EBD - APOCALIPSE - PARTE 2

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Recapitulando:

Há três escolas principais de interpretação do livro de Apocalipse:

Em primeiro lugar temos a interpretação preterista. Segundo essa escola, tudo o que é profetizado no livro de Apocalipse já aconteceu. George Ladd diz que do ponto de vista preterista a Roma imperial era a besta do capítulo 13 e a classe sacerdotal asiática que incentivava o culto a Roma era o falso profeta. O livro narra apenas as perseguições sofridas pela igreja pelos judeus e imperadores romanos. O livro cumpriu seu propósito de fortalecer e encorajar a igreja do primeiro século. Essa escola falha em não ver o livro como uma mensagem profética, pertinente a toda a história da igreja.

Em segundo lugar temos a interpretação futurista. Tudo o que é profetizado no livro a partir do capítulo 4 tem a ver com os últimos dias, sem nenhuma aplicação na história da igreja. O ponto de vista futurista divide-se em duas correntes: a moderada, ou pré-milenismo histórico e a extrema, ou pré-milenismo dispensacionalista. Embora haja grandes divergências de interpretação entre essas duas vertentes hermenêuticas, elas concordam que o propósito do livro de Apocalipse é descrever a consumação do propósito redentor de Deus no fim dos tempos. Essa escola não faz justiça ao livro, que foi uma mensagem atual, pertinente e poderosa para todos os crentes em todas as épocas. A escola futurista esvazia o caráter consolador deste livro para os crentes primitivos. Um dos aspectos mais vulneráveis da interpretação futurista é que ela relega ou transfere o Reino para o futuro. A verdade incontroversa das Escrituras é que já fomos feitos um reino; o reino já veio. Diz Martyn Lloyd-Jones:

A igreja faz parte do reino; já estamos no reino. Não é correto relegar o reino ou transferi-lo para o futuro. O reino de Deus já se acha presente e o reino de Deus está vindo. Está ainda por vir de forma visível, externa, mas já está aqui. O reino de Deus está onde Cristo reina, e Ele reina nos corações de todo o Seu povo. Ele reina na Igreja, a verdadeira Igreja, a Igreja invisível, a Igreja espiritual.

Em terceiro lugar temos a interpretação histórica. Este método encara o Apocalipse como uma profecia simbólica de toda a história da igreja até a volta de Cristo e o fim dos tempos. Assim, o livro de Apocalipse é uma profecia da história do Reino de Deus desde o primeiro advento de Cristo até o segundo advento. O livro é rico em símbolos, imagens e números: ele está dividido em sete seções paralelas progressivas: sete candeeiros, sete selos, sete trombetas e sete taças. Simon Kistemaker diz que o paralelismo expresso nos três grupos (selos, trombetas e taças) sugere que o escritor não está apresentando uma sequência cronológica, mas, sim, diferentes aspectos dos mesmos eventos. Diz ainda Kistemaker que isso ainda é mais enfático quando notamos as frequentes referências indiretas e diretas ao juízo final (1:7; 6:16; 7:17; 11:18; 14:15,16; 16:17–21; 19:11–21; 20:11–15). Agostinho, os Reformadores, as confissões reformadas e a maioria dos grandes teológos seguiram essa linha.

Correntes interpretativas:
Pós milenismo
Pré milenismo:

Robert Clouse diz que durante o século XIX o pré-milenismo atraiu novamente ampla atenção. John Nelson Darby (1800–1882), líder dos irmãos Plymouth articulou a perspectiva dispensacionalista do pré-milenismo. Descreveu a vinda de Cristo antes do milênio, consistindo de dois estágios: o primeiro, um arrebatamento secreto removendo a igreja antes da Grande Tribulação devastar a terra; o segundo, Cristo vindo com Seus santos para estabelecer o reino. No momento de sua morte, Darby havia deixado quarenta volumes de escritos e uns mil e quinhentos congressos realizados ao redor do mundo. Através de seus livros, que incluem quatro volumes acerca de profecia, o sistema de dispensações foi levado a todo o mundo de língua inglesa.

Um dos maiores fatores para o crescimento do dispensacionalismo no meio evangélico foi a Bíblia anotada de Scofield. Essa Bíblia foi publicada em 1909 e desde então tem larga aceitação nos Estados Unidos e em quase todo o mundo. Scofield divide a Bíblia em sete dispensações: 1) A Inocência – desde Adão até a queda; 2) A consciência – desde a queda até o dilúvio; 3) O governo humano – desde Noé até Abraão; 4) A promessa – desde Abraão até Moisés; 5) A lei – desde Moisés até o Calvário; 6) A graça – desde o Calvário até a grande tribulação; 7) O reino – desde a grande tribulação até o fim do reinado de Cristo por mil anos na terra. Dentro dessa visão dispensacionalista, a igreja é apenas um parêntesis na história. Equivocadamente se pensa que a igreja é o mistério que não tinha sido previsto pelos profetas no Antigo Testamento. Angus Macleod, citando Dr. Ironside, grande expoente do dispensacionalismo chega a dizer: “o relógio profético se deteve no Calvário. Nem um tic-tac se tem ouvido desde então e o relógio não começará a marcar até que Cristo regresse”.

Um dos grandes destaques da interpretação dispensacionalista é a distinção entre arrebatamento e segunda vinda de Cristo. Para os dispensacionalistas a segunda vinda de Cristo será em dois turnos: a vinda secreta para a igreja, o arrebatamento e a vinda visível com a igreja, a segunda vinda

Amilenismo
A Bíblia e o Futuro Capítulo 14: As Principais Posições sobre o Milênio

Para os amilenistas o milênio mencionado em

Lembremos também do princípio de recapitulação e da natureza simbólica do livro, natural do próprio gênero literário apocalíptico.
Dessa forma, é necessário estabelecer um sistema que esboce o livro, para que o entendimento fique mais claro.
Segundo Hoekema, há um sistema de interpretação satisfatório para o livro de Apocalipse, segundo ele:
A Bíblia e o Futuro Capítulo 16: O Milênio de Apocalipse 20

O sistema da interpretação desse livro, que me parece mais satisfatório (embora não sem dificuldades), é conhecido por paralelismo progressivo, habilmente defendido por William Hendriksen em More Than Conquerors, seu comentário de Apocalipse. De acordo com essa posição, o livro de Apocalipse consiste em sete seções que se desenrolam paralelamente, cada uma retratando a igreja e o mundo desde a época da primeira vinda de Cristo até o tempo de sua segunda vinda.

Esboçaremos dessa forma:
Apocalipse: O Futuro Chegou, as Coisas que em Breve Devem Acontecer 3.1) Primeira Seção (1–3) – Os Sete Candeeiros

Primeira Seção (1–3) – Os sete candeeiros

João vê o Cristo ressurreto e glorificado andando entre sete candeeiros de ouro. Em obediência à ordem de Cristo, João passa a escrever cartas para cada uma das sete igrejas da Ásia Menor. A visão do Cristo glorificado, com as cartas às sete igrejas, forma uma unidade.

Segunda Seção (4–7) – Os sete selos

João é arrebatado ao céu e vê a Deus assentado em seu trono radiante. Então ele vê o Cordeiro, que tinha sido morto, tomando o rolo selado com sete selos da mão daquele que está assentado no trono, indicando que Cristo conquistou a vitória decisiva sobre as forças do mal e, dessa maneira, é digno de abrir os selos. Então os selos são quebrados, e são descritos diversos julgamentos divinos sobre o mundo. Nessa visão, cujo pano de fundo é a vitória de Cristo, vemos a igreja sofrendo provações e perseguições.

Se alguém perguntar: como saberemos quando termina uma dessas sete seções paralelas (à exceção da primeira, que forma uma unidade óbvia), a resposta é que cada uma das sete termina com uma indicação de que o tempo do fim é chegado. Tal indicação pode ser fornecida por uma referência ao juízo final, no fim da história, ou ao estado final de bem-aventurança do povo de Deus, ou ambos. No final dessa seção, encontramos ambos. Existe uma referência ao juízo final no capítulo 6.15–17:

Os reis da terra, os grandes, os comandantes, os ricos, os poderosos e todo escravo e todo livre se esconderam nas cavernas e nos penhascos dos montes e disseram aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós e escondei-nos da face daquele que se assenta no trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se? (

Anthony Hoekema:
“Observe que, embora essas sete seções sejam paralelas, elas também revelam certo progresso escatológico. A última seção, por exemplo, nos leva mais longe, no futuro, do que as outras seções. Embora o juízo final já tenha sido descrito resumidamente em 6.12–17, ele não é apresentado minuciosamente até chegarmos a 20.11–15. Embora o gozo final dos redimidos, na vida por vir, tenha sido esboçado em 7.15–17, só vamos encontrar uma descrição detalhada e elaborada da vida sobre a nova terra ao alcançarmos o capítulo 21 (21.1–22.5). Por isso esse método de interpretação é denominado paralelismo progressivo.
Encontramos a progressão escatológica nessas sete seções não apenas com relação a cada seção, mas também no que diz respeito ao livro como um todo. Se admitirmos que o livro de Apocalipse retrata a luta de Cristo e sua igreja, por um lado, contra os inimigos de Cristo e da igreja, por outro, podemos dizer que a primeira metade do livro (caps. 1–11) descreve a luta na terra, retratando a igreja como perseguida pelo mundo. A segunda metade do livro, porém (cap. 12–22), nos fornece o pano de fundo espiritual e mais profundo dessa luta, mostrando a perseguição da igreja pelo dragão (Satanás) e seus auxiliadores.”
Sétima seção: Essa seção mostra o Reinado de Cristo com as almas dos santos no céu e não o milênio na terra depois da segunda vinda. O capítulo 20 começa na primeira vinda e não depois da segunda vinda. Então, temos a descrição do juízo final (20:11–15). Após isso, vemos os novos céus e a nova terra e a igreja reinando com Cristo para sempre.
Narra a condenação do dragão (que é Satanás), completando dessa forma a descrição da destruição dos inimigos de Cristo. O juízo final e o castigo final dos ímpios estão descritos no final do capítulo 20:
“Vi um grande trono branco e aquele que nele se assenta (…) Vi também os mortos, os grandes e os pequenos, postos em pé diante do trono. Então, se abriram livros. Ainda outro livro, o Livro da Vida, foi aberto. E os mortos foram julgados, segundo as suas obras (…) Então, a morte e o inferno foram lançados para dentro do lago de fogo. Esta é a segunda morte, o lago de fogo. E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo “(Ap 20. 11–12,14–15).
Essa seção também descreve o triunfo final de Cristo e sua igreja, e o universo renovado, aqui chamado de novos céus e nova terra.
Considerações sobre o Milênio: Página 243 “a bíblia e o futuro” Mt 12.29; Lc 10.17-18; João 12.31-32;
“Sugiro-lhes que é uma figura simbólica com o intuito de indicar a perfeita extensão de tempo, conhecida de Deus, e unicamente de Deus, entre a primeira e a segunda vindas. Não são mil anos literais, mas a totalidade do período enquanto Cristo está reinando até que seus inimigos sejam feitos estrado de seus pés e Ele regresse para o juízo final.” - Martyn Lloyd-Jones
De acordo com o paralelismo progressivo, William Hendricksen:
Apocalipse 19:19–21 nos tem levado ao final da história, ao dia do juízo final. Em Apocalipse 20 regressamos ao princípio da dispensação atual. Assim, a conexão entre os capítulos 19 e 20 é semelhante à que existe entre os capítulos 11 e 12. Apocalipse 11:18 anuncia “o tempo dos mortos, para que sejam julgados”. O fim havia chegado. Todavia, em Apocalipse 12 volvemos ao princípio do período neotestamentário, porque Apocalipse 12:5 descreve o nascimento, a ascensão e a coroação de nosso Senhor […]. Uma vez vista esta “ordem de eventos” ou “programa da história”, não é difícil de entender Apocalipse 20. Somente é necessário recordar a ordem de sucessão: a primeira vinda de Cristo é seguida por um longo período no qual Satanás permanece atado; por sua vez isso é seguido pelo “pouco tempo” de Satanás; e o pouco tempo de Satanás é seguido pela segunda vinda de Cristo, ou seja, vinda para o juízo. Deve ficar claro para qualquer um que leia com cuidado Apocalipse 20, que os “mil anos” antecedem à segunda vinda de nosso Senhor para o juízo”
Considerações finais:
Apocalipse é uma obra de valor literário imenso, como vimos nesse estudo. Observar esses detalhes nos ajuda a ter uma noção melhor de como ler esse livro precioso e não cairmos em loucuras.
A revelação progressiva do apocalipse, nos leva a uma certeza de que a história está nas mãos do Messias de Deus, Jesus Cristo. E todos aqueles que lavaram suas vestes no sangue do cordeiro, vencerão com ele para todo o sempre. (Ap 22.14)
Esse livro foi escrito para encorajar os crentes perseguidos, mostrando o plano de Deus para a história e confirmando a justiça e a misericórdia de Deus. Por meio de visões, simbolismo e códigos, Apocalipse proclama que Cristo, no fim, derrotará todas as forças do mal. Promete, ainda, que aqueles que permanecerem fiéis a Cristo serão recebidos em um novo céu e uma nova terra.
Leitura de Apocalipse 21.22-22.5;
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