Rute 4.13-22

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O autor apresenta a providência divina na concessão do resgatador, que proporcionará consolo e vida da parte do SENHOR, segundo o qual foi concedido como o Rei, legitimado pela genealogia bendita que confirma sua provisão.

Notes
Transcript

Rute 4.13-22: A providência divina na preservação da extinção pela concessão de um herdeiro real (pt 5): Epílogo - A providência divina na genealogia real do povo de Deus.

Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de (…) dar um (…) resgatador” (Rt 4.14).
Pr. Paulo U. Rodrigues
Recapitulação
Estrutura cênica anterior:
Corte 1 (vv.1-6): Negociação.
Corte 2 (vv.7-12): Resgate e Benção.
Objetivo: Demonstrar a legitimidade e integridade do resgatador, segundo o cumprimento do resgate para redenção da resgatada.
Elucidação
Estrutura - síntese autoral
(vv. 13-17) - síntese histórica: A providência do resgatador. - “… e o SENHOR lhe concedeu que concebesse, e teve um filho” (v.13). Anteriormente, a constatação da legitimidade do acordo entre Boaz e o outro resgatador, feito pelos anciãos e testemunhas, assumira um tom beatífico/profético. O cumprimento dessa palavra é referido pelo autor, à semelhança das ocorrências genealógicas em Gênesis, principalmente levando em consideração as mulheres citadas pelas testemunhas, quais sejam, Raque e Lia. O interesse do autor é proporcionar ao leitor uma familiaridade do presente cenário com àquele por meio do qual a casa de Israel foi edificada, algo que será confirmado a partir da inserção da genealogia de Davi, mais a frente. - “Seja o SENHOR bendito, que não deixou, hoje, de te dar um neto que será teu resgatador… Ele será restaurador da tua vida e consolador da tua velhice” (v.14a-15a). O ente resgatador nascido da união providencial de Rute e Boaz agora tem um papel declarado: em primeiro lugar, as mulheres destacam que ele será o “גֹּאֵ֖ל” de Noemi. A participação das mulheres, nesse ponto, cria uma simetria com o capítulo 1. Em 1.19, elas constaram a volta de Noemi, que retruca afirmando sua infelicidade. Agora, em 4.14, elas anunciam a mudança de quadro na vida de Noemi: aquela que antes via-se como desemparada de maridos e filhos (cf. 1.5), foi provida de um filho. Ela não era Mara (i.e. amarga), mas foi feita, apropriadamente, Noemi (agradável; doce). Em segundo lugar, os papéis atribuídos ao filho de Rute/Noemi destacam sua função redentora. Ele será o restaurador da vida e consolador na velhice. Noutras palavras, verdadeiramente, o SENHOR providenciou a Noemi a benção do sustento da linhagem de Elimeleque, e a prova disso será a ditosa velhice que desfrutará através de seu neto, cujo nome inclusive pode ser traduzir como “aquele que serve”. - “Este é o pai de Jessé, pai de Davi” (v.17b). O comentário autoral feito ao final do versículo 17, introduz a genealogia e destaca aquilo que sempre foi o propósito do livro: registrar a origem providencial (e portanto, legítima) de Davi como rei de Israel.
(vv.18-22) - A genealogia real de Israel: a linhagem real.
- A estrutura genealógica usada pelo autor, remete àquelas listas genealógicas presente no livro de Gênesis, levando em consideração que o propósito principal daquelas genealogias era demonstrar o percurso providencial do SENHOR no desenvolvimento da linhagem originária do povo de Deus, de Adão até Jacó, segundo a própria estrutura “tôledot” (hb. “תֹּולְדֹ֣ות”) que recorta e divide o livro. Assim, o anexo da genealogia davídica ao final do livro de Rute, coloca Davi no fluxo histórico das ações divinas no mantenimento e desenvolvimento do povo de Deus, mormente seu uso tipológico messiânico.
- O recorte genealógico concorda com a benção/profecia das testemunhas do acordo entre os resgatadores: O autor seleciona Perez, filho de Judá, que teve Tamar (cf. v. 12; Gn 38.29)), como cabeça da linhagem, que perpassa Boaz, chegando até Davi, o descendente judaico que encabeça, por sua vez, a dinastia davídica responsável por tracejar a histórica até o Messias.
Síntese principiológica
O epílogo da história de Noemi, situada entre o período dos juízes e a narrativa do início da monarquia, encarrega-se de tornar a atenção do leitor ao contexto histórico-redentor, traçado por aquele primeiro livro; quando o locus amplo da trajetória conturbada do povo de Deus, na qual as grandes intervenções divinas asseguraram sobrevivência ao seu povo, mesmo tendo caminhado de forma tão volátil para com o SENHOR, é focado.
Do caos da fé frágil de Israel em Deus, às ações redentoras dos juízes, o autor divino providenciou que um relato específico fosse contado, a fim de fazer a conexão entre a necessidade do povo de um rei e o aparecimento deste no cenário, por ocasião não de manifestações extraordinárias de poder, mas a partir do transcurso providencial ocorrido num cenário completamente comum da vida cotidiana de duas viúvas e seus resgatadores.
O resgate de Noemi através da fé de Rute, a moabita, e da magnanimidade misericordiosa de Boaz, assinala e registra a provisão divina de uma linhagem que edificaria a casa de Israel mediante a concepção de um homem que regeria o povo de Deus com o cetro que pertenceria ao Messias, isto é, da linhagem de Boaz sairia aquele que representaria o trono de Deus sobre seu povo e a provisão graciosa de redenção para este.
Ao narrar a linhagem descendente da união de Rute e Boaz, o autor do presente livro conta as gerações, como dito, a partir de Perez, o herdeiro legítimo da casa de Judá, que por sua vez recebera da boca de Jacó a benção de ser o portador do cetro real (cf. Gn 48.10). Porém, a partir do contexto canônico, o autor divino inspirou Mateus a registrar a genealogia completa do Messias, a quem chama de “Filho de Davi”, citando as únicas matriarcas da árvore genealógica, Raabe e Rute, como as mulheres das quais veio o Cristo (cf. Mt 1.1-16).
Assim, o Livro de Rute, na simplicidade de acontecimentos corriqueiros, narra a grandeza da providência divina na preservação do povo de Deus não da fome ou da viuvez apenas, como no caso de Noemi, mas da miséria de seus pecados, a partir da concessão do herdeiro real que se assentou no trono de Davi, recebendo um nome mais famoso do que o de Peres ou do próprio Boaz; um nome que está acima de todo nome, por meio do qual a salvação é concedida a todo o que crê (Atos 4.12) , seja judeu, ou moabita (i.e. gentio): Jesus Cristo, o Filho de Davi, filho de Jessé, filho de Obede, filho de Boaz.
Aplicações
Em Cristo, nós temos a provisão do SENHOR para a restauração de nossa vida e consolo em nossa velhice: ele é aquele que nos sustentará e vivificará, resgatando-nos de nossa necessidade.
Noemi tomou no colo o filho de Rute, aquele que as mulheres disseram que seria seu resgatador. O amor e apego de Rute por sua sogra (cf. 1.14), provaram-se realmente serem melhores para Noemi do que sete filhos, porque agora seu resgate seria efetivado, dando-lhe descanso das necessidades e modo permanente, e resgatando-a da viuvez.
Em Cristo, obtemos em muito maior escala os benefícios que foram desfrutados por Noemi. Esta precisava de alguém que readquirisse suas terras, dando descendência a linhagem de seu marido e filhos, e também que lhe provesse sustento ao longo de sua vida neste mundo. Cristo fornece-nos o resgate do pecado, que nos separava de nosso Deus, legando-nos morte e vergonha.
O filho de Rute, seria para Noemi como o resgatador da vida e provedor na velhice. Cristo é aquele que nos dá vida eterna e sustento não somente do que é humanamente conveniente, mas do que é eternamente necessário: vida abundante e eterna com ele, nos campos do SENHOR.
2. A genealogia providencial divina é a marca da concessão do SENHOR de um resgatador que redime seu povo.
Desde o Gênesis, genealogias foram utilizadas pelo autor divino/humano para indicar um caminho providencial redentor, através do qual o SENHOR leva adiante seus planos de conceder ao seu povo um resgatador, um redentor, que livrará o povo das agruras de viver num mundo caído, preso à natureza pecaminosa.
Foi assim com Adão, com Noé, com Abraão, e o autor do livro de Rute, entendendo isso ,liga a história davídica a esse curso histórico maior, por meio do registro da linhagem do rei de Israel. A benção salvadora, ampliada pela fé da estrangeira do Deus que se lembra do seu povo, percorre geração após geração, até chegar em Cristo, o Filho de Davi, aquele em quem todos somos feitos filhos, encontrando refúgio sob as asas do Deus de Israel, tal como Rute e Noemi.
Conclusão
Perez gerou a Esrom, Esrom a Rão, Rão a Aminadade, Aminadabe a Naasson, Naasson a Salmon, Salmon a Boaz, Boaz a Obede, Obede a Jessé, Jesse a Davi, e Davi o Cristo, e em Cristo somos gerados filhos de Deus.
A história de Rute não é somente a história da moabita que casou com um Israelita, a partir do qual sua sogra foi provida com um resgatador, mas é a trama grandiosa da provisão graciosa do SENHOR sobre todo o seu povo, dando-lhes um Rei, para que não mais vivam cada um segundo o que ache mais certo, mas possam agora viver sob a vontade do SENHOR, sendo liderados por Cristo Jesus, aos campos verdejantes da eternidade.
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