Sermão 182 - Confie no resgatador

Rute - Amor leal em tempos difíceis  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Texto: Rute 3
Rute 3 ARA
Disse-lhe Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar-te um lar, para que sejas feliz? Ora, pois, não é Boaz, na companhia de cujas servas estiveste, um dos nossos parentes? Eis que esta noite alimpará a cevada na eira. Banha-te, e unge-te, e põe os teus melhores vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber. Quando ele repousar, notarás o lugar em que se deita; então, chegarás, e lhe descobrirás os pés, e te deitarás; ele te dirá o que deves fazer. Respondeu-lhe Rute: Tudo quanto me disseres farei. Então, foi para a eira e fez conforme tudo quanto sua sogra lhe havia ordenado. Havendo, pois, Boaz comido e bebido e estando já de coração um tanto alegre, veio deitar-se ao pé de um monte de cereais; então, chegou ela de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou. Sucedeu que, pela meia-noite, assustando-se o homem, sentou-se; e eis que uma mulher estava deitada a seus pés. Disse ele: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és resgatador. Disse ele: Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; melhor fizeste a tua última benevolência que a primeira, pois não foste após jovens, quer pobres, quer ricos. Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa. Ora, é muito verdade que eu sou resgatador; mas ainda outro resgatador há mais chegado do que eu. Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se ele te quiser resgatar, bem está, que te resgate; porém, se não lhe apraz resgatar-te, eu o farei, tão certo como vive o Senhor; deita-te aqui até à manhã. Ficou-se, pois, deitada a seus pés até pela manhã e levantou-se antes que pudessem conhecer um ao outro; porque ele disse: Não se saiba que veio mulher à eira. Disse mais: Dá-me o manto que tens sobre ti e segura-o. Ela o segurou, ele o encheu com seis medidas de cevada e lho pôs às costas; então, entrou ela na cidade. Em chegando à casa de sua sogra, esta lhe disse: Como se te passaram as coisas, filha minha? Ela lhe contou tudo quanto aquele homem lhe fizera. E disse ainda: Estas seis medidas de cevada, ele mas deu e me disse: Não voltes para a tua sogra sem nada. Então, lhe disse Noemi: Espera, minha filha, até que saibas em que darão as coisas, porque aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje.

Contextualização

Houve um tempo em que Noemi só conhecia o silêncio. O silêncio do luto, o silêncio da perda, o silêncio desconcertante da providência que, às vezes, mais parece esconder do que revelar.
Mas o silêncio de Deus, irmãos, nunca é vazio — é gestacional. É o útero onde se forma a esperança que ainda não se vê.
Rute e Noemi atravessaram o vale da fome, da morte, do exílio, da humilhação. A Casa do Pão estava vazia. O nome que significava “meu prazer” virou “amargura”. A história parecia uma ruína sem promessa. Até que… até que no campo de Boaz, entre espigas caídas, entre migalhas de misericórdia, o fio dourado da providência começou a brilhar.
E agora, no capítulo 3, este fio começa a se enrolar em algo mais concreto, mais audível, mais palpável. A história deixa de ser apenas sobrevivência — e começa a falar de redenção.
Mas veja: redenção não chega como trovão. Não desce como fogo do céu. Ela começa numa conversa de cozinha, no colo de uma sogra que, pela primeira vez em muito tempo, volta a sonhar.
Noemi, aquela que outrora dizia “o Todo-Poderoso me fez amarga”, agora pergunta: “Não hei de eu buscar-te descanso, minha filha?” — palavra que carrega o peso do shalom, do lar, da segurança, da promessa cumprida.
E aqui aprendemos algo que poucos percebem: às vezes, a fé se parece muito mais com preparar-se para um encontro do que com esperar milagres espetaculares. Às vezes, a fé é tomar banho, ungir-se, vestir-se e caminhar — mesmo quando ainda não se sabe o que Deus fará.
E olha que paradoxo belíssimo: aquilo que começou com fome, morte e luto — agora se move para uma eira cheia, sob um céu estrelado, onde uma mulher estrangeira se deita aos pés de um homem justo, pedindo não um favor qualquer… mas redenção.
Rute não está pedindo namoro. Não está flertando. Ela está, com toda a reverência do pacto, dizendo: “Estende sobre mim a tua capa” — que, na língua dos redentores, significa: “Toma-me sob tuas asas. Torna-te meu Goel. Redime-me.”
Queridos, aqui não há escândalo, mas reverência. Não há sedução, mas submissão. É a imagem da Igreja aos pés de Cristo. É a oração do pecador que diz: “Senhor, cobre-me com tua justiça, pois fora de Ti não há esperança.”
O capítulo 3 de Rute não é sobre romance barato. É sobre confiança no Redentor. É sobre o momento em que a esperança tímida se transforma em súplica ousada.
Por isso, a pergunta que ecoa hoje é simples, mas urgente: Como confiar no resgatador?
Como confiar no resgatador?
Tema: Confie no resgatador

1- Obedecendo com humildade (v.1-5)

Versículo:
Rute 3.1–5 ARA
Disse-lhe Noemi, sua sogra: Minha filha, não hei de eu buscar-te um lar, para que sejas feliz? Ora, pois, não é Boaz, na companhia de cujas servas estiveste, um dos nossos parentes? Eis que esta noite alimpará a cevada na eira. Banha-te, e unge-te, e põe os teus melhores vestidos, e desce à eira; porém não te dês a conhecer ao homem, até que tenha acabado de comer e beber. Quando ele repousar, notarás o lugar em que se deita; então, chegarás, e lhe descobrirás os pés, e te deitarás; ele te dirá o que deves fazer. Respondeu-lhe Rute: Tudo quanto me disseres farei.
Noemi desenvolve um raciocínio para convencer Rute de seu plano.
1. “Buscar-te um lar” (v.1)
O termo “manoach” (Lar) significa literalmente “descanso, repouso”, mas aqui tem conotação de “segurança conjugal”, ou seja, casamento. Isso reflete a preocupação da teologia do Antigo Testamento com o shalom (paz, segurança, provisão) para as viúvas (cf. Dt 25.5-10).
Curiosamente, o mesmo termo é usado em Rute 1.9, quando Noemi deseja que suas noras encontrem descanso em casa de outro marido.
Alimpar Cevada na Eira era Jogar a Cevada para cima e a parte leve voava e os graos caiam ao chão.
O processo é chamado de “aventamento”, que consiste em lançar a cevada para o alto com um garfo, permitindo que o vento leve a palha e os grãos caiam.
A eira era um espaço aberto, geralmente em um local elevado, o que significa que as atividades aconteciam ao ar livre, durante o entardecer ou à noite para aproveitar a brisa.
Banha-te - Tome um banho Mary KAy - Dica para as mulheres para quando querem convencer seus maridos.
A vestimenta citada não é de sedução apenas, mas provavelmente um sinal de que Rute não estava mais em luto pela morte do marido, mostrando disposição para um novo casamento.
Isso é relevante, pois culturalmente a viúva tinha trajes específicos de luto, e essa troca é uma declaração pública.
A ideia era essa mesma que você está pensando, Noemi estava dizendo para Rute estar toda bela para seduzir Boaz.
Esperando o melhor momento, pois depois de comer e se deitar, dificilmente alguém iria atrapalhar o descanso do patrão.
Descobrir os pés enquanto se dorme ao ar livre, é para que o frio tome conta de seus pés e ele acorde.
Quando acordar, faça o que ele pedir. De fato, Noemi estava dizendo a Rute para se deitar com Boaz.
Este é um versículo chave que destaca a total dependência de Rute de Boaz como redentor (goel).
Por mais que Noemi estivesse com a intenção de deixar Rute para Boaz, Rute provavelmente estava entendendo aquilo como estar debaixo das asas do Goel, o resgatador.
O termo legal e teológico de “goel” (גֹּאֵל) aparece no contexto do parente remidor, que assume a responsabilidade de:
Resgatar terras (Lv 25.25),
Proteger os membros da família,
Manter a linhagem viva através do casamento levirato.
De fato o plano é que com esta atitude, ela pudesse dizer que foi tomada por Boaz e exigir dele um posicionamento de cuidado para com elas, como resgatador.
Cristo:
• Boaz tipifica claramente a pessoa de Cristo como nosso Redentor (Goel).
• Assim como Rute se submete em obediência, humildade e dependência, o pecador se lança aos pés de Cristo, clamando por redenção (cf. Mt 11.28-30; Ef 2.12-13).
• A linguagem de “descanso” (manoach) ecoa em Mateus 11.28: “Vinde a mim… e eu vos aliviarei.”
Aplicação:
Rute não discute, não questiona — simplesmente responde: “Tudo quanto me disseres farei” (v.5). Reflexo da submissão que a Igreja deve ter à Palavra de Deus e ao nosso Redentor.
O plano é ousado, mas repousa sobre a confiança nas promessas pactuais que regem o conceito do goel. Assim, também confiamos nas promessas do nosso Redentor, Jesus Cristo.
Assim como Rute se lavou, ungiu-se e vestiu-se, também somos chamados a nos limpar (1Jo 1.9), a ser cheios do Espírito (Ef 5.18) e a nos revestir de Cristo (Rm 13.14).
Tema: Confie no resgatador 1- Obedecendo com humildade (v.1-5)

2- Aproximando-se com reverência (v.6-9)

Versículo:
Rute 3.6–13 ARA
Então, foi para a eira e fez conforme tudo quanto sua sogra lhe havia ordenado. Havendo, pois, Boaz comido e bebido e estando já de coração um tanto alegre, veio deitar-se ao pé de um monte de cereais; então, chegou ela de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou. Sucedeu que, pela meia-noite, assustando-se o homem, sentou-se; e eis que uma mulher estava deitada a seus pés. Disse ele: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és resgatador. Disse ele: Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; melhor fizeste a tua última benevolência que a primeira, pois não foste após jovens, quer pobres, quer ricos. Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa. Ora, é muito verdade que eu sou resgatador; mas ainda outro resgatador há mais chegado do que eu. Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se ele te quiser resgatar, bem está, que te resgate; porém, se não lhe apraz resgatar-te, eu o farei, tão certo como vive o Senhor; deita-te aqui até à manhã.
Provérbios 31:10-31
Então, foi para a eira e fez conforme tudo quanto sua sogra lhe havia ordenado. Havendo, pois, Boaz comido e bebido e estando já de coração um tanto alegre, veio deitar-se ao pé de um monte de cereais; então, chegou ela de mansinho, e lhe descobriu os pés, e se deitou.
O hebraico transmite a ideia de que Boaz estava satisfeito, relaxado, contente após o trabalho, a refeição e a bebida.
Se deitou ao lado do monte de cereais para proteger os seus bens.
É interessante, porque Boaz estava mostrando que o patrão não é aquele que manda e vai embora. Mas aquele que lidera, cuida, planeja e está presente no processo, ao ponto de dormir em más condições para garantir que o seu negócio está seguro.
Rute começou a seguir o plano e se deitou nos pés de Boaz.
Esse ato tem forte simbolismo:
Submissão: deitar-se aos pés de alguém é um gesto claro de sujeição e dependência.
Petição formal: era uma prática de súplica, especialmente usada em ambientes orientais, onde o inferior buscava auxílio ou proteção do superior.
Isso remete à prática bíblica de se prostrar aos pés (cf. Rt 2.10; 1Sm 25.24).
Sucedeu que, pela meia-noite, assustando-se o homem, sentou-se; e eis que uma mulher estava deitada a seus pés. Disse ele: Quem és tu? Ela respondeu: Sou Rute, tua serva; estende a tua capa sobre a tua serva, porque tu és resgatador.
Rute acaba de entregar o plano todo de uma vez.
Ela seguiu à risca o plano de Noemi, mas ao invés de deixar Boaz toma-la. Ela começou a revelar o que queria.
“Estende a tua capa sobre a tua serva” (v.9)
Literalmente: “Estende tua asa sobre tua serva”.
A palavra hebraica “kenaf” (כָּנָף) pode ser traduzida como “capa, asa ou extremidade do manto”.
É um pedido claro de casamento, pois culturalmente o ato de cobrir alguém com a aba da capa simbolizava:
Proteção,
Provisão,
Aliança matrimonial (cf. Ez 16.8, onde Deus faz isso com Israel em uma metáfora nupcial).
Curiosamente, é o mesmo termo que Boaz usou em Rute 2.12, quando abençoou Rute dizendo: “Debaixo de cujas asas vieste buscar refúgio”. Agora, Rute está, de forma direta, pedindo que Boaz seja o cumprimento dessa bênção.
“Porque tu és resgatador” (v.9).
A palavra “goel” (גֹּאֵל) carrega todo o peso jurídico e teológico do Antigo Testamento.
Deuteronômio 25.5–6 “Se irmãos morarem juntos, e um deles morrer sem filhos, então, a mulher do que morreu não se casará com outro estranho, fora da família; seu cunhado a tomará, e a receberá por mulher, e exercerá para com ela a obrigação de cunhado. O primogênito que ela lhe der será sucessor do nome do seu irmão falecido, para que o nome deste não se apague em Israel.”
O goel:
Resgata propriedades perdidas (Lv 25.25),
Redime parentes em situações de miséria,
Vinga sangue derramado (Nm 35.19),
E, no contexto aqui, realiza o casamento levirato para garantir descendência ao falecido.
Rute, uma estrangeira, reivindica os direitos pactuais de redenção — isso demonstra sua fé no Deus de Israel e na ordem da aliança.
Disse ele: Bendita sejas tu do Senhor, minha filha; melhor fizeste a tua última benevolência que a primeira, pois não foste após jovens, quer pobres, quer ricos. Agora, pois, minha filha, não tenhas receio; tudo quanto disseste eu te farei, pois toda a cidade do meu povo sabe que és mulher virtuosa.
“És mulher virtuosa” (v.11).
A mesma expressão usada em Provérbios 31.10: “Mulher virtuosa, quem a achará?”.
Este é um ponto literário extremamente significativo:
No cânon hebraico, o livro de Provérbios termina no capítulo 31 falando da mulher virtuosa e, imediatamente, começa o livro de Rute — como se Rute fosse a personificação da mulher virtuosa.
Características dessa mulher virtuosa:
Trabalha com diligência,
Cuida dos necessitados,
Age com sabedoria e temor do Senhor.
Rute, uma moabita, recebe este título nobre dentro da linhagem da redenção.
Ora, é muito verdade que eu sou resgatador; mas ainda outro resgatador há mais chegado do que eu. Fica-te aqui esta noite, e será que, pela manhã, se ele te quiser resgatar, bem está, que te resgate; porém, se não lhe apraz resgatar-te, eu o farei, tão certo como vive o Senhor; deita-te aqui até à manhã.
O outro resgatador (v.12-13)
Boaz não age por impulso ou paixão desordenada — ele é justo e zeloso da lei mosaica.
Reconhece que há outro parente mais próximo com direito legal antes dele.
Isso demonstra seu caráter, sua integridade e fidelidade à ordem de Deus.
Cristo:
Boaz tipifica de maneira clara Cristo, nosso Goel, que:
Nos cobre com Sua justiça (Ap 3.18),
Nos toma sob Suas asas (Sl 91.4; Mt 23.37),
E nos redime com preço de sangue (1Pe 1.18-19).
Assim como Boaz assume a responsabilidade, mesmo com obstáculos legais, Cristo supera todos os impedimentos para redimir Seu povo.
Aplicação:
A postura de Rute ilustra como o pecador deve se aproximar de Cristo — não com arrogância, mas com reverência, humildade e súplica, clamando pela Sua cobertura redentora.
Nós não decretamos nada para Deus.
Assim como Boaz não descansará até resolver o assunto (Rt 3.18), também Cristo não descansa até consumar plenamente a redenção dos Seus eleitos.
O encontro na eira foi marcado pela pureza, não pela imoralidade. Isso ensina que a vontade de Deus se cumpre sem atalhos pecaminosos.
Tema: Confie no resgatador 1- Obedecendo com humildade (v.1-5) 2- Aproximando-se com reverência (v.6-9)

3- Esperando com fé (v.10-18)

Versículo:
Rute 3.14–18 ARA
Ficou-se, pois, deitada a seus pés até pela manhã e levantou-se antes que pudessem conhecer um ao outro; porque ele disse: Não se saiba que veio mulher à eira. Disse mais: Dá-me o manto que tens sobre ti e segura-o. Ela o segurou, ele o encheu com seis medidas de cevada e lho pôs às costas; então, entrou ela na cidade. Em chegando à casa de sua sogra, esta lhe disse: Como se te passaram as coisas, filha minha? Ela lhe contou tudo quanto aquele homem lhe fizera. E disse ainda: Estas seis medidas de cevada, ele mas deu e me disse: Não voltes para a tua sogra sem nada. Então, lhe disse Noemi: Espera, minha filha, até que saibas em que darão as coisas, porque aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje.
Ficou-se, pois, deitada a seus pés até pela manhã e levantou-se antes que pudessem conhecer um ao outro; porque ele disse: Não se saiba que veio mulher à eira.
O texto é claro ao dizer que eles não se conheceram.
O verbo hebraico usado não tem qualquer conotação sexual.
Ficar “aos pés” continua sendo símbolo de submissão, espera e confiança.
Isso reforça a integridade de Boaz e Rute, que esperam o desfecho dentro dos limites da lei e da santidade.
O cuidado de Boaz com a reputação de Rute.
Isso não se refere apenas a evitar escândalo, mas é uma salvaguarda contra falsas testemunhas e maledicência.
O zelo de Boaz é tanto pela reputação de Rute quanto pela obediência ao mandamento de não dar ocasião à aparência do mal.
Disse mais: Dá-me o manto que tens sobre ti e segura-o. Ela o segurou, ele o encheu com seis medidas de cevada e lho pôs às costas; então, entrou ela na cidade.
Não apenas cuidado com a reputação, mas também com a alimentação e o sustento da família.
Mais uma afirmação de que Rute estava vestida, o manto estava sobre ela. Era um manto que poderia virar um saco para carregar mantimentos.
Ele o encheu com seis medidas de cevada
Se considerarmos que a unidade padrão (seah) fosse usada, isso equivaleria aproximadamente a 20-25 kg de cevada — carga extremamente pesada, sugerindo não apenas provisão momentânea, mas um sinal claro da intenção de Boaz em sustentar Rute e Noemi.
número seis tem carga simbólica. Na simbologia hebraica, seis é o número da incompletude (sete é plenitude). Isso reflete o fato de que a redenção ainda não estava completa — ela estava em andamento.
Em chegando à casa de sua sogra, esta lhe disse: Como se te passaram as coisas, filha minha? Ela lhe contou tudo quanto aquele homem lhe fizera. E disse ainda: Estas seis medidas de cevada, ele mas deu e me disse: Não voltes para a tua sogra sem nada. Então, lhe disse Noemi: Espera, minha filha, até que saibas em que darão as coisas, porque aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje
Aquele homem não descansará, enquanto não se resolver este caso ainda hoje” (v.18)
Boaz não descansará até garantir descanso a Rute e Noemi.
Isso é um eco das ações de Deus, que labuta na história da redenção até trazer descanso aos Seus eleitos (cf. Hb 4.9-11).
Estão Noemi, entendendo o que tinha acontecido, aguarda com fé e encoraja Rute a fazer o mesmo.
A confiança de Noemi demonstra fé na providência soberana de Deus e na integridade de Boaz.
Cristo:
Cristo, como nosso Goel:
Não descansou até cumprir perfeitamente a redenção (Jo 19.30 – “Está consumado”).
Assume nossa causa, protege nossa reputação (Cl 1.22 – “irrepreensíveis”).
Nos cobre com provisão abundante — Sua justiça (2Co 5.21).
Assim como Rute e Noemi aguardam a ação do resgatador, a Igreja hoje aguarda a plena manifestação da redenção (Rm 8.23).
Aplicação:
A Espera com Fé é Ativa, Não Passiva
Noemi e Rute não cruzaram os braços. Elas fizeram tudo o que lhes cabia dentro da vontade de Deus e agora descansam confiando no provedor.
Quantas vezes, depois de orarmos, queremos resolver as coisas na força do nosso braço? O texto nos ensina a fazer o que está nas nossas mãos, mas depois descansar na soberania de Deus.
Deus Cuida da Nossa Reputação
Assim como Boaz protegeu a honra de Rute, Cristo cuida da nossa reputação espiritual. Mesmo que o mundo acuse, Ele nos apresenta como santos e irrepreensíveis diante do Pai (Ef 1.4).
Não viva refém da opinião dos outros. Viva para agradar ao Redentor, que te justifica e te chama de Seu.
A Provisão de Deus é Sinal da Sua Fidelidade
As seis medidas de cevada eram mais que alimento — eram um sinal visível de que Boaz assumiria a causa.
Quantas vezes Deus te dá sinais claros do Seu cuidado? Pode ser uma porta de emprego, uma palavra no culto, uma ajuda inesperada. Aprenda a ver a mão do Senhor nos pequenos detalhes.
O Redentor Não Descansa
Enquanto esperamos, Cristo continua operando. Mesmo quando não vemos, Ele está trabalhando (Jo 5.17).
Se hoje você está em um período de espera — na cura, na restauração, no consolo — lembre-se: “Aquele homem não descansará enquanto não resolver este caso”. Cristo não abandona aqueles que estão sob Suas asas.

Conclusão

Atentai, famílias da Igreja do Senhor, para o fio invisível que atravessa este texto: Deus está tecendo redenção nos dias comuns. Não é nas praças do poder, nem nas catedrais da glória humana, mas na cozinha de Noemi, na eira de Boaz, no quarto onde se dobram os joelhos e se elevam as súplicas.
Permitam-me, então, três aplicações.
Famílias que obedecem com humildade.
Assim como Rute, que não discutiu, não questionou, mas disse: “Tudo quanto me disseres, farei” — também vós, maridos, esposas, filhos, aprendei que o caminho da bênção começa na submissão obediente ao Senhor.
Quantos lares estão em ruínas não por falta de recursos, mas por excesso de soberba! O marido que não se dobra. A esposa que não cede. Filhos que não ouvem. Pais que não instruem.
Ah, se soubéssemos que a obediência não é grilhão, mas asa! Quem se dobra aos pés do Redentor não se rebaixa — elevo-se à altura da graça.
Famílias que se aproximam com reverência.
Rute não se lança aos pés de Boaz de qualquer maneira. Ela se banha, se unge, se veste. Ela entende que, diante do redentor, não se chega de qualquer jeito.
Pais, mães — ensinai vossos filhos que a vida cristã não é trivial. Não é um jogo, não é um acessório de domingo. É reverência. É aliança. É pacto.
Assim como Rute pediu: “Estende sobre mim a tua capa”, que nossas famílias diariamente se lancem aos pés de Cristo, clamando: “Cobre-nos com tua justiça, Senhor. Fora de ti, somos pó e cinza.”
Famílias que esperam com fé.
Há uma ternura e uma tensão no conselho de Noemi: “Espera, minha filha, porque aquele homem não descansará enquanto não resolver este caso.”
Ó, que evangelho há nessas palavras! Que conforto para os corações aflitos! Nosso Redentor — Cristo Jesus — não descansa até consumar a nossa redenção. Ele não cochila, não esquece, não abandona.
Portanto, famílias, quando o pão faltar, quando o diagnóstico chegar, quando o filho se perder, quando o casamento estremecer — não vos entregueis ao desespero. O Redentor trabalha. Ele não descansará enquanto não resolver este caso.
(Pausa dramática. Olhar a congregação nos olhos.)
E agora vos pergunto — e não falo apenas aos ouvidos, mas às entranhas da alma: Sobre quem está estendida a tua capa? Em quem repousa tua confiança? Porque, se não for Cristo, é ilusão. Se não for sob Suas asas, é tempestade.
Rute, a moabita, encontrou descanso. E não era apenas descanso terreno, mas descanso na linhagem do Messias. O ventre da estrangeira carregaria o sangue da promessa, de onde nasceria Davi, de onde surgiria Jesus — o Redentor dos que não tinham nome, dos que não tinham herança, dos que estavam perdidos.
Portanto, Igreja amada, famílias do Senhor, não há outro nome, não há outro refúgio, não há outro Goel senão Jesus, o Cristo.
E hoje, neste culto, Ele se levanta na eira do universo, olha para ti — e diz:
“Não temas. Tudo quanto me pediste, eu te farei. Porque sob minhas asas há refúgio, há redenção, há descanso.”
Que Deus nos conceda lares assim — que obedecem com humildade, se aproximam com reverência e esperam com fé. E que Cristo, o nosso Boaz celestial, brilhe em cada sala, em cada mesa, em cada quarto, até que Ele venha.
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