A RELAÇÃO DE ISRAEL COM NOSSAS BÊNÇÃOS

A JUSTIÇA DE DEUS EM CRISTO JESUS  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Este sermão ensina que as bênçãos dos cristãos — tanto a salvação presente quanto a vida plena futura — estão intimamente ligadas à situação espiritual de Israel. Baseado em Romanos 11.11-15, o sermão mostra que a rejeição temporária de Israel por Deus, devido à sua incredulidade, abriu o caminho para a salvação dos gentios, como parte do plano soberano de Deus. No entanto, essa rejeição não é definitiva: Deus voltará a tratar com Israel, e sua futura aceitação trará bênçãos ainda maiores ao mundo. Assim, os crentes não devem desprezar Israel, mas orar por sua restauração, reconhecendo que Deus usa até mesmo a queda de seu povo para cumprir seus propósitos redentores, e que o futuro de Israel está profeticamente ligado ao cumprimento pleno das promessas divinas.

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A RELAÇÃO DE ISRAEL COM NOSSAS BÊNÇÃOS

Introdução:
Há muito tempo, vemos Israel em guerra. Muitas pessoas desejam o fim de Israel. Não é estranho o mundo querer o fim de Israel; o estranho é se isso vier de um crente. Deus não abandonou o povo de Israel. Deus está rejeitando Israel temporariamente. Neste momento, Deus está tratando com a Igreja, mas um dia voltará a tratar com Israel. Por isso, não podemos desprezar o povo de Israel, mas sim devemos orar por eles. Precisamos entender o relacionamento de Israel com nossas bênçãos. Nossas bênçãos estão relacionadas à situação presente e futura de Israel.
Lição: Nossas Bênçãos Estão Relacionadas à Situação Presente e Futura de Israel.
Texto: Romanos 11.11-15.
Paulo, nos capítulos 9 a 11 de Romanos, está mostrando o período da Igreja, a dispensação da graça, e a atual situação de Israel, tendo em vista refutar possíveis entendimentos errados, como, por exemplo, a rejeição total de Deus a Israel. Ele ensina isso apresentando o passado, o presente e o futuro de Israel.
Em Romanos 9.6-29, o apóstolo apresentou o passado de Israel, esclarecendo: “nem todos os de Israel são, de fato, israelitas” (v. 6), mas somente aqueles que Deus elegeu (Rm 9.6-13). Nisso não há injustiça da parte de Deus, porque Deus é soberano sobre Sua criação e pode escolher quem Ele quiser (Rm 9.14-29).
Já em Romanos 9.30–11.10, ele expôs o presente de Israel, deixando claro que a situação presente não é diferente da do passado: Israel não está se submetendo a Deus, assim como no passado. Os que estão, é por conta da eleição, assim como antes. Os judeus estabeleceram sua própria justiça pelo cumprimento da Lei e, por isso, não alcançaram a justificação. Por outro lado, os gentios estavam alcançando-a pela fé, pois somente pela fé se alcança a justificação (Rm 9.30-33). Eles não entenderam a justiça de Deus, não compreenderam que Cristo é a justiça de Deus e que essa justiça é alcançada mediante a fé (Rm 10.1-4).
Eles não perceberam o que Deus requeria deles para a salvação. Deus não requer perfeição nem que cumpram perfeitamente a Lei; Deus requer apenas fé em Jesus Cristo para a salvação (Rm 10.5-13). Diante disso, Paulo levanta uma questão importantíssima: a importância da pregação do Evangelho. A fé vem por ouvir a pregação do Evangelho (Rm 10.14-21). A Igreja estava pregando, os judeus ouvindo, porém eles estavam rejeitando.
Alguém podia perguntar: a infidelidade deles acaba com a fidelidade de Deus? Ou, pela rejeição dos judeus a Cristo, Deus rejeitou o Seu povo, Israel? A resposta de Paulo é: De maneira nenhuma! Ele ensina que Deus nunca abandonará o Seu povo (Rm 11.1-10). A questão é que nem todos os de Israel são, de fato, povo de Deus, mas somente os escolhidos segundo a eleição.
Deus é fiel. Tudo o que está acontecendo faz parte do plano eterno de Deus para salvar também os gentios (não judeus). E é justamente isso que ele mostra em Romanos 11.11-15, onde passa a tratar do futuro de Israel com sua restauração (salvação). O fato de Deus estar, no presente momento, tratando com a Igreja e rejeitando Israel é o cumprimento do que Deus disse, no Antigo Testamento, por meio de um cântico de Moisés (Dt 31.30–32.43). Vamos ler Deuteronômio 31.30 até 32.21.
A rejeição de Israel a Deus — cujo ápice foi ter rejeitado a Cristo — fez Deus se voltar para um povo que não era povo: a Igreja. O plano salvífico de Deus se desenvolve ao longo da história da seguinte forma: (1) A rejeição parcial de Israel, (2) a salvação de gentios e judeus pela Igreja, (3) e a salvação nacional de Israel no futuro.
A rejeição de Deus a Israel é parcial, como visto no versículo 7 do capítulo 11, e temporária, como veremos na sequência do capítulo (11.11ss). Em Romanos 11.11-15, Paulo mostra que foi pela transgressão de Israel que veio a salvação para os gentios, ou seja, veio a segunda etapa do plano salvífico de Deus: a salvação de gentios e judeus pela Igreja. Esse relacionamento de Deus com a Igreja tem o propósito de provocar ciúmes em Israel.
E, se a rejeição de Israel trouxe salvação aos gentios, o que acontecerá quando Israel for restaurado? Com isso, Paulo mostra que nossas bênçãos estão relacionadas à situação presente e futura de Israel. Ele demonstra isso com dois acontecimentos: a rejeição de Deus a Israel no presente e a aceitação de Deus a Israel no futuro.
A rejeição de Deus a Israel no presente trouxe a bênção da salvação para nós (11).
11 Pergunto, pois: porventura, tropeçaram para que caíssem? De modo nenhum! Mas, pela sua transgressão, veio a salvação aos gentios, para pô-los em ciúmes.
Como Paulo disse no capítulo 9, versículos 32 e 33, Israel tropeçou na pedra de tropeço. Israel tropeçou em Cristo. Isso mostra que estão sob o castigo de Deus e a maldição de Davi, como Paulo mostrou nos versículos anteriores (vv. 7–10): “Que diremos, pois? O que Israel busca, isso não conseguiu; mas a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos, como está escrito: Deus lhes deu espírito de entorpecimento, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até ao dia de hoje. E diz Davi: Torne-se-lhes a mesa em laço e armadilha, em tropeço e punição; escureçam-se-lhes os olhos, para que não vejam, e fiquem para sempre encurvadas as suas costas.”
A atual situação de Israel leva Paulo a levantar a seguinte pergunta: “Pergunto, pois: porventura tropeçaram para que caíssem?” Ou seja, tropeçaram para o seu fim? “De modo nenhum!” — Paulo responde.
Isso aconteceu para que viesse a bênção da salvação aos gentios, a fim de provocar ciúmes em Israel, como descrito em Deuteronômio 32.21.
Israel não caiu definitivamente, mas caiu temporariamente. A sua queda abriu o caminho da salvação para os gentios.
Podemos ilustrar isso da seguinte maneira: imagine um jogador de futebol chamado João, titular no time em que joga. Por ser um bom jogador, ele nunca dá oportunidade para seu reserva jogar. Mas, ao sofrer uma contusão e ser afastado temporariamente, abre uma oportunidade para Mateus, seu reserva, entrar em campo.
Nesse acontecimento, vemos a soberania de Deus — Deus pondo em prática o Seu plano eterno de salvar a Igreja (Ef 1.4-5; predito em Dt 32.21) — e também a responsabilidade humana: Israel rejeitou o Cristo de Deus. Ou seja, Deus tinha um plano salvífico para a Igreja (judeus e gentios), e esse plano se concretizaria pela queda de Israel.
Essa mudança é vista em:
João 1.11-12Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome;
Atos 13.46Então, Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios.”
Atos 18.6Opondo-se eles e blasfemando, sacudiu Paulo as vestes e disse-lhes: Sobre a vossa cabeça, o vosso sangue! Eu dele estou limpo e, desde agora, vou para os gentios.”
Atos 28.24-28Houve alguns que ficaram persuadidos pelo que ele dizia; outros, porém, continuaram incrédulos. E, havendo discordância entre eles, despediram-se, dizendo Paulo estas palavras: Bem falou o Espírito Santo a vossos pais, por intermédio do profeta Isaías, quando disse: Vai a este povo e dize-lhe: De ouvido, ouvireis e não entendereis; vendo, vereis e não percebereis. Porquanto o coração deste povo se tornou endurecido; com os ouvidos ouviram tardiamente e fecharam os olhos, para que jamais vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, para que não entendam com o coração, e se convertam, e por mim sejam curados. Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão.”
Ao rejeitarem o Evangelho, Deus rejeitou (temporariamente) Israel, e essa rejeição trouxe a bênção da salvação para nós. Nossa bênção da salvação está relacionada à situação presente de Israel.
A aceitação de Deus a Israel no futuro trará a bênção da vida plena para nós (12-15).
12 Ora, se a transgressão deles redundou em riqueza para o mundo, e o seu abatimento, em riqueza para os gentios, quanto mais a sua plenitude!13 Dirijo-me a vós outros, que sois gentios! Visto, pois, que eu sou apóstolo dos gentios, glorifico o meu ministério, 14 para ver se, de algum modo, posso incitar à emulação os do meu povo e salvar alguns deles. 15 Porque, se o fato de terem sido eles rejeitados trouxe reconciliação ao mundo, que será o seu restabelecimento, senão vida dentre os mortos? 
Paulo, nesses versículos (e também nos versículos 16 a 24), combate uma possível arrogância por parte dos gentios contra os judeus. A rejeição temporária de Deus a Israel poderia levar os gentios ao orgulho.
Ele argumenta partindo do menor para o maior: o menor se refere à rejeição e à aceitação de Deus a Israel; o maior, à salvação dos gentios e à vida plena dos salvos. O foco é mostrar que as bênçãos dos gentios estão relacionadas diretamente à situação presente (incredulidade e rejeição temporária divina) e futura (fé e aceitação divina) de Israel. Paulo quer que eles (os gentios) entendam que Deus não rejeitou totalmente o povo de Israel e que um dia o salvará. O argumento dele é: se Israel, ao ser rejeitado por Deus por causa da sua transgressão, trouxe a bênção da salvação aos gentios, quando for aceito por Deus por causa da sua fé, trará a vida plena ao mundo.
O apóstolo passa a mostrar, em seu argumento, a bênção que será para os gentios e o mundo a restauração de Israel. Pois, se a sua queda trouxe salvação, imagine a sua restauração — o que trará? O versículo 12 é paralelo ao 11, mas com uma ênfase no final: “quanto mais a sua plenitude!”.
“Plenitude” pode significar “enchimento” (conteúdo) (ex.: Mc 6.43), “número completo” ou “fim”, “cumprimento” (a totalidade de um período de tempo) (ex.: Gl 4.4; Ef 1.10). Este último pode ser o caso aqui, pelo que vemos no versículo 25, onde essa palavra aparece.
O que Paulo quer dizer é basicamente o seguinte: se a transgressão de Israel trouxe riqueza para o mundo — que é a salvação dos gentios —, quanto mais bênção virá quando o seu tempo de rejeição por parte de Deus e incredulidade chegar ao fim! Ele desenvolve isso outra vez, porém, dando mais detalhes no versículo 15.
Antes, Paulo mostra a quem está se dirigindo: aos gentios — “Dirijo-me a vós outros, que sois gentios!”. E, ao ser apóstolo dos gentios, Paulo louva (exalta, engrandece) o seu ministério com o intuito de provocar ciúmes nos judeus e, assim, de alguma forma, salvar alguns (vv. 13–14). Ele exalta seu ministério para ver se os judeus se convertem ao ver os gentios usufruindo de suas bênçãos (abrâmica, davídica, nova aliança).
Paulo busca a salvação deles, pois, se a queda trouxe uma grande bênção, a salvação deles trará bênçãos maiores ainda. No versículo 15, ele explica a razão disso: “Porque, se o fato de terem sido eles rejeitados trouxe reconciliação ao mundo, que será o seu restabelecimento, senão vida dentre os mortos?” “Restabelecimento” significa “aceitação”. E a expressão “vida dentre os mortos” pode significar a vida plena com o reinado de Cristo e a vida eterna (cf. Ap 20.4–6).
Com isso, Paulo quer mostrar a importância dos judeus para as bênçãos dos gentios. Os gentios não podem ser arrogantes nem desprezar os judeus. Por quê? Porque a aceitação de Deus a Israel no futuro trará a bênção da vida plena para nós. Porém, isso não ocorrerá até o arrebatamento da Igreja que é o fim do tempo dos gentios (Rm 11.26). Com isso, não podemos esquecer que nossa bênção da vida plena está relacionada à situação futura de Israel.
Aplicações:
Deus usa o pecado do Seu povo (a nação de Israel) para salvar o Seu povo (a Igreja). (Exemplos: a venda de José para o Egito (Gn 37 com Gn 45.5–8; 50.20); a morte de Cristo (At 4.26–28 com Is 53.10–12; Ef 1.3–14).
Deus castiga o Seu povo, mas não para sempre. O castigo de Deus ao Seu povo é temporário.
O crente — ou seja, quem realmente faz parte do povo — deseja o bem para Israel.
Conclusão:
Israel não deixou de ser povo de Deus. Infelizmente, por conta do seu pecado, ele está recebendo o desprezo de Deus, mas essa rejeição divina não é para sempre. Um dia, Ele voltará a tratar com Israel e o salvará (Is 14.1; 54.7-8; Jr 30.10-11; 31.31-34; Ez 36.24-28; 37.21-28).
Não devemos desprezar Israel; devemos orar por Israel e pedir por sua paz, como o salmista nos instrui no Salmo 122.6-7: “Orai pela paz de Jerusalém! Sejam prósperos os que te amam. Reine paz dentro de teus muros e prosperidade nos teus palácios.”
E lembre-se: nossa bênção da salvação está relacionada à situação presente de Israel, e nossa bênção da vida plena (eterna), à situação futura dele. Ou seja, nossas bênçãos estão relacionadas à situação presente e futura de Israel.
11 Diante disso, pergunto: não tropeçaram para que caíssem? De maneira nenhuma! Mas, por causa da transgressão deles, a salvação veio aos gentios, para, com isso, fazê-los ficar com ciúmes. 12 Mas, se, pela transgressão deles, vieram riquezas para o mundo, e, pelo fracasso deles, vieram riquezas para os gentios, quanto mais quando se completar o número deles? 13 E digo a vós, gentios: na medida em que eu sou apóstolo dos gentios, louvo o meu ministério, 14 se, de alguma forma, puder provocar ciúmes ao meu povo e, assim, salvar alguns dentre eles. 15 Porque, se, pela rejeição deles, veio a reconciliação do mundo, o que será a aceitação deles, senão vida para os mortos?
16 Ora, se a primeira parte da porção é santa, o restante da massa também será; e, se a raiz é santa, os ramos também serão. 17 Mas, se os ramos naturais foram cortados, e tu, sendo oliveira brava, foste enxertado entre eles, e vós viestes a ser participantes da seiva da raiz da oliveira cultivada, 18 não vos glorieis desprezando os ramos naturais; mas, se vos gloriais, sabei que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. 19 Então, dirás: "Os ramos foram cortados para que eu fosse enxertado." 20 Certamente, foram cortados por causa da incredulidade, mas tu estás de pé por causa da fé. Não sejas orgulhoso, mas teme; 21 porque, se, no tocante aos ramos naturais, Deus não os poupou, também não te poupará. 22 Portanto, considerai a bondade e a severidade: por um lado, para com os que caem, severidade; mas, por outro lado, para contigo, bondade de Deus, se permaneceres nessa bondade; de outra maneira, tu também serás cortado. 23 E eles também serão enxertados, se não permanecerem na incredulidade, porque Deus é poderoso para, outra vez, enxertá-los. 24 Porque, se tu, que, por natureza, eras oliveira brava, foste cortado e, contra a natureza, foste enxertado na oliveira cultivada, quanto mais esses, que são por natureza, serão enxertados na sua própria oliveira.
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