DEUS AGE (TAMBÉM) NO SILÊNCIO! 1 Samuel 19

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Deus usa as circunstâncias da nossa vida para a concretização de seus nobres propósitos a nosso respeito.

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Grande ideia: Deus usa as circunstâncias da nossa vida para a concretização de seus nobres propósitos a nosso respeito.
Estrutura: Jônatas, o amigo intercessor (vv. 1-7), Mical, a esposa dissimulada (vv. 8-17) e Samuel, o profeta de Deus (vv. 18-23).

PROVIDÊNCIA. Mesmo que, em geral, entenda-se no sentido que Deus provê, a providência implica muito mais que isso. A palavra é derivada do latim providere, que significa ver de antemão. Por isso, em seu uso clássico se refere, às vezes, ao conhecimento prévio que Deus tem das coisas. Mas na maior parte dos sistemas teológicos implica que Deus vê de antemão e, portanto, move os acontecimentos para o propósito da criação*. Nesse sentido é que Calvino sublinha a importância da providência — ênfase que tem sido característica de toda a teologia reformada.

Em alguns casos, a providência é entendida de tal modo que implica que tudo está predeterminado, de modo que não há liberdade (Predeterminismo*). Mas esse não é, necessariamente, o caso, visto que é possível entender a providência divina como o modo pelo qual Deus cumpre seus propósitos divinos, mesmo que apesar e através das ações dos pecadores.

1 Samuel 19 mostra Saul dominado por ciúme e espírito maligno que o leva a tentar matar Davi repetidamente. Jônatas e Mical ajudam Davi a escapar — Jônatas com mediação, Mical com astúcia, embora envolvida com práticas sincréticas. Davi busca refúgio com Samuel em Naioth, um centro profético onde a presença de Deus libera os mensageiros e até Saul ao Espírito, ilustrando que o chamado davírico é protegido por Deus até o tempo do cumprimento.
Jônatas, o amigo. (vv. 1-7)
Toda amizade para ser verdadeira precisa passar pelo teste da fidelidade.
Jônatas logo teve uma verdadeira oportunidade de provar a sua amizade por Davi, quando Saul tentou incluir o seu filho nos seus planos de assassinato.
1 E Saul. A inimizade de Saul agora irrompeu, com o propósito declarado de matar Davi; e nada menos que a interposição especial da Providência poderia ter salvado a vida de Davi, quando cada oficial próximo à pessoa do rei, e cada soldado, tinha ordens expressas para despachá-lo. cap. 18:8, 9. Pv. 27:4. Ec. 9:3. Jr. 9:3. 2 Tm. 3:13.
Provérbios 27.4 NAA
Cruel é o furor e impetuosa é a ira, mas quem pode resistir à inveja?
Saul agora não esconde mais de ninguém: seu alvo é matar a Davi.
Mas Jônatas estava “afeiçoado a Davi”.
1Samuel 18.1 NAA
Depois de Davi ter falado com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi numa profunda amizade. E Jônatas o amou como à sua própria alma.
Jônatas tenta proteger Davi de seu pai, Saul.

Com esse objetivo em mente, Jônatas falou com seu pai. Sua abordagem fornece um exemplo positivo de como um filho de Deus deve reagir com verdade e graça a conspirações de pecado e incredulidade. A conversa de Jônatas com seu pai foi ao mesmo tempo cortês e ousada, dando conselhos de prudência e apelando diretamente à palavra de Deus. Seu propósito era pressionar Saul a aceitar a inocência de Davi, juntamente com a insensatez pecaminosa do seu plano de assassinato.

Jônatas tenta proteger Saul de seu amigo, Davi.
Saul se conforma (será?).

Gordon Keddie escreve: “Saul estava vivendo uma mentira. É por isso que ele podia tão facilmente fazer juramentos piedosos e contradizê-los quase no mesmo fôlego”. Quanto a isso, Saul apresenta, de forma concentrada, o que deve ser verdadeiro para toda pessoa que seja restringida pelo conhecimento de certo e errado, mas é, por fim, vencida pela ira, luxúria ou outros males. “Sem uma transformação salvadora, um pecador é uma confusão. Ele mal se conhece. […] E muito embora saiba que Deus julgará a impiedade, continua praticando-a, como se tivesse um desejo de morte, e incentiva outras pessoas a tomarem o mesmo caminho fatal.”

2. Mical, a esposa. (vv. 8-17)
O salmo 59 é sugerido de ter sido escrito nesse contexto:
Mais uma vez temos o registro da aparição desse “espírito mau, enviado da parte do Senhor”.
1Samuel 16.14 NAA
Depois que o Espírito do Senhor se retirou de Saul, um espírito mau, vindo da parte do Senhor, o atormentava.
E ai logo entra em cena, Mical, a mulher de Davi, que o avisa: “Se não fugir esta noite, amanhã você estará morto”.
1Samuel 18.19–21 NAA
Mas aconteceu que, na época em que Merabe, filha de Saul, devia ser dada em casamento a Davi, foi dada por mulher a Adriel, meolatita. Mas Mical, a outra filha de Saul, amava Davi. Contaram isso a Saul, e isso agradou a ele. Saul pensava assim: “Eu a darei em casamento a Davi, para que ela lhe sirva de armadilha e para que a mão dos filisteus venha a ser contra ele.” Por isso Saul disse a Davi: — Com esta segunda você será hoje o meu genro.
Davi recebe e acata as dicas de Mical e consegui fugir. Ela usa um “ídolo do lar” como estratagema.
Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong 08655 תרפים t ̂eraphiym

תרפים t ̂eraphiym

pl. procedente de 7495; DITAT - 2545; n. m.

1) idolatria, ídolos, imagem(ns), terafim, ídolo familiar

1a) um tipo de ídolo usado em santuário ou culto doméstico

Não era raro uma família ter o seu próprio ídolo. Os ídolos de Labão eram relativamente pequenos, já que Raquel pôde escondê-los na sela do seu camelo (Gênesis 31.34). O ídolo utilizado por Mical devia ser de tamanho consideravelmente maior. Cf. também Jz 17.5; 18.17-24; Os 3.4. Esse tecido de pelos de cabra serviria como uma peruca (cf. v. 16).

19.13. um ídolo do clã. O termo usado em hebraico é terafim e se refere ao ídolo (ou ídolos) do clã que, ao que tudo indica, teria um papel nas adivinhações (

A obstinação de Saul é algo absurda e explícita: “Tragam Davi mesmo que esteja na cama, para que eu o mate.”
16 E quando. É altamente provável que Davi, quando supostamente doente, tenha sido pensado estar escondido no harém ou quarto de Mical. 'Os haréns', diz DE LA MOTRAYE, 'são santuários, tão sagrados e invioláveis, para pessoas perseguidas pela justiça por qualquer crime, dívida, etc., quanto as igrejas católicas romanas na Itália, Espanha, Portugal, etc.' Assim, descobrimos que, para efetuar seu propósito, Saul enviou mensageiros a Mical, mas eles trataram seu harém com muito respeito para entrar nele a princípio; mas, sendo autorizados por Saul, eles entraram até mesmo em seu quarto; e durante o atraso ocasionado pelo respeito à privacidade de Mical, Davi escapou.
Interessante a expressão que Saul usa sobre Davi: “meu inimigo”.
Mical usa de um expediente humano (mentira). Nesse ponto, destacando que “o escritor não emite um juízo de valor, ou seja, não diz se a atitude de Mical foi correta ou errata. O certo é que Davi escapou das mãos de Saul.
3. Samuel, o profeta. (vv. 18-23)
Davi vai na direção de Samuel, em Ramá. Nesse texto temos a nomeação de um lugar específico: “casa dos profetas”.

O ponto principal é que Davi foi salvo pela intervenção direta do Espírito de Deus. Matthew Henry comenta que Deus “mostrou como ele pode, quando quiser, causar admiração até nos piores homens, por meio de sinais da sua presença na congregação dos fiéis, e forçá-los a reconhecer que Deus está com aqueles que pertencem à verdade”. Esse preceito nos lembra que é a adoração a Deus que melhor protege o povo de Deus, especialmente quando a palavra de Deus é pregada no poder do Espírito Santo.

Saul envia grupos à procura de Davi, e todos estes começam a “profetizar”.
De acordo com os artigos fornecidos, a "casa dos profetas" é mencionada em um contexto bíblico. Um dos artigos relata que Davi fugiu e foi até Samuel em Ramá, onde ambos ficaram na casa dos profetas[1]. Saul ficou sabendo da localização de Davi e enviou mensageiros para buscá-lo, mas quando estes chegaram e viram um grupo de profetas profetizando, liderados por Samuel, o Espírito de Deus veio sobre eles e também começaram a profetizar[1]. Isso aconteceu com três grupos de mensageiros enviados por Saul[1]. Além dessa menção específica, os artigos não fornecem mais informações detalhadas sobre o que seria exatamente uma "casa de profetas" ou sua função na sociedade da época.
[1] De Almeida, João Ferreira, tran., Nova Almeida Atualizada, Edição Revista e Atualizada®, 3a edição (Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2017), p. 1 Sa 19:18–20
Importante destacar que:
Warren Wiersbe:
Saul teve uma experiência parecida depois que Samuel o havia ungido como rei (1Sm10.9-13), e dessa ocasião veio o ditado: “Está também Saul entre os profetas?”. Depois dessa experiência de Saul em Ramá, o provérbio voltou à moda. Esses dois acontecimentos provam que uma pessoa pode ter uma experiência religiosa extraordinária e, ainda assim, não passar por uma transformação de caráter. No caso de Saul, as duas experiências foram, de fato, enviadas pelo Senhor, mas Saul não se beneficiou delas. Manifestações religiosas especiais não indicam, inequivocadamente, que uma pessoa sequer seja salva (Mt7.21-23). Judas pregou sermões e até realizou milagres (Mt 10.1-8) e, no entanto, jamais creu em Jesus (Jo6.67-71; 13.10,11; 17.12) e traiu o Senhor, cometendo suicídio em seguida. Assim como Judas, Saul teve diversas oportunidades de ver a mão do Senhor operando e, no entanto, em momento algum passou por uma transformação pela graça do Senhor.
Não está exatamente claro o que aconteceu com Saul e seus profetas.
Tim Chester:
A palavra “profetizar” é muitas vezes usada em relação a um profeta proferindo uma palavra de Deus. Mas ela também pode descrever um transe- como vimos nos versículos 10 e 11, o “profetizar” de Saul envolveu atirar uma lança em Davi. A implicação é que profetizar envolve ficar sob a influência de um espírito. Poderia ser o Espírito de Deus e levar a profetizar no sentido de proclamar a palavra de Deus. Mas também poderia ser uma perda de controle frenética. Essa perda de controle é o que acontece com Saul.
Saul inadvertidamente constrange-se diante de Samuel, e de todos os outros profetas.

19.24. A “nudez” de Saul. Até Saul foi “contagiado” pelo Espírito de Deus e entrou em transe (uma experiência de êxtase), despindo-se de suas roupas. Esse, porém, é apenas um dos casos em que Saul é dominado pelo Espírito (cf. 10.10; 11.6; 16.14). O termo “despido” pode indicar a remoção das vestes de cima, não uma total nudez, e provavelmente foi o que aconteceu aqui. Saul não apenas envergonhou a si mesmo diante de Samuel, como também se despiu de suas insígnias reais, confirmando sua rejeição como rei.

Em suma, esse capítulo trata dos seguintes temas:
Soberania de Deus
Deus preserva Davi em todas as tentativas de assassinato. Como diz Calvino: “Quando os homens intentam o mal, Deus o converte em instrumento da Sua providência.” (Comentário sobre 1 Samuel)
Intercessão do Justo
Jônatas aponta para o intercessor perfeito, Cristo, que defende os inocentes contra o acusador (Hb 7.25; 1Jo 2.1).
Teologia da Aliança
Davi já havia sido ungido (1Sm 16). A perseguição de Saul é resistência contra o plano pactuado de Deus, que preserva sua linhagem redentora. Isso conecta com a Aliança Davídica futura (2Sm 7).
4. Outras aplicações:
(a) Incrível como Deus usa pessoas para intervir em favor de outras pessoas. Definitivamente “nenhum homem é uma ilha”.
Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; cada ser humano é uma parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não pergunte por quem os sinos dobram; eles dobram por ti.
John Donne in Meditações – XVII (1623)
Provérbios 27.6 NAA
Leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos.
Provérbios 27.17 NAA
O ferro se afia com ferro, e uma pessoa, pela presença do seu próximo.
Colossenses 3.12–14 NAA
Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revistam-se de profunda compaixão, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência. Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros. Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.
(b) Deus age providencialmente na defesa dos seus filhos e filhas. Jamais desista de confiar em Deus, ainda que a vida lhe golpeie, aflija e fira.
Provérbios 3.5–6 NAA
Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apoie no seu próprio entendimento. Reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas.
Isaías 26.3–4 NAA
Tu, Senhor, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme, porque ele confia em ti. Confiem sempre no Senhor, porque o Senhor Deus é uma rocha eterna.
Filipenses 4.6–7 NAA
Não fiquem preocupados com coisa alguma, mas, em tudo, sejam conhecidos diante de Deus os pedidos de vocês, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo entendimento, guardará o coração e a mente de vocês em Cristo Jesus.
Hernandes Dias Lopes:
O mal ergue sua fronte cavernosa para nos destruir, mas a mão invisível da providência se estende para nos defender. Foi a mão  de Deus que tirou Israel da escravidão no Egito e o introduziu na terra da promessa. Foi a mão de Deus que tirou Davi das toscas pastagens de Belém para ser rei de Israel. Foi a mão de Deus que impediu que o plano assassino de Hamã exterminasse o povo judeu na Pérsia. Foi a mão de Deus que livrou seu povo da fúria dos reis, da sanha sangrenta dos imperadores romanos, das fogueiras da intolerância, das prisões insalubres, do extermínio fatal. A sobrevivência do povo de Deus num mundo hostil é uma prova incontestável da providência divina. De Deus vem o nosso socorro. Seus olhos nos contemplam, seus braços nos protegem. Nele nos abrigamos do temporal.
Ilustr.:
Certo missionário voltava de férias de um acampamento e tinha pressa de chegar ao seu destino. Em determinado momento, porém, precisava atravessar um rio que na ocasião estava cheio demais, transbordante. Nenhum barco ali tinha capacidade de fazer a travessia. O missionário e seu pequeno grupo ajoelharam-se e começaram a orar. Aos olhos dos não-crentes isto parecia loucura. – Como poderia Deus transportá-los para o outro lado do rio? Enquanto oravam, uma imensa árvore ribeirinha que resistia aos temporais de tantos anos, repentinamente começou a balançar e caiu. Caiu tombando justamente atravessada, cruzando o rio até a outra margem. Todos os crentes ficaram felizes. O missionário arrematou: – Os engenheiros celestes construíram uma ponte para os servos de Deus. “E Jesus, respondendo, disse-lhes: Tende fé em Deus; porque em verdade vos digo que qualquer que disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar; e não duvidar em seu coração, mas crer que se fará aquilo que diz, tudo o que disser lhe será feito. Por isso vos digo que tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis, e tê-lo-eis” (Mc 11.22-24).
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