado temporário de purificação para aqueles que morrem na graça de Deus, mas ainda precisam ser purificados de seus pecados menores ou do castigo temporal devido ao pecado, antes de poderem entrar no céu. É um conceito diferente do inferno, que é um estado eterno de punição para os condenados. 
Por causa disso na teologa católica há o sufrágio, porque neste lugar do purgatório, os mortos podem ser ajudados por orações, boas obras e ofertas em favor dos mortos.
A causa da nossa justificação é a graça; as boas obras são fruto dessa nova vida, não sua base.

A Circuncisão: Sinal, não Causa da Justificação

📖 Romanos 4.9–12
Paulo antecipa a objeção dos judeus: e a circuncisão? Não é ela que salva?
Ele responde: Abraão foi justificado antes de ser circuncidado. A circuncisão foi selo, não causa. Assim como os sacramentos hoje: batismo e Ceia são sinais da nova aliança, mas não são a fonte da salvação.
Paulo explica:
A circuncisão não é a base, mas o selo da justificação.
O sinal não deve ser confundido com a realidade.
O verdadeiro povo de Deus é o que imita a fé de Abraão, não apenas o que possui sinais externos.

A relação da eficácia da fé com a promessa da Aliança - Rm 4.13-25

13 A promessa de que seria herdeiro do mundo não veio a Abraão ou à sua descendência por meio da lei, e sim por meio da justiça da fé.

14 Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa.

15 Porque a lei suscita a ira; mas onde não há lei, também não há transgressão.

16Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja garantida para toda a descendência, não somente à descendência que está no regime da lei, mas também à descendência que tem a fé que Abraão teve — porque Abraão é pai de todos nós,

17 como está escrito: “Eu o constituí por pai de muitas nações” — diante daquele em quem Abraão creu, o Deus que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem.

18 Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe havia sido dito: “Assim será a sua descendência.”

19 E, sem enfraquecer na fé, levou em conta o seu próprio corpo já amortecido, tendo ele quase cem anos, e a esterilidade do ventre de Sara.

20 Não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus,

21 estando plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido.

22 Assim, também isso lhe foi atribuído para justiça.

23 E as palavras “lhe foi atribuído” foram escritas não somente por causa dele,

24 mas também por nossa causa, visto que a nós igualmente nos será atribuído, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor,

25 o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou para a nossa justificação.

Abraão é nosso pai (Rm 4.13–17)

A família de Abraão não é composta de uma única etnia, mas, como Paulo afirma, de “muitas nações”.
Gênesis 15.6 nos mostra que a base da aliança de Deus com Abraão foi o fato de Abraão crer (ter fé) na fidelidade de Deus.
Isso é fundamental: Deus chamou Abrão para estabelecer com ele uma aliança projetada para tratar do problema da incredulidade, e também de toda a degradação, desintegração e perversão humana resultantes do pecado (Rm 1.18–32).
Em outras palavras, Abraão começou onde todos nós começamos — em um estado caído, num mundo caído, mas sustentado pela promessa contida na aliança de Deus, por meio da , mediante a graça de Deus
Na perspectiva de Paulo, Abraão não seria herdeiro apenas da terra prometida na faixa de Canaã, mas, a partir de Cristo, toda a terra é santa, reinvidicada por Deus e dada como herança a Abraão e sua descendência.
Este pensamento é chave: a aliança da justiça de Deus sempre foi projetada para consertar o mundo inteiro.
Assim, o ponto principal dos versículos 13 a 15 é que as promessas de Deus não foram baseadas na circuncisão nem na Lei, mas na graça de Deus acolhida pela fé.
John Stott destaca que Paulo usa três argumentos para reforçar isso:
História (v. 13): Abraão não poderia ter sido justificado pela Lei, pois esta só foi dada 430 anos depois (Gl 3.17).
Linguagem (vv. 13–16): Lei e promessa não podem operar juntas. A Lei exige obediência; a promessa exige fé. A Lei suscita ira; a promessa, bênção.
Teologia (vv. 16–17): A salvação não é só para judeus circuncisos, mas para todos os que creem, gentios inclusive.

A fé de Abraão é nossa (Rm 4.17b–22)

Paulo mostra que a fé salvadora não é fé na fé, mas fé em Deus — o Deus que cria e ressuscita. Não é mero otimismo ou assentimento intelectual.
Abraão creu contra toda esperança, totalmente ancorado na Palavra de Deus. O bom senso podia dizer “não pode ser”; a razão, “não acontecerá”; mas a fé dizia: “Deus prometeu. Ele fará.”
John Stott enfatiza que a fé de Abraão estava ancorada em dois atributos divinos: o poder e a fidelidade de Deus.
Primeiro, a fé se apoia no poder de Deus (4.17b–19).
Deus vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem. Foi assim na criação e na ressurreição — as duas maiores provas do poder divino. Quando Deus revitalizou o corpo de Abraão e Sara, foi uma espécie de ressurreição. Quando trouxe Isaque à existência, foi uma criação. Assim também, Abraão confiou no Deus que traz vida do nada.
Segundo, a fé se apoia na fidelidade de Deus (4.20–22).
Abraão não duvidou por incredulidade, mas fortaleceu-se dando glória a Deus, plenamente convicto de que Deus era poderoso para cumprir o que havia prometido. A fé purifica-se das pretensões humanas e se rende completamente ao Deus vivo.
A fé é, em essência, deixar Deus ser Deus. Para a fé, não há contradição entre o que Ele promete e o que Ele pode realizar.

A fé de Abraão não é isolada, mas exemplo para nós (Rm 4.23–25)

Paulo aplica tudo isso a nós. O relato de Abraão não é apenas histórico, mas escrito “também por nossa causa” (4.23). A Bíblia não é um livro de história distante, mas de promessa viva.
A justificação sempre foi pela fé, tanto na antiga como na nova aliança. Abraão foi justificado pela fé na promessa futura de Deus; nós somos justificados pela fé em Cristo, que foi “entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou para nossa justificação” (v. 25).
A ressurreição é a garantia de que o sacrifício foi aceito — sem ressurreição, não há justificação (1Co 15.17).
Assim, o crente pode ter confiança total: somos revestidos da justiça de Cristo, reconciliados com Deus e chamados a viver nessa mesma fé eficaz.

Conclusão

“Irmãos, hoje vimos que a fé eficaz não é abstrata — é a confiança viva naquele que ressuscita mortos e chama à existência o que não existe.
Assim como Abraão, somos chamados a crer, mesmo quando tudo parece impossível — e a viver como herdeiros de uma promessa que alcança o mundo inteiro.
Portanto, saia daqui decidido a andar pela fé, não pelas circunstâncias; a lembrar que sua justiça não vem de suas obras, mas da graça de Deus em Cristo.
Que cada decisão, cada passo, cada sonho seja firmado nesta verdade: Deus é fiel para cumprir tudo o que prometeu!
Ore, confie, viva e testemunhe — para que, através da sua vida, outros vejam o poder da fé eficaz em ação.
E que toda glória seja de Cristo, nosso Senhor! Amém.”
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