Santa Convocação!
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Joel 2:12-17
Deus não apenas chama seu povo a voltar-se para ele, mas detalha como deve ser essa volta. Ele não apenas dá o diagnóstico da doença do povo, mas lhe oferece o remédio da cura.
Grande e verdadeiro é o mistério do milagre da GRAÇA, pois o ofendido é aquele que busca a restauração do ofensor; o ofendido é quem convida o transgressor a renunciar sua desobediência.
João Calvino quando lê esse texto, enfatiza o fato de que Joel não está falando no próprio nome, mas falando em nome do próprio Deus.
Assim, ao introduzir o próprio Deus como aquele que fala, torna o seu discurso ainda mais grave e mais urgente.
O povo de Deus é como o filho pródigo que precisa voltar ao lar do Pai celestial.
Não basta cair em si, é preciso voltar para casa.
Gostaria de convidá-los a abrir seu entendimento e seu coração para uma mensagem que Deus tem colocado com grande urgência em nosso espírito.
Uma mensagem de chamado, um despertar para algo maior que Ele deseja fazer em nosso meio.
O tema que norteará nossa meditação hoje é: "Santa Convocação: Um Chamado ao Jejum e à Oração para Invocar a Presença de Deus".
Introdução: O Legado das Convocações Solenes
Introdução: O Legado das Convocações Solenes
Ao percorrermos as Escrituras Sagradas, encontramos momentos cruciais na história do povo de Deus onde uma convocação solene para o jejum e a oração não foi apenas uma sugestão, mas uma necessidade divina que alterou destinos.
Lembremo-nos do profeta Joel, que, diante de uma calamidade sem precedentes, uma praga de gafanhotos que devastava a terra, bradou da parte de Deus: "Toquem a trombeta em Sião, proclamem um santo jejum, convoquem uma assembleia solene" (Joel 2:15). A nação inteira, dos anciãos às crianças de peito, se reuniu em arrependimento e clamor. E qual foi o resultado? Deus se compadeceu, removeu o juízo e derramou uma bênção tão grande que não havia onde guardá-la, prometendo derramar do Seu Espírito sobre toda a carne (Joel 2:18-29).
Pensemos também em Ester, a rainha que, diante de um decreto de extermínio contra seu povo, não confiou em sua beleza ou posição. Ela declarou: "Vá, reúna todos os judeus que estão em Susã, e jejuem por mim. Não comam nem bebam nada durante três dias, nem de noite nem de dia. Eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei falar com o rei, ainda que seja contra a lei; e, se eu tiver de morrer, morrerei" (Ester 4:16). Aquele jejum coletivo moveu a mão de Deus de forma extraordinária, transformando um decreto de morte em uma retumbante vitória para o povo judeu.
E como não mencionar a cidade de Nínive? Uma cidade pagã, mergulhada em sua maldade, mas que ao ouvir a pregação de Jonas, desde o rei até o menor dos cidadãos, se cobriu de pano de saco e cinzas, proclamando um jejum e clamando a Deus por misericórdia. O resultado foi um dos maiores avivamentos da história, pois a Bíblia diz: "Deus viu o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho, e Deus se arrependeu do mal que tinha dito que lhes faria e não o fez" (Jonas 3:10).
Esses relatos não são meras histórias do passado, irmãos.
São um testamento do poder que se manifesta quando o povo de Deus se une em um propósito, humilhando-se através do jejum e da oração.
E é a este mesmo tipo de convocação que o Espírito Santo nos chama hoje.
Por Que Devemos Atender a Esta Santa Convocação?
Por Que Devemos Atender a Esta Santa Convocação?
Alguém pode se perguntar: "Pastor, por que agora? Por que um jejum e uma oração coletiva?". A resposta está na própria Palavra de Deus, que nos apresenta motivos claros e poderosos.
1. Para Despertamento e Arrependimento (Joel 2:12-13)
O primeiro motivo é um chamado ao nosso próprio coração.
O profeta Joel, no mesmo texto da convocação, registra a voz de Deus: “Ainda assim, agora mesmo, diz o SENHOR, convertam-se a mim de todo o coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasguem o coração e não as suas roupas.”
O jejum, antes de ser um ato para mover a mão de Deus, é um ato que posiciona o nosso coração.
Vivemos em tempos de distração, de um evangelho por vezes superficial.
Esta convocação é uma oportunidade para rasgarmos nossos corações, para nos arrependermos de nossa mornidão, de nossa autossuficiência e nos convertermos genuinamente ao Senhor.
2. Para Buscar Direção e Clareza Divina (Esdras 8:21-23)
Quando Esdras estava para conduzir o povo de volta do exílio para Jerusalém, carregando tesouros preciosos, ele se viu diante de uma jornada perigosa.
Ele poderia ter pedido uma escolta militar ao rei, mas sua fé o levou a outro caminho.
Ele relata: “Então, ali perto do rio Aava, proclamei um jejum, para que nos humilhássemos diante do nosso Deus, a fim de lhe pedirmos uma boa viagem para nós, para os nossos filhos e para tudo o que era nosso... Nós jejuamos e pedimos isso ao nosso Deus, e ele nos atendeu.”
A igreja, assim como aquele povo, está em uma jornada e enfrenta perigos.
Precisamos da direção clara de Deus para nossas famílias, para nosso ministério, para o futuro que Ele tem para nós.
O jejum e a oração afiam nossa sensibilidade espiritual para ouvirmos a Sua voz e seguirmos pelo caminho seguro que Ele nos aponta.
3. Para Guerra Espiritual e Libertação (Mateus 17:21)
Após os discípulos falharem em expulsar um demônio que atormentava um jovem, eles perguntaram a Jesus o porquê.
A resposta de Cristo é um princípio espiritual fundamental.
Em muitas traduções, e no contexto que a NAA nos apresenta, Jesus ensina sobre o poder da fé, mas em manuscritos importantes Ele acrescenta: “[Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.]”
Há fortalezas espirituais, amarras em nossas vidas, em nossas famílias e em nossa cidade que não serão quebradas com orações rotineiras.
Elas exigem um nível mais profundo de consagração e guerra espiritual.
Este jejum é uma convocação para pegarmos as armas da nossa milícia, que são poderosas em Deus, para destruir fortalezas (2 Coríntios 10:4) e vermos a libertação que só o poder de Deus pode operar.
Como Podemos Chamar a Presença de Deus?
Como Podemos Chamar a Presença de Deus?
Convocados estamos, mas como, na prática, podemos atrair a manifestação gloriosa da presença de Deus em nosso meio? A Bíblia novamente nos dá o mapa.
1. Através da Humildade Sincera
A presença de Deus habita em um lugar específico.
Isaías 57:15 nos diz onde: “Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e humilde de espírito, para vivificar o espírito dos humildes e vivificar o coração dos contritos.”
Humilhar-se é reconhecer nossa total dependência d'Ele.
É esvaziar-se de nosso orgulho, de nossas próprias forças e dizer: "Senhor, sem Ti, nada podemos fazer".
2. Pela Unidade do Corpo de Cristo
O Salmo 133 pinta um quadro belíssimo: “Oh! Como é bom e agradável que os irmãos vivam em união! ... Ali o SENHOR ordena a sua bênção e a vida para sempre.”
A presença manifesta de Deus floresce em um ambiente de unidade, perdão e amor fraternal.
Onde há divisão, fofoca e ressentimento, o Espírito Santo se entristece.
Esta convocação é também um chamado para nos acertarmos uns com os outros, para vivermos em união, pois é nesse lugar que o Senhor ordena a bênção.
3. Com Adoração Extravagante e Sacrifício de Louvor
Quando o Rei Salomão dedicou o templo, o povo adorou e ofereceu sacrifícios.
A resposta de Deus foi imediata e poderosa.
2Crônicas 7:1 diz: “Tendo Salomão acabado de orar, desceu fogo do céu e consumiu o holocausto e os sacrifícios; e a glória do SENHOR encheu o templo.”
Nossa adoração não pode ser protocolar.
Deve ser extravagante, um verdadeiro sacrifício de louvor (Hebreus 13:15), fruto de lábios que confessam o Seu nome com alegria e gratidão, independentemente das circunstâncias.
É essa adoração que atrai o fogo e a glória de Deus.
4. Buscando a Sua Face, Não Apenas Suas Mãos
Por fim, o motivo da nossa busca deve ser puro.
Muitas vezes, buscamos a Deus pelo que Ele pode nos dar – a bênção, a cura, a provisão. São as Suas mãos.
E não há nada de errado nisso.
Mas um chamado mais profundo é buscar a Sua face.
O Salmista declarou em Salmos 27:8: “Ao meu coração me ocorre: ‘Busquem a minha face.’ Buscarei, pois, SENHOR, a tua face.”
Buscar a face de Deus é buscar a Ele por quem Ele é.
É desejar o Deus da bênção mais do que a bênção de Deus.
Quando nosso maior anseio é simplesmente estar com Ele, Sua presença se torna uma consequência inevitável e gloriosa.
Conclusão
Conclusão
Igreja amada, a trombeta está soando em Sião. Não é a minha voz, mas a voz do Espírito Santo que nos convoca para esta jornada de jejum e oração. Não por ritualismo, mas por uma fome desesperada por mais de Deus.
Eu os convoco a se juntarem a mim. Vamos separar os próximos dias para nos humilharmos, para nos unirmos, para adorarmos e para buscarmos a Sua face como nunca antes. Vamos deixar de lado o que é supérfluo e nos banquetearmos na Sua Palavra e na Sua presença.
Que possamos, ao final deste período, olhar para trás e dizer como o povo no tempo de Esdras: "Nós jejuamos e pedimos isso ao nosso Deus, e ele nos atendeu." Que a glória do Senhor encha este templo, encha nossas casas e transborde de nossas vidas para esta cidade.
Quem atende a este chamado? Quem tem fome e sede da presença de Deus? Coloque-se de pé e vamos juntos, em oração, dar o primeiro passo nesta santa convocação.
Oremos.
