Seguro nas Mãos do Deus Verdadeiro

Cristianismo do dia-a-dia  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Nesta pregação sobre Êxodo 34:5-7, Deus se revela a Moisés após o bezerro de ouro, proclamando Seu nome como compassivo, bondoso, tardio em irar-se, misericordioso e fiel, perdoando pecados mas punindo iniquidade até a quarta geração, enquanto guarda graça por mil. Conhecer Seu caráter equilibra justiça e misericórdia, moldando vidas com segurança. Ilustração: Como um juiz que, em vez de condenar imediatamente, estende a mão ao réu arrependido – ecoando a paciência divina em 2 Pedro 3:9.

Notes
Transcript

O SENHOR desceu na nuvem, esteve ali junto de Moisés e proclamou o nome do SENHOR. O SENHOR passou diante de Moisés e proclamou:

— O SENHOR! O SENHOR Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade; que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a maldade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocente o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração!

Introdução

Quem é Deus para você? Apesar de muitos terem opiniões tão diferentes umas das outras, essa é umas das perguntas mais importantes que existe, pois, gostando ou não de Deus, acreditando ou não em Deus, nossa vida é moldada por aquilo que cremos a respeito dele.
Nosso senso de certo ou errado, o motivo pelo qual trabalhamos, casamos (ou não casamos), temos filhos (ou não temos filhos), tudo isso e muito mais depende daquilo que cremos sobre Deus e se não conhecermos Deus direito, podemos ficar muito inseguros sobre qual o melhor caminho tomar na vida, ou, pior, podemos acabar tomando decisões muito ruins que vão nos atrapalhar durante muitos anos.
Então, se esta é uma questão tão importante, qual seria a maneira mais segura de se ter certeza sobre Ele? Se Deus fosse um objeto, nós pegaríamos esse objeto, colocaríamos em uma mesa e começaríamos a analisá-lo, descreveríamos aquilo que vemos e chegaríamos em uma conclusão. Deus não é um objeto, mas um ser pessoal. E pessoas só podem ser conhecidas de verdade através daquilo que elas falam e fazem: pessoas se revelam.
Esse texto que lemos é isso, Deus mesmo descendo e se revelando a Moisés e a nós. E conhecer o Deus verdadeiro molda nossa vida e nos dá segurança para prosseguir.

Exposição

v.5 - O SENHOR desceu na nuvem, esteve ali junto de Moisés e proclamou o nome do SENHOR.

Para entender o que acontece aqui, precisamos lembrar o contexto: Deus havia libertado Israel do Egito e chamado Moisés ao monte Horebe para selar a Aliança com as tábuas da Lei. Enquanto Moisés estava com o Senhor, o povo fez um bezerro de ouro e quebrou a aliança. Deus ameaçou destruí-los, mas Moisés intercedeu, e o Senhor prometeu continuar com eles. Então Moisés pediu um sinal do perdão de Deus — e o Senhor deu esse sinal, revelando quem Ele mesmo é.
E nessa autorrevelação de Deus, o Senhor não chamou Moisés para perto, ao contrário, Ele mesmo, o próprio Deus, vai para perto de Moisés. O grande Rei se aproxima de seu servo e o envolve em uma nuvem.
É como se Deus descesse de seu trono e se inclinasse para perto. Por mais glorioso que Deus seja, Ele demonstra verdadeiro interesse em sua criação e quer estar perto. As atitudes do povo de Deus muitas vezes são para afastá-lo, mas Ele insiste em se aproximar.
E a primeira coisa que Deus faz ao se aproximar de Moisés é proclamar o próprio nome.
Veja, em nosso tempo, os pais escolhem o nome dos filhos porque gostam da sonoridade, ou porque querem homenagear alguém famoso ou muito querido, ou às vezes, por causa do significado do nome.
Contudo, para Deus, os nomes eram apresentações de quem as pessoas eram ou representavam. Por exemplo, Deus mudou o nome do patriarca Abrão (“pai exaltado) para Abraão (“pai de multidões”) para representar a promessa que o Senhor fez de que ele teria muitos filhos.
Quando Deus diz seu próprio nome, ele repete o nome que já havia dito a Moisés antes, “Eu sou o que sou”, ou seja, uma expressão que diz que somente Ele é Deus. Uma apresentação que tem muito sentido, já que os israelitas tentaram substituir Deus por uma imagem na primeira oportunidade. Deus é Deus e não pode ser comparado com nada.
Mas, se conhecer o Deus verdadeiro molda nossa vida e nos dá segurança para prosseguir, não basta apenas conhecer que Ele é o único Deus, precisamos saber sobre o caráter dele também, o que nos leva aos próximos versículos.

v.6-7 - O SENHOR passou diante de Moisés e proclamou: — O SENHOR! O SENHOR Deus compassivo e bondoso, tardio em irar-se e grande em misericórdia e fidelidade, que guarda a misericórdia em mil gerações, que perdoa a maldade, a transgressão e o pecado, ainda que não inocente o culpado, e visita a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração!

Então, Deus repete o nome dele duas vezes e passa a se descrever. E como é a descrição que o Senhor faz de si mesmo?
Lembram que os israelitas haviam acabado de cometer um grave pecado contra Deus, que o Senhor havia ameaçado destruí-los, mas acabou não fazendo? Pois bem, aqui está a explicação de tudo isso: o caráter do Senhor é um perfeito equilíbrio entre justiça e misericórdia.
Por um lado, Deus é tão santo que ele nunca deixa de punir o pecado. Se Deus finge que não vê o pecado, ele deixa de ser santo e se torna omisso, conivente com o pecado. Mas Ele jamais ignora o pecado.
Então, se conhecer o Deus verdadeiro molda nossa vida e nos dá segurança para prosseguir, agora Moisés sabia: Deus leva a sério o pecado do povo. Ele não é como um pai omisso, que vê os filhos fazendo coisas erradas e diz “mulher, se não tá vendo o que ele está fazendo, não?”. Ele não deixa de lado, nem terceiriza, o cuidado com o povo dele. Pelo contrário, Deus faz questão de que seu povo seja santo como Ele:
Levítico 20.7 “Portanto, santifiquem-se e sejam santos, pois eu sou o Senhor, o Deus de vocês.”
Contudo, saber só santidade de Deus pode não ser uma boa coisa.
Se Deus é tão santo assim, não deveríamos ficar com medo dele? Será que não seria melhor nunca vê-lo mesmo? Será que Ele só está esperando o seu próximo pecado para te destruir? Você serviria esse Deus por amor ou por pavor?
Essa santidade de Deus estava bem clara para os israelitas. Mas causava um desconforto quando eles viam alguém pecar e não ser punido imediatamente. Um profeta chegou a dizer:
Habacuque 1.13 “Tu és tão puro de olhos, que não podes suportar o mal nem tolerar a opressão. Por que, então, toleras os traidores e te calas quando os perversos devoram aqueles que são mais justos do que eles?”
Isso acontece porque, se por um lado ele é santo, por outro, Ele é muitíssimo misericordioso. E a misericórdia, não é deixar a santidade e a justiça de lado. Pelo contrário, só quem é verdadeiramente justo e santo pode ser misericordioso.
A misericórdia é a escolha de Deus de não dar a pena que você merece, mas tratar você com uma bondade que você não merece. É uma escolha consciente de fazer o bem a quem lhe fez mal. Em outras palavras, isso significa que é da própria natureza de Deus que ele esteja disposto a buscar a reconciliação.
E mais: por Ele ser “tardio em se irar”, quando pecamos, o Senhor espera um tempo para que a gente se arrependa e mude de caminho, antes que venha a punição, pois Ele não tem prazer em punir:
2Pedro 3.9 “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a julguem demorada. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.”
Apocalipse 2.21 “Dei-lhe tempo para que se arrependesse, porém ela não quer se arrepender da sua imoralidade.”
E o que esse texto nos mostra é que Deus é perfeitamente justo, mas está mais inclinado a perdoar e reconciliar que a punir. Observe o final do texto: lá diz que Ele “visita a iniquidade dos pais nos filhos, até os netos e bisnetos”, ou seja, que o Senhor faz com que as consequências dos seus pecados cheguem até seus descendentes. Por exemplo: Deus não vai fazer surgir dinheiro para o leite dos seus filhos se você gastar o dinheiro do leite com apostas ou outros vícios. Eles vão sofrer as consequências dos seus pecados.
Por causa disso, algumas pessoas podem pensar que Deus é severo demais. Mas não, ele nos chama para termos atos responsáveis, pois nossos pecados sempre trazem consequências.
Mas, ao mesmo tempo, o texto diz que a benção de Deus dura milhares de gerações, muito mais que três ou quatro.
Deus é único, santo e está disposto a perdoar o seu povo. Certamente, agora Moisés conhece melhor a bondade e a severidade de Deus e poderá seguir mais seguro.
E se você quer ter também segurança na sua vida, vamos ver algumas aplicações :

Aplicações

Primeiro: não tente ser seguro em Deus, sem estar em aliança com Deus.
Cristo é o caminho de entrada na Aliança com Deus porque Ele assumiu na cruz a punição que nós merecíamos. Se você não reconhece seus pecados e acha que não faz nada de errado, você está rejeitando a misericórdia de Deus, então só sobra a justiça pra você.
Deus tem dado tempo para você se arrepender, mas esse tempo algum dia acaba. Aceite a misericórdia dele hoje e Ele nunca te abandonará.
Segundo: Siga o Deus verdadeiro e imite o Seu caráter.
O povo de Israel trocou o Deus vivo por um bezerro de ouro. Hoje, muitos fazem o mesmo — não esculpem imagens, mas criam um “deus” a seu próprio gosto. Uns inventam um deus permissivo, que nunca corrige. Outros, um deus cruel, que nunca perdoa. O Deus verdadeiro é o Deus da Bíblia. Ele é justo e santo, mas também misericordioso e pronto para perdoar. Por isso, conheça quem Ele é por meio da Sua Palavra, e siga o Seu caráter. Isso significa levar o pecado a sério, mas também estar pronto para perdoar quem se arrepende.
Terceiro: descanse na misericórdia de Deus, mas não abuse dela.
Na maioria das vezes, Deus não nos punirá assim que pecarmos. Ele prefere nos dar tempo para que a gente se arrependa do nosso pecado e cresça. Mas, depois de pecar algumas vezes, você pode acabar se acostumando com o pecado e, quem sabe, até achando que não terá problema nenhum.
Todo pecado tem consequências. No mínimo, cada pecado te afasta um pouquinho de Deus, até o momento que você estará tão longe que nem saberá mais como voltar pra Ele.
Se você está cometendo algum pecado, pare, se arrependa, confesse, antes que o sofrimento seja grande.
Quarto: Deus quer o seu bem, então siga a vida com confiança.
Lembre-se: Deus quer o seu bem! Seu pecado tem solução, em Cristo Jesus. Deus Pai preferiu lançar a justiça dele sobre Jesus para derramar misericórdia sobre você. Ele está disposto a te perdoar e, se você é cristão, Ele disse que nunca te abandonará. Você nunca estará sozinho.

Conclusão

Lembre-se: Deus se revelou a nós.
Ele é santo — para nos guiar. Ele é misericordioso — para nos perdoar. Ele é fiel — para nunca nos abandonar.
Aquele que conhece a Deus de verdade pode caminhar seguro. Então, siga o Deus santo, misericordioso e fiel — e você não andará sozinho.
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