Aprendendo a orar com Jesus

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Introdução:
Boa noite, galera. É com alegria que nos reunimos hoje, neste sábado no culto de nossas Juventudes, em preparação para um momento muito especial em nossa igreja: o Dia do Amigo, que ocorrerá amanhã, no domingo. Nos últimos encontros das nossas células, temos refletido sobre um tema essencial da vida cristã: a oração. E é justamente sobre isso que vamos meditar hoje.
O filósofo Roger Scruton, ao relatar sua jornada do ateísmo à fé cristã, fez uma observação profunda. Ele disse que, para compreender verdadeiramente a fé cristã, não se deve olhar primeiro para os tratados de teologia sistemática, mas sim para a adoração do povo de Deus e, de maneira especial, para as suas orações. Pois é na oração que a fé se torna pessoal, íntima, viva.
E se queremos aprender a orar de forma profunda e verdadeira, não há mestre maior do que o próprio Senhor Jesus. Em Mateus 6, Ele não apenas nos dá uma oração para repetirmos sem reflexão, mas nos ensina o coração que devemos ter por trás de cada oração que fazemos. A oração conhecida como "Pai Nosso" não é apenas uma fórmula, mas um modelo de como devemos orar. Jesus começa dizendo: “Vocês devem orar assim...” — nos mostrando que há uma maneira certa, fiel, cristã de orar.
Um grande chef de cozinha foi ensinar um de seus alunos uma lição: ele dá uma receita para o seu aprendiz e pede que ele dobre a quantidade de sal. O prato fica intragável. O chef então diz: “Agora que você sabe como o excesso estraga tudo, vamos preparar com a medida certa.” Assim também, Jesus antes de nos mostrar como devemos orar, Ele nos mostra como não devemos orar. É sobre isso que falaremos agora. Leia comigo Mateus 6:5-8. (Ler o texto).
5 “E quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas. Eles gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros. Eu lhes asseguro que eles já receberam sua plena recompensa. 6 Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará. 7 E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos. 8 Não sejam iguais a eles, porque o seu Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem. 
A primeira lição de Jesus como não orar é a seguinte: não ore como um hipócrita. Na mente dos ouvintes de Jesus, era claro de quem Ele falava: os líderes religiosos da época que gostavam de orar em pé nas sinagogas e nas praças, onde pudessem ser vistos. Para eles, a oração era uma exibição pública de espiritualidade. Jesus é enfático: "Eles já receberam sua recompensa." A recompensa deles? A atenção dos homens. O aplauso. Os elogios. Mas nada além disso.
Essa oração é perigosa porque, em vez de apontar para Deus, atrai a atenção para quem está orando. É uma oração centrada no ego, não em Deus. E aqui precisamos ser sinceros: o coração humano é enganoso. Mesmo nas coisas santas, podemos ter motivações erradas. Vivemos em uma época que valoriza os “likes”, as visualizações, o reconhecimento público. É muito fácil transformar até a oração (louvor, pregação) em performance.
Mas Jesus propõe outra postura: “Entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai que te vê”. O foco aqui não é o local físico, mas a motivação do coração. A oração verdadeira acontece na presença de Deus, com um público em vista: um só, Deus. E o que eu acho mais interessante é que Jesus não falo “a teu Pai que te ouve”, mas que "a teu Pai que te vê” no secreto. Porque mais importante do que dizemos, das palavras usadas na oração, é o coração com o qual oramos. Deus vê a fidelidade oculta. Os hipócritas são vistos pelos homens e ignorados por Deus; o justo, que ora com sinceridade, é ignorado pelo homens, mas é visto por Deus e recompensado por Ele.
A segunda advertência é contra orar como os pagãos. Os pagãos daquela época acreditavam que poderiam manipular os deuses com muitas palavras, com fórmulas mágicas, com longos discursos repetitivos. A oração era um ritual automático, não uma conversa com um Deus pessoal. Jesus confronta essa mentalidade dizendo: “Vosso Pai sabe o que vocês precisam antes mesmo de pedirem." Ou seja, não é a quantidade de palavras que move o coração de Deus, mas a verdade do coração que ora. A oração que agrada a Deus é feita com sinceridade, humildade e fé. Não se trata de discursos longos, mas de comunhão real com o Pai.
Martinho Lutero dizia que uma boa oração deveria ser “curta e profunda”. E talvez nosso desafio hoje não seja nem o tempo, porque muitos já oram pouco, mas sim a profundidade. O problema da nossa geração não é o excesso de palavras, mas a superficialidade do coração. A superficialidade do seu relacionamento com Deus.
Depois dessas duas advertências, primeiro contra a ostentação dos hipócritas e depois contra as repetições vazias dos gentios, Jesus nos conduz ao seu modelo de oração. Uma oração que é simples, mas profunda. Uma oração que não busca aplauso, nem tenta manipular Deus, mas que nos ensina a como falar com Deus. Vamos, então, ao texto do Pai Nosso:
9 Vocês, orem assim:
“Pai nosso, que estás nos céus!     Santificado seja o teu nome.
Jesus inicia a oração com palavras simples, mas que trazem uma verdadeira revolução teológica: “Pai nosso...” Só essa expressão já carrega um mundo de significado. No Antigo Testamento, embora Deus fosse conhecido como Pai da nação de Israel em termos coletivos-nacionais, nenhuma oração pessoal registrada se dirige a Ele com esse termo íntimo. Portanto, quando Jesus ensina seus discípulos a orar dizendo “Pai nosso”, Ele está introduzindo algo radicalmente novo: um relacionamento pessoal, íntimo, direto com Deus. Ao chamar Deus de Pai, Jesus nos ensina que o Senhor do universo não é um conceito abstrato ou uma força distante, mas um Deus pessoal, que nos escolheu por amor. Ele não é apenas o Criador soberano, mas um Pai que conhece as nossas necessidades antes mesmo de pedirmos (v. 8), que se importa conosco e que está presente no secreto.
Na cultura do mundo antigo, havia duas fomas reconhecidas de paternidade: a biológica e a por adoção. Essa filiação (nossa com Deus), no entanto, não é natural, ela é fruto da adoção divina em Cristo. Como Paulo diz em Romanos 8:15: “Vocês receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: Aba, Pai.” Jesus nos ensina que Deus é nosso Pai não porque nascemos assim, mas porque fomos adotados por meio de Cristo. Ninguém nasce com a condição “filho de Deus”, isso só é alcançado através de Cristo Jesus. Assim, a palavra “Pai” aqui não é uma metáfora, Jesus não fala “Deus e como se fosse nosso Pai”, mas uma realidade espiritual profunda: Deus é, de fato, nosso Pai, e só O conhecemos como tal porque fomos feitos filhos por meio do Filho.
Outra observação interessante é que Jesus não nos ensina a orar “meu Pai”, mas “Pai nosso. Essa oração é profundamente pessoal, mas jamais individualista. A filiação que recebemos nos insere numa família espiritual. Ao orar Pai nosso, confessamos que pertencemos ao corpo de Cristo, que somos membros uns dos outros, coerdeiros com Cristo. Ninguém ora sozinho o Pai Nosso, assim também nenhuma oração nossa deve ser só para nós mesmo. Na oração do Pai Nosso, pedimos juntos o pão, o perdão, a libertação do mal, porque somos uma comunidade, uma família. Qual foi a última vez que você orou pela sua família da fé?
A oração segue com :“Santificado seja o teu nome.” À primeira vista, essa frase pode gerar uma pergunta legítima: Deus já não é santo? Ele precisa ser santificado? E de fato, a resposta é que Deus é eternamente santo, absolutamente separado do pecado, perfeito em sua pureza e majestade. Nada pode aumentar ou diminuir Sua santidade.
Mas então, o que significa orar para que o nome Dele seja santificado? Para entender isso, primeiro precisamos compreender o que significa “nome” nas Escrituras. No mundo judaico e nas culturas do Antigo Oriente, o nome de alguém representava sua essência, caráter e presença. Saber o nome era mais do que ter uma identificação; era conhecer a pessoa. Em Êxodo 33:17, Deus diz a Moisés: “Eu o conheço pelo nome.” Então, ao orarmos “santificado seja o teu nome”, estamos pedindo que Deus seja reconhecido e reverenciado como Ele realmente é : santo, puro, perfeito, glorioso.
Estamos desejando que o mundo inteiro o veja com a reverência que Lhe é devida. Mas não só isso, essa oração começa em nós. É um pedido para que o nome de Deus seja santificado em nossas vidas. Que o nosso viver reflita o caráter santo de Deus. É um clamor para que Deus nos transforme à Sua imagem, para que sejamos testemunhas fiéis que honram Seu nome diante dos homens. Em outras palavras, estamos dizendo: “Senhor, que a minha vida não manche o Teu nome, mas o revele.”
Deus nos chama para sermos “o Seu nome” no mundo: Sua presença visível, Seus representantes. Por isso, santificar o nome de Deus também é pedir que Ele nos santifique internamente, removendo tudo o que não condiz com a Sua natureza, para que a Sua glória resplandeça em nós. Assim, quando dizemos “santificado seja o teu nome”, estamos orando por um testemunho coerente, por uma igreja santa, por um coração puro. Estamos pedindo que, em todo lugar e em toda circunstância, Deus seja honrado por nós e através de nós.
10 Venha o teu Reino;     seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
A oração do Pai Nosso segue, versículo 10:“Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Muitas vezes, quando as pessoas, até mesmo cristãs, pensam na mensagem central de Jesus, imaginam que Ele veio simplesmente pregar o amor, como se fosse uma espécie de John Lennon ou um hippie do século I. Mas a verdade é que a mensagem principal de Jesus foi o Reino de Deus. Esse tema aparece cerca de 149 vezes nos Evangelhos Sinóticos, mais do que qualquer outra ideia. Jesus não veio simplesmente ensinar bons valores: Ele veio anunciar que o Reino de Deus chegou com Sua presença.
Mas o que é esse Reino? O Reino de Deus não é político, nem militar, nem geográfico. Não se trata de fronteiras ou governos humanos. O Reino de Deus é o governo de Deus nos corações das pessoas, o senhorio de Cristo sobre nossas vidas. É um reinado que se manifesta onde quer que Jesus seja reconhecido como Senhor e Salvador. Como diz J. I. Packer, orar “Venha o teu Reino” é pedir que o poder salvador de Deus alcance todos os povos e que o senhorio de Cristo seja reconhecido no mundo inteiro. Você tem orado pela salvação dos seus familiares, dos seus amigos da escola?
Durante o ministério de Jesus, esse Reino foi evidenciado por curas, milagres, libertações que são, por assim dizer, sinais visíveis, uma antecipação do futuro glorioso que Ele trará plenamente em Sua segunda vinda. É uma oração que aponta para duas realidades: o Reino já chegou (com a primeira vinda de Jesus), mas ainda não foi plenamente consumado (aguardamos a Sua volta). Orar por esse Reino é unir o “já” e o “ainda não” da esperança cristã.
“Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” Aqui, a oração ganha ainda mais profundidade. É um clamor para que os propósitos eternos de Deus se realizem também no nosso mundo terreno. É pedir que a ordem, a justiça, a glória e a obediência que existem nos céus também se reflitam aqui, entre nós.
Mas para isso acontecer, há uma exigência pessoal: obediência. Não podemos orar por esse Reino e essa vontade se ainda estivermos agarrados à nossa própria vontade. Orar assim é dizer: “Senhor, governa minha vida. Que a Tua vontade seja feita, não a minha.” Em outras palavras, estamos dizendo:“Senhor, reina sobre mim, sobre a Igreja, sobre o mundo. Começa em meu coração, e faz-me testemunha viva do teu governo.”
11 Dá-nos hoje o nosso     pão de cada dia.
No tempo de Jesus, a vasta maioria da população vivia no limite da subsistência, muitas vezes sobrevivendo com o equivalente a um denário por dia, que cobria apenas o básico, o alimento daquele dia. Dentro desse contexto, pedir “o pão de cada dia” era um ato de fé, um reconhecimento humilde de que a provisão da vida não está em nossas mãos, mas nas mãos do Pai.
Jesus nos ensina a pedir não por iguarias ou luxos, mas por aquilo que é essencial para viver. Como os comentaristas destacam, esse pedido é pelo “pão comum”, o sustento simples, porém indispensável, para a vida humana. É uma oração que reflete contentamento e humildade diante de Deus, que conhece e supre as nossas verdadeiras necessidades.
O texto de Mateus diz: “nos dá hoje” (sēmeron), enquanto Lucas usa a expressão “a cada dia” (kath’ hēmeran). Ambas apontam para uma lição espiritual profunda: as nossas necessidades se renovam a cada manhã, e Deus deseja que aprendamos a depender dEle um dia de cada vez. Como diz Black, “pedimos não só porque somos necessitados, mas porque somos continuamente necessitados.”. Assim, essa parte da oração nos convida a nos achegar ao Pai todos os dias “de mãos abertas”, com humildade, sabendo que tudo o que temos é dom do Seu amor e nada podemos garantir por conta própria. Não há espaço para a autossuficiência na vida cristã. Pelo que você já agradeceu hoje a Deus pelo que Ele não deixou faltar?
12 Perdoa as nossas dívidas,     assim como perdoamos     aos nossos devedores.
Depois de pedir pelo pão diário, Jesus nos ensina a fazer uma petição igualmente essencial: “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.” Quando oramos assim, reconhecemos algo muito importante: não temos como quitar nossas próprias dívidas diante de Deus. Essas “dívidas” representam os nossos pecados (falhas, omissões, transgressões da vontade de Deus). E aqui, Jesus nos ensina que até mesmo os crentes justificados continuam dependendo da misericórdia diária de Deus. Como dizia Lutero, somos simul iustus et peccator: simultaneamente justos e pecadores.
Essa petição nos leva à cruz todos os dias. Ela nos lembra de que o perdão não é uma conquista nossa, mas um dom gracioso de Deus. Não podemos perdoar a nós mesmos, nem negociar com Deus. E isso nos leva a uma questão que pode gerar confusão: Jesus estaria condicionando o perdão de Deus ao nosso perdão aos outros? À primeira vista, parece que há uma cláusula condicional: “Se você perdoar, será perdoado; se não perdoar, não será.” Mas essa leitura pode nos levar a um problema teológico sério: pensar que o perdão de Deus depende de nós. A verdade é que Deus não perdoa com base em mérito humano. Ele não é um mercador, exigindo pagamento parcial em forma de perdão ao próximo.
O que Jesus ensina aqui, portanto, não é uma condição comercial, mas um princípio de reciprocidade e coerência. Aqueles que foram verdadeiramente perdoados por Deus devem se tornar perdoadoras dos outros. É um argumento por semelhança de disposição: os que receberam graça devem estender graça. A falta de perdão no coração de alguém que diz ter sido perdoado por Deus é um sinal de incoerência espiritual, até de hipocrisia.
Assim, ao orar “perdoa-nos as nossas dívidas”, estamos pedindo a Deus que renove sobre nós a sua misericórdia. E, ao mesmo tempo, reconhecemos que essa misericórdia deve se refletir na maneira como tratamos aqueles que nos ofendem. Essa oração nos molda internamente para sermos um povo que vive a reconciliação, não como uma barganha com Deus, mas como reflexo da graça que nos alcançou.
13 E não nos deixes cair     em[a] tentação mas livra-nos do mal[b],     porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém[c].
A oração ensinada por Jesus termina com uma dupla petição. A primeira parte nos ensina a clamar a Deus para que não nos permita sucumbir à tentação. Importante lembrar: Deus não nos tenta. Deus “não nos empurra na tentação para ver se caímos”, mas como afirma Tiago 1:13, “Deus a ninguém tenta.” Pelo contrário, Ele é aquele que nos protege, que nos guarda das situações que poderiam nos arrastar para o pecado. Essa petição é um reconhecimento de nossa fragilidade. Oramos pedindo que, pela Sua misericórdia, o Senhor nos preserve de situações em que nossa fraqueza poderia nos dominar.
A segunda parte da petição amplia ainda mais o escopo da oração: “Mas livra-nos do mal.” A palavra grega usada aqui (tou ponērou) pode ser traduzida tanto como “o mal” (princípio abstrato) quanto como “o Maligno” (Satanás). A tradição ocidental costuma preferir a tradução genérica (“do mal”), enquanto a tradição oriental enfatiza o caráter pessoal e satânico (“do Maligno”). Ambas as leituras, porém, são teologicamente válidas e se complementam: 1) “O mal” nos cerca em forma de pecado, violência, injustiça, dor e sofrimento. 2) “O Maligno” é o inimigo espiritual que manipula e intensifica essas realidades.
Por isso, quando oramos “livra-nos do mal”, reconhecemos que não temos força para resistir sozinhos. A libertação só pode vir de Deus. Ele é o único que pode romper o ciclo do mal em nossas vidas, nos proteger das ciladas do pecado e nos guardar da influência do Inimigo.
Essa última petição expressa um profundo descentramento do ego: Não podemos confiar em nossa força, não contamos com nossa capacidade moral, não acreditamos que podemos escapar do mal por nós mesmos. Orar assim é confessar: “Senhor, eu sou fraco, mas Tu és forte. Livra-me.” É clamar por proteção espiritual, discernimento diante das tentações, firmeza em meio às provações e libertação completa do poder do mal. Em resumo, a oração do Pai Nosso termina como começou: com foco em Deus. É uma oração que nos esvazia de autossuficiência e nos enche de confiança humilde em um Pai que alimenta, perdoa, guia e protege.
Conclusão
Chegamos ao final da oração que o nosso Senhor nos ensinou. E que jornada foi essa, não é? Passamos por cada frase, cada clamor, cada linha e vimos que não se trata apenas de palavras bonitas para decorar ou repetir. Como disse Agostinho: “Quaisquer que sejam as nossas palavras, nada diremos que já não esteja contido nesta oração, contanto que oremos de modo justo e adequado.”
Se orarmos de maneira verdadeiramente cristã, conforme Jesus ensinou, vamos perceber que nossas orações, de alguma forma, sempre ecoarão o Pai Nosso. Mas, sejamos sinceros: muitas vezes nossas orações são farisaicas (cheias de vaidade), gentílicas (cheias de repetições vazias), apressadas, egoístas, individualistas, ou sem qualquer reflexão real.
Espero de coração que hoje o Espírito Santo tenha falado ao seu coração. Talvez em uma palavra, talvez em uma frase, talvez em uma parte específica desta oração, mas que algo tenha despertado em você um novo desejo de se aproximar de Deus em oração. O grande teólogo Tomás de Aquino dizia: “A oração do Senhor contém a ciência do que se deve desejar.”
Em outras palavras, o Pai Nosso nos ensina não apenas a orar, mas a desejar. Cada pedido nos molda, nos disciplina, nos direciona. Orar nos moldes dessa oração é mais do que repetir palavras; é incorporar sua lógica, seu ritmo, sua verdade no nosso dia a dia.
E que isso nos ajude a estruturar a nossa oração pessoal. Começamos invocando a Deus como nosso Pai, reafirmando nossa identidade em Cristo. Pedimos pelo avanço do Reino, nos alinhando com a missão de Jesus. Rogamos pelas provisões diárias, reconhecendo nossa total dependência de Deus. E suplicamos por perdão e livramento, nos comprometendo a viver segundo a ética do Evangelho.
Então, depois de tudo o que ouvimos e aprendemos, eu não consigo pensar em melhor forma de terminar essa mensagem do que orando com você a oração que o Senhor Jesus nos ensinou. Você pode orar comigo?
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal, pois teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém.
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