Rm 10. 5-11 - A simplicidade do Evangelho
O Poder do Evangelho • Sermon • Submitted • Presented
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· 8 viewsNeste trecho, Paulo revela que os judeus optaram por trilhar um caminho inalcançável, e muito complexo, impossível, quando a única exigência era crer no Evangelho. Tentaram conquistar com esforço humano aquilo que só pode ser alcançado pela fé do coração.
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A Simplicidade do Evangelho
Romanos 10. 5-11
Você já encarou o chuveiro hoje? Aposto que sim — talvez tenha rolado até uma sessão dupla, tipo replay de novela! Não é à toa que o brasileiro tem fama de cheirosinho: somos verdadeiros campeões de banho, tomando em média o dobro que muita gente por aí afora. E não é banho relâmpago, viu? Cada mergulho na água dura uns 12 minutos — tempo suficiente pra cantar uns três sucessos no chuveiro e fazer uma reunião com a parede. Lá fora? O pessoal mal entra e já sai em 7 minutos. Rapidez nível fórmula 1!
Essa prática pode até refletir cuidado e higiene, e de fato é um traço cultural positivo. Mas o excesso também tem seus efeitos. Água muito quente, combinada com sabonetes, shampoos e esponjas, pode remover a barreira natural da pele, ressecando e deixando o corpo mais suscetível a irritações e doenças.
No fundo, o cuidado verdadeiro não está no exagero, mas na consciência. Às vezes, o melhor que podemos fazer é simplesmente fazer menos — porque, sim, menos pode ser mais.
“Menos é mais” — essa tem sido uma verdade que procuro viver, tanto no ministério quanto na minha caminhada pessoal. E, curiosamente, o simples costuma ser o mais difícil. O orgulho e a vaidade que carregamos no coração muitas vezes nos impedem de realizar o que é pequeno, discreto e silencioso. Há em nós um desejo profundo de sermos notados, valorizados, de receber aplausos e méritos. É algo que a própria rotina da vida cultiva.
O problema é que esse padrão acaba contaminando também a nossa espiritualidade. Complicamos aquilo que Deus tornou simples. Queremos escalar montanhas para orar, quando temos um quarto à disposição. Esperamos por revelações, sonhos ou visões para ouvir Deus, quando a Palavra está aberta diante de nós. Almejamos cruzar o mundo para evangelizar, quando sequer falamos de Jesus ao vizinho da porta ao lado. Muitas vezes desejamos realizar o extraordinário, quando o simples e cotidiano seria suficiente.
Neste trecho, Paulo revela que os judeus optaram por trilhar um caminho inalcançável, e muito complexo, impossível, quando a única exigência era crer em Jesus Cristo. Tentaram conquistar com esforço humano aquilo que só pode ser alcançado pela fé do coração.
(10. 5) Ora, Moisés descreve assim a justiça que procede da lei: “Aquele que observar os seus preceitos por eles viverá.”
Para evidenciar como o ser humano tende a tornar complexa a simplicidade divina, Paulo inicia seu argumento citando Levítico 18.5. Nesse trecho, é afirmado que quem obedecer à lei — toda ela, sem falhar em nenhum ponto, como reforça Tiago 2.10 — alcançará a vida. No entanto, há uma realidade incontestável: ninguém consegue cumprir essa exigência. Trata-se de uma missão impossível, realizada apenas por Cristo.
Essa verdade é confirmada pela profecia de Ezequiel, que declara nos versículos 11 e 13 do capítulo 20: “Dei-lhes os meus estatutos e lhes fiz conhecer os meus juízos, pelos quais o ser humano viverá, se os cumprir... Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto...”.
Os judeus conheciam bem esse texto, mas relutavam em admitir sua incapacidade. Persistiam em tentar realizar o impossível, quando o que lhes era requerido era simplesmente reconhecer sua dependência de Deus. Desejavam fazer além do necessário.
Somos assim também — há uma resistência natural no coração humano. Temos a impressão de que, sem conquistas, não temos valor ou força. Mas, na essência, somos seres dependentes: desde o primeiro suspiro da infância até o último passo rumo à eternidade.
Talvez você pense diferente — que é possível conquistar a própria salvação. Tudo bem, tente. Isso poderá torná-lo alguém moralmente íntegro. Mas mesmo assim, não será suficiente para garantir a salvação. Afinal, o pecado é inevitável, e quando ele vier, apagará suas boas obras diante da justiça divina. E então, tudo recomeça: uma nova busca, um novo esforço… quando o que Deus pede, desde o princípio, é reconhecimento, fé e dependência.
Imagine-se subindo uma escada celestial, degrau por degrau, com esforço e dedicação. Você já alcançou o centésimo degrau, e está bem mais próximo do céu. Mas então, num momento de distração ou orgulho, você escorrega... e a queda é dura. Volta ao chão ferido, frustrado, abatido — porque já havia chegado tão longe. Agora, tudo precisa recomeçar.
Assim é a busca pela salvação através das obras: uma escalada árdua, delicada, e sem espaço para erros. Basta um deslize, e todo o progresso parece desfeito. O caminho é instável quando se tenta subir sozinho, sem depender da graça.
Os judeus acreditavam que conquistariam a salvação, para isso bastava cumprir algumas partes da lei de Deus, como se as boas ações pudessem equilibrar os pecados. Confiavam que Deus relevaria as falhas se o saldo geral fosse razoável. Esse pensamento revelava uma visão superficial da lei.
Segundo Paulo, a lei de Deus exige obediência completa — não funciona como um sistema de compensação. Quem falha em um ponto, é considerado culpado de toda a lei. O erro dos judeus foi acreditar que o bem feito em parte poderia compensar o mal cometido. Mas Deus não espera atitudes seletivas; Ele quer entrega total. Ignorar essa verdade é não levar a sério nem a lei, nem a graça.
Às vezes agimos como se fosse possível compensar nossos pecados com boas ações, tentando acumular “créditos” para justificar nossas falhas. Muitos cristãos ajudam financeiramente a Igreja ou a quem precisa, mas vivem em infidelidade conjugal. Outros frequentam os cultos com dedicação, mas são desonestos no ambiente de trabalho. Alguns acham que, por não roubarem, têm liberdade para mentir.
Meus irmãos, essa lógica falha ao esquecer algo muito importante: Deus não está à procura de pessoas apenas “parcialmente corretas”. O padrão do céu não é uma média de boas ações, mas a santidade que vem dEle. Ninguém será salvo por ser apenas “melhor que os outros”. A salvação é para aqueles que foram verdadeiramente transformados — homens e mulheres que, pela graça, se tornaram santos em Cristo.
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(10. 6-8) Mas a justiça que procede da fé afirma o seguinte: “Não pergunte em seu coração: Quem subirá ao céu?”, isto é, para trazer Cristo lá do alto; ou: “Quem descerá ao abismo?”, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos. Porém, o que se diz? “A palavra está perto de você, na sua boca e no seu coração”, isto é, a palavra da fé que pregamos.
Reconhecendo a impossibilidade de alcançar a salvação por meio do cumprimento integral da Lei, Paulo apresenta um caminho mais acessível, seguro e eficaz: a fé. Ele inicia essa explicação mostrando que aquele que vive pela fé em Jesus não se angustia com feitos grandiosos ou impossíveis — como subir aos céus para trazer Cristo ou descer à sepultura para ressuscitá-lo. Isso porque o homem de fé entende que tudo isso já foi realizado por Deus, e que não cabe a ele tentar repetir o que pertence exclusivamente à obra divina.
Há pessoas que não se contentam em agradar aos homens — querem impressionar até a Deus, como se fosse possível superar o Criador em poder e santidade. O orgulho as leva a uma competição ilusória, não com os outros, mas consigo mesmas. Nessa corrida vazia, esforçam-se para parecer mais santas, não porque rejeitam o pecado, mas porque enxergam pecado em tudo... menos em si. Tornam-se fariseus modernos: atentos às falhas dos outros, mas cegos às próprias. Sobem montanhas para orar, mas não se humilham diante de Deus. Jejuam por semanas, mas não conseguem calar a boca para não ferir o irmão. Estão em todas as programações da igreja, mas não são Igreja fora do templo.
Paulo ensina com firmeza que a salvação não vem da força humana, mas é concedida exclusivamente pela fé e pela confiança em Deus. Com isso, o apóstolo afirma que não há necessidade de sacrifícios para alcançar a salvação, pois Cristo já realizou o único e suficiente sacrifício por nós. Não é preciso peregrinar a lugares considerados santos; o caminho é simplesmente seguir em direção a Jesus. Penitências também não são exigidas — basta confessar seus pecados com sinceridade. Não se trata de fazer algo por Deus, mas de crer plenamente que Ele já fez tudo por você.
Paulo está dizendo: quer ser salvo? Então creia em Deus. Mas é só isso? Sim, apenas creia. Parece simples demais? Justamente — é tão simples que muitos têm dificuldade em aceitar. A salvação não exige rituais, nem feitos grandiosos, apenas fé genuína. Essa atitude nos remete a Naamã, que buscava a cura da lepra e hesitou diante da simplicidade do que lhe foi proposto. Às vezes, o maior desafio está em confiar no que é simples.
(10. 9-11) Se com a boca você confessar Jesus como Senhor e em seu coração crer que Deus o ressuscitou dentre os mortos, você será salvo. Porque com o coração se crê para a justiça e com a boca se confessa para a salvação. Pois a Escritura diz: “Todo aquele que nele crê não será envergonhado.”
Paulo nos ensina que há duas atitudes fundamentais para que sejamos salvos.
Primeiro, é necessário confessar com a boca que somos pecadores — reconhecer nossa fragilidade, nossa fraqueza e a limitação que nos impede de viver em comunhão com Deus. Admitir que falhamos constantemente, que nossa vida está distante da vontade divina, e que, por nós mesmos, não temos forças nem disposição para buscar a presença do Senhor. É nesse reconhecimento que nasce a súplica por um Salvador.
Segundo, é preciso crer no coração que Deus, conhecendo profundamente nossa condição, providenciou a salvação. O Senhor enviou Cristo para fazer por nós aquilo que jamais poderíamos realizar para Ele. É pela obra de Jesus — e somente por ela — que somos resgatados. Não existe outro caminho que conduza ao coração de Deus a não ser por meio de Cristo. Por isso, somos chamados a confiar plenamente nEle, a caminhar em sua direção e a descansar na certeza de que a obra da redenção foi consumada. Não há mais o que fazer para merecer salvação, porque tudo já foi feito por Aquele que nos amou primeiro.
Há muitos que frequentam nossas igrejas, cantam, oram, mas nunca confessaram, de fato, que são pecadores diante de Deus. Reconhecem que todos podem falhar, que homens cometem erros... mas evitam dar nome aos seus pecados, como se fosse suficiente apenas assumir uma imperfeição genérica. Esses querem Jesus como um companheiro de jornada, como um amigo digno de estar ao seu lado — mas não como o Salvador que veio para redimir. Outros até admitem suas falhas, mas não creem que precisam de Jesus para serem salvos. Imaginam que, ao melhorar suas atitudes, ao se tornarem ‘pessoas melhores’, Deus os aceitará. Porém, ambos estão enganados. A verdadeira conversão nasce quando reconhecemos, com sinceridade e humildade, que somos pecadores perdidos — e que só Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, pode nos salvar. Essa é a fé que transforma. Você já fez isso?
Meus irmãos, Paulo nos exorta com uma verdade poderosa: a salvação começa quando o coração clama sinceramente ao Senhor. Não é um clamor qualquer — é um brado da alma sedenta, reconhecendo sua fragilidade e buscando socorro naquele que é poderoso para salvar. A Palavra nos ensina: 'Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo' (Rm 10:13). Mas esse clamor não vem apenas dos lábios — ele precisa nascer da fé, de uma convicção profunda de que somos pecadores, e de que Cristo, o Filho de Deus, é o nosso único e suficiente Salvador. É necessário crer com o coração e confessar com a boca. E quando há fé genuína, Deus não apenas ouve — Ele responde, Ele acolhe, Ele transforma.
A verdadeira conversão começa com dois passos fundamentais. O primeiro é reconhecer, com humildade, que somos pecadores diante de um Deus santo — e que, nessa condição caída, todas as nossas obras estão contaminadas pelo pecado. Por melhores que pareçam, nada do que fazemos pode, por mérito próprio, abrir as portas do céu. O segundo passo é reconhecer que somente Jesus Cristo pode nos salvar. Ele já realizou tudo o que era necessário: tomou sobre si o castigo, venceu a morte, e abriu o caminho da salvação. Agora, o que nos cabe é tão simples, meus irmãos... tão claro e tão evidente, que muitos acham difícil acreditar — e mais ainda, viver. O caminho é este: crer de todo o coração na salvação que há em Cristo, e seguir os seus passos com obediência e fé. A Palavra é clara: confessar com a boca e crer com o coração. Não há mistério, há graça. Não há barganha, há fé.
Meus queridos irmãos, eu não sei como foi, para você, o momento da sua confissão de fé diante de Deus. Mas uma coisa é certa: se não houve confissão de pecados e o reconhecimento sincero de que Jesus Cristo é o único e suficiente Salvador, então essa entrega não foi verdadeira.
Por isso, quero abrir este momento para que cada um, diante do Senhor, tenha liberdade para orar. Se você nunca fez essa oração reconhecendo sua condição de pecador e clamando pela salvação em Cristo, faça isso agora — e seja salvo! Se há dúvidas no seu coração, ore e peça ao Espírito Santo que confirme, hoje, a sua salvação. E se você já teve esse encontro transformador com Jesus, então ore novamente — mas desta vez em gratidão, exaltando o Deus que te resgatou.
Você não precisa escalar os céus nem descer aos abismos. Não precisa esperar um dia especial, nem aguardar que as lágrimas caiam ou a emoção venha. Também não depende de estar sozinho ou acompanhado. Basta fechar os olhos, dobrar os joelhos e abrir o coração. O céu se move quando um coração se rende. E ali, na simplicidade da fé, há salvação.
Sendo assim, meus irmãos...
Tenha plena consciência: ninguém é salvo por méritos pessoais ou por boas ações. A única obra que verdadeiramente salva é aquela que foi consumada na cruz — a obra perfeita de Cristo.
Lembre-se sempre: por mais comprometidos e zelosos que sejamos, continuaremos sendo falhos, limitados e pecadores. A perfeição aqui não nos pertence, e o próprio Deus, conhecendo nossa fragilidade, providenciou um Salvador que supre tudo o que nos falta.
Você pode realizar grandes feitos: pode impactar a igreja, tocar corações e até mesmo despertar admiração celestial... mas saiba que nada se compara à magnitude do sacrifício de Jesus. Nenhuma boa ação é maior que a cruz.
A salvação é pela fé, e somente pela fé: não há outro caminho, não há outro acesso. É confiando inteiramente em Cristo que somos reconciliados com Deus.
