Prazer em conhece-lo (aula 06)

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Introdução: O tipo de relacionamento que temos com Deus

Pense nos tipos de relacionamento que você tem no seu dia a dia.
Com um conhecido — talvez do trabalho, da igreja, da vizinhança —, sua conversa é superficial. Você não se sente à vontade para dizer que ele precisa melhorar como pai, controlar melhor os gastos ou até usar um desodorante. A relação tem limites.
Com um amigo, já existe mais liberdade. Você pode dar conselhos, entrar em áreas um pouco mais pessoais, expressar preocupação ou alegria. Mas mesmo assim, há uma linha que você não ultrapassa.
Com um familiar, a intimidade cresce. Vocês compartilham histórias, memórias, momentos marcantes. Mas ainda existe um certo cuidado ao tocar em temas mais sensíveis.
Agora, pense no relacionamento mais íntimo possível: o de um cônjuge. Nele há liberdade, confiança, entrega, comunhão, inclusive física. É um vínculo onde não há mais máscaras. É no casamento que você se despe, literalmente e emocionalmente.
E então... vem Deus.
Mais íntimo do que o mais íntimo dos nossos relacionamentos humanos. Ele sonda nosso coração, conhece nossos pensamentos antes mesmo de se formarem, vê o que ninguém vê, e não há nada em nós que esteja oculto diante dEle. E mesmo assim — ou melhor, justamente por isso — Ele deseja um relacionamento pessoal conosco.
É sobre isso que Paulo fala em Filipenses 3. Ele tinha tudo: posição, conhecimento, religiosidade, prestígio. Mas ao conhecer a Cristo, ele considerou tudo isso como esterco. Porque ele entendeu que não existe nada mais valioso do que conhecer a Deus pessoalmente. Não saber sobre Ele, mas conhecê-Lo de verdade. Caminhar com Ele. Ser achado nEle. Ser conformado a Ele.
A pergunta que essa lição nos convida a fazer é: qual o nível do meu relacionamento com Deus? Conhecido? Amigo? Familiar? Ou alguém com quem me uno em alma, corpo e espírito?
Porque, no fim, o alvo de Paulo — e o nosso também — é este: conhecer a Cristo, ser achado nEle, e prosseguir para o alvo.
Essa pergunta — "Conhecimento de Deus ou conhecimento sobre Deus?" — é profundamente confrontadora e extremamente útil para a sua aula. Ela mexe com a base da vida cristã, especialmente em um contexto como o nosso, onde muitos frequentam igrejas, estudam doutrinas, tradição, leem livros, mas ainda podem não ter um relacionamento vivo com o Senhor.
O QUE É SE RELACIONAR COM DEUS?
Vou te explicar em duas partes: (1) o que significa biblicamente e (2) como isso se demonstra visivelmente.

1️⃣ O que significa, biblicamente, se relacionar com Deus?

Na Bíblia, “relacionar-se com Deus” é:
Andar com Deus – como Enoque (Gn 5.24) e Noé (Gn 6.9), Miquéias 6.8 “Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus.”
Andar com o Senhor é ter diálogo com ele. Ouvir e falar, comunhão constante (Jeremias 33.3 “Invoca-me, e te responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” )
Andar com o Senhor é seguir a direção por ele indicada e ouvir seus conselhos. Deus é o nosso guia, Deus nos dá a direção correta Salmo 32.8 “Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho.”
Andar com o Senhor é reconhecer que eu dependo dele. Somos ramos na videira (João 15.5 “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”
Andar com o Senhor é buscar santidade, justiça e amor, refletindo quem ele é 1Pedro 1.15–16 “pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.”
Andar com o Senhor é desejar a sua presença constante, como Moisés Êxodo 33.15 “Então, lhe disse Moisés: Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar.”
Conhecer a Deus – no sentido de intimidade, não apenas informação (Jr 9.23-24; Jo 17.3).
O verbo “conhecer” na Bíblia frequentemente indica experiência pessoal e relacionamento íntimo (ex.: Gn 4.1: “Adão conheceu Eva…”). Mateus 1.25 “Contudo, não a conheceu, enquanto ela não deu à luz um filho, a quem pôs o nome de Jesus.”
Obediência amorosa – guardar os mandamentos por amor (Jo 14.21, 1Jo 2.3-4).
Não é obediência fria ou forçada, mas fruto de um coração que ama a Deus.
Como diz Jesus: "Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando" (Jo 15.14).
Adoração verdadeira – vida voltada para glorificar a Deus em tudo (Jo 4.23-24; 1Co 10.31).
Não é apenas cantar hinos, mas reconhecer Deus como centro da vida.

2️⃣ Como se demonstra visivelmente um relacionamento com Deus?

A Bíblia mostra sinais claros e visíveis:
Vida de oração real – não só pedidos automáticos, mas conversas sinceras e constantes com Deus (Sl 63.1; 1Ts 5.17).
Quem tem relacionamento com Deus fala com Ele diariamente, não só em emergências.
Fome pela Palavra – desejo de ouvir e conhecer a voz de Deus através da Escritura (Sl 119.97; Jr 15.16).
A Bíblia deixa de ser obrigação e passa a ser alimento.
Sensibilidade ao pecado – tristeza genuína quando peca e prontidão para confessar e abandonar (Sl 51; 1Jo 1.9).
O pecado não é mais tolerado como antes; incomoda profundamente.
Fruto do Espírito – caráter moldado por amor, paz, paciência, bondade… (Gl 5.22-23).
Isso não é forçado; brota naturalmente de quem anda com Deus.
Amor pelos irmãos – servir e cuidar das pessoas de Deus (1Jo 3.14; Jo 13.35).
Quem ama a Deus ama o povo de Deus.
Entrega da vida a Deus – decisões, sonhos e bens colocados sob o senhorio de Cristo (Rm 12.1-2; Lc 9.23).
Deus não é mais uma parte da vida; Ele é o centro.
💡 Resumindo: Relacionar-se com Deus é andar com Ele, conhecê-Lo intimamente, obedecê-Lo por amor e viver para Sua glória. Isso se vê na vida através de oração, fome pela Palavra, obediência, arrependimento, fruto do Espírito, amor pelos irmãos e entrega da vida.
Se você quiser, posso agora criar uma tabela de autoexame puritana para a sua aula, onde cada aluno possa avaliar se realmente tem se relacionado com Deus ou apenas fala sobre Deus. Quer que eu faça?
CONHECIMENTO SOBRE DEUS É UM PROBLEMA PARA AQUELES QUE SE ACHAM CRISTÃOS
Aqui vão algumas lições que você pode extrair e aplicar com clareza, profundidade e confronto:

📘 1. Conhecimento sobre Deus não salva

Saber teologia, decorar versículos, dominar os cinco pontos do calvinismo... tudo isso é bom, mas não é sinônimo de salvação.
Como diz Tiago 2.19 “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem.”
Satanás conhece mais sobre Deus do que qualquer teólogo vivo.
Aplicação: Não basta ser um fã de Jesus, é preciso ser discípulo. O fã admira de longe; o discípulo segue de perto.

🎭 2. É possível ser religioso e estar distante de Deus

Muitos têm uma vida eclesiástica ativa, conhecem a linguagem certa, mas vivem como estranhos de Deus.
Assim será no dia do juízo: "Nunca vos conheci; apartai-vos de mim..." (Mt 7.23). MUITOS QUE CONHECEM A JESUS, OUVIRÃO ISSO NO DIA DO SENHOR

❤️ 3. Conhecer a Deus envolve relacionamento, não apenas informação

Paulo em Filipenses 3 não diz: "quero saber mais sobre Cristo", mas: "Quero conhecê-Lo".
Esse conhecimento é o conhecimento relacional, de comunhão íntima, de caminhada diária, como um marido conhece a esposa (e vice-versa).
Na Bíblia, o verbo "conhecer" muitas vezes indica relacionamento profundo e transformador. É o verbo usado para o relacionamento conjugal (Gn 4.1).
Aplicação: O conhecimento que salva é o que transforma. Se o seu “conhecimento de Deus” não impacta sua vida prática, ele pode ser apenas teórico.

🧭 4. Conhecer a Deus redefine todas as outras prioridades

Paulo considerou tudo como lixo (esterco) diante da sublimidade de conhecer a Cristo.
Não apenas abandonou seus méritos religiosos, mas sua reputação, seu status, sua zona de conforto — tudo se tornou secundário.
Isso mostra que o conhecimento de Deus não é um complemento à vida, mas o centro dela.
Aplicação: Se o conhecimento de Deus não reorganizou suas prioridades, talvez você ainda só conheça sobre Ele.
AGORA, SE NÓS VIMOS QUE DEVEMOS CONHECER INTIMAMENTE A DEUS,
AGORA VAMOS VER QUAIS SÃO AS RECOMPENSAS GLORIOSAS DE CONHECE-LO

2️⃣ As recompensas de conhecer intimamente a Deus

📖 Filipenses 3.8–10 “Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé; para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte;”
“…para ganhar a Cristo e ser achado nele… para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos…”
Paulo não via essa intimidade apenas como um dever — mas como o maior tesouro que alguém pode encontrar. Conhecer intimamente a Deus traz recompensas incomparáveis, que começam agora e se estendem pela eternidade.

1. Segurança e descanso na presença de Deus

Quando conhecemos a Deus de perto, entendemos quem Ele é e podemos descansar no Seu caráter — como Davi no Salmo 23: “O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.”
Recompensa: paz verdadeira, mesmo em meio às tempestades (Is 26.3; Sl 16.8).
Aplicação: quanto mais íntimos de Deus, menos reféns das circunstâncias.

2. Alegria verdadeira e constante

Jeremias 15.16 “Achadas as tuas palavras, logo as comi; as tuas palavras me foram gozo e alegria para o coração, pois pelo teu nome sou chamado, ó Senhor, Deus dos Exércitos.”
Recompensa: alegria que não depende de eventos externos, mas da comunhão com Deus (Sl 16.11; Jo 15.11).
Aplicação: conhecer a Deus nos livra da escravidão emocional da felicidade passageira.

3. Transformação do caráter

2Coríntios 3.18 “E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.”
Quanto mais O conhecemos, mais passamos a refletir o Seu caráter (amor, santidade, mansidão).
Recompensa: mudança visível que glorifica a Deus e edifica os outros.
Aplicação: o relacionamento íntimo com Deus é o verdadeiro “discipulado” que molda quem somos.

4. Poder para vencer o pecado

Romanos 6.14 “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.”
Recompensa: força para resistir às tentações e ousadia para obedecer.
Aplicação: intimidade com Deus não nos torna perfeitos de imediato, mas nos dá um coração guerreiro contra o pecado.

5. Confiança no futuro e esperança eterna

João 17.3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo…”
Recompensa: certeza de vida eterna e perspectiva celestial que dá sentido à vida.
Aplicação: quem conhece a Deus vive com o coração ancorado no céu.
💡 Resumo para fixar:
Conhecer intimamente a Deus é ter descanso, alegria, transformação, força contra o pecado e esperança eterna.
📌 Perguntas confrontadoras (estilo puritano):
Tenho buscado conhecer a Deus mais por dever ou por prazer?
A minha alegria hoje depende mais de circunstâncias ou da presença de Deus?
O meu caráter é visivelmente diferente por causa da minha intimidade com Ele?
Estou mais forte para lutar contra o pecado do que há um ano?
Vivo como quem já possui a vida eterna, ou como quem teme o futuro?
POR ULTIMO, VAMOS VER O TERCEIRO ITEM DA AULA QUE É: CONHECENDO A DEUS E A NÓS MESMOS

3️⃣ Conhecendo a Deus e a nós mesmos

📖 Salmo 139.1–4 “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conheces toda.”
“Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conheces toda.”

1. Conhecer a Deus revela quem realmente somos

Quando Isaías viu a glória do Senhor (Is 6.1-5), imediatamente percebeu a sua própria impureza:
“Ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros…”
Lucas 18.13 “O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”
A verdadeira visão de Deus sempre nos traz a verdadeira visão de nós mesmos.
Aplicação: Se minha “espiritualidade” não me leva a quebrantamento e humildade, talvez eu esteja apenas estudando sobre Deus, não O conhecendo.

2. Conhecer a Deus expõe nosso pecado e necessidade de graça

Pedro, ao testemunhar o poder de Jesus (Lc 5.8), disse:
“Senhor, retira-te de mim, porque sou pecador.”
O brilho da santidade de Deus deixa claro o quanto precisamos da Sua misericórdia.
Aplicação: Quanto mais conheço a Deus, mais odeio o meu pecado e corro para Cristo.

3. Conhecer a Deus nos dá identidade e segurança

Fora de Deus, não sabemos quem somos; dentro de Deus, entendemos que somos:
Criados à Sua imagem (Gn 1.27)
Adotados como filhos (Jo 1.12)
Herdando promessas eternas (Rm 8.17)
Aplicação: Nossa identidade não está no que fazemos ou possuímos, mas em quem somos nEle.

4. Conhecer a Deus molda nossa vida e propósito

Paulo, conhecendo a Cristo, entendeu que sua vida agora era viver para Ele (Fp 1.21).
O autoconhecimento que vem de Deus não nos deixa em introspecção egoísta, mas nos leva a viver para Sua glória.
Aplicação: Quem conhece a Deus e a si mesmo sabe por que vive, para quem vive e para onde vai.
📌 Perguntas confrontadoras (estilo puritano):
O quanto a visão que tenho de Deus molda a visão que tenho de mim mesmo?
Quando olho para minha vida, vejo mais o meu pecado ou mais as minhas virtudes?
Minha identidade está mais firmada em Cristo ou no que o mundo diz que sou?
Meu propósito de vida é fruto de comunhão com Deus ou de meus próprios sonhos?
💡 Resumo para fixar:
Quanto mais conhecemos a Deus, mais vemos nossa fragilidade e pecado — e mais dependemos dEle. Esse conhecimento traz quebrantamento, identidade verdadeira e direção de vida.
Conhecer intimamente a Deus é ter descanso, alegria, transformação, força contra o pecado e esperança eterna.
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