JESUS CRISTO E TOMÉ

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INTRODUÇÃO
Quantas vezes nós somos iguais a Tomé, incrédulos e uma fé rasa?
O ano de 2.018 não foi muito agradável para mim e para a minha família.
Além de uma crise financeira, logo no início do ano descobrimos uma gestação. Nesse momento, ficamos muito felizes com a notícia, porém, poucas semanas após descobrirmos a gravidez, tudo começa a desmoronar.
Num domingo de manhã, antes de irmos à Igreja, a Julia percebe um sangramento; vamos ao hospital, somos mal atendidos, a Julia é medicada e o médico disse que se o sangramento continuasse, era para ficarmos em casa, pois não tinha o que fazer.
As aflições continuam quando vamos ao obstetra dela, que também nos atende mal, desdenha da nossa situação, tanto que acabamos até mudando o obstetra. Mas não adiantou, mesmo em outro médico os sangramentos seguiam e continuávamos atribulados e sem rumo.
Naquele momento, mesmo tendo vivido 26 anos dentro da fé cristã, meu coração estava igual ao de Tomé - tomado de incredulidade e de uma fé rasa.
Foi então que, tomado de incredulidade, condicionei a minha fé a algo visível, eu orei: Se Deus salvasse aquela gestação, eu glorificaria a Ele.
Talvez eu tenha pensado que era um “passo de fé", mas na verdade era incredulidade e fé rasa, vestidas de fé, tal como Tomé.
Tomé era um dos doze e o apóstolo João deixa isso claro, para demonstrar ao leitor que, mesmo tendo sido escolhido a dedo pelo Senhor Jesus, ele precisaria de transformação e ser mudado.
E o evangelho de João é lindo por sempre trazer essas nuances.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO
O evangelho de João é bem diferente dos outros três evangelhos (chamados de sinóticos). João opta em omitir algumas coisas, que os demais entenderam ser relevantes, porém apresenta outras coisas que seus irmãos evangelistas não relataram. Muitas curas, atos de poder e exorcismos que são relatados nos outros evangelhos, João deixa de fora - parece que pressupunha que já eram de conhecimento da igreja.
Porém, esse evangelho fornece atos e discursos muito relevantes que os sinóticos não relatam. Os sinóticos tratam dos discursos de Jesus como breves, memoráveis e mais satíricos, mas João se importa em apresentar os longos discursos de Jesus como polêmicos e instigantes.
‌Esse evangelho tem alguns objetivos:
a) expor a veracidade de Jesus como sendo Deus - filho de Deus e Verbo encarnado - e como sendo homem;
b) apresentar Jesus de uma forma mais “intelectual” e filosófica” aos judeus e povos que eram bombardeados pela cultura e filosofia helênica;
c) incentivar à Igreja a permanecer na fé em Cristo.
É unicamente em João onde se fala de Tomé (11:16; 14:5; 20:24-29). João faz uma construção dos pormenores que ocorreram com Tomé, junto a Jesus e aos doze, para que, ao final do evangelho possa apresentar esse texto que nós lemos, enfatizando a ressurreição, a deidade e o poder de Cristo.
A primeira aparição é logo após a morte de Lázaro (11.16); a segunda aparição é questionando Jesus sobre qual caminho o Mestre iria, pois os apóstolos não sabiam (14.5), demonstrando desconhecer os mistérios que Cristo ia falando e seu questionamento para querer as diretrizes concretas para onde deveriam ir; a terceira aparição é esta que nós lemos.
Entendam a construção da narrativa feita por João para desencadear o ponto alto da incredulidade de Tomé, sendo rebatida por Jesus e trazendo um grande ensinamento.
No contexto do capítulo 20, João começa a relatar sobre a ressurreição de Cristo; relata a aparição de Cristo à Maria Madalena; e depois relata a aparição de Cristo aos discípulos.
Todavia, nessa primeira aparição, Tomé não estava e não presencia o Mestre ressurreto e quando os doze contam a ele sobre o ocorrido, sem pestanejar replica: “Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei”. João continua o relato dizendo que, após oito dias, os apóstolos estavam reunidos em um lugar com as portas trancadas (certamente com medo, pois seu Mestre havia sido morto e poderiam persegui-los também), Jesus aparece no meio deles, já confrontando a Tomé e a sua incredulidade.
Vemos que Tomé reconhece o Cristo ressurreto como Deus somente depois de tê-lo visto (e provalemente tocado), porém era necessário que ele cresse sem ver.
Jesus vê o coração incrédulo e a fé rasa de Tomé, destrói os caminhos tortuosos e constrói pontes para que o apóstolo avançasse no evangelho. E nós conseguimos enxergar esses caminhos tortuosos, aprender com isso e clamar a Cristo que construa pontes para que avancemos também.
É necessário que os cristãos, comissionados a evangelizar, desenvolvam a fé genuína, avancem no evangelho e construam pontes. Mas para isso, existem atitudes que devem ser combatidas.
3. DESENVOLVIMENTO
Com base no texto lido, quero fazer a seguinte afirmação teológica: AS ATITUDES NOCIVAS QUE DEVEMOS COMBATER A FIM DE AVANÇARMOS NO EVANGELHO.
I. FÉ CONDICIONAL (vs. 24-25)
24 Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. 25 Disseram-lhe, então, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele respondeu: Se eu não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, e ali não puser o dedo, e não puser a mão no seu lado, de modo algum acreditarei.
Tomé demonstra uma fé condicional acerca da ressurreição de Cristo. A fé que Tomé tinha, mesmo tendo caminhado com Jesus durante Seu ministério, estava condicionada ao que ele entendia. Havia uma condição pré-estabelecida pelo próprio apóstolo para que ele cresse no testemunho dos demais.
A imaturidade espiritual de Tomé somada à decepção com a morte de Cristo é escancarada com uma condicional: só há fé mediante a condição estipulada pelo homem.
Vejam, Tomé estava arrasado, já que o seu Mestre havia sido morto. O fim escabroso de Cristo, na cruz, trouxe à tona ainda mais o seu pessimismo, as dúvidas à sua fé e ele não queria ser vítima de uma ilusão que Jesus havia aparecido.
O apóstolo “turrão” opta em expressar sua fé condicional - totalmente dependente das condições.
O mistério da ressurreição de Cristo só caberia na fé condicional de Tomé caso preenchesse os requisitos que ele mesmo estabeleceu: precisaria tocar na superfície das mãos, para ver os furos que os cravos deixaram; ele precisaria tocar nos rasgos que as lanças deixaram; somente assim, ele creria; se não, ele absolutamente não creria (“οὐ μή" - quando Tomé responde, utiliza essa expressão que é uma negação enfática).
Tomé não havia aprendido que a fé em Jesus não deve estar presa às condicionais que homem formula.
A demonstração da vida de Jesus e os seus discursos deixavam nítido e notório que a fé deve ser incondicional e fluir mesmo quando estamos em situações onde não há saída.
Os apóstolos provaram das maravilhas que Cristo realizou, isso deveria instigá-los a ter uma fé incondicional, sem atribuir condições ao agir de Deus.
Cristo precisava ensinar isso a Tomé e aos demais apóstolos, para que deixassem as condicionais de lado e cressem de maneira incondicional.
Ao estabelecer uma condição, Tomé toma para si o valor e o fundamento da fé, tirando de Cristo. E é nesse ponto que caímos igual a Tomé.
Pelo fato de termos vividos com Deus e aprendido dEle, colocamos a fé em Jesus numa redoma e queremos que ela funcione segundo as nossas próprias condições.
Ora, se só cremos segundo aquilo que nós imputamos como condição, cremos naquilo que não é genuíno e não decorre de Deus, mas decorre do coração duvidoso e pecaminoso humano.
Nós estamos falhando como cristãos e como Igreja quando cultivamos uma fé condicional, pois ela está alicerçada em parâmetros humanos, ou seja, é o homem quem estipula naquilo que se deve crer e a forma como se deve crer.
A fé genuína deve ser cultivada sem as condicionais humanas. A fé do cristão não deve ser condicionada ao seu próprio entendimento, pois a fé é gerada por Cristo em nós.
E essa fé condicional, muitas vezes, é encontrada em nossos corações. Na petulância da autossuficiência ou no pesimismo incrédulo, colocamos condições para a fé em Cristo.
Lá em 2018, coloquei uma condição para que eu cresse no poder de Deus - Ele tinha que manter a gestação.
O coração pecaminoso do homem sempre busca condições humanas para basear a fé, porém não encontraremos, até porque a fé não é nossa, é imputada por Cristo em nós.
Tomé precisava saber que o fundamento da fé não era ele; nós precisamos saber que o fundamento da fé não somos nós; o fundamento da fé cristã é Cristo e cabe a nós combatermos a fé condicional. Pois essa fé condicionada nos colocará numa posição de barganha com Deus - só creio se estiver dentro das minhas condições.
E o homem pecador não tem a mínima condição de barganhar com Deus. A fé não é um contrato que você estipula as condições, mas é um mandamento que nós fazemos conforme Jesus nos instrui.
Diariamente seremos expostos à tentação de condicionar nossa fé a requisitos humanos. Porém se nos deixarmos levar por essa condicional, viveremos uma fé rasa, não genuína e centrada no próprio “eu".
As condições não devem ser um empecilho para a minha fé em Cristo e nem para o meu chamado à evangelização. Como proclamaremos que somente a fé em Cristo pode nos trazer salvação se submetemos essa fé em Cristo à uma condição?
Jesus nos ensina que a fé deve ser incondicional, transcender as condições falíveis humanas e estar fundamentada nEle.
Somente Cristo pode nos resgatar de uma fé condicional; o sacrifício de Jesus constrói pontes para nos levar à uma fé incondicional!
E a partir dessa fé incondicional, somos levados pelo Espírito Santo a pregar o evangelho, construindo pontes também com aqueles que negam a Cristo e atribuem condições à verdade do Evangelho.
A primeira atitude nociva que devemos combater a fim de avançarmos no evangelho é a fé condicional.
II. INCREDULIDADE (vs. 26-27)
26 Passados oito dias, estavam outra vez ali reunidos os seus discípulos, e Tomé, com eles. Estando as portas trancadas, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! 27 E logo disse a Tomé: Põe aqui o dedo e vê as minhas mãos; chega também a mão e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo, mas crente.
Tomé demonstra incredulidade acerca da ressurreição de Cristo. A incredulidade de Tomé é exposta por Cristo diante de seus irmãos apóstolos. Além de condicionar a fé ao que lhe parecia bom, Tomé mantém seu coração duro, pessimista, sem crer no testemunho que Cristo havia ressuscitado e a incredulidade vai tomando conta de seu coração.
A imaturidade espiritual de Tomé somada à dúvida se Jesus haveria vencido a morte é escancarada com a incredulidade: o apóstolo não estava crendo que seria possível Cristo ter ressuscitado dentre os mortos e aparecido para seus amigos.
Tomé está sendo tomado por incredulidade devido à sua aflição (morte de Cristo) e pela sua incerteza (ressurreição de Cristo). Foi quando Jesus aparece ao apóstolos, reunidos num lugar trancado e imediatamente trata com Tomé e toda a sua incredulidade.
Jesus amorosamente ensina Tomé a ser crente; o Mestre queria tirar o discípulo de uma dúvida e de uma incerteza e levá-lo para uma fé viva; Jesus precisava tirar Tomé dos perigos da incredulidade.
O comentarista William Hendrikssen diz que "para cada exigência de Tomé, há uma ordem de Cristo" para que ele deixasse de ser incrédulo - “se eu não vir nas suas mão o sinal dos cravos” com “vê as minhas mãos"; “e ali não puser os dedos” com “põe aqui o dedo"; “e não puser a mão no seu lado” com “chega também a mão e põe-na no meu lado"; “de modo algum acreditarei” com “não sejas incrédulo, mas crente".
O verbo grego para “sejas” ("γίνου”) está no imperativo, na voz média/passiva, podendo ter uma outra possível tradução como “torna-te"; Jesus está tratando com Seu apóstolo para que este não se torne um incrédulo e que os resquícios de dúvidas e incertezas de seu coração sejam derrubados.
Talvez Tomé não havia apostatado e negado a fé em Cristo; talvez nós não tenhamos apostatado e negado a Deus; porém, muitas vezes, estamos caminhando em direção à incredulidade e nem estamos percebendo. É por isso que Cristo nos admoesta amorosamente - “não sejas incrédulo, mas crente".
Cristo precisava ensinar isso a Tomé e aos demais apóstolos, para que deixassem a incredulidade de lado e se tornassem crentes verdadeiros.
Porque o coração do homem é perito em desacreditar. O pecado nos manchou ao ponto de não podermos, naturalmente, nos inclinar à fé em Cristo. Somente a ação de Cristo nos resgatando nos faz ter fé nEle.
E nós estamos lançados à incredulidade diariamente. Cada dia que passa, o homem começa a confiar mais em si mesmo do que em Deus. Começamos a ter fé em nossa estabilidade financeira, em nosso ciclo de amizades, em nossa profissão, em nossa família, em nossas prerrogativas, etc e isso vai nos tornando incrédulos. Vamos nos tornando “autossuficientes", cujas vidas dependem exclusivamente de si mesmos.
Voltando a 2018, quando os sangramentos com a Julia continuavam mesmo sendo medicada, a incredulidade começou a tomar conta do meu coração e, ao invés de depender exclusivamente de Deus e crer nEle, começo a buscar em amigos médicos a resposta. A súplica que antes era para Deus salvar a gestação, se torna uma súplica ao médico - neste ponto, a incredulidade começa a falar mais alto no meu ouvido e me afastar da fé genuína.
Nos momentos mais difíceis, em que estamos atribulados (como Tomé estava pela perda de Jesus ou como eu estava pelos problemas na gestação) é que a incredulidade tenta criar raízes e germinar nos nossos corações; e essa incredulidade nos afasta da dependência de Deus e nos afasta da fé genuína.
Tomé estava deixando a incredulidade tomar conta de seu coração a ponto de duvidar que o Mestre havia vencido a morte e havia cumprido aquilo que prometeu - salvar o mundo.
Nós, muitas vezes, estamos com os corações cheios de incredulidade que deixamos de viver e proclamar a verdade do Evangelho. Devemos fazer uma autoanálise a fim de verificar se meu coração está sendo tomado pela incredulidade e sendo afastado da fé genuína.
A incredulidade não deve ser um empecilho para a minha fé em Cristo e nem para o meu chamado à evangelização. Como proclamaremos que Cristo ressuscitou se não cremos plenamente no Cristo ressurreto?
A incredulidade não pode tomar conta de nossos coraçãos; a incredulidade não deve nem criar pequenas raízes, pois são nessas pequenas raízes de dúvidas e incertezas, que somos afastados da fé genuína em Cristo.
Jesus nos ensina que devemos crer - ser crentes nEle.
Somente Cristo pode nos resgatar da incredulidade; o sacrifício de Jesus constrói pontes nos levar a crer (à credulidade)!
E a partir dessa credulidade, somos levados pelo Espírito Santo a pregar o evangelho, construindo pontes também com aqueles que não creem em Cristo.
A segunda atitude nociva que devemos combater a fim de avançarmos no evangelho é a incredulidade.
III. FÉ VISÍVEL (vs 28-29)
28 Respondeu-lhe Tomé: Senhor meu e Deus meu! 29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.
Tomé demonstra uma fé meramente visível acerca da ressurreição de Cristo. A fé que Tomé tinha, mesmo tendo caminhado com Jesus durante Seu ministério, só seria firmada se ele visse a Cristo. O testemunho dos demais, que viram, não valia, mas Tomé precisa ver para crer.
A imaturidade espiritual de Tomé somada à incerteza da ressurreição de Cristo é escancarada com uma fé meramente visível: só há fé se ele contemplar com os olhos.
Vejam, depois de Cristo aparecer também a Tomé, preencher todas as condições e os requisitos e tratar seu coração, Jesus lhe ensina e admoesta que não era para sua fé estar alicerçada somente naquilo que é visível ou palpável.
Não havia nada de errado com a confissão de Tomé. Ora, depois de ter visto, ele creu e confessou que Cristo é Deus. O erro estava em seu nível de fé.
Sua fé estava rasa demais e só conseguia crer naquilo que lhe era visível. E o Reino de Deus é invisível - nós, pecadores, não temos acesso à plenitude sobrenatural e invisível do que ocorre no Reino de Deus.
William Hendriksen diz que “a fé que resulta do ver é boa; mas a fé que resulta do ouvir é mais excelente".
É isso que Jesus quer nos ensinar: uma fé puramente rasa e visível não nos levará a viver uma vida no evangelho, pois nem tudo o que Deus revelou está visível ou palpável. Muitas coisas dependem tão somente de crer.
Era necessário que os apóstolos e nós aprendêssemos que a fé visível é um perigo para a caminhada e o crescimento espiritual. A fé visível não nos levará à evangelização, pois não teremos solidez para a proclamação do evangelho.
Novamente, a fé de Tomé encontra alicerce nos conceitos racionais humanos - e agora sendo uma fé naquilo que é visível.
A fé não é uma convicção obtida pelo visível e não pode fluir de um conhecimento meramente experimental, mas deve surgir da Palavra de Deus.
Cristo precisava ensinar isso a Tomé e aos demais apóstolos, para que deixassem a fé visível e cressem ainda que sem enxergar.
Deus trata conosco da mesma forma. Pessoas metódicas e controladoras, como eu, precisam “ver para crer”.
A nossa falta de fé ou nossa fé rasa nos torna dependentes de coisas materiais e visíveis, nos levando a crer naquilo que os olhos enxergam e que as mãos tocam. Porém a fé genuína nos faz crer mesmo sem enxergar. Esse é o poder transformador da fé de Cristo em nós.
Muitas vezes, estamos vivemos dependentes daquilo que se pode ver, vivendo uma fé meramente visível. Essa fé visível não encontra fundamento em Cristo e nem é sólida o suficiente para nos fazer proclamar o evangelho.
Lá em 2018, minha fé se tornou visível quando eu submeti todo o ser de Deus num simples ato de manter uma gestação. A minha fé seria grande e só reconheceria Jesus como “Senhor meu e Deus meu", se depois de nove meses eu estivesse com um filho ou uma filha nos meus braços. De alguma forma, a minha fé precisava de algo palpável.
Mas é nesses momentos que Deus nos prova e nos ensina a ter uma fé invisível.
Assim como na vida de Tomé, precisamos entender que independente do visível, a nossa fé deve ser alicerçada em Cristo, pois Ele é a razão de toda a fé.
Não devemos nos sujeitar ao “ver pra crer” em nossa rotina, mas devemos desfrutar das bençãos e das graças invisíveis que recebemos a todo instante. Isso nos fará viver verdadeiramente no evangelho.
A fé visível não deve ser um empecilho para a minha fé em Cristo e nem para o meu chamado à evangelização. Como proclamaremos um Cristo Salvador que não vimos se estamos afundados numa fé visível?
A nossa fé não deve ser resumida naquilo que vemos, mas em Cristo que, mesmo não O tendo visto, temos a certeza que Ele é Deus e que Ele nos salvou.
Jesus nos ensina que a fé deve ser invisível - deve ser independente do que vimos, mas mesmo não tendo visto, cremos.
Somente Cristo pode nos resgatar de uma fé visível; o sacrifício de Jesus constrói pontes para nos levar à uma fé invisível!
E a partir dessa fé invisível, somos levados pelo Espírito Santo a pregar o evangelho, construindo pontes também com aqueles que esperam algo palpável da fé.
A terceira atitude nociva que devemos combater a fim de avançarmos no evangelho é a fé visível.
4. CONCLUSÃO
Minhas irmãs e meus irmãos, em 2018, me vi na mesma situação de Tomé - coloquei condições para que eu tivesse fé; deixei que as dúvidas invadissem meu coração e me confundissem com a incredulidade; e mantive minha fé em algo tão somente palpável.
A resposta de Cristo a mim, assim como para Tomé, foi amorosa e escancarou a minha fé rasa e incrédula. Cristo, naquele momento, construiu pontes para que eu avançasse no evangelho.
Deus recolheu aquele bebê, perdemos aquela gestação, mas eu pude provar do amadurecimento na fé em direção a Cristo. Eu entendi que a forma como eu estava lidando com aquelas situação difícil era nociva para mim, que Deus estava me tratando e tornando um “crente” - como Cristo fala para Tomé ser. Eu pude glorificar a Deus e ter fé que tudo ocorre segundo o Seu Santo propósito, mesmo em aflições terríveis e mesmo diante da morte.
Louvo a Deus, porque o sacrifício de Cristo foi capaz de me resgatar das amarras da incredulidade e de uma fé rasa e construir pontes para que eu avance no evangelho - entendendo o meu chamado e proclamando o nome dEle.
Existem comportamentos diários que nós nem percebemos, mas desenvolvemos, têm sido prejudiciais para a nossa caminhada na fé com Cristo, têm nos impedido de evangelizar e somente Cristo é capaz de destruí-los e construir pontes para o evangelho.
AS ATITUDES NOCIVAS QUE DEVEMOS COMBATER A FIM DE AVANÇARMOS NO EVANGELHO são:
I. FÉ CONDICIONAL;
II. INCREDULIDADE;
III. FÉ VISÍVEL.
Que Deus nos abençoe, que possamos aprender com as atitudes nocivas de Tomé, combatê-las e possamos construir pontes através da proclamação do Evangelho de Cristo.
Amém!
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