A Grandeza de Ser um Servo.

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Você lembra que, em Marcos 9:33, quando Jesus e os discípulos chegaram a Cafarnaum, Jesus lhes perguntou: “O que vocês estavam discutindo no caminho?”. E eles ficaram em silêncio, porque eles haviam discutido sobre quem entre eles era o maior (v. 34). E Jesus lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos” (v.35).
E agora, quando Jesus estava prestes a ir para Jerusalém, para a última semana de sua vida, o assunto é abordado novamente (Marcos 10:35-45). E, por incrível que pareça, o mesmo assunto voltou a ser discutido entre eles na última ceia, na noite em que o Senhor foi traído (Lucas 22: 24-27), quando Jesus lhes disse:
Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve. Pois qual é maior: quem está à mesa ou quem serve? Porventura, não é quem está à mesa? Pois, no meio de vós, eu sou como quem serve (Lucas 22:25-27)
E em nosso texto agora, no final do ministério de Jesus na Galileia, Jesus ensinou mais uma vez esta lição para aqueles homens obstinados e de coração duro.
Marcos 10:35-45
Isso é sobre a grandeza da humildade, a grandeza de servir e de ser um servo. E aqui aparece duas coisas opostas e bem conhecidas: orgulho e humildade.
As Escrituras dizem que Deus odeia o orgulho, a soberba e arrogância. Diz também que Deus ama a humildade. Isso está espalhado por toda a Palavra de Deus. Tais como nesses exemplos:
· O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância… (Provérbios 8:13)
· Abominável é ao Senhor todo arrogante de coração; é evidente que não ficará impune. (Provérbios 16:5)
· A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. (Provérbios 16:18)
· Mas o homem para quem olharei é este: o aflito e abatido de espírito e que treme da minha palavra. (Isaías 66:2)
· Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes. (Tiago 4:6)
· Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. (Filipenses 2:3)
· Cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça (1 Pedro 5:5)
· Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade (Colossenses 3:12).
Somos instruídos a nos revestirmos de humildade e a andarmos em humildade. Isso é difícil. O orgulho é o pecado que domina e define a humanidade. Todos os outros pecados são alimentados pelo orgulho.
A razão pela qual uma tentação é uma tentação é porque ela apela para a realização pessoal do homem, satisfação pessoal e desejo pessoal. A inclinação para fazer o que deseja é uma expressão da vontade, do orgulho e do amor-próprio.
O Senhor odeia o orgulho, porque o orgulho é o pecado que leva a todos os outros pecados. E o mundo exalta o orgulho porque o homem ama exaltar a si mesmo e buscar a sua própria realização. Isso é o que significa ser caído, corrupto, não regenerado.
Não nos surpreende que o orgulho domine a cultura de forma tão intensa. A cada geração o homem tem se tornado mais orgulhoso, egocêntrico, egoísta e determinado a buscar a exaltação de si mesmo. Esta é uma realidade muito profunda da humanidade.
É por isso que nosso Senhor teve muitas dificuldade em tratar isto com seus apóstolos. Eles criam e amavam a Jesus, mas ainda possuíam uma visão materialista do reino, que aprenderam no judaísmo apóstata. E aquela visão materialista do reino tinha como causa seus próprios desejos de exaltação e de elevação.
Os apóstolos eram homens comuns, os mais comuns dos homens comuns. Entre eles não havia nenhum nobre ou poderoso. E o pensamento de que eles poderiam ser engrandecidos foi muito tentador por eles.
Tiago e João, em particular, estavam na transfiguração (Marcos 9: 2-8). Eles tiveram uma compreensão elevada da realidade espiritual no que diz respeito a Cristo e ao reino vindouro. E em vez daquela experiência ter desenvolvido humildade neles, alimentou o orgulho em seus corações.
Por isso quando Jesus falava sobre seu próprio sofrimento, eles ficavam incomodados e chocados, a ponto de reprová-lo (Marcos 8:32) e dizer: “Tem compaixão de ti, Senhor; isso de modo algum te acontecerá” (Mateus 16:22). O Messias preso, humilhado e morto era um pensamento insuportável para eles.
E era um assunto tão incômodo para eles, que nem queriam saber mais os detalhes. Eles “não compreendiam isto e temiam interrogá-lo” (Marcos 9:32). Eles queriam falar de glória e a exaltação, porque isso é natural ao orgulho humano.
Eles haviam ouvido e visto tantas coisas profundas do Senhor, mas continuavam com perguntas e pedidos bizarros, O orgulho exerce terrível poder nefasto no coração humano caído.
Eles deveriam estar munidos das palavras de Davi, que disse:
Teu, Senhor, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, Senhor, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos. Riquezas e glória vêm de ti, tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força. Agora, pois, ó nosso Deus, graças te damos e louvamos o teu glorioso nome. Porque quem sou eu, e quem é o meu povo para que pudéssemos dar voluntariamente estas coisas? Porque tudo vem de ti, e das tuas mãos to damos. (1 Crônicas 29:11-14)
Isso é o que deveria ter saído da boca deles. Pensamentos semelhantes ao de Davi foram expressos por tantos homens que Deus usou no Velho Testamento, como aqueles citados em Hebreus 11, cuja humildade os levaram a uma posição de heróis da fé.
E quando veio João Batista, o último dos profetas, ele diz:
Eu batizo com água; mas, no meio de vós, está quem vós não conheceis, o qual vem após mim, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias (João 1:26,27)
Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim? (Mateus 3:14)
Convém que ele cresça e que eu diminua (João 3:30)
Ao olharmos para o nosso texto de hoje (Marcos 10: 35-45), ele mostra dois caminhos possíveis para a grandeza: o carnal, que é o da autopromoção; e o celestial, da autonegação.
O caminho da autopromoção é mundano e modelado por líderes mundanos inspirados por Satanás. O caminho da autonegação é celestial e é modelado por Jesus Cristo.
§ A autopromoção funciona bem no reino do mundo, mas não funciona no reino de Deus.
§ A abnegação funciona no reino de Deus, mas não funciona no reino do mundo.
§ A autopromoção funciona no reino de Satanás, a abnegação funciona no reino de Deus.
O caminho da autopromoção
Marcos 10 35 Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir.
Este incidente também é registrado em Mateus 20: 20-28. Tiago e João gozavam, juntamente com Pedro, de mais intimidade com Jesus. Pedro era o mais íntimo de todos.
Como eles estavam próximos a Jesus diariamente, eles estavam lá na transfiguração. Então consideraram ganhar algum privilégio por isso. Eles estavam certos de que ocupavam uma posição acima dos demais.
E Mateus 20:20 diz que a mãe de Tiago e João veio junto com eles conversar com Jesus, reforçando o pedido de proeminência para eles.
E então eles fazem algo típico de uma criança pequena: “Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir” (Marcos 10:35). Algo como um filho dizendo ao pai: “Por favor, diga sim, papai, por favor, diga sim”. E então:
Marcos 10 36 Jesus lhes perguntou: Que quereis que vos faça? 37 Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda.
O Senhor demonstrou uma incomparável humildade caminhando com eles por 3 anos. E agora Jesus se aproximava da última semana de sua vida e da cruz. Será que eles não haviam aprendido nada observando a humilhação de Cristo?
A atitude deles foi sinistra. Eles estavam movidos pela ambição, tal como o mundo se move. E o pedido deles foi movido por um orgulho cheio de confiança arrogante. Eles pedem: “Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda” (Marcos 10:37).
Eles criam em Jesus como Salvador e o Messias, por isso pediram isso. Mas, pensarem que eram dignos de tamanha honra, uma amostra de como estava ruim o coração deles.
Marcos 10 38 Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado?
Beber o cálice e ser batizado são referências ao sofrimento.
Quando Jesus falou sobre Sua cruz, eles não quiseram fazer perguntas sobre isso. Eles não queriam mais nenhuma informação, só queriam que Jesus mudasse de assunto. Pedro chegou a dizer: “Isso nunca vai acontecer com o senhor!” (Mateus 16:22).
Eles não queriam nenhum sofrimento, mesmo conhecendo o que os profetas falaram.
Jesus iria beber o cálice da ira de Deus. “Beber o cálice” é uma expressão do Antigo Testamento que significa experimentar algo na sua totalidade. Era tão terrível esse cálice que Jesus disse:
A minha alma está profundamente triste até à morte […] meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. (Mateus 26: 38-39)
Marcos 10 39 Disseram-lhe: Podemos…
E aqui está a confiança ridícula e arrogante deles. Isso é excesso de confiança arrogância e audácia. É uma presunção orgulhosa. Isso é típico do orgulho humano.
E, claro, eles não podiam lidar com isso. E Jesus sabia muito bem sobre isso. Quando estava para ser preso, Jesus disse aos discípulos:
Esta noite, todos vós vos escandalizareis comigo; porque está escrito: Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho ficarão dispersas. (Mateus 26:31)
Quando o sofrimento deu as caras, eles o abandonaram e fugiram. Eles não podiam lidar com aquilo. Aqui eles queriam toda a glória do reino, mas eles não estariam lá quando chegasse o sofrimento, eles correram para salvar suas vidas.
Após a prisão de Jesus, o que aconteceu? “Então, os discípulos todos, deixando-o, fugiram” (Mateus 26:56). Mas eles estavam certos de que nunca poderia acontecer isso. E a resposta de Jesus foi profética:
Marcos 10 39 Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado.
E, claro, isso se cumpriu. Todos os apóstolos sofreram duras perseguições, açoites, e prisões. Muitos tiveram mortes terríveis. Tiago teve sua cabeça cortada e João teve uma morte lenta e agonizante no exílio na ilha de Patmos.
Então, de fato, Tiago e João iriam experimentar o sofrimento por Cristo que eles disseram estar dispostos naquele momento, mas que de fato não estavam. O Senhor sabia disso, mas também confiou plenamente na obra que o Espírito Santo faria em todos eles após sua ressureição e ascensão. E Jesus completou:
Marcos 10 40 Quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me compete concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado.
Ou seja, Jesus estava lhes dizendo:
Tiago e João, vocês sofrerão por mim, beberão o cálice e serão imersos no sofrimento, mas não serão apenas vocês que passarão por isso. E é meu Pai quem concederá a posição que vocês estão pedindo. E Ele a dará para quem Ele preparou.
Quem estará à direita e à esquerda de Cristo no reino milenar? Eu não faço ideia. Não será nenhum de nós, com certeza. E aqui nosso Senhor demonstra mais uma vez sua submissão ao Pai.
Marcos 10 41 Ouvindo isto, indignaram-se os dez contra Tiago e João.
Os demais ficaram furiosos, não porque foram ofendidos espiritualmente, mas porque se sentiram passados para trás na disputa por glória. Eles estavam competindo.
Mais tarde, no cenáculo, nos últimos momentos antes da cruz , Lucas registra:
Suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior. (Lucas 22:24)
O caminho da autonegação
Em sua bondade e paciência, Jesus os chamou para perto de si e ensinou uma tremenda e preciosa lição.
Marcos 10 42 Mas Jesus, chamando-os para junto de si, disse-lhes: Sabeis que os que são considerados governadores dos povos têm-nos sob seu domínio, e sobre eles os seus maiorais exercem autoridade.
Jesus quis dizer:
Onde vocês aprenderam e viram esse tipo de atitude? De onde isto vem? O governantes deste mundo é que são ambiciosos, arrogantes e dominadores. Eles mandam nas pessoas e querem o lugar mais alto. Eles querem que todos os sirvam, os honrem, os respeitem e façam o que eles querem.
O mundo sempre esteve cheio desse tipo de gente. Quanto mais corruptos e inescrupulosos eles são, mais provável é que eles ambicionem a qualquer preço os lugares mais altos. Assim, o mundo está cheio de pessoas ambiciosas, presunçosas e competitivas, que não conhecem limites para suas ambições. São movidos por corações corruptos e orgulhosos.
Mas Jesus diz:
Marcos 10 43 Mas entre vós não é assim; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; 44 e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos.
O reino de Deus tem valores opostos ao mundo. Por isso Jesus disse: “Meu reino não é deste mundo” (João 18:36). Enquanto os pagãos buscam a grandeza em serem servidos, os discípulos do Senhor buscam a grandeza em servir aos outros. São valores totalmente opostos, são reinos diferentes e inconciliáveis.
Esse é o grande contraste que diferencia os figurões deste mundo e os servos do Senhor. Quem quiser ser grande no mundo se enche de ambição pelas coisas e posições do mundo, orgulho e desejo de ser servido. Os grandes no reino de Deus são os servos humildes, que buscam servir e que almejam os tesouros celestiais.
A preocupação do servo do Senhor não é como o mundo o avalia por seus critérios, mas como o Senhor o vê. Esso é o pensamento nobre de cidadãos da pátria celestial.
Então você quer isso? Não seja a pessoa a quem todos servem, seja a pessoa que serve a todos. Grande diferença! Você é o servidor, não o servido. Isso é o que é ser um servo.
Jesus disse: “e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos” (Marcos 10:44). O sentido original é “escravo de todos”. Os escravos eram inferiores aos servos. Os criados faziam um trabalho; os escravos eram possuídos, totalmente controlados.
Ele está dizendo: “Considere todos como pessoas a serem servidas” . Você não só tem a oportunidade de servir, como também tem a obrigação de servir. E quem é o modelo para isso?
Marcos 10 45 Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.
Jesus deu o maior exemplo de como viver para servir. Ele não veio para ser servido. Ele não é como os outros reis. Ele não veio apenas para ser Senhor e Mestre, Ele veio era servo de Seu Pai e fazia apenas vontade de Seu Pai.
Ele disse: “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (João 4:34).
Veja o que Paulo diz em Filipenses 2.
Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. (Filipenses 2:3).
É exatamente isso que Jesus estava ensinado aos discípulos em Marcos 10: 35-45.
Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. (Filipenses 2:4)
Você quer grandeza no reino? Siga o modelo ensinado por Cristo. Ele disse: “o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10: 45).
O caminho para a glória no reino de Deus é através do sacrifício humilde, vendo a si mesmo como servo e escravo. E seu modelo é Cristo. Ele foi levantado e exaltado por Seu Pai e recebeu um nome acima de todo nome.
O caminho para a verdadeira grandeza não é o caminho do mundo, mas o caminho de Deus. A maneira do mundo funciona no mundo e é efêmera, a maneira de Deus funciona no reino de Deus e é eterna.
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