Oração 2

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A Oração Impossível e o Espírito que a Torna Real

Texto Principal: Romanos 8:26 - "E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis."
Na nossa última conversa, vimos a anatomia da oração que agrada a Deus. Falamos sobre um coração sincero, sem máscaras; uma alma consciente da sua miséria e da misericórdia de Deus; e uma afeição fervorosa, um coração em chamas.
Mas talvez, ao meditar sobre isso, uma pergunta tenha surgido, uma pergunta honesta e até um pouco angustiante: 'Como eu consigo orar assim?'
Como eu, com meu coração tão propenso a se distrair, com minha mente tão ignorante das coisas de Deus, com minha fé tão frágil, consigo produzir uma oração tão pura, tão consciente, tão intensa? Se formos sinceros, percebemos que existe um abismo entre o que a oração deve ser e o que a nossa oração frequentemente é.
E se eu lhes dissesse que a Bíblia concorda com essa nossa sensação de incapacidade? E se eu lhes dissesse que a verdadeira oração, por nós mesmos, é na verdade, uma oração impossível?
Este diagnóstico pode parecer desolador, mas é o ponto de partida mais libertador que existe. Porque o Evangelho não nos aponta a nossa fraqueza para nos esmagar, mas para nos mostrar onde reside a verdadeira força. E hoje, vamos descobrir o segredo divino que torna a oração impossível, não apenas possível, mas poderosa: a obra do Espírito Santo.
PRIMEIRO: O DIAGNÓSTICO HONESTO - A NOSSA TOTAL INCAPACIDADE DE ORAR
O apóstolo Paulo, em Romanos 8, nos dá um diagnóstico chocante. Ele, um gigante da fé, um homem que foi arrebatado ao paraíso, faz uma confissão em nome de todos os apóstolos: 'Nós não sabemos o que havemos de pedir como convém.'
Parem e pensem na profundidade disso. Se o apóstolo Paulo, com toda a sua revelação, teologia e intimidade com Cristo, admite sua própria ignorância na oração, o que isso diz sobre nós?
Bunyan, meditando sobre isso, nos mostra que nossa incapacidade é total.
Não sabemos O QUE pedir: Por natureza, nossa mente é cega para as coisas de Deus. Não sabemos desejar as coisas certas. Pedimos mal, como diz Tiago, para gastar em nossos próprios prazeres. Sem a luz do Espírito, não conseguimos nem mesmo ter um pensamento correto sobre Deus, sobre Cristo, ou sobre a nossa real necessidade de salvação.
Não sabemos COMO pedir: Mesmo que soubéssemos o que pedir, não saberíamos como nos aproximar de um Deus Santo. Não saberíamos a maneira correta, a postura de coração, a reverência necessária.
E talvez, irmãos, o exemplo mais claro e assustador de oração feita com habilidade humana, mas sem o poder do Espírito, seja o dos fariseus nos tempos de Jesus.
Pensem comigo: se houvesse um prêmio para os "melhores em orar" com base na aparência, os fariseus ganhariam. Eles eram os especialistas. A Bíblia diz que eles faziam longas orações em público (Marcos 12:40). Eram perfeitamente capazes de se expressar com eloquência. Suas orações eram tecnicamente impecáveis, cheias de referências teológicas, feitas nos lugares e nas horas certas. Eram uma performance de piedade.
Mas qual foi a reação de Jesus? Ele os repreendeu duramente. Ele os chamou de "hipócritas". Ele contou a parábola do fariseu e do publicano, mostrando que a oração longa e arrogante do fariseu foi rejeitada, enquanto o clamor simples e quebrantado do publicano ("Deus, tem misericórdia de mim, pecador!") foi ouvido.
Por quê? Bunyan vai direto ao ponto. Ele diz que os fariseus e suas orações foram rejeitados porque eles não tinham a ajuda do Espírito de Jesus Cristo. Eles oravam na força da sua própria carne, na sua própria habilidade, na sua própria justiça. E o resultado? A oração que deveria ser um ato de comunhão se tornou, aos olhos de Deus, uma abominação.
Isso, amados, é um alerta solene para cada um de nós. Mostra que o maior perigo na vida de oração não é apenas orar pouco. O perigo também é orar muito, mas sem o Espírito. É confiar na nossa técnica, na nossa eloquência, na nossa rotina de oração, e esquecer que sem o sopro vivo de Deus, nossas palavras mais belas são apenas como o 'metal que soa ou como o sino que tine'.
É como tentar descrever as cores do pôr do sol para alguém que nasceu cego. Você pode usar as palavras mais bonitas, ler os poemas mais eloquentes, mas a experiência real da cor é impossível sem a visão. Da mesma forma, nós podemos ler todos os livros de oração, decorar o 'Pai Nosso', mas sem que o Espírito abra os olhos do nosso coração, nossas palavras sobre Deus serão vazias, sem vida, sem a verdadeira visão.
É por isso que o diagnóstico da nossa incapacidade é tão vital. Porque somente quando entendemos o fracasso da melhor oração humana, a oração do "especialista", é que estamos prontos e desesperados para receber a gloriosa ajuda divina.
Este diagnóstico pode parecer desolador... Mas é aqui que o Evangelho se torna glorioso. Porque onde a nossa capacidade termina, a ajuda divina começa. A Bíblia não nos deixa com o diagnóstico da nossa fraqueza. Ela nos apresenta o Médico. E é sobre a ajuda Dele que vamos falar agora..."
SEGUNDO: O SOCORRO DIVINO - COMO O ESPÍRITO TORNA A ORAÇÃO REAL
A segunda parte de Romanos 8:26 é a notícia mais gloriosa para quem se sente fraco na oração: '...mas o mesmo Espírito intercede por nós...'. Onde a nossa habilidade termina, a obra do Espírito começa. Ele não é um mero ajudante; Ele é o agente ativo que torna a nossa comunicação com Deus possível. Bunyan nos mostra como Ele faz isso.
1. O Espírito é o nosso GUIA. Sem Ele, estamos perdidos. É o Espírito quem primeiro nos convence da nossa miséria. É Ele quem nos mostra nosso pecado e nos faz sentir a necessidade desesperada de um Salvador. Sem essa convicção, nossas orações de confissão são apenas teatro. Mas Ele não nos deixa no desespero. É o mesmo Espírito que nos mostra o caminho de volta para Deus, que nos revela a beleza de Cristo e a segurança da misericórdia do Pai. Ele pega em nossa mão, em nossa confusão e medo, e nos guia confiantemente ao trono da graça.
2. O Espírito é o nosso TRADUTOR. O versículo diz que Ele intercede por nós com 'gemidos inexprimíveis'. Esta é uma das verdades mais consoladoras da fé. Há momentos em nossa angústia ou em nossa adoração que as palavras somem. O coração está tão cheio que a boca não consegue expressar. São os suspiros, as lágrimas, a dor ou o anseio que nenhuma frase consegue capturar. Nesses momentos, o Espírito Santo pega esses gemidos da nossa alma, que são mais profundos que qualquer palavra, e os traduz perfeitamente ao Pai. Ele sabe a intenção do nosso coração e apresenta nosso clamor mudo a Deus de uma forma que está perfeitamente alinhada com a vontade do Pai. Ele transforma nosso 'não saber o que dizer' na oração mais perfeita possível.
3. O Espírito é a nossa FORÇA MOTRIZ. A oração exige energia espiritual. Provérbios 16:1 diz que "Do homem são as preparações do coração, mas do SENHOR a resposta da língua". Bunyan explica que o Espírito é quem faz duas coisas essenciais:
Ele levanta o nosso coração. Quantas vezes vamos orar e nosso coração está pesado, frio, relutante? É o Espírito quem o aquece e o eleva até a presença de Deus. Davi clamava: 'A ti, SENHOR, levanto a minha alma' (Salmo 25:1), pois sabia que não podia fazer isso sozinho.
Ele sustenta o nosso coração. É difícil começar a orar, mas talvez seja ainda mais difícil permanecer em oração, com o coração focado e engajado. Nossa mente divaga, o cansaço bate. É o Espírito quem nos mantém ali, quem nos dá a força para perseverar, para lutar como Jacó e não desistir. É por isso que Judas nos exorta a 'orar no Espírito Santo' como forma de nos mantermos firmes na fé.
EXEMPLO HOMEM DE FERRO:
Quem é Tony Stark sem sua armadura? Um genio, biolionario, playboy, filantropo… mas ainda assim, um homem vulneravel de carne e osso. E o que da poder a armadura do homem de ferro? O Reator Arc em seu peito. Sem essa fonte de energia, a armadura é apenas uma estatua de metal, unitil e pesada. Tony pode estar dentro dela, mas ele nao pode voar, nao pode lutar, nao faz nada. O reator arc é o coração de tudo.
Nos somos Tony Stark: EM nossa humanidade, mesmo com nossos melhores talentos e inteções somos fracos e vulneraveis.
A oração é a armadura: A pratica da oração - as palavras, o tempo que dedicamos a disciplina - é como a armadura. Ela tem o petencial de ser algo poderoso.
O Espirito Santo é o reator arc: Ele é a fonte de energia divina que anima a nossa oração. Sem o Espirito, nossa oração por mais bem estruturada ou disciplinada que seja, é apenas uma “armadura desligada”. É um ritual vazio, um peso morto. É o Espirito que da luz, poder e vida à nossa comunicação com Deus. Nos nao geramos a energia, nos dependemos dela
Ele é o Guia que nos mostra o caminho, o Tradutor que entende nosso silêncio, e a Força que nos impulsiona e sustenta.
CONCLUSÃO: DA FÓRMULA À DEPENDÊNCIA
Irmãos, o que tudo isso significa para nós, na prática? Significa que a solução para uma vida de oração fraca não é um novo método, um novo livro ou uma nova fórmula. A solução é uma nova dependência.
Bunyan critica duramente as orações pré-fabricadas e as tradições humanas não porque as palavras sejam necessariamente ruins, mas porque elas nos tentam a confiar na forma, e não no poder. A questão central que ele nos força a encarar é: em que você está confiando quando ora? Na sua própria habilidade, na sua disciplina, em uma repetição de palavras? Ou você está confiando na ajuda desesperada e poderosa do Espírito Santo?
Portanto, o convite para nós hoje é um convite à rendição.
Comece com Humildade. Antes de proferir uma palavra a Deus, reconheça em seu coração: 'Eu não sei orar como convém'. Abandone toda a confiança própria.
Clame por Dependência. Faça da sua primeira petição um pedido de ajuda ao próprio Ajudador. Diga simplesmente: 'Santo Espírito, socorre a minha fraqueza. Aquece meu coração. Guia meus pensamentos. Abre os meus lábios.'
Valorize os Gemidos. Não despreze os dias em que você não tem palavras. Talvez seja nesses dias que sua oração seja mais pura, pois é pura obra do Espírito. Aprenda a ficar em silêncio na presença de Deus, confiando que o Tradutor divino está em ação.
Que possamos sair daqui não mais sobrecarregados pela nossa incapacidade, mas maravilhados com a graça de um Deus que não apenas nos convida a orar, mas nos envia o Seu próprio Espírito para orar em nós, conosco e por nós.
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