O Novo Nascimento
Como ser salvo - Diálogo entre Jesus e Nicodemos • Sermon • Submitted • Presented
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Alvo: Levar a congregação a compreender que o novo nascimento é uma obra soberana de Deus, indispensável para entrar no Reino, e que não há mérito humano capaz de substituí-lo.
Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Oração inicial.
Oração inicial.
Introdução
Introdução
Existem muitas pessoas que se identificam com Cristo, porém estão longe do Reino de Deus, pode parecer duro, mas é a realidade, muita gente se identifica exteriormente com Cristo, frequenta igrejas há anos, convive com cristãos e até mostram certa reverência, mas nunca foram genuinamente convertidas, e estão na verdade, caminhando tranquilamente pela estrada larga que conduz à destruição.
A verdadeira fé é evidenciada através de frutos.
Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.
Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados.
Jesus não tem interesse em confissões rasas de fé, sem convicção real, conversões emocionais e apressadas, Ele tinha muitos seguidores ao seu redor, mas poucos eram discípulos reais, e Jesus não fazia questão de manter esse seguidores sem fé, relembremos o relato do jovem rico, que veio à Jesus com sinceridade e boas intenções, mas saiu triste e perdido, porque não estava disposto à se render por completo Mateus 19.16-22
Jesus sempre advertiu sobre os perigos da fé falsa, para Ele, seguir o caminho não era apenas acreditar, mas morrer para si mesmo:
Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.
O contexto do evangelho segundo João
O contexto do evangelho segundo João
Ao contrário os outros 3 evangelhos, conhecidos como sinóticos, que apresentam uma estrutura mais cronológica e geográfica do ministério de Jesus, o evangelho de João é profundamente seletivo quanto aos fatos abordados
Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.
O evangelho de João é em essência, puramente evangelístico
Contexto do capítulo 3
Contexto do capítulo 3
Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome; mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.
Jesus conhece o coração humano, e logo após este relato que fecha o capítulo 2, Nicodemos nos é apresentado, um homem que tem tudo para ser considerado justo diante dos homens, mas que logo será confrontado.
Transição para o desenvolvimento
Transição para o desenvolvimento
Hoje vamos iniciar uma pequena série de exposições, meu objetivo é que estudemos pouco a pouco todo esse diálogo, que se encontra em João 3.1-21, começaremos hoje pelos versículos 1 ao 3.
I - Quem é Nicodemos e o que ele representa
I - Quem é Nicodemos e o que ele representa
Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus.
O primeiro versículo não começa com uma pergunta, começa com uma biografia, João nos apresenta um homem com credenciais, prestígio, que aos olhos humanos, era irrepreensível, mas que está prestes a ser confrontado por Jesus sobre a necessidade de um novo nascimento.
Nicodemos era tudo aquilo que um homem religioso da época poderia ser:
Um fariseu zeloso na Lei;
Membro do Sinédrio, o supremo tribunal judaico;
Reconhecido como um dos mestres em Israel.
Havia, entre os fariseus…
Havia, entre os fariseus…
Nicodemos era um fariseu, parte de um grupo religioso extremamente zeloso pela Lei. O nome fariseu deriva do hebraico parash, que significa “separado”, eles eram guardiões das tradições, se apartavam da impureza do mundo, rigorosos na observância religiosa, aparentemente eram “santos”, mas conforme Mateus 23:27, eram cheios de ossos e de toda imundícia.
Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!
Um homem chamado Nicodemos...
Um homem chamado Nicodemos...
Seu nome, do grego Νικόδημος (Nikodēmos), significa vencedor do povo, um nome imponente, comum entre os judeus helenizados.
Um dos principais judeus.
Um dos principais judeus.
Além de fariseu, ele era membro do Sinédrio, o supremo conselho e tribunal dos judeus. Um conselho que apenas 71 homens de todo o país faziam parte, homens que era líderes de famílias sacerdotais, escribas, anciãos e especialistas da Lei.
Aqui podemos aprender nossa primeira aplicação de hoje:
Aplicação 1: Religiosidade não é regeneração
Aplicação 1: Religiosidade não é regeneração
Nicodemos representa a falácia mais comum da falsa segurança espiritual: achar que posição religiosa, conhecimento teológico e reputação bastam diante de Deus. O inferno estará cheio de homens que foram piedosos aos olhos do mundo, mas que jamais foram regenerados pelo Espírito.
Bem que eu poderia confiar também na carne. Se qualquer outro pensa que pode confiar na carne, eu ainda mais: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.
O apóstolo Paulo, que já foi um fariseu como Nicodemos, disse que tudo aquilo que ele antes considerava lucro, agora considera perda por causa da excelência de Cristo.
Nicodemos era admirado pelos outros, mas não era aprovado por Deus.
Muitas pessoas hoje em dia poderiam usar o “crachá de Nicodemos”, alguns membros antigos de igrejas, religiosos que seguem tradições à risca, muitas vezes até conhecedores das escrituras que tem comportamentos exemplares, mas que sem um novo nascimento, apresentam apenas religiosidade morta.
Nicodemos vai até Jesus com palavras respeitosas, reconhecendo sinais, poder, mas sem enxergar o reino e a necessidade do novo nascimento.
II - A abordagem
II - A abordagem
Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.
A fé de Nicodemos era baseada em sinais, respeitosa, porém insuficiente.
O versículo 2 nos leva ao encontro, Nicodemos se aproxima de Jesus, não em público, à vista das outras pessoas, mas à noite, o mestre de Israel está diante do Mestre do céu, mas ainda não o reconhece como tal.
Este, de noite, foi ter com Jesus …
Este, de noite, foi ter com Jesus …
O texto não nos diz com clareza por que Nicodemos veio à noite, mas existem implicações fortes:
Como membro do Sinédrio, sua associação pública com Jesus poderia gerar escândalo;
Ele poderia estar com medo do julgamento de seus colegas fariseus;
A noite oferecia privacidade, discrição e tempo para uma conversa longa
Porém, o mais importante não é quando ou em que situação Nicodemos veio, mas o importante é que ele veio, vir até Jesus, ainda que com compreensão limitada, é o começo de muitos dos que futuramente vem a se tonar filhos de Deus.
Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.
Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele.
Observe o respeito nas palavras de Nicodemos:
Ele chama Jesus de Rabi, que significa mestre, ou professor da lei mosaica, mesmo sendo Nicodemos um mestre mais velho;
Ele reconhece que Jesus veio de Deus;
Ele reconhece os sinais e milagres como prova de que Deus está com Ele.
Mas há algo ausente: Nicodemos não entende sua necessidade de entregar sua vida completamente à Cristo. Ele vê Jesus como um mestre iluminado, mas ainda não compreende o novo nascimento.
Isso o coloca na mesma categoria das pessoas mencionadas em João 2.23-25
Estando ele em Jerusalém, durante a Festa da Páscoa, muitos, vendo os sinais que ele fazia, creram no seu nome; mas o próprio Jesus não se confiava a eles, porque os conhecia a todos. E não precisava de que alguém lhe desse testemunho a respeito do homem, porque ele mesmo sabia o que era a natureza humana.
A fé de Nicodemos é típica da multidão que seguia Jesus pelos milagres, uma fé baseada em experiência e evidências visíveis, mas ainda não regenerada, Nicodemos se dirige à Jesus com cortesia, mas Jesus não se deixa enganar por títulos, elogios ou formalidades, veremos que Ele não responde ao que Nicodemos diz, Ele responde ao que Nicodemos precisa.
Aplicação 2: Fé nominal não é fé salvadora
Aplicação 2: Fé nominal não é fé salvadora
Nicodemos cria em Jesus com um mestre, mas não como Salvador, e isso levanta um alerta: É possível crer corretamente em muitas coisas sobre Jesus, e ainda estar espiritualmente morto.
Crer que Jesus faz milagres, que é enviado por Deus, que é um grande mestre, que ensina com autoridade, nada disso salva
Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.
O diabo também reconhece essas coisas, o que salva é crer com o coração regenerado, submetido, transformado, crer de forma que muda o centro da vida.
Quantos hoje têm a mesma postura de Nicodemos? Veem Jesus como uma figura exemplar, mas não como o Senhor, adoram seus ensinamentos, mas não se submetem ao Seu chamado ao arrependimento, frequentam à igreja, gostam dos louvores, se emocionam nos cultos, mas não renasceram para Cristo.
Após a declaração de Nicodemos, veremos que Jesus não se intimidou com sua posição, não o elogiou, e sim respondeu de forma categórica e direta.
III - A resposta de Jesus
III - A resposta de Jesus
A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Nicodemos se aproxima com respeito, chama Jesus de Rabi, reconhece os sinais, fala como alguém desejando aprender, mas Jesus, que conhece os corações, não responde à admiração de Nicodemos, ele confronta sua alma.
Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.
Essa é a primeira fala de Jesus nesse diálogo, e é uma fala com autoridade suprema. Jesus não apresenta uma sugestão, não começa com diplomacia, ele lança uma verdade absoluta e inegociável: sem novo nascimento, não há visão do Reino.
A expressão “Em verdade, em verdade”
A expressão “Em verdade, em verdade”
No original grego:
O Novo Testamento Grego: Edição SBL Chapter 3
Ἀμὴν ἀμὴν
É utilizado esse duplo “Amém”, Jesus está dizendo: Preste atenção, o que vou dizer é certo, divinamente certo, eternamente certo.
Não é uma opinião, é a verdade absoluta de Deus, dita por Deus encarnado.
Nascer de novo
Nascer de novo
O verbo utilizado aqui para nascer é γεννηθῇ (gennēthē - ser gerado/nascido), e o advérbio grego ἄνωθεν (ánōthen) pode ter dois significados:
Do alto (local) - Indicando origem celestial
De novo (temporal) - Indicando repetição de nascimento
Na língua portuguesa não existe uma palavra com estes dois significados, então para as traduções, foi escolhida uma delas, que foi “de novo”, que foi o que Nicodemos compreendeu, porém, essa ambiguidade no original é intencional e teologicamente rica, Jesus está dizendo que é necessário um nascimento que:
Vem de cima - é espiritual, divino, operado por Deus;
E é tão radical que equivale a um novo começo, como se a vida anterior fosse totalmente descartada.
Aplicação 3: O novo nascimento não é uma reforma, é uma recriação
Aplicação 3: O novo nascimento não é uma reforma, é uma recriação
Jesus não disse que Nicodemos precisava ser melhor, Ele não disse que precisava se tornar mais justo ou mais estudioso, Ele disse: Você precisa nascer de novo, do alto, de Deus.
Isso descarta completamente o mérito humano.
Nicodemos havia construído toda uma vida baseada no mérito:
Ele era judeu;
Ele era fariseu;
Ele era mestre;
Ele era moral;
Ele era exemplar.
Mas Jesus diz: Nada disso vale sem novo nascimento.
O novo nascimento destrói de uma vez por todas todo o suposto mérito humano, toda excelência da carne, toda justiça própria, ser regenerado é algo que se recebe, não que se conquista.
Não pode ver o reino de Deus
Não pode ver o reino de Deus
O verbo usado aqui é “ver”, e Jesus não está falando apenas de entrar no Reino, mas nem sequer perceber o Reino, discernir sua realidade.
Sem um novo nascimento, do alto, a pessoa está cega espiritualmente, ela pode ouvir a palavra, ver a igreja, até admirar Jesus, mas não enxerga a glória do Reino.
Paulo afirma o mesmo em 1Coríntios 2.14
Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.
A teologia do Novo nascimento
A teologia do Novo nascimento
É uma regeneração operada pelo Espírito (Tito 3:5)
não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,
É uma nova criação (2Coríntios 5:17)
E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.
É um nascimento de Deus (João1.12-13)
Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
É vida a quem está morto em delitos e pecados (Efésios 2:1)
Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,
E tudo isso não vem da vontade da carne, nem da tradição, nem da inteligência, nem da religiosidade, isso vem do alto, é obra de Deus
Conclusão
Conclusão
Jesus não pediu à Nicodemos mais esforço, não o convidou para um compromisso religioso mais sério, ele disse: Se alguém não nascer de novo, do alto, não pode ver o Reino de Deus.
Essa é a realidade final, inescapável, universal: Sem regeneração, não há salvação, sem novo nascimento, não há vida, sem obra do Espírito, não há entrada no Reino.
Nicodemos era o melhor que o judaísmo podia produzir, mas diante do Cristo, toda sua justiça se mostrou como trapo de imundícia, tudo em que ele confiava, sua linhagem, sua obediência, sua teologia, Jesus olhou para ele e com ternura firme, declarou: Você precisa começar de novo, do zero, mas não por você, por Deus. Isso não é uma sugestão, é um imperativo do céu.
Há muitos hoje, como Nicodemos:
Conhecem a Bíblia, mas não conhecem o Autor dela.
Falam de Deus, mas não foram feitos filhos de Deus.
Estão dentro das igrejas, mas fora do Reino.
E o mais trágico, muitos nunca foram confrontados com essa verdade. Mas hoje, como naquele episódio, Jesus fala diretamente ao coração: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer de novo, e do alto, não pode ver o Reino de Deus.
Perguntas de reflexão
Perguntas de reflexão
Você Já nasceu do alto?
Não estou perguntando se você cresceu na igreja.
Nem se você já se emocionou com o evangelho.
Ou se você acredita que Jesus é um bom Mestre, ou até mesmo Filho de Deus.
A pergunta é:
Houve um momento em que o Espírito de Deus invadiu sua alma e te deu uma nova vida?
Você foi regenerado?
Você tem um novo coração, uma nova natureza, uma nova direção?
O que você é por fora pode impressionar aos homens, mas é o que você é por dentro que define se você está no Reino.
Oração final.
Oração final.
