Sou útil para Jesus? (Mateus 5.13-16)

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Notes
Transcript
Introdução
O que você pensaria de alguém que compra um martelo, mas o usa como peso para papéis? E outra pessoa que adquire um ventilador apenas para ficar falando perto dele e ver sua voz modificada? Imagine ainda uma última pessoa que comprou uma vassoura, mas sua intenção é apenas imitar o Harry Potter. Será que podemos dizer que essas pessoas estão fazendo o melhor uso daquilo que compraram? Não. Por que? Porque a melhor utilidade destas coisas é cumprir exatamente aquilo que foram criados para fazer. Como discípulos de Jesus, podemos fazer muitas coisas que sejam legítimas e razoáveis. Mas será que Jesus pensou em algum tipo de atuação específica para seus discípulos, de tal modo que sem cumprir isso eles estão sendo inúteis?
Hoje a noite eu quero que vocês, a partir da Escritura, possam avaliar as próprias vidas e responder: sou útil para Jesus? E a nossa resposta depende de entendermos que: o discípulo útil é aquele que contribui, com tudo que pode, para que o reino de Jesus seja cada vez mais visível neste mundo. Não importa se ele é o que tem mais conhecimento teológico ou leu mais livros, também não importa se ele tem 30 anos na igreja ou 5, muito menos se contribui com 60% ou 5% da renda da igreja, se ele não contribui, com tudo que pode, para que o reino de Jesus seja cada vezmais visível neste mundo, ele é um discípulo inútil. Vamos Ler Mateus 5.13-16
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O final das bem-aventuranças aponta uma realidade muito difícil para os discípulos de Jesus. Embora sejam misericordios, mansos e pacificadores, a contrapartida que o mundo lhes oferece é perseguição, insulto e difamação (v.10-11). É realmente um cenário hostil, e Jesus não quer esconder isso. Pelo contrário, ele os encoraja a verem aquela hostilidade como motivo de alegria e exultação (v.12).
Mas, ainda assim, as palavras do mestre podem ter “amufinado” alguns ouvintes. Então, agora era a hora de Jesus animá-los, dizer algo que lhes traria conforto em meio ao cenário que acabara de apresentar. Porém, ele não faz isso. O que o mestre faz em seguida é deixar bem claro que os discípulos devem estar no mundo, num lugar hostil. E sabem qual é a grande motivação? Ser útil para Jesus.
Desenvolvimento
Jesus inicia com uma declaração forte: “Vocês são”. O que vem na sequência é muito importante, pois é uma definição clara e objetiva da identidade dos seus discípulos. Ele diz: “Vocês são o sal da terra”. O sal era um elemento extremamente comum no mundo antigo. Basicamente, entende-se que suas funções principais eram duas: tempero e conservação. Obviamente, Jesus está utilizando uma metáfora para falar sobre a identidade dos seus discípulos. Mas qual é o aspecto central da comparação?
O mestre não nos diz, mas o texto dá uma pista. Porém, antes disso é importante dizer naquela época ambos os elementos - sal e luz - eram indispensáveis. A declaração de Jesus é forte porque ele basicamente pega a essencialidade e indispensabilidade daqueles elementos para a cultura antiga, e diz: “Vocês discípulos, são tão indispensáveis a este mundo - no seu caráter espiritual - quanto o sal e a luz são para o mundo - no seu caráter terreno.
Mas, como eu disse, o texto nos ajuda. Jesus diz: “Ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor?”. Por causa dessas palavras, podemos concluir que o mestre fala de uma influência positiva e agradável. Agora, onde será isso? “O sal da TERRA”. Ou seja, Jesus está afirmando que seus discípulos estão sendo chamados para uma influência positiva e agradável em todo o mundo. O mestre não convoca seguidores para que integrem um clube de auto-ajuda, mas para fazerem uma grande diferença no mundo.
Além disso, apesar de não estar explícito no texto, é inegável que a função de conservação do sal também está presente. Ou seja, os discípulos de Jesus, por sua influência positiva e agradável, vivendo as virtudes que o mestre ensinou, certamente hão de provocar uma contenção do mal e da acelerada degradação moral. Isso não significa dizer que os crentes vão levar o mundo para uma realidade de plena ausência do mal, absolutamente. Porém, existe um potencial de restrição que é indiscutível.
Na sequência, Jesus supõe que o sal perca o sabor (contexto da época) e diz que isso simplesmente o torna inútil ou sem valor. As palavras são fortes: “ser pisado pelos homens”. O que Jesus está tentando ensinar? Que da mesma forma que o sal é desprezível por não cumprir sua função, o discípulo de Jesus que não põe em prática os valores do Reino, a fim de tornar esse mesmo reino visível e desejável é tão desprezível quanto. Você acha forte? Pois é isso mesmo!!
Aplicações
Nós, crentes, precisamos entender que o chamado para fazer parte do reino de Cristo não foi um chamado ao isolacionismo. Na história da igreja, alguns grupos acreditaram que isolar-se do mundo e suas malezas era a solução para uma vida santa e piedosa. Eles acertaram? NÃO!
De fato, os crentes devem estar no meio dos incrédulos. Isto, porém, não significa participar de suas práticas, mas entender que a principal diferença que os discípulos de Jesus fazem não é longe deles, mas perto (trabalho, escola, faculdade, reuniões em família, etc).
Quantos de nós, realmente, temos vivido no mundo crendo que a nossa identidade como discípulos de Jesus envolve ser alguém que faz a diferença? Os nossos relacionamentos refletem isso? Você pensa assim: “Eu preciso ser sal nesse lugar. Senhor, me ajuda a fazer diferença aqui”.
Eu entendo que há trabalhos difíceis, que sugam muito sua energia e lhe deixam quase sem tempo para conversar ou pregar mais verbalmente o evangelho. Mas, eu quero que você que, enquanto sal, você precisa entender que intencionalmente as suas ações devem ser diferentes (suas respostas, reações, jeito de ser). O que você anda comunicando?
Infelizmente, parece que temos encarado essa responsabilidade como opcional. Escolhemos ser uma influência (Ex: na faculdade ok, mas no trabalho não). Isso faz algum sentido? Significa basicamente: Hoje eu quero ser útil, mas hoje não.
Aqueles que amam ao Senhor Jesus Cristo e desejam verdadeiramente cooperar com o avanço do seu Reino, se esforçam de todo modo para chamar atenção ao Reino nos ambientes onde estão, e não se conformam em sair dali como pessoas anônimas e inúteis.
Se você faz parte do reino de Cristo, saiba que Jesus não pede de você uma formação a mais ou um crescimento financeiro maior , Ele pede que você seja útil a Ele, e você será a medida que entender: “Não estou aqui porque passei num vestibular ou num concurso, estou aqui porque Deus quer que salgue este lugar”.
Desenvolvimento
A segunda metáfora tem muita semelhança com a primeira, porém, é muito mais utilizada pelos autores do Novo Testamento, sobretudo Paulo (Fp 2.15; 2Co 6.14; 1Ts 5.5). A luz, naquele contexto, era um instrumento muito essencial para iluminar o interior das casas. Ser luz (φῶς) também envolve dois aspectos: brilhar (ou refletir) e também repelir a escuridão. Novamente, veja como Jesus quer enfatizar o caráter protagonista e influente que os discípulos têm no mundo - uma dimensão ampla em que o reino de Jesus está inserido.
Curiosamente, Jesus não segue falando exatamente da luz. Ele faz um paralelo entre uma cidade (sobre um monte) e uma lamparina. São imagens muito comuns daquela época e cumprem um papel importante de fixar o ensinamento de Cristo na mente das pessoas. Ambas existem para permanecer em um lugar de destaque, logo, não podem ser escondidas ou abafadas. O mestre ensina, portanto, que seus discípulos foram chamaos exatamente para resplandecer, brilhar e serem vistos, logo, se esconder ou anular a função principal é algo tolo (sem sentido).
Finalmente, Jesus traz a metáfora para a realidade dos discípulos: “Assim (ou da mesma forma) brilhe também a luz de vocês diante dos outros”. Interessante que os discípulos, no momento que adentram o reino de Cristo pela fé, eles passam também a ser fonte de luz. Da mesma forma que a lamparina precisa ser colocada no melhor lugar para que todos numa casa sejam iluminados por ela, os discípulos também devem procurar as melhores oportunidades para que façam a luz de Cristo refletir naqueles que estão à sua volta.
E em que isso resultará? Em glorificação ao Pai. Este é o propósito final, a razão maior de serem membros do reino de Deus e viverem os valores deste reino no mundo terreno. A medida que os discípulos vivem intensamente a procura de situações e momentos para agirem de conformidade àquilo que Cristo ensinou - amor, misercordia, compaixão, perdão, humildade, mansidão, verdade - eles poderão cooperar para a transformação daqueles que os veem em adoradores do Pai. Como? Provavelmente pela conversão destes.
Perceba que “as boas obras” não geram um mundo melhor, mas sim a expansão do reino de Jesus. Uma vez que os discípulos exercitam as virtudes que lhes foram dadas pelo Pai celestial, o próprio Pai receberá todo reconhecimento e glória por ser a fonte de tudo o que os discípulos conseguem fazer. É exatamente para isso que significa fazer parte do reino de Cristo: exercitar valores e virtudes que tornem esse reino mais conhecido e habitado por aqueles que se rendem aos pés do grande Rei. As palavras são reproduzidas também por Pedro (1Pe 2.12).
Aplicações
Precisamos reconhecer que inevitavelmente as pessoas prestarão atenção em nós, basta que deixemos a luz que Cristo nos deu irradiar pelos ambientes em que vivemos. O que jamais podemos fazer é esconder a luz, e deixá-la o mais possível oculta para que ninguém saiba que ela está ali. Será que fazemos isso? Fugimos, nos escondemos, nos calamos, e simplesmente estamos impedimento algo que deveria ser natural.
Você se percebe como uma fonte de luz que deve brilhar intensamente? Que decisões tem tomado no seu emprego, faculdade ou escola para que essa luz seja o mais vista possível? Eu passei cinco anos na UFC, e confesso que poderia ter sido muito mais influente. Me aproximado mais das pessoas, conversado, dado atenção, mas infelizmente não fiz tanto quanto poderia. Existe aquele constrangimento, são pessoas homossexuais, lésbicas, trans, mas quem brilhará perto delas?
Eu acredito que cada um de nós deve pensar o seguinte quando está no meio dos descrentes: “Preciso que eles prestem atenção em mim”, isto é, “nas minhas atitudes”. Mas, por que? Porque é observando a sua vida, seu testemunho, sua reação quando ele se aproxima, sua facilidade em ouví-lo, sua disposição em gastar tempo com ele, sua prontidão em ajudá-lo quando precisa, sua postura amável e verdadeira, que Ele será conduzido ao Pai.
Jesus disse aos seus discípulos: “Nisto é glorificado o meu Pai: que vocês deem muito fruto”. (Jo 15.8). Se não funcionamos para, pelas boas obras, conduzir pessoas ao Pai, qual a nossa utilidade? De que adianta dizer que fazemos parte do reino de Deus se nada em nós contribui para que esse reino cresça? Será que realmente sou útil para Jesus? Será que tenho vivido realmente como cidadão do reino ? Não há como exibir os valores desse reino, e ser despercebido ou ignorado (o texto mostra na sequencia do sermão). O que lhe falta?
Alguns textos importantes para que você perceba como sempre foi o desejo de Deus que nós, salvos pela graça, vivéssemos em constante prática de boas obras .Efésios 2.10; 1Timóteo 6.18; Tito 2.7;Tito 2.14 - que resposta você pretende dar diante de tudo isso? Deus tem dado a vocês, jovens, oportunidades fabulosas de serem sal e luz onde vocês estão. Não façam tornem esses lugares prejudiciais a vocês mesmos. Peçam coragem para falar, peçam segurança para responder, peçam compaixão para se importar.
“A fuga para o invisível é uma negação do chamado. Uma comunidade de Jesus que procura se esconder deixou de segui-lo” (Bonhoeffer, O custo do discipulado, 106).
Oração final
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