Livres para Servir

O Evangelho do Cristo Ressurreto  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Texto Rm 6.1-23

Introdução: Da Universalidade do Pecado à Justificação em Cristo

Ao longo dos capítulos 1 a 5 de Romanos, Paulo estabelece com profundidade:
A universalidade do pecado (Rm 1–3),
A justificação pela fé (Rm 4),
A nova paz com Deus por meio de Jesus Cristo (Rm 5).
Ele mostra que todos pecaram e carecem da glória de Deus, mas que, pela fé, somos justificados, reconciliados com o Pai e introduzidos na graça.
Mas aqui surge uma pergunta inevitável: Se somos justificados gratuitamente, então estamos livres para viver como quisermos?
É essa tensão que Paulo enfrenta em Romanos 6.
O apóstolo conduz a igreja para um entendimento profundo: a graça que salva é a mesma que transforma.
Fomos libertos, sim – mas para um novo propósito: servir a Deus em santidade.
Este capítulo marca a transição da justificação para a santificação. A ênfase muda de “o que Cristo fez por nós” para “o que o Espírito faz em nós”. E isso não anula a graça — a confirma.

Libertos da Escravidão do Pecado (Rm 6.1–14)

1 Que diremos, então? Continuaremos no pecado, para que a graça aumente ainda mais?
2 De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós, que já morremos para ele?
3 Ou será que vocês ignoram que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
4 Fomos sepultados com ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida.
5 Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
6 sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado.
7 Pois quem morreu está justificado do pecado.
8 Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele.
9 Sabemos que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele.
10 Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; mas, quanto a viver, vive para Deus.
11 Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
12 Portanto, não permitam que o pecado reine em seu corpo mortal, fazendo com que vocês obedeçam às suas paixões.
13 Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça.
14 Porque o pecado não terá domínio sobre vocês, pois vocês não estão debaixo da lei, e sim da graça.
“Que diremos, então? Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma!” (Rm 6.1)
Paulo responde de forma contundente a uma distorção do evangelho: a ideia de que a graça tolera o pecado.
Ele declara: morrer para o pecado é a marca do novo nascimento.
Assim como Cristo morreu e ressuscitou, também nós morremos com Ele para o pecado e ressuscitamos para uma nova vida.
De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós, que já morremos para ele? (Rm 6.1-2
Morrer muda radicalmente a situação legal. Morrer é libertação. “Morremos para o pecado!” é um grito de liberdade.

🔍 Destaques teológicos:

União com Cristo (vv.3-5): O batismo é apresentado como símbolo da morte e ressurreição com Cristo. Isso é mais que ritual: é identidade espiritual.
Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
Quebra do domínio do pecado (v.6): O “velho homem” foi crucificado. Não se trata de esforço humano, mas de obra espiritual com implicações práticas.
sabendo isto: que a nossa velha natureza foi crucificada com ele, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sejamos mais escravos do pecado.
O chamado a viver como vivos dentre os mortos (v.11-13): Paulo não diz apenas “não pequem”, mas “ofereçam-se a Deus”. É uma vida de entrega, não de inércia. Se outrora desonrávamos a Deus com nossas práticas, agora mediante a graça, nosso corpo se torna um instrumento de justiça.
Assim também vocês considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus.
Portanto, não permitam que o pecado reine em seu corpo mortal, fazendo com que vocês obedeçam às suas paixões.
Também não ofereçam os membros do corpo ao pecado, como instrumentos de injustiça, mas, como pessoas que passaram da morte para a vida, ofereçam a si mesmos a Deus e ofereçam os seus membros a Deus, como instrumentos de justiça.
Existe uma diferença entre a vida de ressuscitado do próprio Senhor e a vida dos seus. “Seremos semelhantes a ele”, mas ainda não o somos (1 Jo 3:2). Ainda precisamos esperar, gemendo pela redenção do nosso corpo (Rm 8:11,22,23). Esse “ainda não” é admitido de forma sóbria e honesta.
Enquanto o pecado trouxe desordem, a graça nos coloca em uma nova ordem estrutural interna (vs 14): É somente sob a ordem da graça que a vida obtém êxito. É somente entre pessoas livres que o imperativo tem sentido.
Porque o pecado não terá domínio sobre vocês, pois vocês não estão debaixo da lei, e sim da graça.

💡 Aplicações práticas:

A graça não é licença para viver uma vida leviana, mas empoderamento para viver em novidade de vida.
O pecado não é mais seu senhor. Se você está em Cristo, há autoridade espiritual para dizer não ao velho padrão.
Precisamos nos perguntar: em que áreas da minha vida estou agindo como alguém ainda escravo?
Oferecer-se a Deus envolve agenda, hábitos, corpo, palavras, pensamentos.

Livres para Servir a Deus (Rm 6.15–23)

15 E então? Havemos de pecar porque não estamos debaixo da lei, e sim da graça? De modo nenhum!
16 Será que vocês não sabem que, ao se oferecerem como servos para obediência, vocês são servos daquele a quem obedecem, seja do pecado, que leva à morte, ou da obediência, que conduz à justiça?
17 Mas graças a Deus que, tendo sido escravos do pecado, vocês vieram a obedecer de coração à forma de doutrina a que foram entregues.
18 E, uma vez libertados do pecado, foram feitos servos da justiça.
19 Falo em termos humanos, por causa das limitações de vocês. Assim como ofereceram os seus membros para que fossem escravos da impureza e da maldade que leva à maldade, assim ofereçam agora os seus membros para que sejam servos da justiça para a santificação.
20 Porque, quando vocês eram escravos do pecado, estavam livres em relação à justiça.
21 Naquele tempo, que frutos vocês colheram? Somente as coisas de que agora vocês se envergonham. Porque o fim delas é morte.
22 Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, o fruto que vocês colhem é para a santificação. E o fim, neste caso, é a vida eterna.
23 Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
“Quando vocês eram escravos do pecado, estavam livres da justiça. Mas agora, libertos do pecado e feitos servos de Deus, têm como fruto a santificação…” (Rm 6.20,22)
A linguagem aqui é provocadora: todos servem a algo ou a alguém. A verdadeira liberdade não é “fazer o que quiser”, mas ser livre do pecado para viver o propósito de Deus.

🔍 Destaques teológicos:

Dois senhores: pecado → morte; obediência → justiça (v.16).
Será que vocês não sabem que, ao se oferecerem como servos para obediência, vocês são servos daquele a quem obedecem, seja do pecado, que leva à morte, ou da obediência, que conduz à justiça?
Transformação interior (v.17): “obedeceram de coração” à doutrina. Não é apenas mudança de comportamento, mas de afeto e vontade.
Mas graças a Deus que, tendo sido escravos do pecado, vocês vieram a obedecer de coração à forma de doutrina a que foram entregues.
Santificação e eternidade (v.22): o fim dessa nova jornada não é vergonha ou destruição, mas santificação e vida eterna.
Naquele tempo, que frutos vocês colheram? Somente as coisas de que agora vocês se envergonham. Porque o fim delas é morte.
Salário ou Dom gratuito? (vs 23): salário do pecado → morte; dom gratuito de Deus → vida eterna. Essa é uma das declarações mais poderosas da epístola.
Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.
O pecado “paga salário” – e é sempre destruição. Salário é aquilo que merecemos por aquilo que fazemos. O salário é o que nos é devido! O pecador merece a morte; ela é seu justo salário
Mas Deus não paga: Ele . Seu dom é a vida eterna. A palavra grega charisma, “dádiva”, por sua vez, significa a retribuição totalmente livre e imerecida.
Deus nos dá não salário, mas algo melhor e muito mais generoso: por sua graça, ele nos dá a vida eterna como livre dom – a vida eterna que nos pertence por nossa união com Cristo.
E essa vida já começou — nela somos libertos para amar, servir e caminhar como novas criaturas.
Ao fim, então, temos duas vidas e dois destinos.
Aqueles que seguem pela estrada da autogratificação terão como destino final a morte espiritual, física e eterna;
mas os que são crucificados com Cristo, morrem com ele, são sepultados e ressuscitam com ele para uma nova vida, recebem um dom glorioso, a vida eterna.

💡 Aplicações práticas:

O discipulado cristão é um chamado a viver como servo voluntário de Deus.
O serviço a Deus não é peso, é fruto de gratidão e de identidade.
Onde está o nosso serviço prático hoje? Estamos vivendo como servos do Reino ou como consumidores de bênçãos?
A escravidão do pecado nos leva à morte, mas a servidão a Deus nos transforma e dá propósito.

🔥 Exortação Pastoral-Profética:

Igreja, não banalize a graça.
Não aceite viver como quem ainda está em cadeias.
Há poder na cruz e na ressurreição para vivermos como verdadeiramente livres!
Você foi liberto para servir. Servir é a expressão da liberdade no Reino.
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