EBD #19 - DEVEMOS COMEMORAR A PÁSCOA?

Cristianismo Bem Explicado - Augustus Nicodemus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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1. Introdução

Nesta aula, vamos desvendar a verdadeira Páscoa. Começaremos entendendo sua origem na Bíblia, sua transformação com a vinda de Jesus, e por que, para nós, cristãos reformados, a Páscoa é uma celebração que vai muito além dos símbolos comerciais, apontando para a maior vitória de Cristo e sendo central em nossa fé. Veremos que a Páscoa que comemoramos não é meramente uma tradição, mas a proclamação da nossa redenção.

❓ Questão Inicial:

“Afinal, o que a Páscoa tem a ver com o cristão? Devemos comemorar? Ou é só mais uma festa inventada pela cultura ou pela religião?”

2. Dinâmicas Iniciais

3. Tópicos da Aula

Tópico 1 – A Origem da Páscoa no Antigo Testamento

Êxodo 12: Deus ordena a celebração da Páscoa como memória perpétua da libertação do Egito.
Origem Bíblica: Páscoa (פֶּ֫סַח (psḥ) = “passando por cima”) é uma das festas mais antigas e significativas do Antigo Testamento, instituída por Deus para o povo de Israel.
Contexto: O povo de Israel estava escravizado no Egito por 430 anos. Faraó se recusava a libertá-los, e Deus enviou dez pragas sobre o Egito.
Descrevam o clímax: a décima praga, a morte dos primogênitos. Deus instruiu cada família israelita a sacrificar um cordeiro sem defeito, passar o sangue nos batentes das portas e comer a carne assada com ervas amargas e pães sem fermento.
O Anjo da Morte: Quando o anjo da morte passasse pelo Egito, ele "passaria por cima" (Páscoa ou Passover) das casas que tivessem o sangue do cordeiro, poupando os primogênitos israelitas.
Significado: A Páscoa era um memorial perpétuo da libertação milagrosa de Israel da escravidão no Egito, pela intervenção soberana de Deus e por meio do derramamento de sangue. Era uma celebração da redenção e do livramento. O cordeiro imolado era o substituto que permitia a vida.

✝️ Tópico 2 – Cristo, o Cordeiro Pascal

Jesus, o Cordeiro de Deus: Expliquem que toda a Páscoa judaica apontava para Jesus Cristo. Ele é o cumprimento, a realidade para a qual a sombra apontava.
João 1:29: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!" João Batista o identifica como tal.
1Coríntios 5:7: "Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós." Este é o cerne da Páscoa cristã.
A Última Ceia e a Crucificação:
Jesus celebrou a Páscoa judaica com seus discípulos (a Última Ceia). Durante essa refeição pascal, Ele transformou os elementos, apontando para Si mesmo como o verdadeiro Cordeiro. O pão representou Seu corpo entregue, e o vinho, Seu sangue da Nova Aliança.
Ele foi crucificado no dia da Páscoa judaica, no mesmo momento em que os cordeiros pascais estavam sendo sacrificados no Templo. Seu sangue foi derramado como sacrifício perfeito e definitivo, que nos liberta da escravidão do pecado e da morte.
A Ressurreição: O ápice da Páscoa cristã é a ressurreição de Jesus, que ocorreu no terceiro dia após Sua crucificação. A ressurreição é a prova de que o sacrifício de Cristo foi aceito, a morte foi vencida e temos vida eterna n'Ele.
Significado para o Cristão:
Libertação do Pecado: Assim como Israel foi liberto da escravidão do Egito, nós somos libertos da escravidão do pecado e da morte pelo sangue de Cristo.
Nova Vida: A ressurreição de Cristo nos dá a esperança da nossa própria ressurreição e nos capacita a viver uma nova vida em comunhão com Deus.
Certeza da Salvação: O sacrifício de Cristo é completo e suficiente. Não precisamos de mais sacrifícios.

🐰 Tópico 3 – A Páscoa Secular: ovos, coelhos e chocolate

Expliquem que o mundo secularizou a Páscoa, focando em símbolos como o coelho (fertilidade, origem pagã) e ovos de chocolate (símbolos de nova vida que foram associados à Páscoa por tradições europeias, mas sem base bíblica direta para o contexto cristão).
A Deusa Eostre (ou Ostara):
Origem: Em muitas culturas germânicas e nórdicas antigas, havia celebrações de primavera em homenagem a deusas da fertilidade e do renascimento. Uma das mais conhecidas é Eostre (da qual deriva a palavra em inglês e alemão para Páscoa: "Easter" e "Ostern").
Significado: Essas festividades celebravam o fim do inverno rigoroso, o renascimento da natureza, o florescimento e a fertilidade da terra. Eram momentos de esperança pela vida que viria com a nova estação.
Conexão com a Páscoa Cristã: À medida que o Cristianismo se espalhou pela Europa e os povos pagãos foram cristianizados, a Igreja, em alguns lugares, sincretizou essas festividades pagãs com a celebração da ressurreição de Cristo. A data da Páscoa cristã (primeiro domingo após a primeira lua cheia depois do equinócio da primavera no Hemisfério Norte) frequentemente coincidia com essas celebrações de primavera pagãs.
O Coelho (ou Lebre):
Origem: O coelho é um símbolo antigo de fertilidade e vida nova em muitas culturas pagãs, devido à sua alta capacidade de reprodução e à associação com a proliferação da vida na primavera. A lebre, em particular, era um animal sagrado para algumas deusas da fertilidade, incluindo Eostre.
Significado: Representava o renascimento da vida após o inverno e a abundância.
Incorporação na Páscoa: A associação do coelho com a Páscoa cristã é mais recente, surgindo na Alemanha no século XVI. Os imigrantes alemães levaram o costume para a América no século XIX, e de lá se popularizou. Não há nenhuma menção ou simbolismo do coelho na Bíblia em relação à Páscoa.
Os Ovos:
Origem: O ovo é um símbolo universal de nova vida, fertilidade e renascimento, presente em diversas culturas antigas (persas, egípcias, chinesas, romanas, etc.), muito antes do Cristianismo. A prática de decorar ovos é milenar e estava associada a festivais de primavera em várias civilizações.
Significado: Representava o potencial de vida, o início de algo novo, a eclosão da vida.
Incorporação na Páscoa: Na Idade Média, o ovo foi associado à Páscoa cristã de várias formas:
Restrição na Quaresma: Como os ovos eram proibidos durante a Quaresma (período de jejum), as pessoas os cozinhavam e pintavam para consumi-los abundantemente no domingo de Páscoa, marcando o fim do jejum.
Símbolo da Tumba Vazia: Teólogos cristãos passaram a justificar o ovo como um símbolo da ressurreição, onde a casca representa o túmulo e a nova vida (o pintinho) que emerge do ovo simboliza Jesus saindo do túmulo.
Ovo de Chocolate: A tradição dos ovos de chocolate surgiu na França no século XVIII e se popularizou no século XIX, tornando-se o símbolo comercial dominante que conhecemos hoje.
Esses elementos, por si só, não são pecaminosos, mas desviam a atenção do verdadeiro significado da Páscoa, que é Cristo.

⛪ Tópico 4 – A Páscoa Cristã: Comemorar ou não?

Não Celebrar a Páscoa como um Evento Anual Litúrgico: A Igreja Reformada Presbiteriana ❌não celebra a Páscoa como uma festa litúrgica anual com ritos específicos, da mesma forma que algumas denominações (católicas, ortodoxas). Isso porque entendemos que o Antigo Testamento apontava para Cristo, e Ele é o cumprimento.
A Páscoa é Cristo! Para nós, "Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado por nós" (1 Coríntios 5:7). Isso significa que a realidade da Páscoa é Cristo mesmo, e celebramos a Sua obra redentora continuamente, não apenas em uma data específica do ano.
💡 A aplicação é ensinar que, como cristãos, não somos contra o feriado, mas devemos com conteúdo bíblico.

⛪ Tópico 5 – A Páscoa Cristã: A Santa Ceia

O principal "memorial" da obra de Cristo, da nossa libertação e da Nova Aliança é a Ceia do Senhor.
Confissão de Fé de Westminster (Cap. 29, "Da Ceia do Senhor"):

Os elementos exteriores desse sacramento, devidamente consagrados aos usos ordenados por Cristo, têm tal relação com Cristo Crucificado, que, em verdade, mas só sacramentalmente, são às vezes chamados pelos nomes das coisas que representam, a saber, o corpo e o sangue de Cristo; porém, em substância e natureza, conservam-se verdadeira e somente pão e vinho, como eram antes.

VII. Os que comungam dignamente, participando exteriormente dos elementos visíveis desse sacramento, também recebem intimamente, pela fé, a Cristo crucificado e a todos os benefícios da sua morte, e dele se alimentam, não carnal ou corporalmente, mas real, verdadeira e espiritualmente; não estando o corpo e o sangue de Cristo, corporal ou carnalmente nos elementos, pão e vinho, nem com eles ou sob eles, mas, espiritual e realmente, presentes à fé dos crentes nessa ordenança, como estão os próprios elementos em relação aos seus sentidos corporais.

Pergunta 168. O que é a Ceia do Senhor?

Resposta: A Ceia do Senhor é o sacramento do Novo Testamento no qual, ao dar e receber o pão e o vinho, conforme a instituição de Cristo, é anunciada a sua morte; e os que dignamente participam dela, alimentam-se do corpo e do sangue de Cristo para sua nutrição espiritual e crescimento na graça; têm a sua união e comunhão com ele confirmadas; testemunham e renovam a sua gratidão e consagração a Deus e o seu mútuo amor uns com os outros, como membros do mesmo corpo místico

Cada vez que participamos da Ceia, estamos proclamando a morte do Senhor até que Ele venha (1 Coríntios 11:26). É nossa Páscoa celebrada de forma regular.
Foco na Mensagem: Embora não tenhamos rituais pascais anuais, aproveitamos a época para reforçar a mensagem da cruz e da ressurreição de Jesus. É uma oportunidade de evangelizar e de ensinar sobre o verdadeiro significado da redenção em Cristo.

4. Conclusão

Então, o cristão deve comemorar a Páscoa? Sim, mas não da forma que o mundo comercializa, nem com os rituais do Antigo Testamento. Nós comemoramos a Páscoa em Jesus Cristo! Ele é nossa Páscoa, o Cordeiro que foi sacrificado e ressuscitou, nos dando vida e liberdade. Nossa celebração contínua dessa verdade acontece principalmente na Ceia do Senhor, onde recordamos, proclamamos e nos alimentamos espiritualmente de Cristo, nosso sacrifício perfeito. Aproveitemos a época da Páscoa para pregar o Cristo crucificado e ressuscitado, a verdadeira esperança para o mundo.

5. Versículos para Leitura Pública

1Coríntios 5.7–8 “7b Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi sacrificado. 8 Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento do mal e da maldade, mas com o pão sem fermento, o pão da sinceridade e da verdade.”
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