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Betel: O Altar que Enche a Família do Espírito Santo

Parte I: A Introdução – O Chamado para Sair da Crise

O Fogo Inicial: O Altar Quebrado e a Família em Perigo

A pregação deve começar com uma declaração ousada e contextual, estabelecendo imediatamente a relevância do texto para a vida familiar contemporânea. A afirmação inicial pode ser: "Toda família cristã é chamada por Deus para ser uma Betel, uma Casa de Deus, um lugar onde a glória do Senhor habita e Sua presença é manifesta. Mas a verdade dolorosa, que precisa ser confrontada hoje, é que muitas de nossas casas, em vez de Betel, se tornaram Siquém."
Esta introdução estabelece de imediato a dicotomia central que guiará toda a mensagem. Siquém, no contexto de Gênesis 34, representa o lugar da crise profunda, do trauma inominável (o estupro de Diná), da vingança humana descontrolada (o massacre perpetrado pelos filhos de Jacó), da contaminação com os valores do mundo e, o mais assustador de tudo, do silêncio de Deus.1 É um retrato de uma família que, embora descendente da aliança, opera inteiramente na carne, colhendo frutos de dor e medo.
A aplicação imediata e poderosa deve seguir, trazendo o diagnóstico para dentro de cada lar representado na congregação. O pregador deve se dirigir diretamente à audiência com perguntas penetrantes e reflexivas: "Irmão, irmã, qual é o clima espiritual do seu lar nesta noite? Se as paredes de sua casa pudessem falar, elas testemunhariam orações e louvores, ou apenas o barulho constante da televisão, das discussões e da indiferença? Há paz ou uma tensão silenciosa que todos sentem, mas ninguém ousa nomear? Seus filhos estão aprendendo sobre a beleza de Jesus ou estão sendo silenciosamente assimilados pela cultura ao redor, com seus ídolos e valores? Seja honesto diante de Deus: sua família está em Siquém, paralisada pelo trauma de feridas passadas, pela vergonha de pecados escondidos, pelo medo do futuro? Ou sua família está a caminho de Betel, buscando desesperadamente a face e a presença de Deus?"
Essa abordagem inicial não oferece conforto imediato, mas cria uma necessidade espiritual urgente no coração do ouvinte. Ao diagnosticar o "problema de Siquém", a congregação é preparada para receber a "solução de Betel" que a Palavra de Deus oferecerá. O capítulo 33 de Gênesis termina com um ato aparentemente piedoso de Jacó: ele compra um terreno e ergue um altar em Siquém, chamando-o de El-Elohe-Israel ("Deus, o Deus de Israel"). Contudo, o capítulo 34, que se desenrola nesse mesmo local, é notável pela ausência completa da menção de Deus.3 A família enfrenta uma crise devastadora, e suas reações são puramente carnais. A proposta de Hamor de assimilação através do casamento teria corrompido e destruído a linhagem da aliança.3 A resposta de Simeão e Levi, sob o pretexto de defender a honra, foi uma violência brutal e enganosa que profanou o nome de sua família e o testemunho de seu Deus.2 Portanto, Siquém representa um lugar de religiosidade externa sem poder transformador. Jacó construiu um altar físico, mas sua família não vivia a realidade espiritual daquele altar. A ausência de Deus na narrativa reflete a ausência de Sua direção na vida da família. A crise não ocorreu porque Deus os abandonou, mas porque eles se estabeleceram em um lugar de compromisso, desviando-se do chamado divino original para subir a Betel.4 Isso criou um vácuo espiritual que o inimigo prontamente preencheu com tragédia. A aplicação é clara e contundente: ter um "altar" no lar – seja uma Bíblia na estante, o hábito de ir à igreja ou o título de "família cristã" – sem uma vida de obediência, santificação e busca genuína pela presença de Deus cria um perigoso vácuo espiritual que deixa a família vulnerável à destruição.

O Retrato de um Patriarca Imperfeito: O Pano de Fundo de Jacó

Para compreender a profundidade da graça divina em Gênesis 35, é crucial entender a complexidade do homem que Deus escolheu. Jacó não era um herói impecável; sua história é a de um homem profundamente falho sendo implacavelmente perseguido pela graça de Deus. Seu próprio nome, Ya'aqov, significa "aquele que segura o calcanhar", uma expressão idiomática para comportamento enganoso ou suplantador.8 Ele fez jus ao seu nome: aproveitou-se da fome de seu irmão, Esaú, para comprar seu direito de primogenitura com um prato de lentilhas e, com a ajuda de sua mãe, enganou seu pai cego, Isaque, para roubar a bênção patriarcal.8 Sua vida familiar foi marcada por um favoritismo destrutivo, um padrão tóxico que ele aprendeu com seus pais e que tragicamente repetiria com seus próprios filhos, especialmente com José, semeando ciúme e quase morte entre os irmãos.8
No entanto, este mesmo homem, o enganador, teve encontros transformadores e genuínos com Deus. Em sua fuga de Esaú, sozinho e desamparado, ele sonhou com uma escada que ligava a terra ao céu em um lugar que ele chamou de Betel, "Casa de Deus", onde recebeu promessas incondicionais da presença e proteção divinas.11 Anos mais tarde, no Vau de Jaboque, ele lutou com um anjo de Deus até o amanhecer, um encontro que o deixou manco fisicamente, mas transformado espiritualmente. Ali, seu nome foi mudado de Jacó, o enganador, para Israel, que significa "ele luta com Deus" ou "príncipe de Deus".11
Essa mudança de nome representa a nova identidade que Deus lhe conferiu. Contudo, a jornada de Jacó ilustra a tensão contínua que todo crente experimenta. Recebemos uma nova identidade em Cristo, mas a "velha natureza" está sempre à espreita, tentando reassumir o controle. Na crise de Siquém, a reação de Jacó é de medo, passividade e cálculo humano, agindo mais como o velho "Jacó" do que como "Israel", um príncipe que deveria confiar em seu Deus soberano.1 Seus filhos, por sua vez, agem com a mesma astúcia enganadora que caracterizava o pai em sua juventude. É por isso que, em Gênesis 35:10, Deus precisa
reafirmar sua identidade de forma enfática: "Seu nome é Jacó, mas você não será mais chamado Jacó; seu nome será Israel".4 Deus estava chamando Jacó para finalmente e plenamente
habitar em sua nova identidade. A renovação em Betel não era apenas sobre mudar de localização geográfica; era sobre uma realocação espiritual e de identidade. A aplicação para a liderança familiar é profunda: não basta ter o "nome" de cristão; é preciso viver a realidade dessa identidade, liderando o lar não com o medo e a astúcia de "Jacó", mas com a fé e a autoridade de "Israel".

O Fundo do Poço em Siquém: A Crise que Exige um Altar

A narrativa de Gênesis 34 detalha a espiral descendente que levou a família da aliança ao fundo do poço, tornando o chamado de Gênesis 35 tão urgente e necessário.
A Transgressão e a Curiosidade Mundana: A tragédia começa com Diná, que "saiu para ver as filhas da terra".2 Essa atitude, embora talvez inocente, revela uma curiosidade e uma familiaridade com a cultura pagã ao redor que a colocou em uma posição de vulnerabilidade. O resultado foi devastador: ela foi violentada e humilhada por Siquém, o príncipe daquela terra.1
A Vingança Enganosa e a Profanação do Sagrado: A reação dos irmãos de Diná, Simeão e Levi, foi de fúria. Contudo, em vez de buscarem a justiça de Deus, eles tramaram uma vingança carnal e enganosa. Eles usaram o rito sagrado da circuncisão, o sinal da aliança de Deus com Abraão, como um ardil mortal. Eles exigiram que todos os homens de Siquém fossem circuncidados como condição para o casamento e a união dos povos, mas, ao terceiro dia, quando os homens estavam mais vulneráveis e com dor, eles os massacraram a todos.2 Eles profanaram um símbolo sagrado para executar um plano diabólico.
A Contaminação e o Saque: Após o massacre, os outros filhos de Jacó se juntaram ao saque da cidade. Eles trouxeram para o acampamento de Israel não apenas os bens materiais, mas também as mulheres e crianças pagãs, aprofundando a contaminação espiritual e a mistura que Deus havia proibido.7
O Medo do Homem e a Falha na Liderança: A resposta de Jacó, o patriarca, revela seu estado espiritual enfraquecido. Sua principal preocupação não é a santidade de Deus, a profanação do sinal da aliança ou a brutalidade de seus filhos. Sua reação é de medo pragmático: "Vocês me puseram em apuros... serei destruído, eu e minha família" (Gênesis 34:30).13 Ele teme a retaliação dos cananeus mais do que teme o desagrado de seu Deus. Sua liderança falhou, e a família estava à beira do abismo.
Este cenário de Siquém é o retrato vívido de uma família operando "na carne". As emoções – luxúria, raiva, vingança, medo – ditam todas as ações, não o Espírito de Deus. É um alerta poderoso e atemporal de que a falta de liderança espiritual, a passividade diante do pecado e a convivência perigosa com o mundo inevitavelmente levam à tragédia e colocam a promessa de Deus em risco.5 Foi nesse exato momento de desespero, vergonha e perigo iminente que a voz de Deus finalmente quebrou o silêncio.

Parte II: O Caminho para a Plenitude – Três Passos para Reconstruir o Altar Familiar

Primeiro Passo: Ouvir o Chamado e Liderar a Santificação (Gênesis 35:1-3)

Após o caos e o silêncio de Siquém, o capítulo 35 começa com a iniciativa soberana e graciosa de Deus: "Então Deus disse a Jacó...".6 A voz de Deus é o que quebra o ciclo de crise e medo. A ordem divina é um imperativo triplo, um plano de restauração em três ações:
"Levanta-te", um chamado para sair da paralisia espiritual e do conformismo; "sobe a Betel", um comando para deixar o lugar baixo de contaminação e elevar-se espiritualmente em direção à Casa de Deus; e "faze ali um altar", uma instrução para restaurar a adoração e a comunhão como o centro absoluto da vida familiar.6
A resposta de Jacó, desta vez, é imediata e decisiva. Ele não debate, não adia, não apresenta desculpas. Ele assume sua responsabilidade como líder espiritual. Ele se dirige "à sua família e a todos os que com ele estavam" e transmite o chamado divino, traduzindo-o em ações práticas de santificação.14 Ele os conclama a se levantar e subir a Betel para edificar um altar ao Deus que o ouviu no dia de sua angústia e esteve com ele em todo o caminho.
A primeira aplicação para a família que deseja a plenitude do Espírito Santo é esta: a transformação começa quando um líder – seja o pai, a mãe, ou até mesmo um filho ou filha cheio de coragem espiritual – decide ouvir a voz de Deus e agir. A santificação familiar não acontece por osmose ou por acaso. Requer uma liderança ativa e intencional. É preciso ter a coragem de convocar a família, como Jacó fez, e declarar: "Basta de Siquém. É hora de subir a Betel. É hora de nos purificarmos." Na prática, isso pode significar tomar a decisão de desligar a televisão para orar, de estabelecer um culto familiar semanal, ou de iniciar uma conversa honesta e difícil sobre as influências mundanas que se infiltraram no lar. A liderança espiritual no lar não é uma sugestão; é um mandato divino para a sobrevivência, proteção e florescimento da família.18
É fundamental notar que o chamado para Betel é, em si, um ato de profunda graça e um convite à memória. Deus não diz apenas "vá para Betel". Ele especifica: "...ao Deus que te apareceu quando fugias da face de Esaú teu irmão" (Gênesis 35:1).6 Deus está deliberadamente levando Jacó de volta ao seu ponto de partida espiritual. Ele o faz lembrar de um tempo em que ele estava no seu ponto mais baixo: sozinho, fugitivo, culpado e sem nada. Foi nesse momento de total desamparo que Deus o encontrou e lhe deu uma promessa incondicional de presença, proteção e prosperidade. Agora, em Siquém, Jacó se encontra novamente em um ponto de crise, medo e vergonha. Ao lembrá-lo do primeiro encontro em Betel, Deus está dizendo: "Jacó, lembre-se de como Eu te encontrei quando você não tinha nada e não merecia nada. A mesma graça que te cobriu naquela noite solitária está disponível para te cobrir agora, em meio à sua família quebrada. Volte para o lugar da promessa pura, e vamos recomeçar." Para a família em crise hoje, a mensagem é a mesma: Deus não nos chama de volta com base em nosso desempenho atual, mas com base em Sua graça original e em Sua fidelidade pactual. O caminho para a restauração familiar começa ao lembrar e se apropriar da graça que nos salvou em primeiro lugar.

Segundo Passo: Enterrar os Ídolos e Romper com o Mundo (Gênesis 35:4)

A resposta da família ao chamado de Jacó é unânime e radical. O texto afirma: "Então deram a Jacó todos os deuses estranhos que tinham em suas mãos, e as argolas que estavam em suas orelhas".4 Este ato é o coração da purificação e a aplicação central para a pregação. Os "deuses estranhos" (terafim) eram ídolos domésticos, possivelmente os que Raquel havia roubado da casa de seu pai, Labão, ou os que foram saqueados da cidade de Siquém.12 Eles representavam uma lealdade dividida, uma tentativa de servir a Deus enquanto se apegava a outras fontes de segurança e poder.
As "argolas que estavam em suas orelhas" não eram meros adornos. No mundo antigo, certos tipos de joias, especialmente brincos, eram frequentemente usados como amuletos ou talismãs ligados a crenças pagãs e práticas de adivinhação, servindo como proteção contra o mal ou como sinal de devoção a uma divindade.12 Entregá-los era um ato de renúncia total à superstição, à identidade mundana e a qualquer forma de confiança que não estivesse depositada exclusivamente em Yahweh. A ação de Jacó é igualmente decisiva: ele não os guarda, não os vende, não os reaproveita. Ele os
enterra debaixo de um grande carvalho, um ato de descarte final, um sepultamento simbólico que declara que aqueles ídolos estão mortos e não têm mais poder sobre sua família.4
Esta passagem exige uma aplicação direta e confrontadora sobre a idolatria moderna na família cristã. O pregador deve desafiar a congregação a fazer um inventário espiritual de seus lares e corações, identificando os "deuses estranhos" e as "argolas" do século 21.
Os Deuses Estranhos Modernos: São qualquer coisa que ocupe o lugar de primazia que pertence somente a Deus. Qualquer coisa que receba o melhor do tempo, da afeição e dos recursos da família. Isso pode ser o materialismo, a busca incessante por mais "coisas" que promete satisfação, mas só gera ansiedade; o entretenimento, com maratonas de séries e o fluxo interminável das redes sociais que substituem o tempo de comunhão familiar e com Deus; ou até mesmo ídolos mais "nobres" como o orgulho na carreira, no ministério ou nos filhos, quando o sucesso deles se torna mais importante que sua salvação.20
As Argolas Modernas: São as influências e mentalidades sutis do mundo que a família adota sem discernimento. É a aceitação da ideologia de que os filhos precisam de mais atividades extracurriculares do que de tempo na igreja e no culto doméstico; é a dependência da tecnologia para validação e conexão, resultando em famílias fisicamente juntas, mas emocionalmente e espiritualmente distantes; é a aceitação passiva de valores e visões de mundo que contradizem frontalmente a Palavra de Deus.22
O chamado bíblico não é para moderar esses ídolos, mas para "enterrá-los". É um chamado ao rompimento radical. Isso significa desligar, cancelar, deletar, renunciar. A santificação é o pré-requisito indispensável para a plenitude do Espírito. O tema da pregação é "Minha família cheia do Espírito Santo", e a passagem chave do Novo Testamento para isso é Efésios 5:18: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito". O ato da família de Jacó em Gênesis 35 é um ato de esvaziamento. Eles se esvaziam dos deuses estranhos, das influências pagãs, de tudo que compete com Deus. A lógica espiritual é imutável: um vaso não pode ser enchido com algo novo enquanto ainda está cheio de algo velho. A família não pode ser cheia do Espírito Santo enquanto estiver cheia do "espírito deste mundo". A santificação (o esvaziamento dos ídolos em Gênesis 35) e a plenitude do Espírito (o enchimento em Efésios 5:18) são dois lados da mesma moeda divina. A purificação não é um fim em si mesma; ela cria o espaço sagrado, o vácuo santo, para que o Espírito de Deus possa habitar e encher por completo. A mensagem deve ser clara: "Você quer sua família cheia do Espírito? Então, como líder, você precisa iniciar o processo de esvaziamento de tudo o que não é de Deus!".24

Terceiro Passo: Edificar o Altar e Viver sob a Proteção Divina (Gênesis 35:5-7)

Assim que a família obedece, purificando-se e partindo em direção a Betel, a resposta de Deus é imediata e poderosa. O texto diz que "um terror de Deus" caiu sobre as cidades vizinhas, e ninguém ousou persegui-los.14 Jacó estava certo em temer a retaliação dos cananeus; sua preocupação era logicamente válida. Mas a obediência radical ativou a proteção sobrenatural de Deus. A obediência da família se tornou seu escudo.13
Ao chegarem a Betel, o lugar da promessa, Jacó cumpre a ordem divina e constrói o altar. Ele nomeia o lugar "El-Betel", que significa "O Deus da Casa de Deus".15 A nomeação é profundamente significativa. Vinte anos antes, ele havia nomeado o
lugar de Betel ("Casa de Deus"). Agora, ele nomeia o altar em reconhecimento do Deus daquele lugar. Sua adoração amadureceu. Ele reconhece que não é o local geográfico que é sagrado em si, mas o Deus que se revela naquele lugar.27 Sua adoração não é mais baseada em um sonho de um jovem fugitivo, mas em décadas de experiência da fidelidade, provisão e disciplina do Deus da aliança.
A aplicação prática e poderosa deste passo é o chamado para edificar o "El-Betel" da família: o altar do culto doméstico. Este não é apenas um ritual religioso, mas a construção de uma fortaleza espiritual ao redor do lar. O pregador pode oferecer um guia simples e memorável para iniciar essa prática, como o acróstico C.A.L.L.: Cantar um hino juntos, Abrir a Palavra de Deus, Ler e meditar brevemente sobre a passagem, e Levantar uma oração em conjunto.30 A ênfase deve ser na consistência e na fidelidade, não necessariamente na duração. É melhor um culto familiar de dez minutos fielmente realizado todos os dias do que um de uma hora uma vez por mês.33
A promessa implícita é que, quando uma família se consagra, remove seus ídolos e estabelece o altar da adoração diária, o "terror de Deus" se manifesta ao seu redor. Isso não garante uma vida sem problemas ou dificuldades, mas assegura uma proteção sobrenatural contra os ataques espirituais que visam destruir a fé, a unidade e o testemunho da família. O altar de adoração se torna o para-raios espiritual da casa, atraindo a presença de Deus e repelindo as forças das trevas.
Para solidificar a mensagem, uma tabela comparativa pode ser apresentada, contrastando a condição da família antes e depois da obediência, servindo como uma ferramenta de diagnóstico e um alvo para a congregação.
Característica
A Família em Siquém (Gênesis 34)
A Família em Betel (Gênesis 35)
Liderança Espiritual
Passiva, reativa, temerosa 2
Ativa, obediente, corajosa 6
Atmosfera Familiar
Medo, vergonha, raiva, vingança 1
Paz, segurança, "terror de Deus" sobre os inimigos 15
Foco Principal
Problemas terrenos, reputação, sobrevivência 13
A voz de Deus, a santidade, a adoração 6
Relação com o Mundo
Contaminação, assimilação, conflito 3
Separação, purificação, renúncia 4
Adoração
Altar negligenciado, silêncio de Deus 3
Altar restaurado, adoração pessoal (El-Betel), presença de Deus 27
Resultado Espiritual
Tragédia, desonra, risco à aliança 2
Aliança renovada, identidade reafirmada, promessas confirmadas 4

Parte III: A Conclusão – A Glória da Aliança e o Chamado Ardente

O Clímax da Presença: A Aliança Renovada e a Identidade Reafirmada (Gênesis 35:9-15)

A pregação atinge seu clímax teológico com a gloriosa aparição de Deus a Jacó novamente em Betel.14 Este não é um encontro qualquer; é a culminação de sua jornada de obediência. Depois que a família se purificou e o altar foi reerguido, Deus se manifesta para selar a restauração. Ele faz duas coisas fundamentais: reafirma a identidade e renova a aliança. Primeiro, Ele declara: "Você não será mais chamado Jacó; seu nome será Israel".4 Ele cimenta a nova identidade de príncipe de Deus no coração do patriarca. Segundo, Ele renova as promessas centrais da aliança Abraâmica: a promessa de fruto ("seja fecundo e multiplique-se"), a promessa de um legado ("uma nação e uma comunidade de nações procederão de você, e reis sairão de seus lombos") e a promessa de uma herança ("a terra que dei a Abraão e a Isaque, eu a dou a você").4 Este é o resultado final e glorioso da obediência e da consagração familiar.
Neste ponto, a pregação deve fazer a grande ponte teológica para a Nova Aliança, mostrando como a experiência de Jacó é um tipo, uma sombra, da realidade que temos em Cristo.
De Betel (Casa de Deus) ao Templo do Espírito: O pregador deve fazer a conexão explícita e poderosa. "No Antigo Testamento, Deus encontrava o homem em um lugar físico, em Betel. Mas na Nova Aliança, inaugurada pelo sangue de Jesus, Deus não habita mais em templos feitos por mãos humanas. A promessa se tornou pessoal e íntima! Nossa família é chamada para ser a Betel de hoje! Nosso corpo é o santuário do Espírito Santo!" (1 Coríntios 6:19).35 A Casa de Deus não é mais um prédio, mas um povo.
Do Altar de Pedra ao Sacrifício Vivo: "Jacó construiu um altar de pedras para oferecer sacrifícios de animais, um símbolo da adoração que era necessária. Hoje, Deus nos chama a um altar muito mais profundo e exigente. O apóstolo Paulo nos exorta: 'Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional'" (Romanos 12:1).38 O verdadeiro altar da família cristã não é feito de pedra ou madeira; é a vida consagrada e entregue de cada um de seus membros.
A plenitude do Espírito Santo não é um fim em si mesma, não é apenas para uma experiência extática pessoal. Ela tem um propósito pactual. Deus encheu a família de Jacó com Sua presença para que a aliança – de multiplicação, influência e herança – pudesse ser cumprida. No Novo Testamento, o propósito é o mesmo. Somos cheios do Espírito para que possamos cumprir a nossa parte na Nova Aliança. Efésios 5 não termina no mandamento de ser cheio do Espírito; ele continua mostrando os resultados: adoração vibrante, gratidão constante e relacionamentos familiares saudáveis e submissos a Cristo.41 A plenitude do Espírito nos capacita para a Grande Comissão (Atos 1:8), para sermos testemunhas, gerarmos "fruto" espiritual e impactarmos o mundo. Para a família, ser cheia do Espírito é receber o poder de Deus para criar um lar que seja uma luz, que gere filhos e filhas para o Reino, que impacte a comunidade e que tome posse da herança espiritual que Deus tem para nós. A plenitude do Espírito é o poder para a missão da família.

Chamado Ardente: Sua Família, um Templo Cheio do Espírito

A conclusão deve ser um resumo rápido e apaixonado da jornada, seguido por um apelo direto e multifacetado à decisão. "Nesta noite, vimos a família de Jacó no fundo do poço da vergonha e do medo em Siquém. Mas vimos também como Deus, em Sua infinita graça, os chamou para a glória e a segurança de Betel! O mesmo chamado de Deus que ecoou para Jacó, ecoa hoje para sua família!"
O apelo final deve ser quádruplo, convidando a congregação a responder aos quatro movimentos espirituais apresentados na mensagem:
Um Chamado para Sair de "Siquém": Este é um chamado ao arrependimento. "Talvez você tenha se identificado com a família em Siquém. Sua casa é um lugar de crise, de pecado escondido, de mornidão espiritual. Decida hoje, em nome de Jesus, sair de Siquém!"
Um Chamado para Enterrar os Ídolos: Este é um chamado à santificação radical. "O que o Espírito Santo está mostrando que você precisa 'enterrar' hoje para que sua família possa subir a Betel? Qual aplicativo, qual série, qual site, qual hábito, qual orgulho precisa ser deixado aos pés da cruz?"
Um Chamado para Construir o Altar: Este é um chamado ao compromisso prático e diário. "Comprometa-se hoje a levantar o altar do culto em sua casa. Não amanhã, hoje. Comece com cinco minutos. Cante um hino, leia um versículo, faça uma oração. Mas comece! Construa a fortaleza espiritual do seu lar."
Um Chamado para Clamar pela Plenitude: Este é o chamado pentecostal à busca pelo poder de Deus. "Uma vez que a casa está limpa e o altar está erguido, é hora de clamar para que o Dono da casa a encha com Sua glória! Não se contente com uma família salva; busque uma família cheia do Espírito Santo! Busque o batismo no Espírito, busque os dons, busque o fruto! Clame para que sua família não seja apenas uma casa, mas um Templo vivo e transbordante da presença de Deus!"
A pregação deve terminar com um momento intenso de ministração. As famílias devem ser convidadas a vir à frente do altar da igreja, talvez permanecendo juntas como uma unidade. A oração final deve ser fervorosa, intercedendo por libertação de ídolos familiares, por cura de traumas e relacionamentos quebrados (as feridas de Siquém), e por um derramamento fresco e poderoso do Espírito Santo sobre cada lar representado, para que se tornem, de fato e de verdade, "El-Betel" – um lugar onde o Deus da Casa de Deus habita em poder e glória.
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