O Cego Bastimeu

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Aqui temos um contraste com o que aconteceu nos versículos anteriores, onde Tiago e João pediram por um lugar de glória no reino. Jesus lhes respondeu: “Não sabeis o que pedis” (v. 38). E completou:
Quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. Pois o próprio Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos. (Marcos 10:43-45)
Mas agora chega diante de Jesus um cego que não estava buscando exaltação, ele só queria enxergar.
stamos no final do capítulo 10 de Marcos. O capítulo 11 começa com a entrada de Jesus em Jerusalém. O momento de o Senhor se tornar o cordeiro sacrificial estava muito próximo. Ele estava indo a Jerusalém pela última vez, conforme ele disse em Marcos 10: 32-34.
Estava chegando a hora de Jesus enfrentar uma enorme onda de ódio dos líderes de Israel e a rejeição final de Israel. A multidão superficial que o aclamaria como rei na entrada de Jerusalém, foi a mesma que, poucos dias depois, bradaria por sua execução.
Israel entraria na maior apostasia de sua história: rejeitou, odiou e matou o Messias. A morte de Jesus Cristo foi fruto de um plano predeterminado e eterno de Deus, mas não elimina a culpa de qualquer pessoa envolvida na rejeição do Messias.
A caminho de Jerusalém Jesus dá uma última parada em Jericó, onde acontecem duas maravilhosas histórias de salvação. Duas histórias que contrastam com a rejeição da nação e ódio dos líderes e do povo.
Uma é a história do cego Bartimeu (Marcos 10:46-52).
A outra é a história de Zaqueu, o cobrador de impostos, que também encontrou Jesus em Jericó (Lucas 19: 1-10).
Marcos 10: 46
“E foram para Jericó. Quando ele saía de Jericó, juntamente com os discípulos e numerosa multidão, Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho”
Ele chegou à cidade de Jericó conhecida como a cidade das palmeiras. Cerca de seis horas de caminhada morro acima até Jerusalém. Jericó tinha uma grande população por causa da disponibilidade de água. Era uma cidade bem conhecida dos judeus, marcada pela conquista registrada em Josué 6.
Com Jesus chegando a Jericó, e com tantos peregrinos passando por Jericó a caminho de Jerusalém, Zaqueu subiu em uma árvore para ver Jesus chegando (Lucas 19:4). A notícia da chegada de Jesus despertou uma multidão de curiosos.
A história em Marcos 10: 46-52 se concentra em um mendigo cego sentado à beira da estrada, chamado Bartimeu.
A cegueira era o seu problema. Foi isso que fez dele um mendigo. Não sabemos se ele nasceu cego, como aquele cego de nascença que Jesus havia curado (João 9) ou se a cegueira veio sobre ele depois.
Na teologia do judaísmo apóstata, um cego estava sob julgamento divino. Era uma punição de Deus. Em João 9, os discípulos perguntaram a Jesus sobre o cego de nascença: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2).
Então aqui está um homem cego condenado ao ostracismo, visto como uma pessoa amaldiçoada. Quando Jesus chamou os fariseus de líderes cegos (Mateus 23: 16-17, 19, 24) isso foi uma ofensa severa para eles, porque os cegos eram considerados amaldiçoados.
Mateus nos conta que havia outro cego nesta cena (Mateus 20:30). Marcos se concentra apenas em um deles, Bartimeu, filho de Timeu (Marcos 10:46). E Lucas também se concentra apenas em um (Lucas 18:35), sem falar o nome.
Um cego era visto como alguém abaixo dos pecadores impuros e degradados, era visto como amaldiçoado. Pior do que ser cego somente os cobradores de impostos. E a salvação de um homem visto como uma escória foi uma repreensão severa de Jesus contra o judaísmo apóstata.
Quando Bartimeu sentiu um grande movimento perguntou o que estava acontecendo, quando foi informado que Jesus, o nazareno, passava por ali (Lucas 18: 36-37).
Outros homens de Nazaré já haviam passado por ali a cominho de Jerusalém. Mas Bartimeu teve a percepção de que Jesus não era apenas mais um que passava ali.
Marcos 10 47 e, ouvindo que era Jesus, o Nazareno, pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim! 48 E muitos o repreendiam, para que se calasse; mas ele cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!
Ele grita: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”. O verbo grego traduzido como gritar é uma palavra muito forte. É usado em Marcos 5 para falar de epilépticos insanos, pessoas possuídas por demônios. É usado também nas Escrituras para falar das dores de parto e os gritos de uma mulher (Apocalipse 12).
Ele gritou de angústia e desespero, e não disse: “Jesus de Nazaré”, mas: “Jesus, filho de Davi”. “Jesus” quer dizer “Jeová Salva” e “Filho de Davi” é um título messiânico. Ele cria que era o Messias, o herdeiro do trono de Davi (2 Samuel 7).
O Messias receberia o reino que havia sido prometido a descendência de Davi. O filho maior de Davi seria o Rei que traria o cumprimento de todas as promessas tanto a Davi quanto a Abraão.
Este era o título judaico mais comum para o Messias: “Filho de Davi”. Quando Jesus foi recebido inicialmente como rei em Jerusalém, Ele foi chamado de “Filho de Davi” (Mateus 21: 9, 15-16).
Filho de Davi é o título messiânico em sua forma mais pura. Por isso o anjo disse a Maria:
Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. (Lucas 1:31-33)
Bartimeu estava reconhecendo Jesus como o Messias. E lhe faz um pedido aos gritos: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!”.
E, a propósito, para mostrar como ele era tratado naquela sociedade, seu grito não desperta nenhuma simpatia da multidão. Ele foi repreendido severamente pela multidão, que pedia para que ele se calasse. Ele era um incômodo.
Eles desprezavam os cegos e mendigos como párias. Mas isso não teve nenhum efeito sobre ele. Ele persistiu em gritar.
Ele creu em tudo o que ouviu sobre Jesus, e ouviu o suficiente para crer que Ele era o Messias. Ele sabia que era um pecador e ainda vivia sob o rótulo de ser um amaldiçoado. Ele precisava de misericórdia e lutou por essa misericórdia. Ele sabia que Jesus era o Messias, e, portanto, misericordioso.
O que o cego enxergou em Jesus é o que todo pecador precisa enxergar. Jesus como uma fonte de misericórdia e clamar a Ele por misericórdia. Só quem clama por misericórdia a Deus é quem enxergar a sua real situação e sabe que não merece nada do Senhor.
Sua fé havia subido ao nível mais alto, seu coração viu a luz antes mesmo que seus olhos se abrissem. Seu coração tinha visto Jesus antes mesmo de seus olhos pudessem ver.
Ele foi uma figura muito parecida com o publicano, que não ousava levantar os olhos ao céu, batia no peito e dizia: “Ó Deus, tem misericórdia de mim, um pecador” (Lucas 18:13). Ele cria que a misericórdia de Deus viria até ele através do Messias que era Jesus. Havia nele uma fé genuína em Cristo.
A reaação garciosa de Jesus
Marcos 10 49 Parou Jesus e disse: Chamai-o. Chamaram, então, o cego, dizendo-lhe: Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama. 50 Lançando de si a capa, levantou-se de um salto e foi ter com Jesus.
Enquanto as pessoas pediam para Bartimeu calar-se, Jesus o chamou para perto de si. De repente a multidão muda o tom e diz a Bartimeu: “Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama”.      
Marcos 10 51 Perguntou-lhe Jesus: Que queres que eu te faça? Respondeu o cego: Mestre, que eu torne a ver.
Pouco tempo atrás João e Tiago disseram a Jesus que queriam lhe fazer um pedido. Jesus perguntou a eles: “Que quereis que eu faça?” E eles responderam pedindo exaltação, um lugar de destaque no reino (Marcos 10: 35-37). Jesus respondeu:
Não sabeis o que pedis […] quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será servo de todos. (Marcos 10: 38, 43-44)
Bartimeu, em atitude totalmente diferente, sabia que não era digno de nada, e pede a misericórdia de Jesus, para que pudesse ver.
Bartimeu chama Jesus de Mestre. A palavra grega traduzida como “Mestre” tem o sentido de reconhecimento de Jesus como seu Mestre e seu Senhor.
Ao demonstrar sua compaixão, humildade, ternura, bondade, afeição, graça e misericórdia, o Rei voltou-se para um mendigo cego, tido como amaldiçoado ou uma escória da sociedade, e teve uma atitude de servo: pergunta o que Bartimeu queria pedí-lo.
O mendigo pediu para que Jesus lhe desse visão. De acordo com Lucas 18:42, Jesus disse: “Recupera a tua visão; a tua fé te salvou”. Mateus 20:34 diz que Jesus tocou em seus olhos.
Marcos 10 52 Então, Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.
Lucas 18 42 Recupera a tua visão; a tua fé te salvou, 43 Imediatamente, tornou a ver e seguia-o glorificando a Deus. Também todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus.
Aqui há uma conversão. Ele reconhecia a Jesus como seu Senhor, mestre e Messias. Ele sabia que era um pecador necessitado de misericórdia. Ele sabia que estava diante de quem concede a misericórdia que ele precisava.
Não houve ali apenas uma cura. Foi muito mais que isso. Jesus disse: “Vai; a tua fé te salvou”. A palavra grega traduzida como “salvou” é uma palavra que engloba cura e salvação, não apenas cura. E imediatamente Bartimeu seguiu a Jesus.
A evidência da cura é óbvia: “Ele tornou a ver”. A evidência da salvação também é óbvia: “imediatamente ele passou a seguir Jesus”. Mateus 20:34 diz que o outro cego curado também passou a seguir Jesus imediatamente. Bartimeu seguia Jesus pelo caminho, glorificando a Deus. Ele se tornou um adorador.
Um homem que não podia ir a lugar nenhum, era um mendigo porque não podia ver, não tinha esperança a menos que Cristo viesse a ele. Esta é a imagem de todo pecador e de sua única esperança.
Jesus foi para as terras baixas de Jericó, para chamar para o reino dois tipos de pessoas rejeitadas: um cobrador de impostos e dois cegos. Foram eventos realmente impressionantes.
E o povo viu tudo. E, de acordo com Lucas 18:43, dava louvores a Deus. A cura dos cegos certamente contribuiu para o reconhecimento passageiro de rei que Jesus teve ao entrar em Jerusalém logo em seguida.
Tantas lições aqui. Você vê a profunda compaixão do Senhor. Você vê que Ele nunca ignora o clamor de um verdadeiro coração arrependido; e pecadores desesperados que sabem que não são dignos de nada sempre serão ouvidos por Ele.
Você aprende novamente o que vimos durante todo o Seu ministério, que Ele tem o poder de curar doenças. Mas muito mais importante, Ele tem o poder de salvar os pecadores, transformá-los em seguidores obedientes que vivem uma vida de verdadeira adoração.
É por isso que estamos aqui agora, porque fomos atraídos por Jesus em algum lugar ao longo da estrada em nossas vidas. Em nossa cegueira, em nosso desespero, Ele passou, e nossos corações foram despertados, e clamamos: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim”.
E Ele ouviu nosso clamor. E tudo isso é possível porque Ele foi até Jerusalém, até a cruz e saiu do outro lado do túmulo aberto.
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