Debaixo da Graça
Quando algo está vivo, tem o poder e a capacidade de fazer tudo o que foi criado para fazer. Quando algo está morto, perde qualquer poder ou capacidade. É impossível fazer qualquer coisa além de estar morto. Paulo usa este princípio sobre a morte para nos ajudar a entender o significado do batismo. O batismo é uma imagem da morte — uma imagem de morrer com Cristo e ser sepultado, mas depois ressurgir para uma nova vida.
Não perca este ponto importante sobre o poder do pecado na vida de um crente. Ao morrer com Cristo, nosso corpo que antes era dedicado ao pecado morre. O significado de ser ressuscitado com Cristo é que não somos mais escravos do pecado.
A lei é apta para fazer muitas coisas: ela ordena, exige, repreende, condena, restringe, e até mesmo aponta para fora de si mesma, para o Outro. Há, contudo, uma coisa que a lei não pode fazer. Ela não pode salvar. “Por obras da lei nenhuma carne será justificada” (
νόμος -ου, ὁ; (nomos), SUBS. Lei. Equivalente hebraico: תּוֹרָה (137). Equivalente aramaico: דָּת (4).
Uso do Substantivo
2. Sistema de lei mosaica — a Torá, compreendida como o sistema de leis, estatutos civis e ordenanças sacerdotais, compreendendo o pacto mosaico; especialmente compreendido como o meio de ganhar o favor de Deus.
Somos Salvos pelo Pacto da Graça, Mediante a Fé em Jesus; e Isso Não Veio de Nós Mortos, é Dom de Deus Espírito
χάρις -ος, ἡ; (charis), SUBS. graça; favor. Equivalente hebraico: חֵן (58). Para obter informações sobre o uso como nome ou entidade, consulte Espírito Santo.
Uso do Substantivo
6. graça (sistema)† — um sistema para a obtenção de justiça como um dom gratuito através da confiança em Jesus (em oposição ao ganho pela perfeita obediência à lei de Deus). Tópico Relacionado: Graça.
6:12 Vimos em 6:6 que nosso velho homem foi crucificado para que a tirania do pecado fosse rompida e deixássemos de ser seus escravos impotentes. A exortação prática a seguir baseia-se em nossa verdadeira condição. Não devemos deixar o pecado reinar em nosso corpo mortal ao atender aos seus desejos perversos. O domínio do pecado foi encerrado no Calvário pela morte. Agora, devemos agir em função dessa realidade. Precisamos cooperar. Somente Deus pode nos santificar, mas ele não o fará sem o nosso envolvimento ativo.
6:13 Chegamos, assim, à terceira palavra-chave deste capítulo: OFERECER. Não devemos oferecer os membros do nosso corpo ao pecado, para serem usados como armas ou instrumentos de perversidade. Nossa obrigação é entregar o controle de nossos membros a Deus, a fim de serem usados para promover a justiça. Afinal, fomos transportados da morte para a vida e, como o apóstolo nos lembra em 6:4, devemos andar em novidade de vida.
6:14 Vemos aqui outro motivo pelo qual o pecado não terá domínio sobre nós como cristãos. Em primeiro lugar, nosso velho homem foi crucificado com Cristo (6:6). Em segundo lugar, não estamos debaixo da lei, e sim, da graça.
O pecado controla a pessoa que está debaixo da lei, pois a lei lhe diz o que fazer, mas não lhe dá poder para obedecer. A lei também desperta desejos adormecidos da natureza humana decaída de fazer o que é proibido. Como diz o provérbio: “O fruto proibido é sempre mais doce”.
O pecado não exerce domínio sobre a pessoa que se encontra debaixo da graça. O cristão morreu para o pecado e recebeu dentro de si o Espírito Santo como poder para viver em santidade. Além disso, ele é motivado por seu amor pelo Salvador, e não por medo do castigo. Nas palavras de Denney: “Não é a repressão, mas a inspiração que liberta do pecado; o que faz os santos não é o monte Sinai, mas o monte do Calvário”.20
Graça, por outro lado, refere-se ao favor imerecido de Deus e à Sua presença capacitadora para vencer o pecado.
Estar sob a graça é reconhecer nossa dependência da obra de Cristo para a salvação e, assim, ser justificado em vez de condenado, e, portanto, ser libertado.
κυριεύω (kyrieuō), VB. ser senhor; dominar. fut. ati. κυριεύσει; aor. ati. ἐκυρίευσε. Equivalente hebraico: משׁל 2 (5). Equivalente aramaico: שׁלט (2).
Uso do Verbo
1. dominar (completamente) — exercer controle sobre alguém como seu mestre. Tópicos Relacionados: Mestre; Experiência; Ter o domínio sobre; Assunto.
Será que o pecado tem o poder de interromper este processo, de impedir que o crente justificado alcance a salvação final e a glória? No capítulo 6, Paulo trata desta questão, respondendo-a ao afirmar que os crentes não são apenas libertos em Cristo da penalidade do pecado — justificados — mas também do poder do pecado — santificados. Sem minimizar a contínua ameaça que o pecado representa para a vida cristã, Paulo insiste que o cristão foi colocado numa relação decisivamente nova com o pecado, uma relação em que o pecado já não tem o poder de nos ‘dominar’, de nos manter em cativeiro (ver vs. 6, 14, 18, 22). Ao longo do capítulo (e, como veremos, no próximo), Paulo retrata a experiência cristã em termos de uma transferência de um ‘regime’ ou ‘reino’ para outro. Tornar-se cristão, afirma Paulo, significa ser libertado do antigo regime, dominado por Adão (5:12–21), pelo pecado (cap. 6), pela lei (cap. 7) e pela morte (cap. 8) e ser introduzido no novo regime, dominado por Cristo (5:12–21; 7:1–6), pela justiça (cap. 6), pelo Espírito (7:6; 8), pela graça (6:14–15) e pela vida (5:12–21; 6:4; 8:1–13).
O parágrafo conclui com um resumo e aplicação. Nossa identificação com Cristo em sua morte deve ser apreendida e praticada para que se torne eficaz em subjugar o poder do pecado em nossas vidas. Assim, Paulo nos exorta a reconhecer quem somos agora em Cristo (11) e a colocar essa nova identidade em prática, destronando o pecado em nosso comportamento diário (12–13). Essa vitória sobre o pecado é possível, Paulo nos lembra em um resumo dos versículos 1–10, porque o pecado não será mais o seu senhor (o tempo futuro é usado para enfatizar que em nenhum momento o pecado terá domínio sobre nós novamente). Pois não estamos mais debaixo da lei — isto é, sob o regime da lei mosaica, na qual o pecado ‘aumentou’ (5:20) e trouxe ira (4:15) — mas debaixo da graça — o novo regime inaugurado por Cristo, no qual ‘a graça reina pela justiça para trazer a vida eterna’ (ver
Ver. 12. Portanto, que o pecado não reine, etc. Ele compara o pecado e a justiça a dois reis, ou generais, sob os quais cada homem luta neste mundo. O pecado é o tirano, sob o qual lutam os ímpios, e fazem de suas mentes e de seus membros os instrumentos, ou armas de iniquidade para o pecado, quando seguem e cedem aos seus desejos desordenados. Mas ele os exorta a viver de modo a fazer dos poderes de suas almas, e de seus membros, instrumentos ou armas de justiça para Deus, para lutar sob Deus, seu rei legítimo, e sob a bandeira de sua justiça. Wi.
Ver. 14. Vocês não estão sob a lei de Moisés, como alguns de vocês estavam antes: mas agora vocês estão todos sob a graça, ou a lei da graça, onde podem encontrar perdão para seus pecados. Mas tenham cuidado para não abusar desta graça do perdão oferecido a vocês, nem multiplicar seus pecados, e adiar sua conversão, como alguns podem fazer, presumindo que, afinal, pelos méritos de Cristo, vocês podem encontrar perdão. Isto, diz Tertuliano, é a maior ingratidão, continuar sendo perverso, porque Deus é bom.
Em terceiro lugar, devemos oferecer (6.12–14). O resultado de saber que estamos crucificados com Cristo (6.6) e considerar-nos mortos em Cristo (6.11) deve levar-nos a oferecer nosso corpo a Deus (6.12–14). O corpo do cristão não é apenas morada de Deus, mas também um instrumento nas mãos de Deus. Paulo dá três ordens claras, duas negativas e uma positiva:
a. Não permita que o pecado domine seu corpo (6.12). Onde Cristo é Senhor, o poder do pecado tornou-se ilegal (6.7). Deus lhe deu o “cartão vermelho”.597 Paulo não está admitindo que o pecado reina na vida do crente. Aliás, ele nega isso. A sequência é esta: o pecado não exerce o domínio; portanto, não permita que ele reine.598 O pecado é intruso e embusteiro. Ele pode usar o nosso corpo como uma ponte por meio da qual nos consegue governar. Assim Paulo convoca a rebelar-nos contra o pecado.599 Geoffrey Wilson diz que o pecado é retratado aqui como um soberano (que reina, v. 12) que exige o serviço militar de seus súditos (exigindo obediência, v. 12), cobra-lhes um imposto em armas (armas da iniquidade, v. 13) e lhes dá seu soldo de morte (o salário, v. 23).600
b. Não ofereçam os membros do seu corpo ao pecado (6.13a). Os órgãos do nosso corpo (olhos, ouvidos, mãos, pés) devem estar a serviço de Deus, e não do pecado. A vida cristã é mais que um credo, é mais que um sentimento. É ação. William Barclay diz que o sentimento religioso nunca pode ser um substituto do fazer religioso. O cristianismo não pode ser somente uma experiência de um lugar secreto; deve ser uma vida numa praça pública.601
c. Ofereçam-se a Deus (6.13b). Essa consagração a Deus deve ser um compromisso decisivo e deliberado. Paulo trata aqui de dois reinados: o reinado do pecado e o reinado da graça. No reinado do pecado, as pessoas são escravas, e não livres. Elas se afundam no atoleiro dos vícios e perversões e usam seu corpo para atender os ditames do pecado. No reinado da graça, elas são não apenas livres, mas também chegam a reinar. Uma vez que não estão debaixo do domínio do pecado, não devem oferecer o seu corpo para servi-lo nem os membros do seu corpo para fazer sua vontade. Nosso corpo foi comprado por Deus e deve estar a serviço da glória de Deus. Os membros do nosso corpo não devem ser janelas abertas para o pecado, mas instrumentos da realização da vontade de Deus. Não podemos dar uma parte da nossa vida a Deus e outra parte ao mundo. William Barclay tem razão em dizer: “Para Deus é tudo ou nada”.602 Destacamos aqui dois pontos:
- O reinado da escravidão. Quando o pecado reina, os homens se tornam capachos de sua implacável tirania. O reinado do pecado é um domínio de opressão. O pecado escraviza e mata. Os súditos do pecado vivem prisioneiros de suas paixões e oferecem os membros do seu corpo à iniquidade.
- O reinado da liberdade. Quando a graça reina, os homens se tornam livres. A graça destrona o pecado. Destrói o senhorio do pecado e capacita o crente a oferecer-se a si mesmo, e a tudo o que lhe pertence, em amorável serviço a Deus.603 Em vez de viver sob a tirania do pecado, eles podem voluntariamente se consagrar a Deus e oferecer os membros do seu corpo para a prática da justiça. Estar debaixo da lei é aceitar a obrigação de guardá-la e assim incorrer em sua maldição e condenação (
12. Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal. Ele agora dá início a sua exortação, a qual é a consequência natural da doutrina que pronunciara com referência a nossa comunhão com Cristo. Embora o pecado ainda resida em nós, seria algo ridículo caso ele viesse exercer domínio sobre nós, porquanto o poder de santificação tem de ser superior ao pecado, de modo que nossa vida tenha como comprovar que verdadeiramente somos membros de Cristo.
nos seus desejos — “os desejos do corpo”, como o grego deixa evidente. (A outra leitura, talvez a verdadeira, “para que obedeçais aos seus desejos”, chega à mesma conclusão). O “corpo” é aqui visto como o instrumento pelo qual todos os pecados do coração se tornam fatos da vida exterior, e como ele próprio a sede dos apetites inferiores; e é chamado de “nosso corpo mortal”, provavelmente para nos lembrar quão inadequado é este reino do pecado naqueles que estão “vivos dentre os mortos”. Mas o reino aqui mencionado é o domínio irrestrito do pecado dentro de nós. Seus atos exteriores são mencionados em seguida.
ἁμαρτία -ας, ἡ; (hamartia), SUBS. pecado. Equivalente hebraico: חַטָּאת (236), עָוֹן (60). Equivalente aramaico: חֲטָי (1), חַטָּיָא (1), שָׁלוּ (1).
Uso do Substantivo
2. pecado (personificação) — pecado personificado como um princípio destrutivo e depravado, reinando sobre os incrédulos e persistindo nos crentes; especialmente como um mestre de escravo distribuindo o pagamento com a moeda da morte e decadência. Tópico Relacionado: Pecado.
“Senhor, entendo que não preciso mais sucumbir a isso, porque o velho homem do pecado foi crucificado. Considero que assim é e me aproprio disso agora mesmo.”
Pessoas preciosas, vocês estão livres do poder do pecado. Como? De três maneiras: através da informação radical de que o poder do pecado está quebrado, através da simples apropriação ao considerarem isso como verdade e através da aplicação prática ao entregarem seus corpos ao Senhor.
12. Consequentemente, não permitam que o pecado reine em seus corpos mortais, fazendo-os obedecer a suas paixões.
Embora seja verdade que os crentes não mais estão vivendo constantemente em pecado, isso não significa que o pecado cessou de ser uma força opositora em suas vidas, uma realidade a ser levada em conta. Veja 7.14s.
Nenhuma pessoa que esteja familiarizada com a história de Davi negaria que ele era, de fato, filho de Deus, aliás, “um homem segundo o coração de Deus” (
Estamos Retornando para a Perfeição que Deus Preparou, Seu Reino. Até Lá, Aprendamos e Pratiquemos Sua Justiça!
παρίστημι (paristēmi), VB. apresentar; estar presente. fut. ati. παραστήσω; aor. ati. παρέστην; perf. ati. παρέστηκά; aor. pass. παρεστάθην.
Uso do Verbo
5. oferecer — tornar disponível ou acessível; prover ou fornecer.
ὅπλον -ου, τό; (hoplon), SUBS. arma; instrumento.
Uso do Substantivo
2. implemento† — qualquer instrumentação (uma peça de equipamento ou ferramenta) usada para efetuar um fim; frequentemente coletivo. Tópicos Relacionados: Acessórios; Implemento. Entidade Relacionada: Ferramenta, implemento.
ἀδικία -ας, ἡ; (adikia), SUBS. injustiça. Equivalente hebraico: עָוֹן (67). Equivalente aramaico: עֲוָיָה (1).
Uso do Substantivo
1. injustiça — falha para aderir aos princípios morais, mandamentos ou leis. Sentido Antônimo: justiça. Tópicos Relacionados: Perversidade; Ímpio; Destruição; Crimes; Culpa; Mal; Coisa má; Injúria; Comportamento; Pecado; Listas de Virtudes/Vícios; Pecado original.
δικαιοσύνη -ης, ἡ; (dikaiosynē), SUBS. justiça. Equivalente hebraico: צְדָקָה (122), צֶ֫דֶק (76).
Uso do Substantivo
1. justiça — adesão ao que é exigido de acordo com um padrão; por exemplo, um padrão moral, embora nem sempre. Sentido Antônimo: injustiça. Tópicos Relacionados: Equidade; Inocência; Consciência; Justiça; Integridade; Justificação; Justiça.
Romanos 6:13
Os cristãos não podem ser complacentes: o domínio do pecado precisa ser resistido continuamente. O encorajamento para fazer isso encontra-se na promessa do v. 14, onde o termo paralelo κυριεύσει (“dominará”) é usado. “Em vosso corpo mortal” refere-se à pessoa inteira como caída e sujeita à morte (cf. v. 6, τὸ σῶμα τῆς ἁμαρτίας [“o corpo do pecado”]). “Assim, é em todo o campo de nossa vida como seres humanos caídos que somos chamados a resistir ao domínio do pecado.” A oração resultante εἰς τὸ ὑπακούειν ταῖς ἐπιθυμίαις αὐτοῦ (“para que obedeçais aos seus desejos”) deixa claro que a falha em resistir ao pecado torna alguém cativo de seus desejos (cf. v. 6c). Aqui, como em 1:24; 7:8;
