Despedida - 2

Livro de Colossenses  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Cl 4.11—18

Introdução:
Chegamos ao fim de nossas exposições no livro de Colossenses — uma carta que nos chama a viver com maturidade cristã e com um conhecimento correto sobre o Senhor. Ao longo do estudo, fomos desafiados em várias áreas da vida: desde a forma como enxergamos Jesus até a maneira como lidamos com a família no dia a dia. Este é um livro que nos ensina profundamente e, ao mesmo tempo, nos chama a permanecer disponíveis para o reino de Deus.
Na conclusão da carta, Paulo cita nomes de pessoas pouco conhecidas. Não sabemos muito sobre elas, mas isso não é o mais importante. O que realmente importa é reconhecer a utilidade que tiveram no serviço ao Senhor — e também perceber que, infelizmente, alguns deles terminaram mal, afastando-se do caminho. Isso serve como um alerta para nós: precisamos conhecer e prosseguir em conhecer o Senhor, mantendo vigilância sobre a forma como temos vivido. É sobre isso que vamos refletir juntos nesta noite, com a permissão do Senhor.
Desenvolvimento:
Verso 11
Neste verso, vemos a continuidade do pensamento de Paulo iniciado nos versículos anteriores. Já falamos sobre Aristarco e Marcos — os únicos judeus que, segundo Paulo, estavam colaborando com ele na missão entre os gentios. Isso é notável, irmãos: o evangelho já estava transformando profundamente a mentalidade de muitos crentes no primeiro século. Aquilo que antes era uma barreira — a separação entre judeus e gentios — estava sendo superado pelo poder do evangelho.
Paulo também menciona "Jesus, chamado Justo" — e vale lembrar que era comum, entre os judeus da época, adotarem um segundo nome romano para facilitar a convivência em contextos gentílicos. Toda sua disposição indica que ele estava, de fato, disposto a priorizar a missão: pregar o evangelho a todos os que precisavam ouvir, independentemente de sua origem.
Esses homens estavam ao lado de Paulo — e isso era mais do que uma presença física. Eles se tornaram um verdadeiro incentivo em um momento de muita dificuldade para o apóstolo. A presença de irmãos fiéis é, muitas vezes, o instrumento de Deus para nos sustentar no meio das aflições.
Verso 12-13
Dando continuidade à sua saudação final, Paulo volta a mencionar Epafras — o mesmo irmão que ele já havia citado no início da carta. Epafras era um grande colaborador no evangelho. Era parte daquela igreja em Colossos e, assim como Paulo, estava preso por causa da fé. Mesmo enfrentando um momento tão difícil, seu coração permanecia voltado para o bem espiritual dos irmãos.
Observem, irmãos, como o desejo de Epafras era que a igreja permanecesse firme na fé e amadurecendo espiritualmente. E como ele expressava isso na prática? Orando. Paulo afirma que Epafras “se esforça” em oração — a palavra no original dá a ideia de uma luta, de uma batalha intensa, mostrando o quanto esse homem se importava com a vida espiritual da igreja.
Não era uma oração superficial ou generalizada. Era uma intercessão fervorosa, estratégica, voltada ao crescimento e à perseverança dos irmãos — não apenas de Colossos, mas também de Laodiceia e Hierápolis. Isso nos mostra que orar pelos outros não é algo frio ou menor. Na verdade, é uma expressão profunda de amor e responsabilidade cristã.
Epafras já havia batalhado em meio à igreja, ensinando e protegendo os irmãos contra heresias que ameaçavam o evangelho. Agora, mesmo longe fisicamente, continua batalhando em oração para que esses irmãos não se desviem, mas permaneçam firmes na verdade.
Ver alguém cair após tanto tempo de ensino, discipulado e amor investido é algo extremamente doloroso. Para um líder, é como levar uma facada no peito. Por isso, o desejo de todo verdadeiro servo de Deus é ver os irmãos prosseguindo em fé. Como Paulo também escreve em Romanos 12.2: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Verso 14-15
Nestes versículos, Paulo menciona duas figuras muito conhecidas — Lucas e Demas — e faz também uma saudação à irmã Ninfa e à igreja que se reunia em sua casa.
Primeiro, temos Lucas, o “médico amado”. É esse mesmo Lucas que escreveu o Evangelho que leva seu nome, além do livro de Atos. Sua proximidade com Paulo, especialmente durante as prisões e viagens missionárias, certamente foi fundamental para a construção de seus relatos sobre a vida de Jesus e o nascimento da igreja. Como historiador cuidadoso, ele investigou tudo com exatidão (Lc 1.3), e estar ao lado de Paulo provavelmente lhe deu acesso direto a testemunhos e registros confiáveis.
Além disso, por ser médico, Lucas também pode ter sido um suporte vital a Paulo nas consequências físicas do ministério. O apóstolo carregava no corpo as marcas de muitos sofrimentos — chibatadas, prisões, naufrágios — e, se o “espinho na carne” mencionado em 2 Coríntios 12 se referir a alguma enfermidade, a presença de Lucas seria ainda mais necessária para aliviar suas dores, mesmo que a cura definitiva nunca viesse.
Depois, temos o nome de Demas. Ele aparece aqui como um colaborador de Paulo — alguém que provavelmente estava engajado, fervoroso, disposto a servir e a ajudar no que fosse preciso. Mas sabemos, com pesar, qual foi seu fim: em 2 Timóteo 4.10, Paulo escreve que Demas “amou o presente século” e o abandonou. Aquele que antes batalhava ao lado dos apóstolos decidiu seguir um caminho de apego às coisas passageiras deste mundo.
Essa é uma das maiores dores para qualquer líder espiritual: ver alguém que era ativo, fiel, presente na igreja, simplesmente virar as costas e abandonar tudo por amor ao mundo. Essa foi a escolha de Demas — e embora ele fosse livre para decidir, será igualmente responsável por essa decisão, caso tenha permanecido nela.
Amar o presente século é trocar o eterno pelo passageiro, o profundo pelo superficial, Cristo pela aparência. À luz de Colossenses, é escolher o que é inferior e desprezar aquilo que é de cima — a melhor coisa de todas: Jesus!
Paulo encerra essa parte enviando saudações a outros irmãos, como Ninfa, e menciona “a igreja que se reúne em sua casa”. Isso era comum nos primeiros tempos da fé cristã. Ainda não existiam templos dedicados ao culto como temos hoje. A igreja era pequena, perseguida, e muitas vezes os encontros aconteciam em lares, com irmãos corajosos que abriam suas portas para receber a comunhão dos santos e o ensino da Palavra — mesmo sob risco de perseguição.
Verso 16
No verso 16, vemos uma instrução muito importante de Paulo: a carta deveria ser lida publicamente em Colossos e, depois, enviada à igreja de Laodiceia. Da mesma forma, os colossenses deveriam ler a carta recebida por Laodiceia.
Aqui está uma verdade significativa: as cartas apostólicas, embora tivessem um público primário — no caso, a igreja em Colossos — não eram destinadas apenas a uma única congregação. Elas deviam circular entre os irmãos, de igreja em igreja, para que todos pudessem aprender, se fortalecer e até se prevenir contra os mesmos erros e desafios que outras comunidades estavam enfrentando.
Esse era um meio de promover unidade, comunhão e edificação mútua no corpo de Cristo. O que Deus estava ensinando a um grupo de irmãos poderia — e deveria — abençoar muitos outros.
Mas há um ponto curioso aqui: Paulo menciona uma carta enviada à igreja em Laodiceia. Agora eu pergunto — algum irmão aqui já leu essa carta? Se sim, pode abrir aí e compartilhar... (Naturalmente, a resposta será o silêncio.)
Isso acontece porque essa carta se perdeu. Ela não foi preservada para nós. Provavelmente, foi um escrito com propósito mais local, específico para aquela igreja, e, segundo a soberania de Deus, não era necessário que ela fosse incluída no cânon das Escrituras. Por isso, não precisamos alimentar em nosso coração uma curiosidade ansiosa ou desnecessária sobre o seu conteúdo.
Ela cumpriu o propósito para o qual foi enviada. E isso é o que importa. O que Deus preservou nas Escrituras é exatamente o que Ele desejava que a igreja de todas as épocas tivesse em mãos. Nada falta, nada está em excesso. Tudo o que precisamos saber para a salvação, para a santidade e para a vida está aqui — e está completo.
Verso 17-18
Encerrando a carta, Paulo dá uma exortação direta e muito importante: “Dizei a Arquipo: Cuida em cumprir o ministério que recebeste no Senhor.”
Eu pedi aos irmãos que decorassem esse verso, porque ele fala com todos nós. Cada cristão recebeu do Senhor uma missão. Arquipo, provavelmente parente de Filemom (embora o grau exato de parentesco não esteja claro), tinha um ministério específico — e Paulo o exorta a perseverar nele. Ele deveria continuar pregando a Palavra e servindo fielmente.
Essa exortação não é uma cobrança dura, como quem pressiona ou acusa. É um lembrete encorajador: não se esqueça da missão que o Senhor te deu. Quando decoramos esse verso, nosso objetivo não é criar peso, mas avivar nosso compromisso com o reino. Cada um de nós tem algo a cumprir. E o evangelho deve ser anunciado — por nós, com nossas palavras e nossa vida.
Ao final da carta, Paulo faz questão de dizer: "Esta saudação é de meu próprio punho". Ele destaca que escreveu pessoalmente esta parte. Isso era importante porque havia pessoas tentando falsificar cartas em seu nome. A assinatura pessoal e o envio por irmãos confiáveis ajudavam a garantir a autenticidade da mensagem.
Por fim, ele encerra com um pedido: “Lembrai-vos das minhas algemas.” Paulo não está pedindo piedade, mas intercessão. Ele deseja que os irmãos não se esqueçam dos missionários e pregadores que estão sofrendo por causa do evangelho. E com isso, ele conclui: “A graça seja convosco.”
Que essa mesma graça, irmãos, continue com cada um de nós. Que este mundo impiedoso não nos afaste do Senhor. Que, com a força que vem de Deus, sigamos firmes no caminho que Ele mesmo nos propôs — até o fim.
Conclusão:
Com a permissão do Senhor, na próxima mensagem vamos começar uma nova série sobre o perdão. Que os irmãos estejam com o coração aberto para esse tema — pois, sim, é um desafio, mas não é algo do qual podemos escapar. Perdoar é difícil, mas necessário. E o evangelho vai nos mostrar o caminho.
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