Para Vencer o Pecado e a Tentação - Introdução

Para Vencer o Pecado e a Tentação  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Owen nasceu na Inglaterra em 1616, no mesmo ano em que Shakespeare morreu e quatro anos antes de os peregrinos partirem para a Nova Inglaterra. Isso está virtualmente no meio do grande século puritano (aproximadamente de 1560 a 1660). Owen nasceu no meio desse movimento e tornou-se seu maior pastor-teólogo, quando o movimento terminou quase simultaneamente com sua morte em 1683.
Seu grande objetivo foi a santidade: “Espero sinceramente ter o desejo do meu coração para com Deus e com o principal desígnio da minha vida. . . que a mortificação e a santidade universal possam ser promovidas em meu próprio coração e nos caminhos dos outros, para a glória de Deus, para que assim o evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo possa ser adornado em todas as coisas”.
Escrevendo uma carta durante uma doença em 1674, Owen disse a um amigo: “Cristo é nosso melhor amigo, e logo será nosso único amigo. Eu oro a Deus com todo o meu coração para que eu possa estar cansado de todo o resto, exceto de minhas conversas e comunhão com Ele”. Deus estava usando a doença e todas as outras pressões da vida de Owen para levá-lo à comunhão com Deus e não para longe dele.
A última coisa que Owen estava fazendo, quando o fim de sua vida se aproximava, era a comunhão com Cristo em uma obra que mais tarde foi publicada como Meditações sobre a Glória de Cristo. Seu amigo William Payne estava ajudando-o a editar o trabalho. Perto do final, Owen disse: “Ó, irmão Payne, o tão desejado dia chegou finalmente, no qual verei a glória de uma maneira diferente da que jamais vi ou poderia ver neste mundo”.
Conhecendo a si mesmo
Nesse livro Owen irá tratar de dois desafios sobre a natureza humana: a sua tentativa de apresentar uma visão holística da pessoa humana, e a sua crença de que diferenças de personalidade têm de ser consideradas ao se tratar com o pecado.
Envolvendo a pessoa como um todo
Aqui, apesar de Owen não usar os rótulos que estamos acostumados, ele está tratando de questões muito atuais, como a depressão, o vício, a apatia e a luxúria.
Uma das preocupações de Owen era que algumas pessoas reduziriam a luta contra o pecado a um problema centrado no corpo. Ele descreve isso como um erro monástico: crer que disciplinas rigorosas que impõem maior controle fisiológico diminuirão o pecado que existe numa pessoa. Para Owen o corpo era importante, mas era apenas o instrumento para o problema real.
Owen vai tratar do ser completo da pessoa falando dos três aspectos da alma: intelecto, emoção e vontade. Ele entendia que a humanidade havia sido criada originalmente sem pecado, e assim o seu intelecto voltava-se corretamente para o Criador e a sua criação, suas emoções amavam a Deus apropriadamente, e a sua vontade seguia a Deus. Mas com a queda, todas essas faculdades ficaram desordenadas. Mesmo ao serem redimidos por Deus, os crentes continuam a lutar com os vestígios permanentes do pecado que desorientam as suas capacidades, condição que persiste por toda vida terrena.
O pecado move-se arrastando o intelecto para longe de Deus, seduzindo as emoções, corrompendo os desejos e paralisando a vontade, impedindo assim o crescimento de todo cristão verdadeiro. Uma das verdades mais alarmantes que Owen quer que o crente reconheça é que o ‘seu inimigo não está apenas sobre você, mas também dentro de você’. Parte da compreensão da luta contra o pecado é ver que o inimigo não é somente exterior, mas interior, razão por que os crentes muitas vezes nutrem desejos conflitantes.
Para lidar com o pecado a pessoa inteira deve estar envolvida (razão, emoção e vontade).
O objetivo da vida cristã não é a conformidade exterior nem a ação impensada, mas o amor ardente por Deus consubstanciado pela mente e aceito pela vontade.
Falando por exemplo mais especificamente sobre as emoções… para responder à natureza pervertedora do pecado, é indispensável assentar as emoções na beleza e na glória de Deus, na amabilidade de Cristo e na maravilha do evangelho: “Se as nossas emoções se enchessem dessas coisas, as adotassem e as possuíssem, que acesso teria o pecado à nossa alma?” A resistência ao pecado, para Owen, não resulta do amortecimento das emoções (como acreditavam alguns teólogos influenciados pelo estoicismo), mas do despertar delas para o próprio Deus. Não procure esvaziar a sua taça como maneira de evitar o pecado; mas procure enchê-la com o Espírito de vida, para que não haja espaço para o pecado.
Levando em conta as personalidades
Analisando a pessoa como um todo, Owen percebeu que existem diferenças e semelhanças entre as pessoas. Nesse sentido, Owen era um psicólogo. A psicologia moderna de fato erra terrivelmente por reduz as pessoas a respostas comportamentais mecânicas, sem nenhuma referência a Deus. Mas é verdade que não podemos ser simplistas sobre a natureza humana. Precisamos considerar fatores importantes que Owen percebeu, como distinções psicológicas, contextos diferentes e impulsos socioeconômicos profundamente enraizados.
Owen tentava responder por exemplo a seguinte pergunta: como o pecado tenta as pessoas de diferentes maneiras?
Então esses estudos de Owen que vamos trabalhar aqui são como tentativas para se explorar a psicologia humana, tanto como afetada pelo pecado como renovada pelo Espírito. Então Owen convoca o tempo todos os seus leitores a entenderem seus próprios temperamentos, porque isso ajudaria a avaliar melhor como o pecado e a tentação surgem nas suas vidas. Ele reconhece, por exemplo, que algumas pessoas muito rudes por causa da vivência delas; ou são naturalmente gentis, e outras apaixonadas de mais. Então Owen nos desafia à conhecer a nossa própria constituição para lidar com nossos pecados. Ele diz:
Aquele que não se atenta completamente a isso, que não é exatamente habilitado no conhecimento de si mesmo, jamais se desvencilhará de uma tentação ou outra, todos os seus dias.
Então, para Owen, todo temperamento está sujeito à alguma tentação. Por exemplo, aqueles que são naturalmente pessoas gentis e agradáveis podem ter dificuldade em se afastar com coragem e ousadia de pessoas que se comportam pecaminosamente, e podem acabar se envolvendo no pecado delas por medo de desagradá-las. Ou pessoas rudes podem se achar muito “autênticas” ou “sinceras”, quando na verdade são arrogantes, críticas demais e mal educadas.
Todos nós temos “concupiscências peculiares” em razão da nossa constituição particular, educação ou preconceito. Satanás tende a nos atacar de acordo com nossa personalidade particular, assaltando o confiante de modo diferente do que assalta o ansioso. Por isso, temos de conhecer as nossas disposições, porque fazendo assim estaremos mais preparados para nos desviarmos das flechas furtivas que nos são atiradas.
Um perigo persistente entre os cristão é que confundimos certar personalidades com santificação, criando uma hierarquia equivocada. Owen entendia que, por causa dos nossos vários contextos e temperamentos, é muito difícil discernir quem são os cristãos mais fiéis, já que as aparências podem enganar.
Lembre-se, o que se sabe e se vê de muitos dos melhores cristãos é o pior. Com frequência, muitos dos que mantêm comunhão preciosa com Deus, graças às suas disposições naturais ou paixões, não portam natureza tão gloriosa quanto outros.
Nesta vida, não há como escapar dos desafios da tentação, então todos - jovens e velhos, pastores e membros, pobres e ricos, sábios e tolos - devem se empenhar na luta contra o pecado.
Inteire-se do seu próprio coração: embora profundo, perscrute-o; embora tenebroso, sonde-o
Não justifique o seu pecado, antes procure reconhecê-lo para que possa enfrentar com toda sua força. Os cristão são convocados a travar guerra contra esse inimigo, sabendo que só haverá duas opções: “Continue matando o pecado, ou ele continuará matando você”.
Conhecendo a Deus
Apesar de toda essa ênfase, o objetivo de Owen não era fazer com que as pessoas fiquem focadas nos seus pecados, mas que elas aceitem a redenção consumada em Cristo. A meta não é o desespero, mas a liberdade para aquilo que Owen chama sempre de “obediência do evangelho”. A obediência corretamente entendida é sempre uma resposta ao amor de Deus.
Então o crente precisa meditar sobre Deus e com Deus. Ou seja, se relacionar com Deus. O objetivo de Owen é fazer com que os crentes conhecem seus pecados e os leve para o evangelho, para encontrarem perdão e restauração. Que o crente observando seus pecados pense em Deus e diga:
Que amor, que misericórdia, que sangue, que graça tenho eu desprezado e esmagado sob os pés! É assim que retribuo ao Pai por seu amor; ao Filho, por seu sangue; ao Espírito por sua graça?”
Os cristãos posicionam-se à sobre da cruz. É por meio dessa comunhão que somos capacitados a resistir ao pecado e à tentação.
Que a alma, para a comunhão com Cristo, exercite-se nas boas coisas do evangelho - perdão de pecados, frutos de santidade, esperança da glória, paz com Deus, alegria no Espírito Santo, domínio do pecado - e terá uma poderosa salvaguarda contra todas as tentações.
A Obra da Santificação
Assim, Owen nos ensina que a santificação é uma obra do Espírito Santo. O que nos transforma verdadeiramente não são programas de autoajuda ou regras disciplinares. A mortificação do pecado é o dom de Cristo aos crentes, dado pelo Espirito de Cristo. Nossos esforços à parte do Espírito não trazem santificação, mesmo que produza mudança de comportamento.
Deus opera a santificação em nós. Não quer dizer que a gente não aja, mas que nós agimos, porque ele age em nós. Não devemos ser passivos, mas vivemos em atividade capacitados pelo poder do Espirito da vida.
Imagine um homem que luta com pensamento sexuais impróprios a respeito de uma de suas colegas de trabalho. Nesse caso, com o que se parece a santidade? Os cristãos têm muitas vezes uma visão truncada da santificação, muito distanciada da verdadeira retidão. Embora seja bom que esse homem decida não olhar mais essa mulher como objeto de lascívia, essa atitude não é tudo o que se espera na santificação. Antes, no poder do Espírito, o objetivo é ausência de pensamentos sobre essa mulher, mas a presença da consideração piedosa acerca dela. Em circunstâncias normais, o homem não deveria simplesmente tentar evitá-la, como se ela não existisse, mas deveria passar a tratá-la com dignidade, proferindo palavras que a edifiquem em vez de desumanizá-la com seus pensamentos. No fim, a lascívia será substituída pelo respeito genuíno e apropriado e pelo amor. De modo semelhante, o objetivo ao se lidar com a fofoca não é apenas o de conseguir a ausência da difamação (que é a mortificação), mas o de criar como consequência um ambiente de encorajamento, paz e confiança.
Então a santificação compreende tanto a mortificação do pecado como o tornar-se livre para amar e obedecer.
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