DOIS CAMINHOS, DOIS FINS

Evangelho de Lucas  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Lucas 18.18-30
                Desde os primeiros sermões eu enfatizo a estrutura do texto de Lucas, que buscou escrever dentro de uma cronologia seu texto com o fim de instruir o “excelentíssimo Teófilo”. Por qual motivo eu volto a destacar esse elemento do texto?
- Quando observarmos a estrutura do capítulo 18, percebemos que está presente de forma intencional um ensino sobre o coração dos homens.
1 – A parábola do juiz iníquo e o ensino sobre a perseverança na oração.
2 – A parábola do Fariseu e do Publicano, e o ensino sobre o coração quebrantado;
3 – As crianças como modelo de fé, e a simplicidade do coração de uma criança.
  Todos esses três ensinos estão em perfeito contraste com aquilo que teremos a seguir, “O jovem rico” e o “perigo das riquezas”. Tudo o que foi tratado anteriormente tem o objetivo em culminar no ensino dessas duas perícopes.
Voltando-se ao texto, iniciamos nos versículos 15-17 onde Jesus utiliza as crianças como modelo de fé.
O Jovem Rico
18 Certo homem de posição perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 19 Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus. 20 Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe. 21 Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude. 22 Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me. 23 Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo. [1]
- De forma muito interessante, Lucas organiza o texto, de modo a gerar perfeita conexão entre os assuntos. O versículo anterior diz que “quem não receber o reino de Deus como uma criança de maneira alguma entrará nele”.
- A pergunta do jovem é: “Que farei para herdar a vida eterna?” ou “Que farei para herdar o reino?”
- Sabe o que vamos observar? Aquilo que sobra na criança falta nesse homem.
Vamos aos fatos!
- De todas as pessoas que se encontraram com Cristo, este homem é o único que saiu pior do que chegou. Ele foi amado por Jesus, mas, mesmo assim, desperdiçou a maior oportunidade da sua vida. A despeito de ter buscado a pessoa certa, de ter abordado o tema certo e de ter recebido a resposta certa, ele tomou a decisão errada. Ele amou mais o dinheiro do que a Deus, mais a terra do que o céu, mais os prazeres transitórios desta vida do que a salvação da sua alma.[2]
- Quero refrescar a memória dos irmãos com Lucas 10.25, quando “certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” – Naquela ocasião, ressaltamos que aquela não era uma pergunta aleatória, era intencional, como a do jovem aqui do texto.
- Que crença é essa?
- Aquele escriba de Lucas 10, como esse jovem, de Lucas 18, como muitos por aí, acreditam que a vida eterna é algo que possa ser conquistado. Na ocasião, eu usei essa analogia, como que um utensílio valioso na última prateleira de uma estante. Como um tesouro que será encontrado ao fim de uma longa escalada.
- Estou fazendo lembrar o texto de Lucas 10, pois o cenário, embora não seja o mesmo, é bem parecido.
Vamos ao texto!
1 – O homem de posição se achega a Jesus lhe perguntando: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. (v.18)
- Esse texto aparece nos outros dois evangelistas, Mateus e Marcos. Mateus simplesmente o trata como alguém, só depois será chamado jovem. Aqui no relato de Lucas, ele é identificado como um tipo de presidente, um líder, superior ou maioral de uma sinagoga.
- Marcos, descreve o episódio de forma dramática o texto em Marcos diz: “E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe...”
- O texto de Lucas diz que “esse homem de posição”, vai a Jesus e o interpela iniciando com: “Bom Mestre”. A princípio, o título utilizado não é estranho, ao contrário, os homens de autoridade, comumente se tratavam assim. (Mais tarde Jesus afastará o cumprimento casual do homem enfatizando a bondade de Deus como o primeiro passo para a salvação).
- Podemos dizer pela maneira como o governante se dirige a Jesus que ele acredita que é um bom homem consultando outro. Jesus lhe faz saber que ninguém se concentra em sua própria bondade quando procura ser correto diante de Deus. Somente um é verdadeiramente bom, Deus, e a salvação vem somente dele. Então Jesus está dizendo ao homem que se concentre somente em Deus, não em si mesmo.[3]
- A pergunta do jovem presidente é boa, carrega sentido: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”.
- Lembremo-nos, por exemplo, que, depois da pregação de Pedro milhares de pessoas veem a ele perguntando o que “devem fazer”? Quando Paulo e Silas orando, são libertos das cadeias por um terremoto, o carcereiro, que pensa ser o seu fim, pergunta: “que devo fazer para que seja salvo?”.
- Basicamente, podemos dizer que é a mesma pergunta: O que fazer para herdar a vida eterna?
- “Para herdar”: κληρονομεω kleronomeo
1) receber um lote, receber por fortuna ou sorte
1a) esp. receber uma parte de uma herança, receber como herança, obter pelo direito de herança
1b) ser um herdeiro, herdar
2) receber a porção designada, receber um porção loteada, receber como próprio ou como uma posse
3) tornar-se participante de, obter[4]
- Quando traduzimos o texto literalmente, chegamos à sentença de que a própria pergunta do jovem, carrega a ideia de merecimento, e isso se confirma com a resposta que ele dará a Jesus.
- Nesse caso, diferente dos homens de Atos, esse homem aqui, não se maravilhou com o Senhor, ele o trata como um igual, e reconhecendo isso, pergunta quando poderá tomar a titularidade da terra (vida eterna).
V.19 – “Respondeu-lhe Jesus: Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus”.[5]
-  E Jesus? Será que seu coração palpita ao encontro daquele que está diante dele de joelhos?
- Será que o toma pela mão e o levanta?
- Porventura lhe dá as boas-vindas com alegria em seu grupo mais chegado de discípulos?
- Na verdade, de forma serena, fria, quase em tom de rejeição, soa a resposta de Jesus ao entusiasmo do jovem comovido. “Por que me chamas bom? Ninguém é bom, senão um, que é Deus!”
- Aqui está um ponto importante, alguns ao leram esse texto, apontam que Jesus está assumindo a sua não perfeição, e nesse caso, sua pecaminosidade.
- Mas, na verdade, ao rejeitar a saudação “Bom Mestre” Jesus não está dizendo “Não sou bom”. Afinal, o Senhor se autodenomina o bom Pastor (Jo 10:14). Igualmente tem consciência de sua não-pecaminosidade (Jo 8:46).
- Eu volto a questão de que Jesus, está rejeitando a saudação, por saber que ela vem carregada de orgulho, aquele homem, como eu disse, o saúda como um igual, um “homem bom” falando ao “Bom Mestre”.
- Jesus lhe faz saber que ninguém se concentra em sua própria bondade quando procura ser correto diante de Deus. Somente um é verdadeiramente bom, Deus, e a salvação vem somente dele. Então Jesus está dizendo ao homem que se concentre somente em Deus, não em si mesmo.
v. 20 – “Sabes os mandamentos: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra a teu pai e a tua mãe”
- A pergunta de Jesus é inteligente, ela penetra o coração e o vasculha, investiga.
Quanto ao que o homem deve fazer, Jesus responde: “Vós conheceis os mandamentos”, depois menciona a segunda tábua (o lado ético) do Decálogo, com a ordem real ligeiramente alterada — números 7, 6, 8, 9, 5 (adultério, assassinato, roubo, falso testemunho, honrar os pais), colocando os pais por último, possivelmente, para terminar com um comando positivo (vós devereis) em vez de negativo (não devereis).
- Percebemos que as perguntas de Jesus são unicamente éticas, estão focadas naquilo que fazemos devemos fazer aos homens.
-     Note que, após consertar o equívoco básico o Senhor responde à pergunta do maioral quanto à obra que precisa ser realizada para herdar a vida eterna. Jesus não diz nada sobre uma obra extraordinária ou especial, mas simplesmente recomenda o cumprimento da lei.
    O rico deve se dar conta de que não há necessidade de novos mandamentos para cumprir a vontade de Deus. Jesus age como bom pedagogo. Muito longe de destroçar aquele que crê em sua própria força, ele o incentiva a seguir fiel e coerentemente esse caminho até o final. Porque Jesus sabe muito bem que o jovem, se for sincero, morrerá como Paulo por meio da lei para a própria lei (Gl 2:19). Encarar inteiramente a seriedade da lei é o único caminho verdadeiro para chegar a Jesus Cristo.
v.21 “Replicou ele: Tudo isso tenho observado desde a minha juventude”
- Isso fortalece uma questão que levantamos no sermão passado, sobre o modo de vida dos religiosos da época de Jesus. Havia charlatões no meio religioso como existem hoje, claro que sim. Contudo, há um alto padrão moral sendo buscado por eles, algo bem diferente hoje.
- O homem comenta orgulhosamente: “Tudo isso eu guardo desde menino” (outro vínculo com 18.15–17). Esta afirmação extravagante é semelhante à do fariseu do capítulo 18 (v. 11). Ele está dizendo que tem observado fielmente a Torá desde que atingiu a idade de responsabilidade legal (treze anos). Ele assume que está de acordo com Deus e espera que Jesus agora diga que fez tudo o que precisava fazer. Ele está esperando por sua medalha de honra ao mérito em salvação.
- Ryle diz que: A primeira coisa essencial à nossa salvação é sermos livres dessa cegueira. Os olhos de nosso entendimento precisam ser iluminados pelo Espírito Santo (Ef 1.18). Temos de aprender a conhecer a nós mesmos.
- Nenhum homem verdadeiramente ensinado pelo Espírito jamais falará que, desde a juventude, tem “observado” todos os mandamentos de Deus. Pelo contrário, ele clamará, assim como o apóstolo Paulo: “A lei é espiritual; eu, todavia, sou carnal […] eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum” (Rm 7.14, 18).[6]
22-23 “Ouvindo-o Jesus, disse-lhe: Uma coisa ainda te falta: vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro nos céus; depois, vem e segue-me. 23 Mas, ouvindo ele estas palavras, ficou muito triste, porque era riquíssimo. [7]”
- Deve ter vindo como um choque saber que havia um obstáculo intransponível que tinha de ser enfrentado antes que ele pudesse estar correto diante de Deus.
- O povo judeu entendia que a riqueza era um sinal de benção e prazer divino e nunca uma barreira para Deus. Além disso, Jesus diz de forma tão categórica que a boca do homem deve ter caído aberta: “Ainda lhe falta uma coisa. Venda tudo o que você tem e dê aos pobres, e você terá um tesouro no céu”. Este é exatamente o ponto do capítulo 16, versículos 8b e 9, mas aqui é ainda mais forte, pois ele exige, “venda tudo”.
- Seus bens tinham se tornado seu ídolo, e assim ele teve que se livrar desta força que o escravizava. Estas são as coisas que o impedirão de viver a vida eterna, portanto, ele deve se despojar delas. Nada poderia ter sido mais chocante para o judeu comum, que entendia que isso mesmo significava que Deus o favorecera.[8]
- Esses versículos nos ensinam, coo diz Ryle: o grande dano causado por um pecado que domina o coração”.
- O desejo que o homem rico expressou era correto e bom. Ele queria a “vida eterna”. À primeira vista, não havia razão pela qual esse homem não podia ser instruído no caminho de Deus ou que o impedisse de se tornar um discípulo de Cristo.
- Mas, infelizmente, existia uma coisa que ele amava mais do que a “vida eterna”. Era sua própria riqueza.
- Quando convidado por Cristo a abandonar tudo que possuía na terra e ajuntar um tesouro nos céus, esse homem não teve fé para aceitar o convite. O amor ao dinheiro era o pecado que dominava seu coração.
- Ryle afirma que essa atitude é muito comum em nossos dias: “Poucos são os pastores que não podem citar diversos casos semelhantes ao desse homem”.
- Muitas pessoas estão dispostas a desistir de tudo por amor a Cristo, exceto a um pecado muito querido e, por amarem esse pecado, arruínam suas almas para sempre.
- Citei pela manhã a questão de João Batista e sua morte. Herodes ouvia João Batista e, “quando o ouvia, ficava perplexo, escutando-o de boa mente” (Mc 6.20). Mas houve algo que Herodes não podia fazer: romper seu relacionamento com Herodias. Isso custou-lhe a alma.
- Não pode haver reservas em nosso coração se desejamos receber algo de Cristo. Precisamos estar dispostos a abandonar qualquer coisa, embora nos seja muito preciosa, que se coloque entre nós e nossa salvação.
- Devemos estar prontos a cortar fora a mão direita e a arrancar nosso olho direito, a fazer qualquer sacrifício e quebrar qualquer ídolo. Temos de lembrar: a vida eterna está em jogo! Uma pequena fenda não reparada é suficiente para afundar um grande navio.
- Um pecado costumeiro, ao qual uma pessoa se agarra com obstinação, é suficiente para fechar-lhe a entrada no céu. O amor ao dinheiro, nutrido de forma oculta no coração, é o bastante para levar um indivíduo, que, em outros aspectos, possui moralidade e irrepreensão, ao abismo do inferno.[9]
6 – O jovem se retira triste, desolado com as palavras de Jesus.
- Jesus responde à relutância do governante em se separar de sua riqueza comentando: “Como é difícil para os ricos entrarem no reino de Deus!”
- As riquezas amarram tanto as pessoas a este mundo que elas não podem deixar suas riquezas em nome do mundo vindouro.
- Entrar no reino é outra maneira de descrever a salvação.
- Há aqui um sentido inaugural, pois “já” entramos no reino quando nos tornamos cristãos, mas “ainda não” consumamos nossa nova vida entrando no céu. Colocando o cenário junto, isso retrata a pessoa sendo resgatada das pesadas correntes que os bens se tornaram e sendo transportada para o reino de Deus. Aqueles que superaram seus laços com este mundo são os prisioneiros libertados de 4.18. Os ricos têm tanto poder sobre esta vida que percebem pouca necessidade de Deus ou do reino celestial. Eles são seus próprios deuses e vão para a perdição eterna pensando que estão no comando.
- Após o triste afastamento do jovem rico, que não estava disposto a abandonar suas riquezas para seguir a Jesus, Ele volta-se para os discípulos e faz uma afirmação profunda: a salvação é impossível para o ser humano, mas possível para Deus. A partir dessa reflexão, Jesus ensina verdades que têm profunda implicação para todos nós, independentemente de nossa condição social. Vamos analisar o que o Senhor nos ensina nesse texto e como isso traz esperança para nossas vidas hoje.
v.24-25 – ““24 E Jesus, vendo-o assim triste, disse: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! 25 Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.
- Jesus fitou profundamente o jovem decepcionado. Ele o viu ir embora.
- Visualize agora a cena. O jovem governante e rico foi embora. Jesus e os 12 estão sozinhos uma vez mais. Voltando-se para eles (Mc 10.23), Jesus realça o fato de que é realmente difícil para os ricos entrarem no reino de Deus. Adesão a Deus requer separação do mundo, e isso não é fácil.[10]
- Por certo, é absolutamente impossível que um camelo com sua corcova e tudo mais passe pelo fundo de uma agulha. Pense nisto: um camelo, o maior animal da Palestina, passando pela pequeníssima abertura de uma agulha! Ridículo! Tal coisa não acontece!
A razão pela qual Jesus se expressou de forma tão dramática era que ele queria que os discípulos atentassem bem. Ele queria que a verdade da total incapacidade humana penetrasse bem fundo na mente deles.
- Para explicar o que Jesus quer dizer, é inútil e infundado tentar mudar “camelo” por “cabo” – veja Mateus 23.24, em que a intenção deve ter sido um camelo real – ou definir o “olho de agulha” como sendo um portão bem estreito no muro da cidade, um portão, assim prossegue o raciocínio, através do qual um camelo só pode passar ajoelhado e depois que toda a carga tenha sido removida.
- Essas “explicações” (?), afora o fato de serem passíveis de objeções do ponto de vista linguístico, tentam tornar possível o que Jesus claramente declarou ser impossível.
- O Senhor quer dizer que é impossível que um rico faça ou encontre por suas próprias forças um caminho para o reino de Deus.
- Quão poderosa é a resistência que a riqueza exerce no coração do homem natural! Ele é violentamente retido por seu fascinante charme e é assim impedido de cultivar uma atitude de coração e mente necessária para entrar no reino de Deus.
- Lucas 16.13 – “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas”. [11]
- 1 Timóteo 6.10 “Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores”. [12]
-  É preciso observar que Jesus fala deliberadamente em termos absolutos.
- Ele fala em termos absolutos a fim de gravar ainda mais claramente na mente dos discípulos que a salvação, do princípio ao fim, não é uma “realização” humana.
26 E os que ouviram disseram: Sendo assim, quem pode ser salvo?
A resposta natural no versículo 26 é assombrosa: “Quem então pode ser salvo?” Se os ricos que são especialmente abençoados por Deus não podem encontrar a salvação eterna, que chance mais alguém tem? “Pode” é o dynatai, e neste contexto ele pergunta “por que poder alguém é capaz de encontrar a salvação?” Jesus responde que é impossível de uma perspectiva humana, mas não para Deus.
- Na realidade, a salvação de qualquer um de nós é uma impossibilidade total, mas é por isso que Deus enviou seu Filho para morrer na cruz como sacrifício expiatório por nossos pecados.
- A idolatria da riqueza, como qualquer outro pecado, pode ser vencida por Deus. Humanamente falando, os materialistas não podem ser afastados de sua segurança e dependência dos bens do mundo, mas pela graça e misericórdia de Deus que podem ter lugar na vida deles. Há aqui um reflexo de Gênesis 18.4 (“É algo muito difícil para o Senhor?”) e Jó 42.2 (“Eu sei que você pode fazer todas as coisas”).[13]
v.27  - “Mas ele respondeu: Os impossíveis dos homens são possíveis para Deus”.
V.28 “E disse Pedro: Eis que nós deixamos nossa casa e te seguimos”.
- Pedro, como sempre, tem pensado na situação dos discípulos e quer saber onde eles se encaixam em tudo isso.
- O tom negativo o preocupa, por isso ele pergunta abruptamente no versículo 28: “Deixamos tudo o que tínhamos para segui-lo”. Ele está lembrando a Jesus que eles já passaram no teste de que o governante rico falhou e deixaram seus bens para trás.
- Duas coisas encontradas em Mateus 19.27 estão implicadas aqui: “para segui-lo” (eles entraram em sua jornada de discipulado) e “O que então haverá para nós?”.
- Esta é a grande pergunta de Pedro, e mostra que eles não deixaram suas ambições para trás. Seu desejo de grandeza e glória tem sido evidente há muito tempo (9.46; 22.24).
- Ainda assim, eles chegaram longe, e Jesus trata seu comentário com seriedade. Os requisitos para seguir Jesus foram claros:
“Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me[14]” (Lucas 9.23)
“Se alguém vem a mim e não aborrece a seu pai, e mãe, e mulher, e filhos, e irmãos, e irmãs e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo. 27 E qualquer que não tomar a sua cruz e vier após mim não pode ser meu discípulo”. (Lucas 14.26–27)
e ele se baseará nisso aqui.
- A resposta de Jesus (vv. 29, 30) é outro amēn(18.17) que enfatiza a verdade absoluta e a importância da mensagem.
- Deus vai mais do que compensar cada sacrifício pessoal.
- Estamos de volta à questão das recompensas no céu (16.9).
- Seguir a Jesus, de fato significa para muitos a perda da casa e da família “pelo bem do reino de Deus”. Isso se baseia no ensinamento anterior de Jesus, no qual ele enfatizou que seus seguidores devem colocá-lo acima de sua família (9.60, 61), e que os lares seriam divididos como resultado (12.52, 53).
- O autossacrifício está no âmago do discipulado. Rendição de “todos” não significa apenas posse (presente em Mt 19.29), mas família também.
- Jesus provavelmente tem em mente aqui alguns membros da família que rejeitam sua posição para Cristo, e outros que se juntam a eles, mas então são martirizados.
- Como seus discípulos sofrem essas perdas, eles precisam de conforto e tranquilidade, e Jesus lhes faz saber que Deus não é apenas consciente de seu sacrifício, mas que tanto justificarão como recompensarão também isso.
Em seguida, ele explica a recompensa divina por tais perdas, que é dupla, referindo-se ao já existente e ao ainda não existente.
- Primeiro, nós “receberemos muitas vezes mais nesta época” (Mc 10.30, “cem vezes”). A perda de nossa família humana será substituída por nossa família espiritual na comunidade messiânica (veja 5.10; 8.21).
- Segundo, “na era vindoura [receberemos] a vida eterna” (olhando para a pergunta do v. 18).
- A recepção da vida eterna é o conceito chave, começando e terminando a unidade inteira aqui. O temporário (posses e casas) é completamente ofuscado pela vida eterna (vida no céu).[15]
Conclusão – Dois Caminhos, Dois Fins
- Acredito que somos confrontados, através do texto, com uma verdade profunda: todos nós, em nossa jornada de fé, somos chamados a escolher entre dois caminhos e, consequentemente, dois fins.
- O jovem rico se viu diante de uma escolha crucial, que, ao final, lhe foi difícil fazer. Ele tinha tudo o que este mundo oferece, mas faltava-lhe o principal: o coração puro, simples e voltado para o Reino de Deus, como o de uma criança.
Esta passagem nos desafia, não apenas a refletirmos sobre o valor das riquezas, mas também sobre o que tem ocupado o primeiro lugar em nossos corações.
- O que será que temos colocado no altar de nossas vidas? Onde está nossa confiança e onde depositamos nossa esperança? Vamos olhar para três pontos práticos que podemos aplicar no nosso cotidiano:
O Coração Simples e Puro de uma Criança
A Importância de Colocar Deus Acima das Riquezas
A Vida Eterna Como Nosso Maior Tesouro
Aplicação:
- Ao longo dessa semana, lembre-se desses três pontos ao tomar decisões no seu trabalho, em sua família, e nos seus relacionamentos. Quando se deparar com um dilema, pergunte-se: O que Deus está pedindo que eu sacrifique para segui-Lo mais fielmente?
- Aplique a simplicidade de coração, a disposição para abrir mão das riquezas e a centralidade da vida eterna em todas as suas atitudes. Que, ao final desta semana, possamos olhar para nossa caminhada e perceber que estamos mais alinhados com o coração de Deus, vivendo para Seu Reino.
Que Deus nos conceda coragem para seguir em Seu caminho, não importando os custos que isso envolva, pois sabemos que Ele é fiel para nos recompensar com a vida eterna.
Amém.
SDG.
[1] Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 18.18–23.
[2] Hernandes Dias Lopes, Lucas: Jesus, o Homem Perfeito, org. Juan Carlos Martinez, 1‍aedição, Comentários Expositivos Hagnos (São Paulo: Hagnos, 2017), 525.
[3]Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 446.
[4]James Strong, Léxico Hebraico, Aramaico e Grego de Strong (Sociedade Bíblica do Brasil, 2002).
[5]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 18.19.
[6]J. C. Ryle, Meditações no Evangelho de Lucas, org. Tiago J. Santos Filho, 2aEdição (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2018), 428.
[7]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 18.22–23.
[8] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 447.
[9] J. C. Ryle, Meditações no Evangelho de Lucas, org. Tiago J. Santos Filho, 2aEdição (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2018), 428–429.
[10] William Hendriksen, Lucas, trad. Valter Graciano Martins, 2a edição, vol. 2, Comentário do Novo Testamento (São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2014), 374.
[11]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 16.13.
[12]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), 1Tm 6.10.
[13]Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 449.
[14]Almeida Revista e Atualizada (Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1993), Lc 9.23.
[15] Grant R. Osborne, Evangelho de Lucas, trad. Renato Cunha, Comentário Expositivo do Novo Testamento (Bellingham, WA; São Paulo: Lexham Press; Editora Carisma, 2023), 449–450.
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