Rute 4.1-12

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O autor estabelece a legitimidade do resgate como demonstração da graça providencial divina, na redenção e edificação do povo Deus.

Notes
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Rute 4.1-12:

Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de (…) dar um (…) resgatador” (Rt 4.14).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Recapitulação
Estrutura cênica anterior:
Cena 1 (vv.1-5) - Planejamento providencial [#concursus].
Cena 2 (vv.6-15a) - Exposição de caráter: virtude e graça.
Cena 3 (vv.15b-18) - Conclusão: Arremate referencial (rf. resgate de Noemi).
Objetivo: Demonstrar a ação providencial divina, através do concurso da iniciativa humana, promovendo o estabelecimento do contexto do resgate segundo a virtude e a graça da união do resgatador com a resgatada.
Elucidação
Cenário — efetivação do resgate (vv.1-12)
Corte 1 (vv.1-6): Negociação.
- Boas subiu… e assentou-se ali. Eis que o resgatador … ia passando” (v.1). À semelhança de 2.3, os encontros “casuais” entre personagens reiteram o transcurso da providência divina; algo já claro para o leitor, o que dispensa interpretações autorais (mesmo veladas, como no caso citado).
- “Boaz tomou dez homens dos anciãos… “compra-a na presença destes que estão sentados aqui e na de meu povo… sois, hoje, testemunhas”” (vv.2, 4, 9). O cenário jurídico estabelecido por Boaz e descrito pelo autor, enfatiza o caráter do resgatador (ênfase iniciada no capítulo 2 e 3), louvando-o como instrumento providencial do SENHOR na progressão da linhagem de Elimeleque e resgate de Noemi/Rute; que culminará, por sua vez, na promoção da linhagem da qual o rei de Israel sairá/saiu, conforme enquadramento da próxima seção.
- “Disse ao resgatador… disse o resgatador” (vv.3, A iniciativa de resgate e subsequente desistência, também reforçam o caráter de Boaz durante a efetivação do resgate. A não omissão de informações e a franqueza no trato, estabelecem a legitimidade e virtude de Boaz como resgatador.
Corte 2 (vv.7-12): Resgate e Benção.
- “Este era, outrora, o costume em Israel, quanto a resgates e permutas…” (v.7). Ao empreender a explicação quanto ao costume formalizador do resgate, o autor narra o hábito simbólico na transação que lembra aquele estabelecido na Lei em relação ao levirato (Dt 25.5-10). Entretanto, a ausência de parte daquele rito, estabelece uma distinção. No caso, o resgatador com quem Boaz fala, não está se recusando a cumprir o levirato, mas apresenta uma impossibilidade justificável, e assim, o simbolismo com a transferência da sandália, não deve ser interpretado como se este estivesse assumindo sua rebeldia no cumprimento da Lei, mas a partir da ótica de uma transferência legal do direito de resgate seu para Boaz.
- “Sois, hoje, testemunhas de que comprei da mão de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque, a Quiliom e a Malom; e também tomo por mulher Rute, a moabita” (vv.9-10). O estabelecimento do resgate mediante os termos cuidadosamente publicados, legitimam a posição de Boaz como resgatador. O autor situa Boaz nessa condição, reforçando o caráter jurídico e público da transação, a fim de que Boaz seja reconhecido como o digno resgatador da linhagem de Elimeleque, mediante a continuidade da descendência de Malom, o que implica no sustento de Noemi (algo que vem exercendo importância na narrativa (cf. 1.22; 2.23; 3.17)), e provisão/salvação para Rute, declarada oficialmente como integrante do povo de Deus.
- “Somos testemunhas; o SENHOR faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e tu, Boaz, há-te valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém. Seja a tua casa como a casa de Perez…”. (vv.11-12). A confirmação da legitimidade do resgate de Boaz é feito mediante a proclamação de uma benção com ênfase dupla, preparando o leitor para o desfecho da história:
a) A inserção de Rute no povo de Israel, como protagonista da graça divina sobre o próprio povo, à semelhança de Raquel e Lia (cf. Gn 29.31-30.24) .
b) O reconhecimento de voto de que Boaz tenha, mediante a concessão divina de uma linhagem, renome em Israel, à semelhança da continuidade da linhagem judaica, mesmo num contexto trágico (cf. “… como a casa de Perez” ref. Gn 38), porém, sob o controle da providência divina; semelhante ao quadro dificultoso da história de Noemi.
Síntese principiológica
A demonstração de Boaz como o justo e digno resgatador, que assume o preço da redenção de Noemi/Rute, aponta-nos a intenção do autor de enquadrá-lo como o genitor da linhagem que será esboçada na conclusão do capítulo, que dá origem ao rei de Israel, colocado no trono segundo o coração do SENHOR, e que também haveria de ser usado como um símbolo/tipo do verdadeiro resgatador do povo de Deus.
As testemunhas do acordo entre os parentes-resgatadores, pronunciam sobre Boaz uma “benção-profecia”: A partir da união de Boaz e Rute, assim como no passado, a casa de Israel seria edificada; e dessa união, o descendente real de Judá, mais poderoso e famoso que Perez, exerceria a responsabilidade de tornar o belemita-efratita Boaz, célebre.
Em Cristo, vemos o cumprimento de tais palavras. Jesus assume o custo do resgate daqueles que o SENHOR elegeu para encontrarem refúgio sob suas asas. Por meio do agir justo, e sem defraudar ou fraudar qualquer parte da Lei, embora, em seu tempo, tenha sido reputado com os malfeitores, sua ressurreição declara a dignidade de sua obra, comprovando o mérito e legitimidade de Cristo em ser chamado de “o resgatador da igreja”.
Aplicações
O percurso redentor estabelecido por Deus, preconiza a justiça e dignidade divinas, representados pela ação clara e justa daquele que haveria de assumir o custo pelo resgate.
A preocupação do narrador em garantir que a atenção do leitor se voltasse para toda a negociação, e nestas, às falas de cada parente-resgatador, como dito, voltam-se a promover a moralidade e integridade do resgatador, no assumir do compromisso de resgate. Nenhum aspecto da negociação foi feito de modo fraudulento ou foi omitido qualquer aspecto da Lei. Toda a legalidade pelo resgate foi estabelecido pelo cumprimento restrito da condição de “גֹאֵ֖ל”.
Essa ênfase do narrador serve ao propósito de legitimar, por sua vez, a própria linhagem da qual descende Davi, aquele escolhido por Deus para ser rei sobre seu povo. de igual forma, à luz da progressão revelacional canônica, a integridade e justiça das ações de Boaz refletem as mesmas virtudes do resgate maior efetivado por Cristo.
Assumindo o ônus do resgate pelos eleitos de Deus, Cristo Jesus assume o compromisso de redimir/resgatar seu povo, livrando-o da ignomínia da viuvez/orfandade e pobreza. Sua encarnação-vida-morte, sob humilhação, dor, escárnio, tentação e todas as agruras relacionadas ao papel que assumiu como Salvador da igreja que, com seu sangue, comprou para Deus com preço de sangue.
Sua ressurreição é a prova de que o Pai, como testemunha de sua obra expiatória perfeita, o trouxe dos mortos pelo poder do Espírito Santo. Em Cristo, nosso goel, vemos nosso resgate ser efetivado com honra, e o efeito disso, é a edificação do povo de Deus.
2. Pelo resgate efetivado por Cristo, recebemos da parte do SENHOR a salvação que garante a edificação do povo de Deus, sobretudo pelo destaque do ente, da linhagem de Judá, aclamado não somente em Belém, mas em toda a história da redenção.
O atestado de legitimidade conferido pelas testemunhas de Boaz, segundo ressaltado, cumpre o propósito de anunciar o desdobramento do plano divino que contemplou o resgate do povo de Deus: a edificação do povo de Deus pela fama do Descendente de Judá; Jesus Cristo.
A benção e votos feitos possuem contornos muito peculiares: 1) A edificação do povo de Deus, dentro do contexto do resgate feito por Boaz, anexa à prole uma moabita, isto é, uma estrangeira. Entretanto, por sua fé no Deus que se lembra do seu povo, ela não somente foi contada como parte do povo de Deus, como cumprimento da benção do SENHOR sobre todas as famílias da terra, segundo prometido à Abraão, como também foi feita instrumento divino através da qual, à semelhança de Raquel e Lia, o povo de Deus seria edificado. 2)A história trágica e conturbada da concessão da linhagem de Judá, é usada como modelo da ação providencial de Deus através do qual o próprio SENHOR faz célebre o nome daquele que usaria para desenvolver a descendência donde viria o resgatador de todo o seu povo: Judá, no fatídico episódio envolvendo Tamar descrito em Gênesis 38.
O que a Palavra de Deus nos demonstra é a grandeza do SENHOR de, no meio da turbulência que assolou Noemi e Elimeleque, a boa mão da providência guiar os passos da história a fim de que, da semente de Abraão, viesse Judá, e deste, apesar de todo o quadro obscuro, viesse Perez, donde seria gerado Boaz, que por sua vez, casado à Rute, geraria a semente de Davi, e da raiz de Davi, surgisse aquele cujo nome foi dado sobre todo o nome, não somente em Belém, mas em todo o mundo, ao som do qual todo joelho se dobrará e toda língua confessará que ele é o SENHOR, o salvador, o resgatador da igreja, para a glória de Deus, o Pai.
Conclusão
Como conclui Emílio Garofalo:

Seu resgatador é de quem você precisa. Como Rute que recebeu o nome de Boaz, nós somos a noiva que recebe o nome de Cristo.

Cristo, justa e legitimamente, cumpriu o nosso resgate, e edificou o povo de Deus nos fazendo ingressar no número dos filhos de Deus, recebendo a fama e a glória de ter seu nome posto sobre todo o nome, acima de Perez, acima de Judá, o nome de nosso resgatador, para sempre.
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