Saudação a Igreja de Deus
Introdução
Captação
Contexto
Contextualização Histórica
On the restoration of the city by Julius Caesar, both Greek and Jewish merchants settled in Corinth in such numbers as probably to outnumber the Romans. In Paul’s time it was distinctively a commercial centre, marked by wealth and luxury. “It was the ‘Vanity Fair’ of the Roman Empire, at once the London and the Paris of the first century after Christ” (Farrar). It was conspicuous for its immorality. To “corinthianize” was the term for reckless debauchery. Juvenal sarcastically alludes to it as “perfumed Corinth;” and Martial pictures an effeminate fellow boasting of being a Corinthian citizen. The temple of Aphrodite (Venus) employed a thousand ministers. Drunkenness rivalled licentiousness, and Corinthians, when introduced on the stage, were commonly represented as drunk. Paul’s impression of its profligacy may be seen in his description of heathenism in the first of Romans, and in his stern words concerning sensual sin in the two Corinthian Epistles. “Politically Roman, socially Greek, religiously it was Roman, Greek, Oriental, all in one. When, therefore, the apostle preached to the Corinthians, the Gospel spoke to the whole world and to the living present” (Edwards).
Contextualização Literária
Uma característica é que a epístola é excepcionalmente abrangente no tratamento de problemas que a igreja precisa enfrentar: cismas, respeito pela liderança, litígios, casamentos desfeitos, práticas e influências mundanas, feminismo na igreja, problemas graves no culto, concepções erradas sobre a consumação dos tempos e a coleta de donativos para os pobres.
Primeiro, Paulo procurou promover um espírito de unidade na igreja local e, ao mesmo tempo, mostrar aos leitores que eles eram parte da igreja universal. Segundo, o apóstolo procurou corrigir uma série de tendências errôneas na comunidade de Corinto. Uma delas era a apatia quanto ao exercício da disciplina com relação ao homem incestuoso. Terceiro, Paulo respondeu as perguntas que lhe haviam sido submetidas por carta (7.1) e por uma delegação (16.17). Quarto e último ponto, a epístola de Paulo instrui os cristãos em Corinto a coletar fundos para socorro aos santos necessitados em Jerusalém.
Warren Wiersbe afirma que no capítulo 1, Paulo está falando sobre a vocação do cristão. Paulo fala sobre três chamados: 1) Chamado à santidade (1co 1.2); 2) Chamado à comunhão (1.9); 3) Chamado para glorificar a Deus (1.29).
A igreja é um povo chamado à santidade (1.1–9)
O apóstolo Paulo nos apresenta dois retratos da igreja: Primeiro, a igreja como Deus a vê (1.1–9); segundo, a igreja como nós a vemos (1.10–31). No primeiro retrato, Paulo descreve o que nós somos em Cristo, a santificação posicional. No segundo retrato, Paulo descreve o que nós somos existencialmente, a santificação progressiva. O que nós somos em Cristo deve ser evidenciado pelo que praticamos na vida diária. Abramos esse álbum da igreja e vejamos sua beleza aos olhos do próprio Deus, em alguns pontos:
A. Os escritores são identificados (1.1).
B. Os leitores são identificados (1.2).
1. … por seu relacionamento (1.2a).
2. … pela sua posição (1.2b).
3. … pelo seu chamado (1.2c).
C. A saudação aos leitores (1.3).
Paulo fez uso diversificado dessas possibilidades. Já a elaboração dos cabeçalhos de suas cartas mostra como ele está ocupado com aqueles aos quais escreve, permitindo depreender claramente o que o move no tocante a eles.
## Proposição
## Divisão do sermão
Corpo
1. O chamado de Paulo e suas credenciais
Paulo foi chamado para ser um apóstolo de Jesus Cristo e, assim, comprometeu-se a ser porta-voz de Cristo. De forma semelhante, Deus chamou os crentes ao estado de santidade e espera deles que pratiquem a santidade. Esse chamado permanece eficaz tanto para o apóstolo como para os coríntios, de forma que, por toda a sua vida, eles permanecem chamados.
Ele afirma enfaticamente que foi chamado (ver também Rm 1.1; Gl 1.15). Por ocasião da conversão de Paulo, Jesus pessoalmente o chamou para ser um apóstolo aos gentios (At 9.15). Foi ordenado para esse ofício quando o Espírito Santo o separou e a Barnabé “para a obra que os tenho chamado” (At 13.2). Noutra parte, Paulo declara que, como um apóstolo, havia sido enviado por Jesus Cristo e por Deus o Pai (Gl 1.1). Em suma, Paulo foi chamado pelo Deus Triúno: Pai, Filho e Espírito Santo.
um apóstolo age como o representante daquele que o enviou, Jesus Cristo, cuja mensagem precisa comunicar corretamente
“Pela vontade de Deus.” Declarando que seu apostolado baseia-se na vontade de Deus, Paulo efetivamente afirma que seu chamado como apóstolo tem sua origem em Deus.
É o que ocorre também na presente carta. Em Corinto se questiona a autoridade apostólica de Paulo. Por essa razão Paulo imediatamente confirma essa autoridade, de forma enfática, por meio das primeiras palavras de sua missiva. Quem escreve não é um cristão qualquer de nome Paulo, mas um “apóstolo do Cristo Jesus”
Cabe compreender a palavra a partir do direito estatal e internacional. O “emissário autorizado” de um país fala e age com autoridade máxima. Por trás dele estão toda a vontade e o poder do país que o enviou. A formulação “apóstolo do Cristo Jesus” nos lembra de que “Cristo” não é um nome próprio, e sim um título, o título real de Jesus. Paulo é “emissário autorizado do Rei Jesus”. Por meio dessa autorização, a palavra de Jesus vale também com plena seriedade para Paulo:
Também a nós, leitores atuais, cabe considerar a presente carta não apenas como documento interessante de um homem importante da Antigüidade. Deparamo-nos aqui com uma palavra, que também para nós possui autoridade suprema, uma palavra que o próprio Senhor nos comunica por intermédio de seu enviado. Com quanto cuidado temos de lê-la!
Paulo salienta sua autoridade por meio de dois acréscimos. Ele não podia nomear-se pessoalmente emissário do Rei, mas precisava ser “chamado” para isso
O soberano terreno escolhe para isso a pessoa mais apta, competente e proeminente. Paulo, no entanto, ao olhar em retrospecto para sua conversão e seu envio, apenas conseguia constatar uma misericórdia incompreensível no fato de que justamente ele, esse “aborto”, esse “blasfemo, perseguidor e violento” fora convocado para apóstolo (1 Co 15:8; 2 Co 4:1; 1 Tm 1:13 [TEB]).
O motivo da vocação não reside nele pessoalmente, não em suas qualidades, mas unicamente na soberana decisão da “vontade de Deus”, daquele Deus maravilhoso “que vivifica os mortos e chama à existência as coisas que não existem” (Rm 4:17). Foi isso que Paulo salientou em 2 Co 3:5s.
2. Sóstenes?
Talvez este Sóstenes fosse o principal da sinagoga em Corinto que foi espancado no tribunal de Gálio (At 18.17). Mas, face à falta de mais informações, podemos dizer apenas que ele atuou como um cooperador de Paulo. Embora Paulo escreva o pronome “eu” em lugar de “nós” (por ex., nos v. 4,10,14,16), estudiosos afirmam que Sóstenes apoiou Paulo na mensagem comunicada aos coríntios.
“Sóstenes, o irmão” compartilha a responsabilidade pela carta diante dos coríntios
Por meio de sua citação no início da epístola ele demonstra sua concordância expressa com o que Paulo diz aos coríntios. Estão sendo simplesmente confrontados com a pessoa Paulo.
Nesse caso Sóstenes precisava ser alguém que conhecia muito bem a situação em Corinto e também gozava de respeito e confiança na igreja
Obviamente não é possível comprovar que o “irmão Sóstenes” era idêntico ao Sóstenes de At 18:17. O nome não era raro naquela época. Também é possível que tenha havido outro membro importante da igreja em Corinto com esse nome.
E Sóstenes, nosso irmão. Este é o mesmo Sóstenes que era líder judaico da sinagoga em Corinto, e de quem Lucas faz menção em Atos 18.17. A razão de seu nome ser incluído aqui é para que os coríntios tivessem uma merecida consideração por aquele de quem conheciam o ardor e firmeza no evangelho. Portanto, há uma honra ainda maior para ele, ou, seja, de ser denominado irmão de Paulo, do que, como antes, ser presidente da sinagoga.
3. Nossa identidade: Igreja de Deus, Santos de Deus
Em primeiro lugar, a igreja é um povo separado por Deus e para Deus (1.1–3). A palavra grega ekklesia, igreja, significa um “povo chamado para fora”.
b. Destinatários.
Paulo endereça suas duas epístolas aos coríntios de forma semelhante: “À igreja de Deus que está em Corinto” (1Co 1.2; 2Co 1.1), sem ligar a igreja diretamente a Jesus Cristo. No entanto, o conceito igreja pode ser compreendido apenas em relação a Jesus Cristo, pois a Igreja de Deus está nele.
ἡγιασμένοις – o particípio perfeito passivo no dativo plural está colocado como aposto ao substantivo igreja, que coletivamente está no dativo singular. Nesse texto, o verbo ἁγιάζω (eu santifico) refere-se a um ato definitivo de Deus. O tempo perfeito denota ação completada com resultado duradouro. A voz passiva indica que Deus é o agente e que ele santifica os coríntios em Cristo. “O principal conceito do termo é o de pertencer a Deus; ele contém o dever de ser semelhante a ele no caráter.
Não obstante, está fora que qualquer possibilidade chamá-la de “sua igreja”. Uma “igreja” pertence a Deus, e exclusivamente a ele, que a comprou com o próprio sangue (At 20:28). É nesse fato que se baseiam toda a autonomia e a liberdade da igreja, que Paulo respeita com seriedade e zelo ao longo das duas cartas.
A partir dessa verdade, porém, todas as “exortações” ganham gravidade e força. Pelo fato de os coríntios serem “igreja de Deus” as coisas de forma alguma podem continuar como estão no momento.
Sobre que base, pois, tinha Paulo reconhecido uma igreja em Corinto? Sem dúvida foi porque viu em seu seio a doutrina do evangelho, o batismo e a Ceia do Senhor, marcas pelas quais uma igreja deve ser julgada. Pois, embora alguns começassem a nutrir dúvidas acerca da ressurreição, contudo tal erro não permeou todo o corpo, e assim o nome e a realidade da Igreja não são por isso afetados
em virtude de haverem retido a doutrina fundamental – o Deus único era adorado por eles e invocado no nome de Cristo –, depositavam em Cristo sua dependência para a salvação e sustentavam um ministério que não estava de todo corrompido. Por essas razões a Igreja continuava ainda em existência entre eles. Conseqüentemente, onde quer que o culto divino tenha sido preservado incorrupto, e aquela doutrina fundamental de que já falei ainda persiste ali, podemos sem hesitação concluir que nesse caso a Igreja existe.
Em segundo lugar, a igreja tem um dono. A igreja é de Deus. Ela não é minha, não é sua, nem nossa; ela é de Deus. Paulo chega a dizer aos presbíteros da igreja em Éfeso que a igreja é de Deus porque ele a comprou com o sangue do Seu Filho (
Seu povo não deixa o mundo (ver 5.10), mas demonstra ao mundo que foi santificado em Cristo Jesus. Apesar das frequentes brigas, facções e imoralidades dos coríntios, Paulo, não obstante, os descreve como povo que foi santificado em Cristo Jesus (comparar com Ef 5.27).
Em todo o NT os “santos” não são pessoas especialmente devotas e perfeitas no âmbito da igreja, mas “santos”, ou seja, pertencentes a Deus; consagrados a Deus são de fato todos aqueles que fazem parte da igreja de Deus. Eles não são “santos” em si mesmos. Pelo contrário: são “santificados em Cristo Jesus”, porque ele os salvou da corrupção, da perdição total e os remiu para si pelo preço de seu sangue e de sua vida
1:2 A carta é dirigida, primeiramente, a toda a igreja de Deus que está em Corinto.
Há quem considere a santificação uma obra característica da graça por meio da qual a pessoa obtém a erradicação da natureza pecaminosa. O versículo 2 refuta essa ideia. Os cristãos coríntios estavam muito aquém do ideal de santidade prática; ainda assim, eram posicionalmente santificados por Deus
The letter is addressed to the church (ekklēsia), to the assembly or gathering, in
Call upon the name (ἐπικαλουμένοις τὸ ὄνομα). Compare Rom. 10:12; Acts 2:21. The formula is from the Septuagint. See Zech. 13:9; Gen. 12:8; 13:4; Ps. 115:17. It is used of worship, and here implies prayer to Christ. The first christian prayer recorded as heard by Saul of Tarsus, was Stephen’s prayer to Christ, Acts 7:59. The name of Christ occurs nine times in the first nine verses of this epistle.
Mas, no meio de tanta vileza, que aparência de igreja é mais apresentada? Minha resposta é como segue: Visto que o Senhor dissera: “Não temas, eu tenho muitas pessoas nesta cidade” [At 18.9], mantendo esta promessa em sua mente, ele conferiu a poucas pessoas piedosas a grande honra de reconhecê-las como igreja no meio de uma vasta multidão de pessoas ímpias. Demais, a despeito de que muitos vícios tinham solertemente se introduzido, bem como várias corrupções tanto na doutrina quanto na conduta, alguns emblemas da genuína Igreja permaneciam em evidência. Entretanto, devemos prestar muita atenção a esta passagem, para que neste mundo não esperemos existir uma igreja sem uma mancha ou mácula, nem precipitadamente neguemos este título a alguma sociedade na qual nem tudo satisfaça nossos padrões ou aspirações. Porquanto é uma perigosa tentação imaginar alguém que não existe igreja onde a perfeita pureza se acha ausente. Pois a pessoa que se sente dominada por tal noção, necessariamente deve separar-se de todos os demais e olhar para si como o único santo no mundo, ou deve fundar sua própria seita em sociedade com uns poucos hipócritas.
Portanto, todos quantos desejam ser reconhecidos entre o povo de Deus devem ser santificados em Cristo. Demais, a palavra santificação denota separação. Isso se dá conosco quando somos regenerados pelo Espírito para novidade de vida, para servirmos, não ao mundo, mas a Deus. Porque, enquanto por natureza somos impuros, o Espírito nos consagra a Deus. Porque isso realmente se concretiza quando somos enxertados no corpo de Cristo, fora do qual nada mais há senão corrupção, e visto que o Espírito nos diz que só somos santificados em Cristo, quando, através dele, aderimos a Deus, e nele somos feitos “novas criações
3. O Chamado do Crente: Santidade
Em terceiro lugar, a igreja é chamada para a santidade. A santificação tem dois aspectos importantes:
Santificação posicional. Todo crente é santificado em Cristo. “[…] à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus” (1.2). Toda pessoa que crê em Jesus é santa. Essa é a santificação posicional
Ser santo é estar em Cristo. Esta é a santificação posicional. É um ato e não um processo. Santificação em Cristo é posicional. Você está em Cristo, e foi separado para Deus, para sempre. Fritz Rienecker diz que os cristãos compartilham uma santidade comum porque eles têm um Senhor comum.
Santificação processual. Paulo prossegue: “[…] aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos…” (1.2). Parece contraditório, pois se já é santo, então por que ser chamado para ser santo? É que a primeira santificação é posicional e a segunda é processual. Quem está em Cristo é chamado para andar com Cristo. Quem está em Cristo precisa ser transformado contínua e progressivamente à imagem de Cristo. Essa é a santificação processual. Essa santificação é progressiva e só terminará com a glorificação.
“Chamados para ser santos.” Santidade é mais do que um estado. Para os que creem, a santificação é tanto um ato definitivo de Deus quanto um processo ao longo da vida. O ato gracioso de Deus, pelo qual ele santifica os crentes, inclui a responsabilidade destes de serem santos. No grego, o verbo ser não aparece na expressão chamados para ser santos, mas o propósito de Paulo é instruir seus leitores a cumprirem seu compromisso de serem santos.
“Chamados para ser santos.” Santidade é mais do que um estado. Para os que creem, a santificação é tanto um ato definitivo de Deus quanto um processo ao longo da vida. O ato gracioso de Deus, pelo qual ele santifica os crentes, inclui a responsabilidade destes de serem santos. No grego, o verbo ser não aparece na expressão chamados para ser santos, mas o propósito de Paulo é instruir seus leitores a cumprirem seu compromisso de serem santos.
Paulo acrescenta: “aos santificados em Cristo Jesus, chamados [para ser] santos”. Também nisso seu olhar se dirige para aquilo que em seguida terá de ser tratado com os coríntios. Enquanto perante os gálatas Paulo tinha de destacar a irrenunciável “liberdade”, “para a qual Cristo os libertou” (Gl 5:1), o perigo em Corinto é a fatídica compreensão equivocada dessa liberdade. “Todas as coisas me são lícitas” era um mote destacado em Corinto (1 Co 6:12; 10:23).
Essa redenção chegou a Corinto como um “chamado”, quando a mensagem de Jesus foi proclamada ali
Esse chamado atingiu pessoas que em si mesmas eram tão corrompidas e imprestáveis para Deus como Saulo de Tarso. Como é grandioso e maravilhoso que agora elas sejam são “santas”!
A partir desse fundamento Paulo mostrará aos coríntios, em muitas questões do pensamento e da vida deles, como do “ser santificado” resulta a “santificação” da vida pessoal e da vida eclesial. Não é por meio de nossos esforços de santificação que nos tornamos santificados; mas por sermos santificados em Cristo Jesus podemos e devemos nos empenhar pela santificação.
Similarly, they are called to be his holy people. The word called (klētois) should be understood as an effective call and thus should not be confused with an invitation that may be refused. The Corinthians are God’s holy people in Christ!
Called to be saints (κλητοῖς ἁγίοις). Or, saints by way of call. See on called to be an apostle, ver. 1. It is asserted that they are what they are called. The term ἅγιοι saints, is applied to Christians in three senses in the New Testament. 1, As members of a visible and local community (Acts 9:32, 41; 26:10); 2, as members of a spiritual community (1 Cor. 1:2; Col. 3:12); 3, as individually holy (Eph. 1:18; Col. 1:12; Apoc. 13:10).
O que segue – chamados para serem santos – o entendo no seguinte sentido: “Assim fostes chamados em santidade.” Mas isso pode ser considerado de duas formas. Primeiro, podemos entender Paulo como que dizendo que a causa da santificação é a vocação divina, porque Deus mesmo os escolheu; em outras palavras, depende de sua graça, e não da excelência do homem. O significado alternativo é o seguinte: é consistente com nossa profissão [de fé] que sejamos santos, porque esse é o desígnio da doutrina do evangelho. Ainda que o primeiro significado pareça adequar-se melhor ao contexto, faz pouca diferença de que forma o leitor o considere, quando os dois significados estão em estreita harmonia entre si, pois nossa santidade emana da fonte da eleição divina, e é também a meta de nossa vocação.
Portanto, devemos sustentar criteriosamente que de modo algum é por nossos próprios esforços que somos santos, mas é pela vocação divina; porque é tão-somente Deus que santifica aos que por natureza eram impuros.
Ponto 4: Nossa Unidade: Aqui e em todo o mundo
Em quarto lugar, a igreja é uma família universal. Pertencer à Igreja de Deus é um fato maravilhoso. Diz o apóstolo Paulo: “[…] com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor…” (1.2
Paulo recebe cristãos gentios e cristãos judeus como iguais na Igreja de Jesus Cristo. Paulo refere-se à Igreja Universal, na qual todos os crentes, em toda a parte, “invocam o nome de nosso Senhor”, e associa os coríntios com todos os outros crentes
A segunda parte do versículo 2 enfatiza a unidade que os cristãos mostram na oração quando invocam o nome de Jesus Cristo. A oração une os cristãos diante do trono da graça.
“Senhor deles e nosso.” Paulo quer que os coríntios saibam que pertencem ao corpo de crentes. Esse corpo está no mundo inteiro, pois os crentes em toda parte reconhecem Jesus Cristo como Senhor.
Para Paulo – como para Pedro no dia de Pentecostes – é importante sobretudo a palavra de Joel (Jl 2:32), citada por ele em Rm 10:13 num contexto decisivo: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Isso significa fundamentalmente buscar socorro junto de Deus em vista do iminente juízo quando a soberania divina irromper. É uma invocação escatológica, assim como toda a existência da igreja precisa ser compreendida em relação ao fim dos tempos. O “nome do Senhor” que pode ser invocado desse jeito, trazendo a salvação como conseqüência, é inequivocamente claro na Nova Aliança: ele é “o nome de nosso Senhor Jesus Cristo”. Uma ênfase maior recai sobre a palavra “Senhor”. Na ressurreição e na exaltação à direita de Deus Jesus foi feito “kyrios”, “Senhor” (At 2:36), em cujas mãos repousa nosso destino eterno. Como “Senhor” ele, e somente ele, é capaz de redimir da perdição e nos conceder participação no reino de Deus. Quem “invoca” a Jesus nesse sentido é um “cristão”.
The Corinthians, however, are not the only ones whom God has made holy. Given their proclivity towards pride, they might think that they are quite distinctive and impressive. Hence Paul reminds them that what he says about their sanctification and holiness is true of all (pasin) believers in ‘every place’ (en panti topō; CSB). The words ‘every place’ may refer to other cities or to other house churches (cf. 1 Thess. 1:8; 1 Tim. 2:8). There is likely an allusion to Malachi 1:11, where Yahweh pledges that his name will be great ‘among the nations’, ‘in every place’ (en panti topō); this promise is becoming a reality through the Pauline mission.
The holy ones are those who call on the name of the Lord Jesus Christ. In the Old Testament believers regularly call upon (epikaleō) the name of Yahweh (e.g. Gen. 4:26; 1 Kgs 18:24; Pss 74:2 LXX; 98:6 LXX; Joel 3:5 LXX; Zeph. 3:9). Calling on Christ’s name indicates prayer, and the use of the term name also signals Christ’s deity, for those tutored in the Old Testament honoured God’s name (cf. Gen. 32:29; Exod. 20:7; Judg. 13:18) since it designated his character. We see in the worship of the early church that Jesus Christ shared the same identity as God. The universal experience of Christians is that they call upon Jesus Christ for salvation and deliverance from the wrath of God (cf. 1 Thess. 1:10; 5:9).
Conclusão
Graça e paz sobre vós:
Essa é a saudação usual empregada por Paulo na maioria de suas epístolas;
No mundo helenístico, as pessoas saudavam-se umas às outras normalmente com a palavra grega chirein (traduzida como “saudações”; por ex., At 15.23; 23.26; Tg 1.1). Sua forma derivada charis significa “graça”. Os judeus, contudo, saudavam-se uns aos outros com o termo shalom (paz). Na literatura epistolar da Igreja Cristã, as duas expressões, graça e paz, aparecem juntas e têm um sentido decididamente teológico. R. C. H. Lenski observa que “graça está sempre antes, e paz, sempre depois. Isso se deve ao fato de que graça é a fonte de paz. Sem graça, não há nem pode haver paz; mas quando a graça é nossa, a paz necessariamente segue”. Paulo junta graça e paz à sua fonte original: elas provêm “de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo”.
As virtudes da graça e da paz são dádivas de Deus aos seus filhos e ele concede esses benefícios como um Pai. Em harmonia com a oração do Senhor, na qual Jesus ensinou seus seguidores a dizer “Pai nosso”, Paulo retrata Deus como Pai. Por essa razão, todos os crentes são filhos de Deus por meio de Cristo. E, por meio dele, recebem as bênçãos da graça e da paz.
Na seqüência é proferida a conhecida saudação, que não é apenas um “desejo devoto”, mas um “anúncio” real, uma bendição consciente: “Graça a vós e paz.” Esses termos não se referem a dádivas específicas da salvação, mas à redenção em sua totalidade e plenitude. A palavra charis tem som semelhante a chairein, com a qual o grego gostava de saudar, a fim de desejar aos outros bem-estar e uma vida feliz. E shalom (“paz”) representava para o israelita a quintessência de tudo o que podia ser proporcionado a todo o povo de Deus e a cada membro dele individualmente em termos de “integridade”, “felicidade” e “salvação”. Agora ambas as coisas se tornaram reais no evangelho, porque o Deus vivo as concede como “nosso Pai”, porque Jesus Cristo como “Senhor” as adquiriu mediante sua morte, e no-las outorga como Ressuscitado e presente no Espírito Santo. Por essa razão, Paulo também não manifestou simplesmente um desejo, um “seja convosco”, mas expressou no singelo “graça a vós e paz” que graça e paz estão disponíveis para vocês, ainda que seja preciso abordar na carta questões difíceis e penosas.
As saudações características de Paulo se encontram no versículo 3: Graça e paz resumem todo o seu evangelho. A graça é a fonte de toda bênção, e a paz é o resultado produzido na vida de quem aceita a graça de Deus. Essas bênçãos maravilhosas vêm de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Paulo não hesita em mencionar o Senhor Jesus Cristo lado a lado com Deus, nosso Pai. Trata-se de uma dentre centenas de expressões semelhantes no NT que indicam a igualdade do Senhor Jesus com Deus, o Pai.
Paul always includes a prayer wish at the outset of his letters, and the wording used here is the most common expression in such prayer wishes (cf. Rom. 1:7; 2 Cor. 1:2; Gal. 1:3; Eph. 1:2; Phil. 1:2; 2 Thess. 1:2; Phlm. 3). Grace refers to God’s mercy granted to all who trust in Jesus Christ. Grace in Paul is not limited to unmerited favour, but also refers to God’s transforming power. Grace stems from the Old Testament words ‘grace’ (ḥannûn) and ‘steadfast love’ (ḥesed) denoting God’s faithful love. God’s grace and mercy are featured in the words of Exodus 34:6–7, which are repeated often in the Old Testament (e.g. Neh. 9:17; Pss 103:8; 145:8; Joel 2:13; Jon. 4:2; Nah. 1:3), denoting his forgiveness of his sinful people. The Old Testament often celebrates the Lord’s faithful love, as we see, for example, in the refrain in Psalm 136. The order in the greeting (grace then peace) is significant since peace with God and with others is a result of God’s grace. Both grace and peace are gifts from God, but Jesus Christ is included here as dispensing grace and peace, showing that he shares the same status as God the Father. The peace enjoyed by believers fulfils the covenant promise of peace in Ezekiel (Ezek. 37:26; cf. Ps. 72:7; Isa. 54:10), and it comes through the proclamation of the gospel (Isa. 52:7; cf. Rom. 5:1; 14:17; 15:13; Eph. 2:14–15, 17; Col. 1:20).
