Romanos 8.18-25

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O autor corrobora a temática da adoração, consolando o coração do povo de Deus com a certeza da glorificação, buscando desenvolver no coração da igreja, a ansiosa, porém paciente, expectativa por esse momento, em que haverão de derradeiramente ser redimidos dos efeitos do pecados e demais experiência sofredoras.

Notes
Transcript

Romanos 8.18-25: A glorificação como fruto da justificação, e expectação por sua efetivação como vitória derradeira sobre o pecado.

A justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé” (Rm 1.17).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Recapitulação:
vv. 12-17 - A nova vida no espírito como resultante de nossa filiação pelo Espírito a Deus em Cristo (desenvolvimento da seção de 1-11).
Elucidação:
Estrutura argumentativa:
Síntese: Foco sobre a glorificação dos filhos de Deus, como momento que marcará a vitória sobre o pecado e todo os efeitos deste que geram sofrimento, tanto aos crentes quanto à criação de um modo geral.
1. [vv.18-22]: A expectativa da criação pela glorificação/libertação.
- v.18: Comparação temporal consoladora: “sofrimento do tempo presente” VS “glória a ser revelada”. [Desenvolvimento da temática anterior, da luta contra o pecado, como parte do que o apóstolo chama de “sofrimento”].
- v. 19-22: Exemplo de expectação - A criação:
a) Sujeição pecado “por causa daquele [Adão?] que a sujeitou” (v.21 (cf. Gn 3.17 “…maldita é a terra por tua causa”)).
b) A libertação dos filhos de Deus resulta na libertação de toda a criação (v.21).
c) Expectação pelo “gemido” (gr. συστενάζει) e “sofrimento” (gr. συνωδίνει), esta última expressão referencia as dores de parto de uma mulher.
Romanos Os Três Gemidos

(…) A criação nutre ansiosa expectativa pela revelação dos filhos de Deus porque o evento significará também glória para toda a criação.

2. [vv. 23-25]: A expectativa dos filhos de Deus por sua revelação/glorificação (concomitante à primeira (cf. v.23a “οὐ μόνον δέ, ἀλλὰ καὶ αὐτοὶ)).
- As “primícias do Espírito” (v.23) como penhor da salvação (HENDRIKSEN), e portanto, da glorificação.
- “adoção de filhos” como sinônimo para glorificação (eco da seção anterior (cf. vv. 12-17)), e, conectado à “redenção de nosso corpo”, referencia nossa inteira libertação da influência excruciante do pecado.
- Esperança como resultado da convicção da glorificação (vv. 24-25), e efeito da adoção/redenção (cf. v. 24a “Porque, na esperança, fomos salvos”).
- Ironia intensificativa: através da paciência, esperamos ansiosamente”.
Síntese principiológica:
A fim de conceder à igreja o alento necessário para continuar lutando contra os impulsos pecaminosos, o apóstolo Paulo desenvolve neste trecho de sua carta, uma argumentação dinâmica através da qual expõe à igreja de Deus o balanço entre o “já” e ao “ainda não” da salvação.
O início do parágrafo estabelece o foco no porvir, consolando os crentes com a visão maravilhosa da glorificação, ao passo que na sequência, derruba-os de tal êxtase, a fim de direcioná-los à uma convicção firme de que tal momento chegará, usando o “gemido” da própria criação para tal. Como elabora Calvino:
Romanos Versículos 23 a 25

A excelência de nossa glória futura é de tal importância, mesmo para os próprios elementos que carecem de sentido e razão, que

Se a própria criação expecta por nossa glorificação, suportando a maldição causada por nós mesmos, em Adão, pela entrada do pecado, muito mais nós, devemos usar de tal esperança, tanto para assentarmos em nosso coração esse poderoso consolo, quanto para com avidez, fazermos prevalecer o zelo pela santidade.
Aplicação:
Nossa experiência de sofrimento, incluindo nossa luta contra o pecado, deve extrair vigor da sublime expectativa pela glorificação, pois a esperança que temos no tempo porvir é certa, e seus efeitos, tornarão em nada o que hoje tanto aflige nossos corações.
Paulo inicia seu argumento apresentando a comparação entre os sofrimentos presentes e a glória futura, exatamente para provocar a disparidade óbvia entre ambos, motivando os crentes a suportarem todo o sofrimento que experimentam, em todas as áreas da vida, tendo esse foco encorajador. É dessa convicção que poderemos extrair a paciência para suportar os tantos assaltos que a vida nos proporciona, seja na saúde, no casamento, no trabalho, no convívio como igreja, etc.
Contemplamos o mundo afundar-se no desespero porque aqueles que não têm as primícias do Espírito, não tem qualquer vislumbre de esperança. Seus olhos estão voltando unicamente para o tempo presente, e por não possuírem qualquer visão de futuro, tudo o que lhes resta é este mundo tenebroso e caído, no qual viverão, aguardando apenas que suas vidas acabem, mal sabendo que toda a eternidade os aguarda, vendo os resultando de suas buscas vazias refletirem-se na contemplação do rosto descontente do Criador, emitindo seu desagrado, privando-os de qualquer consolo.
Concomitante a isso vemos que, em muitas “comunidades cristãs”, a esperança do porvir não é mais tema de exposições, dando lugar a uma repetição frenética de mensagens de auto-ajuda, voltadas a desenvolver nas pessoas um desejo enorme de sucesso nesse mundo, desfrutando de prosperidade material. Esse ótica deturpada, rouba dos crentes a contemplação naquilo que verdadeiramente pode dar esperança e, ao invés de verem-se como livres, os adeptos de tal “teologia”, também vivem como os mundanos: fadados a amargar sem consolo, os dessabores dessa vida.
Nós, por outro lado, embora não vejamos a realidade que nos será apresentada, pela fé (cf. Hb 11.1), obtemos do Espírito a certeza que a glória a ser revelada em nós, haverá de superar qualquer presente pesar que sentimos, do contrário seríamos os mais miseráveis dos homens (cf. 1Co 15.19). E tal esperança não manifesta-se como mera expectativa de que coisas melhores venham; é certo que o SENHOR haverá de introduzir-nos num mundo restaurado, onde as palavras, sofrimento, dor, luto, tristeza, pecado, não existirão. A ótica bíblica é que um dia, o próprio Cristo enxugará de nossos olhos toda a lágrima, e é olhando para esse momento, que extraímos forças para aguardar com grande expectativa e paciência resoluta, a concretização dos planos divinos para nós, seu povo, sua igreja.
Um antigo poeta já havia descrito a dinâmica entre o “já” e o “ainda não” de nossa resistência aos sofrimentos causados pela entrada do pecado no mundo, e a inefável glória por vir, afirmando que: “O botão pode ter sabor amargo, mas doce será a flor” (William Cowper, 1772).
Conclusão:
A Escritura não nos ludibria com a falsa promessa de que nessa vida, nossa prosperidade ou a benção do SENHOR nos isentará de sofrimentos. Pelo contrário, somos alertados de que tais sofrimentos virão (Jo 16.33). Porém, o contrapeso que recebemos da parte de Cristo Jesus pelo Espírito que em nós habita, faz com que a balança comparativa mostre-nos o horizonte que nos dá a paz que excede todo entendimento, garantindo para nós que uma glória de ordem inimaginável nos aguarda e nela, a redenção completa de nosso corpo proporcionará que vivenciemos a grandeza do poder de Deus, transformando em novas todas as coisas.
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