Venham ver: como começa o discipulado verdadeiro (Jo 1.35-51)

4 Estudos de João  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 104 views
Notes
Transcript

INTRODUÇÃO

Captação de atenção (com problematização e ilustração):

Imagine um mundo onde tudo que sabemos sobre Jesus dependesse de um convite simples feito por alguém próximo: “Venha ver.”
Sem cruzadas, sem mídia, sem programas de alcance em massa. Apenas pessoas comuns, apontando outras para Jesus — uma por uma.
Foi assim que tudo começou. Não com uma multidão, mas com dois discípulos ouvindo uma frase curta. Não com estratégias, mas com testemunho fiel, permanência real e convites pessoais.
Você já parou para pensar como Deus escolheu iniciar a missão mais importante do universo? A resposta não envolve fama, nem influência social — mas testemunho, convivência e relacionamentos.
E talvez o que esteja faltando no seu evangelismo hoje não seja conhecimento, mas confiança no modo como Jesus começou.

Apresentação da Ideia Central (a partir do texto):

O texto de João 1:35-51 nos mostra o início da caminhada dos primeiros discípulos com Jesus.
Através da simplicidade de João Batista apontando para o “Cordeiro de Deus”, do convite direto de Jesus — “Venham ver” —, do entusiasmo de André e Filipe ao encontrarem o Messias, e do encontro transformador de Natanael, o texto nos ensina que:
Jesus inicia sua missão chamando pessoas comuns por meio de relacionamentos e testemunhos pessoais, conduzindo-as a um encontro transformador com sua verdadeira identidade — o Messias, o Filho de Deus e o mediador entre o céu e a terra.
Tudo começa com um convite. Tudo muda quando se vê quem Jesus realmente é.
Vamos caminhar juntos agora por essa passagem e descobrir como o discipulado verdadeiro começa — e como nós podemos continuar a missão de Jesus exatamente como Ele começou.

O discipulado começa quando alguém aponta para Jesus (vv. 35-37).

a. Explicação exegética e teológica:

João Batista já havia feito essa mesma declaração no dia anterior (v.29), mas agora repete o testemunho. O verbo “disse” (gr. legei) está no presente histórico, indicando ênfase e vivacidade — é como se João ainda estivesse dizendo.
O título “Cordeiro de Deus” evoca, ao mesmo tempo:
O cordeiro pascal (Êxodo 12),
O servo sofredor de Isaías 53:7,
E os sacrifícios diários de expiação no templo (Levítico 4–5).
João Batista não faz um apelo, não exige resposta, apenas testemunha com fidelidade. E o texto nos mostra que isso basta: “Os dois discípulos... seguiram Jesus.”
Isso demonstra que o discipulado não começa com manipulação emocional ou estratégias humanas, mas com uma testemunha fiel que aponta para Jesus como Ele é.

b. Ilustração sugerida (opcional):

Imagine um guia turístico em uma galeria de arte. Seu trabalho não é chamar atenção para si, mas apontar para as obras — “Ali está Michelangelo... Aqui, Rembrandt...”. Se ele cumpre bem seu papel, as pessoas se esquecem dele e se encantam com a beleza das obras. Assim é o evangelista fiel — ele aponta e sai de cena.

c. Aplicação prática:

Você não precisa saber tudo, nem ser eloquente, nem resolver os dilemas das pessoas. Você só precisa apontar para Jesus.
O que Deus espera de você é clareza, fidelidade e coragem para dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” — no seu trabalho, em casa, com seus amigos.
Evangelismo começa com gente comum apontando para um Salvador extraordinário.
Uma pergunta prática: você tem falado de Jesus de forma clara, direta, bíblica? Ou tem medo de parecer “incômodo”?
Esses dois discípulos de João ouviram e seguiram Jesus. Mas o que acontece quando alguém decide segui-lo? O texto nos mostra que o discipulado não para no testemunho — ele se aprofunda no encontro real com Jesus.

2. O discipulado se aprofunda quando se permanece com Jesus (vv. 38-39).

a. Explicação exegética e teológica:

A pergunta de Jesus — “O que vocês estão procurando?” — é a primeira fala de Jesus no evangelho de João. E não é à toa. Ele está sondando o coração. Essa pergunta ecoa o chamado existencial de Deus ao ser humano, como em Gênesis 3:9: “Onde estás?”
A resposta dos discípulos — “onde o senhor mora?” — não é mera curiosidade geográfica. No grego, a palavra traduzida por “morar” é μένεις (menō), a mesma usada em João 15:4-5: “Permaneçam em mim”. Ou seja, eles não querem apenas saber onde Jesus dorme — querem permanecer com Ele.
Jesus responde com um convite que ecoa por todo o Evangelho: “Venham ver!” Ele não entrega um argumento, mas convida a experimentar. Eles vão, veem e ficam com Ele. O verbo ficar repete a ideia de menō — permanecer.
O detalhe da hora — “quatro horas da tarde” — mostra a marcante memória pessoal de quem viveu isso (possivelmente o próprio João, autor). Isso não foi uma aula — foi um encontro transformador.

b. Ilustração sugerida:

Uma coisa é ver uma foto de uma paisagem; outra, é estar lá. Você pode ouvir falar sobre Jesus por anos — mas tudo muda quando você passa tempo real com Ele.
É como provar um fruto pela primeira vez. A explicação não substitui a experiência. Jesus diz: “Venha ver.”

c. Aplicação prática:

Muitos acham que evangelizar é dar respostas prontas. Mas o maior convite que você pode fazer é: “Venha e veja Jesus por si mesmo.” Convide alguém para conhecer Jesus no evangelho, na comunhão, na Palavra.
E para quem já crê: o discipulado não cresce com eventos ocasionais, mas com permanência diária com Jesus.
O desafio aqui é: você está permanecendo com Cristo diariamente? Ou só o visita de vez em quando?
Quem permanece com Jesus não fica quieto. A fé que cresce no secreto se torna um testemunho público. No próximo trecho, veremos o que acontece quando quem viu Jesus decide contar para outros.

3. O discipulado se espalha quando se compartilha Jesus (vv. 40-46).

a. Explicação exegética e teológica:

Tanto André quanto Filipe são exemplos de evangelismo espontâneo e relacional. Eles não são ordenados, não são treinados, mas acabaram de encontrar Jesus — e imediatamente vão buscar alguém.
André busca seu irmão (Simão). Filipe busca seu amigo (Natanael). O discipulado se espalha pela via mais simples: pessoas alcançando pessoas — de forma relacional, encarnada e direta.
A declaração de ambos é a mesma em essência:
“Achamos o Messias!” (André)
“Achamos aquele de quem Moisés escreveu!” (Filipe) Ou seja, há convicção bíblica e alegria na descoberta.
A resposta ao ceticismo de Natanael é notável. Filipe não argumenta, não tenta vencer um debate — ele apenas replica o que ouviu de Jesus:
Venha ver!
Isso mostra que o evangelismo mais poderoso é o que nasce do encontro autêntico com Cristo. O entusiasmo de quem achou o Salvador é o combustível do discipulado multiplicador.

b. Ilustração sugerida:

Quando você experimenta um restaurante excelente, ou encontra um médico confiável, ou lê um livro impactante, a primeira reação é indicar para alguém. Você não faz isso por obrigação — mas por entusiasmo. Por que, então, somos tão hesitantes em compartilhar Jesus, o maior tesouro que já encontramos?

c. Aplicação prática:

O verdadeiro evangelismo não espera um curso. Ele nasce da experiência com Jesus e se expressa com palavras simples:
“Eu achei. Você precisa ver isso!”
Às vezes, tudo que alguém precisa para se aproximar de Jesus é um convite simples:
“Venha ver.” Isso pode significar:
“Vamos ler o evangelho juntos.”
“Você quer vir comigo à igreja domingo?”
“Posso te contar o que Jesus tem feito em minha vida?”
Você está esperando demais para compartilhar Jesus com alguém próximo? Há um Pedro perto de você que só precisa que alguém o leve a Jesus.
Quando alguém aceita esse convite e se encontra com Jesus, algo ainda mais profundo acontece. Não é apenas informação — é revelação. E isso nos leva ao último ponto.

4. O discipulado se aprofunda quando se reconhece Jesus (vv. 47-51).

a. Explicação exegética e teológica:

Jesus elogia Natanael antes mesmo de qualquer demonstração de fé: “um verdadeiro israelita, em quem não existe fingimento algum!” Isso revela que Jesus conhece o coração — um atributo divino.
O espanto de Natanael (“De onde o senhor me conhece?”) é respondido com a revelação:
Antes de Filipe chamá-lo, eu já tinha visto você debaixo da figueira.” Não sabemos ao certo o que Natanael fazia debaixo da figueira, mas o impacto mostra que Jesus tocou em algo íntimo, secreto, profundo.
Isso leva Natanael a uma das confissões mais elevadas do evangelho até aqui:
Mestre, o senhor é o Filho de Deus! O senhor é o Rei de Israel!
Em resposta, Jesus promete mais:
Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem.” Aqui Jesus alude a Gênesis 28:12, onde Jacó vê a escada entre céu e terra. Mas agora Jesus se coloca no centro da visão: Ele é a escada. Ele é o mediador entre Deus e os homens. Ele é o ponto de ligação entre o céu e a terra.

b. Ilustração sugerida:

Há pessoas que só precisam de um convite para verem Jesus. Mas há outras, como Natanael, que precisam de algo mais pessoal, mais profundo, mais revelador. E Jesus está pronto para se mostrar a elas — não como uma ideia religiosa, mas como alguém que já as conhecia antes que O buscassem.

c. Aplicação prática:

Jesus vê cada pessoa antes mesmo que ela O veja. Ele conhece seus conflitos, seus pensamentos, sua história. Evangelizar é criar o espaço para que pessoas possam ser vistas por Jesus.
Quando alguém reconhece quem Jesus realmente é — o Filho de Deus, o Rei de Israel, o mediador do céu — a fé deixa de ser superficial e se torna profunda, firme, transformadora.
Você tem conhecido Jesus por ouvir falar — ou você O reconheceu pessoalmente? A fé que se aprofunda é aquela que responde com reverência e adoração à revelação de Cristo.
Natanael começou com dúvida: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” Mas terminou com adoração: “O Senhor é o Filho de Deus!” É isso que Jesus faz quando nos convida a vê-lo de perto.]

CONCLUSÃO

Título: Venham ver: como começa o discipulado verdadeiro

Retomada da ideia central:

Desde o início, Deus escolheu iniciar a missão de salvação de forma simples, relacional e pessoal. O Evangelho de João nos mostra que o discipulado verdadeiro começa com o testemunho fiel, cresce ao permanecer com Jesus, se espalha quando compartilhamos com outros, e se aprofunda quando reconhecemos quem Ele realmente é.

Recapitulação dos pontos principais:

O discipulado começa quando alguém aponta para Jesus
O discipulado cresce quando se permanece com Jesus
O discipulado se espalha quando se compartilha Jesus
O discipulado se aprofunda quando se reconhece Jesus

Aplicação final para a igreja:

Você já foi alcançado? Então é hora de apontar outros para Jesus. Como João Batista fez. Como André. Como Filipe.
Você tem permanecido com Cristo ou apenas o visita de vez em quando? O discipulado só cresce quando há tempo com Jesus, Palavra, oração e comunhão.
Você já convidou alguém a “vir e ver”? Talvez o próximo Pedro esteja esperando o seu convite. Talvez um Natanael esteja questionando agora mesmo.
E você mesmo — já reconheceu quem Jesus realmente é? O Cordeiro de Deus. O Filho de Deus. O Rei. O Filho do Homem, que liga o céu à terra.

Apelo (duplo):

Para crentes:

Recomece sua missão evangelística com humildade e fidelidade. Você não precisa saber tudo. Só precisa ser como João: apontar. Como André: convidar. Como Filipe: compartilhar.

Para não crentes:

Jesus já viu você. Ele conhece seus pensamentos, suas dores, seus segredos. Ele te convida hoje: “Venha ver”. E se você vier, verá coisas maiores — verá o céu se abrindo, porque Jesus é a escada que liga você a Deus.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.