A Visão que Sustenta o Movimento
Igreja em Movimento • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução:
Quem você é diante das tempestades?
No Titanic tem duas figuras bem claras ali, o publico em geral, que está desesperado vendo o barco afundar, e os tocadores de violinos, que contunuam tocando até o ultimo momentos.
Nesta noite, em Atos 7, vemos exatamente essas duas reações. De um lado, uma multidão furiosa, de olhos e ouvidos fechados. Do outro, um homem, Estevão, que em meio à mais violenta tempestade da sua vida, abre os olhos e vê algo que muda tudo. A história de Estevão nos pergunta: no meio das tempestades da nossa vida e do nosso tempo, para onde estamos olhando? A visão que temos é o que, em última análise, sustentará o nosso movimento
Você conhece gente que usa óculos provavelmente, mas tem pessoas que veem a vida a partir de lentes que distorcem a realidade.
1: OLHOS FECHADOS: O Perigo de Ignorar os Céus Abertos (Atos 7:51, 54, 57)
1: OLHOS FECHADOS: O Perigo de Ignorar os Céus Abertos (Atos 7:51, 54, 57)
(Foco teológico: A anatomia da resistência espiritual)
"O sermão de Estevão atinge seu clímax com uma acusação direta: 'Povo teimoso, de coração e ouvidos incircuncisos! Vocês são iguais aos seus antepassados: sempre resistem ao Espírito Santo!' (v. 51). A reação deles é visceral, física, uma completa rejeição da luz.
Vejam a anatomia dessa resistência no texto:
Coração Enfurecido: 'Ouvindo isso, ficaram furiosos em seus corações' (v. 54a). A verdade expôs a ferida, e em vez de cura, eles escolheram a raiva.
Dentes Rangendo: '...e rangiam os dentes contra ele' (v. 54b). Uma expressão de ódio impotente, a imagem de quem perdeu o argumento e apela para a agressão.
Ouvidos Tapados: 'Mas eles, gritando bem alto, taparam os ouvidos' (v. 57). Aqui está o ato deliberado de fechar-se para a verdade. Eles se recusam a ouvir mais.
Olhos Fechados para a Glória: A consequência lógica é que, enquanto Estevão vê os céus abertos, eles só veem o homem que os ofendeu. Eles fecharam os olhos para a revelação de Deus.
Isso é a concretização do que o profeta Isaías descreveu e que Jesus citou: um povo que 'ouve, mas não entende; vê, mas não percebe' (Isaías 6:9-10). O teólogo Dietrich Bonhoeffer, em suas cartas da prisão, refletiu sobre a 'estupidez' como um inimigo mais perigoso que a malícia, pois é uma recusa teimosa em ver a realidade. A resistência ao Espírito Santo nos torna espiritualmente estúpidos, cegos e surdos para o movimento de Deus.
Aplicação no Dia a Dia: Onde nós 'tapamos os ouvidos' hoje? Quando a Palavra nos confronta sobre um pecado de estimação? Quando somos desafiados a amar um inimigo ou a perdoar? Quando nos recusamos a enxergar as injustiças ao nosso redor porque é mais confortável? Ao fechar os olhos para os desafios que Deus coloca diante de nós, corremos o risco de não perceber os céus abertos sobre nós. A indiferença e a raiva nos cegam para a glória de Deus.
2: OLHOS ABERTOS: A Visão que Permite Enfrentar as Pedras (Atos 7:55-56)
2: OLHOS ABERTOS: A Visão que Permite Enfrentar as Pedras (Atos 7:55-56)
(Foco teológico: A perspectiva celestial em meio ao sofrimento terrestre)
"Em absoluto contraste com a multidão de olhos fechados, o texto diz: 'MAS ESTÊVÃO...' (v. 55). Esse 'mas' é uma das conjunções mais poderosas da Bíblia. Ele vira o jogo.
'Mas ele, cheio do Espírito Santo, levantou os olhos para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus em pé, à direita de Deus. E disse: Vejo os céus abertos e o Filho do Homem em pé, à direita de Deus'.
A visão não o livrou das pedras, mas o sustentou debaixo delas. O que ele viu?
Céus Abertos: Uma fresta na realidade terrena, mostrando que este mundo não é tudo o que existe. Há uma realidade maior, governada por Deus.
A Glória de Deus: O peso, a majestade, a beleza do Criador, que coloca o sofrimento momentâneo em sua devida perspectiva.
Jesus em Pé: Este é o detalhe teológico crucial. Em toda parte do Novo Testamento, Jesus ressurreto está assentado à direita de Deus (Hebreus 1:3, Colossenses 3:1), uma posição de obra consumada e autoridade real. Mas aqui, Ele está de pé. Por quê? Ele se levanta para honrar Seu servo. Ele se levanta como Advogado de defesa. Ele se levanta para acolher o primeiro mártir da Igreja. Ele está ativo, engajado e pessoalmente envolvido no sofrimento de Estevão.
Esta é a essência de Hebreus 12:2: 'tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé'. A capacidade de suportar a cruz, de desprezar a vergonha, vem de olhar para Jesus. É o que Paulo descreve em 2Coríntios 4:17-18: nossa 'leve e momentânea tribulação' produz um 'eterno peso de glória', enquanto não atentamos nas coisas que se veem, mas nas que não se veem.
Quais são as 'pedras' que vêm contra você hoje? Críticas, doenças, dificuldades financeiras, traições? A tentação é olhar para as pedras e para quem as atira. O chamado de Estevão para nós é: levante os olhos! Em meio ao caos, fixe os olhos em Jesus. Veja-O de pé por você. Essa visão não elimina a dor, mas dá a ela um propósito e um limite.
3: OLHOS NO DESTINO: A Esperança que Resgata e Envia (Atos 7:59-60)
3: OLHOS NO DESTINO: A Esperança que Resgata e Envia (Atos 7:59-60)
(Foco teológico: A certeza do destino final como combustível para a vida presente)
Com essa visão firmada em sua mente, as ações finais de Estevão não são de desespero, mas de uma confiança serena. Ele se torna um reflexo perfeito de seu Mestre.
Ele entrega seu espírito: 'Senhor Jesus, recebe o meu espírito' (v. 59). Isso ecoa as palavras de Jesus na cruz: 'Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito' (Lucas 23:46). Isso não é um grito de derrota, mas uma declaração de transferência. Ele sabe para onde está indo e quem o está esperando.
Ele perdoa seus assassinos: 'Senhor, não lhes imputes este pecado' (v. 60). Novamente, ecoando Jesus: 'Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem' (Lucas 23:34). A visão celestial não o alienou da terra; pelo contrário, o capacitou a amar seus inimigos da forma mais radical possível.
A morte para o cristão não é um ponto final, mas um portão. Como Paulo diria, 'para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro' (Filipenses 1:21). A esperança cristã não é um talvez, mas uma certeza. Estevão não esperava que o céu fosse real; ele o viu. E essa certeza mudou a forma como ele morreu – e, portanto, como ele viveu até o último suspiro. Como disse C.S. Lewis: "Se você ler a história, descobrirá que os cristãos que mais fizeram por este mundo foram justamente aqueles que mais pensaram no outro".
Saber o final da história nos dá a coragem para viver os capítulos difíceis. Porque temos a certeza do nosso destino em Cristo, somos libertos do medo que paralisa o mundo. Essa esperança não nos torna passivos ('vamos apenas esperar o céu'), mas nos torna corajosos. Ela nos impulsiona a participar do movimento de Deus, a perdoar radicalmente, a amar sacrificialmente e a falar a verdade com ousadia, sabendo que o pior que este mundo pode nos fazer é nos enviar para casa mais cedo."
CONCLUSÃO E APELO
CONCLUSÃO E APELO
"Nesta noite, a história de Estevão nos confronta com uma escolha fundamental, uma escolha de visão.
Podemos ser como a multidão: de olhos fechados, tapando os ouvidos para a verdade de Deus, consumidos pela raiva e pelo medo, perdendo a chance de ver a glória. Ou podemos ser como Estevão, e escolher ter:
Olhos abertos para cima, fixos em Jesus, vendo a realidade celestial que governa a terrena.
Olhos abertos ao redor, para enfrentar as pedras e os desafios com a força que essa visão nos dá.
Olhos fixos no futuro, vivendo com a esperança inabalável do nosso destino eterno.
A visão de Estevão não foi um privilégio exclusivo para ele. É uma promessa para toda a Igreja. Deus deseja abrir os céus para nós. A pergunta é: estamos olhando?
O convite nesta noite é para um alinhamento de visão. Pare de olhar para as pedras. Pare de ranger os dentes para aqueles que te ferem. Peça ao Espírito Santo que faça o que só Ele pode fazer: abrir os olhos do seu coração para que você veja Jesus, de pé, por você. Essa é a visão que sustenta o movimento. Essa é a visão que nos levará para casa."
