A história do Sínodo de Dort

Palestras/Aulas  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 45 views
Notes
Transcript

O Sínodo de Dort

O Sínodo de Dort que ocorreu em 1618 e 1619 na cidade de Dordrecht na Holanda, foi o responsável por estabelecer aquilo que conhecemos hoje como “Os 5 pontos do Calvinismo”. No entanto, originalmente esses 5 pontos era conhecidos simplesmente como os 5 pontos de Dort, pois não representam a totalidade da teologia reformada, mas tratam especificamente de uma área: a soteriologia (doutrina da salvação). O Sínodo foi convocado para responder aos cinco pontos dos remonstrantes:
Eleição CondicionalExpiação Universal (mas condicional)Depravação Parcial / Livre-arbítrioGraça ResistívelPossibilidade de Perda da Salvação Os remonstrantes eram discípulos do teólogo Jacó Armínio.
Armínio era um pastor piedoso e foi professor na Universidade de Leiden, uma instituição de teologia reformada influenciada pelo pensamento dos reformadores suíços. Armínio nasceu em 1560, enquanto Calvino faleceu em 1564 — portanto, eles não se conheceram pessoalmente. Mesmo assim, Armínio demonstrava respeito por Calvino, considerando-o um dos maiores exegetas e hermeneutas da história da igreja.
Com o tempo, Armínio começou a desenvolver mudanças na teologia de Calvino e seus ensinos começaram a se espalhar por meio de seus seguidores.
Seus seguidores em 1610 redigiram um documento chamado "Remonstrância", no qual expunham cinco proposições teológicas divergentes do calvinismo clássico.
Diante disso, foi convocado o Sínodo de Dort (1618–1619), composto por representantes das igrejas reformadas da Holanda e de outras partes da Europa. O objetivo era avaliar os ensinos da Remonstrância.
O Sínodo rejeitou as doutrinas arminianas, reafirmou a teologia reformada e estabeleceu os chamados cinco pontos de Dort, que mais tarde foram sistematizados no acrônimo TULIP (Total depravity, Unconditional election, Limited atonement, Irresistible grace, Perseverance of the saints).
O Sínodo também decidiu pela remoção dos pastores arminianos de seus cargos, e muitos foram banidos do país. Com isso, o arminianismo perdeu força na Holanda e se concentrou na Inglaterra, onde encontrou espaço especialmente no movimento metodista do século XVIII, com John Wesley, e posteriormente se espalhou pelos Estados Unidos.

História

Para entendermos o contexto do Sínodo de Dort (1618 - 1619), precisamos compreender a história de maneira mais ampla. Quando o Sínodo de Dort foi convocado, a Holanda estava enfrentando uma guerra por liberdade em relação aos Espanhóis, guerra essa conhecida como Guerra dos 80 anos (1568 - 1648). A Holanda caiu sob domínio espanhol com Carlos V (1516), que impôs a Inquisição espanhola contra os protestantes a partir de 1520. Esse domínio tornou-se ainda mais opressor sob seu filho, Filipe II, que reprimiu brutalmente o movimento reformado presente nos Países Baixos. Esse movimento havia ganhado força especialmente por meio da atuação de Guido de Brés, que estudou em Genebra com Calvino e Teodoro de Beza, e foi o autor da Confissão Belga (1561). Além disso, Brés também contribuiu para a tradução para o holandês do Catecismo de Heidelberg (1563) escrito por Zacharias Ursinus que tinha estudado aos pés de Melanchton e Calvino.
Com esses dois documentos traduzidos para o Holandês a população da Holanda começa a se tornar fortemente protestante, porém ainda sob domínio da Espanha Católica e sofrendo forte oposição e perseguição.
Foi nesse contexto de Guerra entre a Holanda protestante e a Espanha Católica que Armínio apresenta sua declaração de sentimentos em 1608 diante do estado Holandês e depois seus seguidores apresentam os 5 artigos da Remonstrância.
Essa declaração de sentimentos de Arminio e os artigos da remonstrancia tinham muitas similaridades com a teologia papista, principalmente com os escritos do concílio de Trento apresentados na contra-reforma em 1546.
Na cabeça Holandesa da época a traição a teologia reformada e o retorno a uma teologia papista era uma traição a pátria e um alinhamento claro com os Espanhóis. Isso explica a severidade da decisão tomada no Sínodo em expulsar os pastores arminianos, visto fato de que na cabeça Holandesa aqueles homens estavam defendendo um retorno as doutrinas católicas que tanto oprimiram aquele povo.

O motivo dos escritos de Armínio

Para podermos compreender o motivo pelo qual Armínio contrapôs as doutrinas calvinistas, é necessário entendermos as mudanças que houve no cenário teológico da época.
Na época da reforma, os reformadores, tanto Lutero quanto Calvino, haviam se afastado teologicamente do método escolástico medieval de Tomas de Aquino que era utilizado para se fazer teologia na época. A escolástica medieval buscava usar a filosofia e lógica Aristotélica para desenvolver seus sistemas teológicos.
Com esse abandono, eles retornaram a teologia de Agostinho dando ênfase à centralidade da graça e à autoridade das Escrituras e a ideia do mistério.
"Porque, sendo que o Espírito Santo sempre nos ensina o que nos convém, e as coisas que são de pouca importância para a nossa edificação, ou as omite totalmente, ou as toca brevemente e como que de passagem, é também dever nosso ignorar voluntariamente as coisas que não granjeiam proveito algum." As intitutas, Livro 01, Cap XIV, pg 160 e 161.
Porém, após a morte de Calvino, houve um retorno à escolástica e ao uso da lógica aristotélica na teologia.
Esse movimento, influenciado por Teodoro de Beza, sucessor de Calvino em Genebra, deu origem aquilo que chamamos de Escolasticismo Reformado.
Com o aprofundamento desse método pelos sucessores de Beza, surgiu a necessidade de se sistematizar mais a teologia reformada, que até então possuía um tom mais pastoral.
Agora, com o auxílio da lógica aristotélica, buscava-se explicar com maior rigor cada meandro da fé — aspectos que antes eram frequentemente abordados com maior reverência ao mistério.
É nesse contexto que surgem debates como o infralapsarianismo e o supralapsarianismo, os quais despertaram em Armínio um desejo de defender a justiça de Deus, levando-o ao desenvolvimento de sua própria teologia.

Aplicações e ensinos:

01 - A escritura é a base da teologia.

A teologia reformada é sólida quando se edifica sobre a revelação e se cala onde Deus se calou. A primeira geração de reformadores falava quando a Escritura falava e se calava quando a Escritura se calava. Contudo, com o retorno ao escolasticismo na segunda geração reformada, surgiu a tentativa de explicar o que Deus não havia revelado claramente, o que resultou em certos desvios e especulações desnecessárias. E escritura é o solo da teologia:
Efésios 2.20 “20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular;”
A escritura é o teto da teologia: 1Coríntios 4.6 “6 Estas coisas, irmãos, apliquei-as figuradamente a mim mesmo e a Apolo, por vossa causa, para que por nosso exemplo aprendais isto: não ultrapasseis o que está escrito; a fim de que ninguém se ensoberbeça a favor de um em detrimento de outro.” Embora o escolasticismo reformado tenha produzido grandes teólogos e obras notáveis — como o Compêndio Apologético de Francis Turretin e os próprios cinco pontos de Dort —, seu acerto estava em usar a lógica a serviço da revelação, parando sempre onde a Escritura impõe limites.

02 - Devemos abraçar o mistério e cair em adoração.

A revelação de Deus não nos foi dada para resolver todos os mistérios, mas para nos chamar à reverência e adoração. Muitas verdades divinas são insondáveis, e a tentativa de compreendê-las além do que foi revelado pode levar não à sabedoria, mas à confusão. O próprio Deus nos chama a humildade diante de Sua majestade.

As coisas encobertas pertencem ao Senhor:

Deuteronômio 29.29 “29 As coisas encobertas pertencem ao Senhor, nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.”

A grandeza de Deus e sua insondabilidade.

Isaías 40.12–18 “12 Quem na concha de sua mão mediu as águas e tomou a medida dos céus a palmos? Quem recolheu na terça parte de um efa o pó da terra e pesou os montes em romana e os outeiros em balança de precisão? 13 Quem guiou o Espírito do Senhor? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? 14 Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento? 15 Eis que as nações são consideradas por ele como um pingo que cai de um balde e como um grão de pó na balança; as ilhas são como pó fino que se levanta. 16 Nem todo o Líbano basta para queimar, nem os seus animais, para um holocausto. 17 Todas as nações são perante ele como coisa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo. 18 Com quem comparareis a Deus? Ou que coisa semelhante confrontareis com ele?”
Isaías 40.25–28 “25 A quem, pois, me comparareis para que eu lhe seja igual? —diz o Santo. 26 Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar. 27 Por que, pois, dizes, ó Jacó, e falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu direito passa despercebido ao meu Deus? 28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.”
Romanos 11.33–36 “33 Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? 35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? 36 Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!”

O homem deve se calar:

Romanos 9.20 “20 Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim?”
Leitura recomendada: Jó 40–42 – onde Jó se cala e adora diante da revelação de Deus.

Aplicação Final

1. Se você ainda não conhece ao Senhor, saiba que ele se revela pela sua palavra, Senhor é o seu nome, Ele é o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e ele enviou seu Filho ao mundo para morrer pelo povo que Ele amou desde a eternidade passada 2. Caso o Senhor ja tenha se revelado a você e você tem questionado ao Senhor em seus caminhos e decretos, se arrependa e se submeta a verdade revelada, Ele é Deus e sabe mais do que os homens. 3. Caso você já tenha se prostrado diante da revelação de Deus e o tem o aceitado em todos os seus caminhos, deixe que essas verdades o conduzam a adoração!

Oração:

Senhor, Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, Soberano Criador que sustenta o universo, Com humildade nos colocamos diante de ti — como barro nas mãos do oleiro, como criaturas diante do Criador, como servos diante do Senhor, e como filhos diante daquele que os gerou. Pedimos que nos contentemos com nossa pequenez, e que nos espantemos com tua grandeza. Que o resplendor da tua glória nos conduza à adoração, e não à especulação. Que a tua verdade revelada seja comunicada ao nosso espírito pelo teu Espírito, e que o conhecimento de ti em nós produza transformação. Te adoramos e bendizemos, no nome de Jesus, nosso Senhor. Amém.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.