ESCOLA DOMINICAL - 27/06

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APOCALIPSE - 1 A 5

I. Introdução ao Livro do Apocalipse

1. Nome e Gênero Literário

Título: “Apocalipse” do grego  “ἀποκάλυψις” (apokálypsis = revelação).
A “revelação de Jesus Cristo” retrata de maneira dramática o paradoxal governo atual de Jesus Cristo como Rei de todos os reis do mundo, seu triunfo final e a salvação de seu povo através da tribulação.
Por mais extraordinário que seja, isso não é tudo. Ao reviver as visões que João teve em Patmos, o público de João testemunha não apenas a salvação do homem, a imagem de Deus, mas também a recuperação dos céus, da terra e das regiões subterrâneas (ou seja, o mar, o abismo, o inferno, fontes de água), os reinos do domínio do homem como foram originalmente apresentados em Gênesis 1–3.
O livro de Apocalipse nos apresenta uma grande serpente, uma mulher que dá à luz um filho que governará a terra e uma restauração final da árvore da vida. O simbolismo do livro abrange todas as Escrituras canônicas do Antigo Testamento e nos leva de volta ao início de algumas de suas imagens mais primitivas.
O livro revela como a semente da mulher esmaga a cabeça da serpente e completa a nova criação. Sua ordem canônica como o último livro de nossa Bíblia, portanto, é inteiramente apropriada. Gênesis e Apocalipse não são apenas os livros que abrem e fecham a Bíblia de uma perspectiva posicional, mas também temática.
A revelação não diz respeito apenas ao futuro, mas também ao passado e, em grande medida, ao presente — talvez, principalmente ao presente, pois foi o livro foi escrito para ser lido e ouvido na era presente (Ap 1.3; 21.7), além de fornecer à Igreja um componente essencial para a compreensão da vida neste mundo entre as duas vindas de Cristo.

2. Autor e Data

Autor: O apóstolo João (Ap 1.1, 1.9).
Data provável: Cerca de 95–96 d.C., sob o reinado de Domiciano.
João estava exilado na ilha de Patmos (Ap 1.9).

3. Contexto Histórico

Perseguição do Império Romano aos cristãos.
As igrejas da Ásia Menor enfrentavam pressões internas (heresias, esfriamento espiritual) e externas (idolatria estatal, perseguição).

4. Tema Central

A soberania de Deus e de Cristo sobre a história, a vitória final de Cristo sobre o mal, e o chamado à perseverança dos santos.
Apocalipse não está simplesmente interessado em afirmar a transcendência divina de uma forma geral, nem mesmo em promover as reivindicações soberanas do Deus de Israel da maneira que vários apocalipses judaicos contemporâneos a ele fazem. Ele está interessado em afirmar o senhorio de Jesus Cristo — o Cristo do Senhor, o Cordeiro de Deus — e sua vitória final. O tão esperado Messias de Deus chegou. Ele morreu, mas eis que está vivo para todo o sempre e possui as chaves da morte e do inferno (Ap 1.18).

5. Dicas interpretativas

Apocalipse 3. Ênfase

Quando queremos enfatizar algo em escrito, usamos o ponto de exclamação ou escrevemos em itálico. Porém, nos tempos bíblicos, os autores não dispunham dessas convenções. Assim, para prender a atenção do leitor, empregavam a técnica da repetição.

Apocalipse 3. Ênfase

Alguns exemplos das Escrituras deixam isso claro. Deus chamou Moisés até a sarça ardente no monte Sinai e disse: “Moisés! Moisés! (

Apocalipse 3. Ênfase

O mesmo princípio está entrelaçado na estrutura de Apocalipse, onde encontramos a repetição para fins de ênfase. João documenta as palavras de um anjo, que grita em voz alta: “Caída, caída está a grande Babilônia” (18.2); e os reis da terra, os mercadores e os navegadores exclamam: “Ai, ai, a grande cidade” (18.10, 16, 19).

É costume distinguir quatro abordagens principais para a interpretação de Apocalipse: historicista, preterista, futurista e idealista.
Numa abordagem historicista, os acontecimentos retratados simbolicamente em Apocalipse desdobram-se virtualmente em ordem cronológica nos acontecimentos da história eclesiástica e política.
A abordagem preterista entende que o livro se preocupa apenas com os eventos de sua própria era, uma era que já passou. Werner Georg Kümmel, por exemplo, diz: “Apocalipse é um livro de seu tempo, escrito em seu tempo e para seu tempo, não para as gerações distantes do futuro ou mesmo do fim dos tempos”.
A abordagem futurista é certamente a mais familiar para os cristãos de hoje, em razão dos extensos esforços de popularização. O futurismo sustenta que, após os primeiros capítulos de Apocalipse, o livro trata apenas dos eventos dos últimos anos da história.
A abordagem idealista entende que Apocalipse está relacionado a ideias, princípios, concepções teológicas e condições históricas relevantes em todas as épocas. A força dessa visão é o reconhecimento da aplicação de Apocalipse a cada fase da existência histórica da Igreja desde a primeira vinda de Cristo.
Interpretação idealista (simbolismo atemporal) e preterista parcial (alguns eventos já cumpridos no primeiro século).
Enfatiza a centralidade de Cristo, a vitória de Deus, e a chamada à fidelidade.
Fatores hermenêuticos
Existem alguns fatores hermenêuticos importantes a serem considerados para a interpretação de Apocalipse. Embora, de forma alguma, não esclareçam tudo, podem ajudar a estabelecer um fundamento firme.
Símbolos autointerpretados: Em primeiro lugar, Apocalipse interpreta um pouco de seu simbolismo para nós: as estrelas e os candeeiros em 1.20 (os anjos das igrejas e as próprias igrejas); a meretriz em 17.18 (a grande cidade que tem domínio sobre os reis da terra); o linho finíssimo em 19.8 (as ações justas dos santos).
A natureza simbólica das visões: Podemos atestar o simbolismo, por exemplo, na visão da praga de gafanhotos em Apocalipse 9.
Na visão de alguns intérpretes, os gafanhotos que João descreve são algum tipo de aeronave militar moderna ou futurista. O conhecimento de tal armamento, então, estaria fora do quadro de referências de João, de maneira que, enxergando-os a partir de um contexto cultural do primeiro século, o apóstolo poderia tê-los descrito como gafanhotos. Isso supõe, no entanto, que João foi transportado no tempo e teve permissão para testemunhar o evento histórico real, como um repórter em cena, e que é João quem decide retratar o que viu com o termo “gafanhotos” (Ap 9.3, 7).
Pelo contrário, a natureza simbólica das próprias visões sugere que não é João quem coloca os objetos em forma de símbolo; eles lhe são apresentados em forma de símbolo. Assim, quando João diz que viu um cordeiro, ele viu um cordeiro. Quando ele diz que viu uma meretriz sentada em uma besta de sete cabeças, ele viu uma meretriz sentada em uma besta de sete cabeças. Cada objeto, com certeza, é um símbolo a ser interpretado. Porém, quando João vê os objetos, eles estão em forma simbólica, não na forma de pessoas ou eventos históricos.
O princípio da recapitulação: Apocalipse apresenta várias imagens das mesmas realidades — em particular, a chegada do fim da história. Somos levados à beira do juízo final com o sexto selo em 6.12-17, a sétima trombeta em 11.15-19, a grande colheita em 14.14-20, a sétima taça em 16.17-21, o retorno de Cristo em 19.17-21 e o fim do milênio em 20.11-15. Isso nos impede de assumir que tudo no livro aconteça em sucessão cronológica.
“Não devemos considerar a ordem do que é dito, porque frequentemente o Espírito Santo, ao viajar até o fim dos últimos tempos, retorna mais uma vez aos mesmos tempos e completa o que antes não havia dito. Também não devemos procurar ordem em Apocalipse, mas seguir o significado daquilo que é profetizado.” - Vitorino de Pettau
Uso prolífico de imagens do Antigo Testamento: É difícil imaginar que entendemos muito de qualquer coisa em Apocalipse se não tivermos um conhecimento profundo e expansivo das fontes do Antigo Testamento das imagens empregadas em Apocalipse.
O livro de Apocalipse parece estar particularmente em débito para com Daniel, Ezequiel, Jeremias, Salmos e Gênesis.
Reconhecer, por exemplo, que Jesus aparece na primeira visão como o Filho do Homem glorificado de Daniel 7.9-14, com até mesmo algumas características do Ancião de Dias daquela mesma visão, amplifica para nós o fato de que lhe foi dado domínio sobre todos os povos, nações e línguas, conforme profetizado nessa passagem.

II. Panorama dos Capítulos 1 a 5

📖 Capítulo 1 – A Visão do Cristo Glorificado

Resumo:
João recebe a revelação e vê Cristo glorificado entre os candelabros (as igrejas).
Jesus é descrito em termos gloriosos e messiânicos (cf. Dn 7).
Na visão inaugural do livro, Cristo aparece a João como “um semelhante a filho de homem” (Ap 1.13), cuja aparição lembra vários elementos da visão do Filho do Homem de Daniel 7.9-14. Isso já comunica que Cristo, o divino Filho do Homem, apareceu diante do Ancião de Dias e recebeu o domínio universal (Dn 7.13-14; Mt 28.19). O fato de ele andar no meio das igrejas e segurar em sua mão direita as sete estrelas (os anjos das sete igrejas) o retrata inequivocamente como o Senhor das igrejas, o qual pode, portanto, salvar (ele possui as chaves da morte e do inferno) e disciplinar seu povo.
O capítulo 1 lança base para o restante do livro: há um cordeiro que foi morto mas agora reina em glória, e João está diante dessa glória e comunica aos crentes de sua época (e para nós) a majestade do Senhor Jesus Cristo.
Temas teológicos:
Cristo é o Senhor da História (v. 8: “o Alfa e o Ômega”).
Ele anda entre as igrejas, protegendo e corrigindo (v. 13).
Visão exaltada de Cristo: cabelos brancos, olhos de fogo, voz poderosa — glória, santidade e autoridade.
Cristo tem as chaves da morte e do Hades (v. 18) — domínio total.
Aplicação Reformada:
Cristo reina agora (não apenas no futuro).
A igreja sofre, mas está nas mãos do seu Senhor vitorioso.

📖 Capítulos 2 e 3 – As Cartas às Sete Igrejas da Ásia

Resumo:
Cartas às igrejas de Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia.
Estrutura comum: saudação, elogio (exceto Laodiceia e Sardes), repreensão (exceto Esmirna e Filadélfia), exortação e promessa.
As mensagens de Cristo às igrejas podem ser resumidas das seguintes formas:
• Éfeso: Forte na verdade, mas fraca no amor.
Amor - Mt 22.37-40;
Apocalipse c. Promessa (2.6–7)

Devido à falta de informação nas cartas às igrejas de Éfeso e Pérgamo, podemos apenas supor que o estilo de vida dos nicolaítas era imoral, que eles comiam do alimento que era oferecido aos ídolos e pervertiam a verdade (2.14–16).

Apocalipse a. Violência (2.12–13)

A quinta interpretação é incisiva. Enquanto a quarta explicação chama a atenção para o engano de Satanás, a quinta enfatiza o poder destrutivo de Satanás na perseguição do povo de Deus. Os cristãos que se recusavam a reconhecer César como seu senhor e deus (dominus et deus) arriscavam o confisco de suas propriedades, o exílio ou a morte. Se levarmos em conta que Antipas foi morto e que João foi exilado por causa do seu testemunho de Jesus, então essa quinta interpretação se encaixa muito bem no contexto como um todo.

• Esmirna: Fiel até a morte.
• Pérgamo: Mantendo-se firme, mas começando a transigir.
Apocalipse a. Violência (2.12–13)

Pérgamo era o centro do culto ao imperador

• Tiatira: Cheio de boas obras, mas tolerante com a falsa fé.
• Sardes: À beira da morte espiritual.
• Filadélfia: Mantendo a palavra.
• Laodiceia: Morna e enjoativa.
Em vez de representar diferentes épocas da igreja, as sete igrejas, suas situações e as respostas de Cristo a elas são mais bem vistas como tendo aplicação perene às diversas situações particulares da Igreja em todas as épocas.
Apocalipse B. As Sete Cartas (2.1–3.22)

Jesus elogia e repreende quatro congregações: Éfeso, Pérgamo, Tiatira e Sardes. Ele elogia duas: Esmirna e Filadélfia. E repreende uma: Laodiceia. Essas sete igrejas representam a igreja universal; as sete cartas foram escritas para todos os lugares em que o povo de Deus se reúne para adoração, comunhão e evangelização. Portanto, o número sete não deve ser interpretado num sentido absoluto, mas antes como símbolo que representa a completude

Aponta para a santidade e correção eclesiástica (um tema reformado importante).
Cristo como cabeça da igreja visível e invisível.

📖 Capítulo 4 – O Trono de Deus

Resumo:
João é levado ao céu e vê Deus no trono.
Anjos e seres viventes louvam ao Criador continuamente.
Temas teológicos:
Deus é soberano, santo e glorioso.
A adoração celestial é centrada em Deus como Criador (v. 11).
Um paralelo com o culto reformado: Deus no centro, reverência, glória divina.
Aplicação Reformada:
Em meio à perseguição, a igreja é lembrada da soberania divina.
O culto reformado reflete a majestade e ordem celestiais.
Conforto: tudo está sob o controle do Rei eterno.

📖 Capítulo 5 – O Cordeiro Digno

Resumo:
João vê um livro selado — ninguém é digno de abri-lo.
O Cordeiro (Cristo) aparece — morto, mas de pé.
Ele é digno de abrir o livro, pois foi morto e redimiu um povo para Deus.
Temas teológicos:
Cristo Redentor é o centro do plano de Deus.
Ele é ao mesmo tempo Leão (rei, vencedor) e Cordeiro (sacrifício).
A redenção é eficaz, substitutiva e particular (v. 9-10).
Toda a criação adora o Cordeiro.
Aplicação Reformada:
Enfatiza a redenção específica e a soberania de Cristo.
Reforça o tema da adoração centrada em Cristo.
Cristo governa a história por meio do seu sacrifício (v. 5-7).

🎯 Conclusão e Aplicações Práticas

O Apocalipse começa não com catástrofes, mas com Cristo exaltado e a igreja corrigida.
O culto celestial (caps. 4–5) molda nossa visão de Deus e da história.
A mensagem central: Deus reina, Cristo venceu, os santos devem perseverar.
A igreja visível (caps. 2–3) deve sempre se reformar à luz da Palavra do Cristo glorificado.
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