Ser Igreja é fazer parte da Família de Deus

Ser Igreja é...  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 9 views
Notes
Transcript
Texto base:
1 John 3:1 NVI
Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: sermos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu.
Alguns números são necessários no início desse sermão:
Segundo uma pesquisa realizada entre janeiro de 2016 e julho de 2024, de 23,1 milhões de nascimentos, mais de 1,2 milhão de crianças foram registradas apenas com o nome da mãe. E esse número cresce assustadoramente se considerarmos o abando de pais, mesmo após registrar seus filhos em seus nomes;
Já de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024, foi constatado o número de 35.956 estupros de vulneráveis. E desse número quase 30% desses casos, o agressor é o próprio pai ou padrasto da criança. Isso significa que a cada 4 estupros de vulnerais registrados, 1 foi cometido pelo próprio pai ou padrasto;
Em uma matéria no site Agência Brasil, foi divulgado que no último ano que 21,4 milhões de mulheres sofreram violência doméstica. Desse número, 27% daqueles que presenciaram a agressão, era os próprios filhos. Ou seja, quase 6 milhões de filhos presenciaram e foram testemunhas de pais que agrediam suas mães.
Diante desses números, alguém pode se perguntar: “o que isso tem a ver com o sermão de hoje?” ou “o que isso tem a ver com a gente?”. A minha resposta é que casos como abandono, abuso e violência doméstica, por vezes, são ignorados pela igreja, como se isso não fizesse parte da sociedade que nós vivemos.
No entanto, hoje, com esse sermão, além de ser um choque para que nossa preocupação esteja voltada para esses casos, também quero que você saiba como esses números revelam que nos nossos dias, o diabo tem trabalhado para deturpar e desfigurar por completo a imagem do pai dentro da sociedade.
Porém, esse não é um simples ataque à família. A triste realidade é que existem muitas pessoas que ou foram abandonadas, ou nem sequer conheceram seus pais, ou, em sua infância e adolescência, foram abusadas por aquele que deveria cuidar e proteger, ou até presenciaram aquele que deveria ser um exemplo dentro do lar, agredindo e sendo violento. E com tudo isso, essas pessoas são marcadas por experiências tristes com seus pais, ou até mesmo pela ausência de qualquer experiência, e o resultado é a dificuldade de muitos em conhecer e se relacionar com Deus, sendo Ele o nosso Pai.
Sim, é mais comum do que podemos imaginar! Existem pessoas que reconhecem Deus como quem nos salva, afinal, conseguem enxergar a sua necessidade e dependência dele. Assim como existem aqueles que conseguem reconhecer Deus como Senhor e sabem muito bem que os seus mandamentos devem ser obedecidos. Mas existem aqueles que, por não terem uma experiência agradável com o seu pai terreno, acabam tendo a imagem e o relacionamento com o Pai Celestial distorcidos, prejudicando a intimidade e a confiança que poderiam ter com Ele.
Dito isso, sabendo que a igreja faz parte da família de Deus, eu preciso, hoje, ressaltar três verdades a respeito da paternidade de Deus.

1ª verdade: Nem todos são filhos de Deus

Em João 01.12-13 lemos:
John 1:12–13 NVI
Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.
Uma das maiores confusões que muitos fazem é com relação a quem são os filhos de Deus. Para alguns, isso é automático e o fato de termos sido criados por Ele, já nos torna seus filhos. Para outros, é uma questão de membresia de igreja, e com isso, fazer parte de alguma denominação ou servir em algum ministério é o que nos faz filhos. Porém, quando olhamos o testemunho da Palavra, vemos que existem condições claras que o próprio Deus estipulou para aqueles que são considerados seus filhos.
O v.12 de João 01 afirma que somente sobre os que “receberam e aos que creram em seu nome [nome de Jesus]” foi concedido do direito de se tornar filhos de Deus. Logo, nem todos se enquadram nesse requisito (seja fora da igreja, como dentro dela).
Nos dias de Jesus muitos esperavam pelo messias. Nessa expectativa, se imaginava um tipo específico de messias. Por esse motivo muitos rejeitaram a Cristo.
John 1:11 NVI
Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.
Essa rejeição (rejeição do povo de Israel) mostra que não basta apenas estar perto de Jesus, nem fazer parte do povo de Deus por tradição ou costume.Ser filho de Deus é algo que envolve receber a Jesus da maneira como Ele se revela e crer em seu nome.
Logo, nem todos são filhos de Deus. A verdadeira filiação é fruto de um novo nascimento, de uma nova vida que o Espírito Santo concede àqueles que creem em Jesus Cristo. Ser filho de Deus é um relacionamento íntimo e pessoal com o Pai, que nos inclui na sua família, nos dando acesso a tudo o que Ele é e possui.

2ª verdade: A Paternidade de Deus é diferente de paternidade espiritual

Lemos em Mateus 23.09:
Matthew 23:9 NVI
A ninguém na terra chamem ‘pai’, porque vocês só têm um Pai, aquele que está nos céus.
                Embora nos nossos dias tenha se esfriado, a pouco tempo atrás era quase que uma moda em quase todas as igrejas o termo “paternidade espiritual”. Com isso se criou a ideia de que pastores e líderes, por estarem em funções de destaque, deveriam ser considerados pelos membros de suas igrejas como seus “pais na fé”.
                O que muitos não esperavam (ou talvez até esperavam), é que esse tipo de ensino foi responsável por muito abusos que surgiram no meio cristão. Pastores que se achavam donos da vida das pessoas. Que decidiam assuntos como casamentos, contrato de trabalho e até sobre onde as pessoas poderiam ou não tirar suas férias.
                A paternidade de Deus é diferente desse tipo de paternidade espiritual, pois uma é real e bíblica, e a outra não passa de falsa e de um instrumento de controle e opressão.
Quando Jesus adverte para que ninguém na terra seja chamado de “pai”, claramente ele não está se referindo ao pai biológico, mas sim ao instrumento de controle da religião, pois isso acontecia em seus dias, assim como acontece em nossos. Com isso, Ele está ressaltando que só há um Pai com autoridade suprema sobre nossas vidas: o Pai celestial.
                Quando pastores ou líderes se apresentam como “pais na fé”, assumem uma autoridade que não lhes pertence. Entenda que: Pastor algum pode ter domínio sobre a sua vida. Líder nenhum pode mandar em suas decisões pessoais, como casamento, trabalho ou descanso. Isso se mostra demoníaco pois essa falsa paternidade cria uma dependência emocional e espiritual que sufoca a liberdade do cristão e prejudica seu relacionamento direto e pessoal com Deus.
E de novo, mesmo que de maneira diferente, vemos que essa é mais uma maneira usada pelo inimigo para deturpar e desfigurar a real paternidade Deus e o que ela significa em nossas vidas.

3ª Verdade: Deus é um pai diferente

O pastor Leandro Viera da Igreja dos que creem em Curitiba, ensina em seu livro chamado “Cosmovisão profética” que Deus trabalha dentro de um propósito que Ele mesmo estabeleceu e por isso é um propósito eterno. Resumindo o que seria esse propósito, ele escreve:
“O Pai quer uma família de filhos como Jesus; O Filho que uma noiva; e o Espírito quer uma habitação”
Ao chamar um povo, o propósito de Deus sempre foi trabalhar com famílias. Desde o início da história bíblica, vemos que Deus valoriza a família como base para o seu plano de redenção e para o crescimento do seu povo. A família é, sempre foi e continuará sendo o espaço onde Deus manifesta seu amor, forma caráter e promove a comunhão entre os seus filhos.
Hoje, entendemos, através da revelação na palavra de Deus de que a igreja é essa família de Deus, uma família espiritual formada por aqueles que nasceram de Deus e foram adotados como seus filhos. É nessa família que experimentamos o cuidado, a proteção e o amor de um Pai que é diferente de qualquer pai terreno.
Enquanto o pai terreno pode falhar, decepcionar e até mesmo abandonar, Deus é fiel e nunca nos deixa.
Enquanto o pai terreno pode ser severo de forma injusta ou distante, Deus disciplina seus filhos com amor verdadeiro e tem um cuidado perfeito.
Enquanto o pai terreno pode não entender nossas dores, Deus nos conhece intimamente, nos chama pelo nome e se compadece das nossas fraquezas.
Enquanto o pai terreno pode falhar em proteger, Deus é nosso refúgio seguro, nossa fortaleza e sustentador constante.
Enquanto o pai terreno pode ser limitado, Deus é eterno, todo-poderoso e sempre presente, oferecendo um amor que nunca falha.
Enquanto o pai terreno pode errar por ignorância ou fraqueza, Deus age com sabedoria perfeita e nunca se engana.
Enquanto o pai terreno pode impor peso e cobrança, Deus nosconduz com graça e liberdade.
Enquanto o pai terreno pode ferir com palavras ou atitudes, Deus cura nossas feridas com Seu amor e verdade.

Ser igreja e fazer parte da Família de Deus é...

Irmãos, eu quero que vocês entendam que o meu papel aqui não é tão simples quanto parece. Porque eu não falo apenas àqueles que tiveram bons pais. Eu falo também àqueles que tiveram pais ausentes ou falhos.
Eu não falo apenas àqueles que tiveram um pai presente durante toda a infância, adolescência e juventude. Eu falo também àqueles que foram abandonados, deixados para trás.
Eu não falo apenas àqueles que tiveram um pai que os levava ao parque num domingo qualquer. Eu falo também àqueles que foram abusados — física, emocional ou sexualmente — por seus próprios pais. Eu não falo apenas àqueles que, quando caíram de bicicleta e se machucaram, puderam correr para os braços do pai terreno. Eu falo também àqueles que foram feridos justamente por quem deveria proteger.
E longe de mim minimizar a sua dor, ou minimizar o seu sofrimento, a sua perda, ou até mesmo o trauma que você carregou ao longo da vida.
No entanto, parte da minha função — e talvez a mais importante de todasé te mostrar o Evangelho de Cristo Jesus. E é esse Evangelho que nos transforma, nos acolhe, nos torna parte da família de Deus e ressignifica cada parte das nossas vidas. Porque, se o Evangelho que pregamos não nos muda e não nos faz ver as coisas de maneira diferente, então esse é um Evangelho inútil.
Entenda que Cristo não somente morreu pelos nossos pecados e nos garantiu, na cruz, a salvação.Em sua morte e ressurreição, Jesus abriu um caminho que nos levou de volta ao Pai. Esse era o plano de Deus desde antes da criação do mundo. Agora, nesse caminho de volta ao Pai, não apenas somos reconciliados com Deus, mas, mediante a transformação em nossa mente e em nosso coração, também somos convidados à reconciliação com o nosso próximo e, por que não dizer, com o nosso passado?
Irmãos, uma das coisas mais belas do Evangelho é poder ouvir, da boca de alguém que teria todas as desculpas para fechar a porta do seu coração por aquilo que viveu no passado, que, por ter sido encontrado por Jesus e agora fazer parte da família de Deus, passou a ressignificar a sua história.
Ser igreja e fazer parte da família de Deus, é saber que Deus se importa com as famílias.
Ser igreja e fazer parte da família de Deus é saber que o nosso Pai é especialista em recomeços.
Ser igreja e fazer parte da família de Deus é entender que, mesmo que o passado tenha deixado marcas, Deus é poderoso para curar as feridas mais profundas do nosso ser.
Ser igreja e fazer parte da família de Deus é ter a certeza de que não estamos sozinhos, pois o nosso Pai caminha conosco e Ele nos inseriu em uma família espiritual que podemos encontrar apoio e oração.
Ser igreja e fazer parte da família de Deus é saber que fomos adotados, amados e recebidos de braços abertos, independentemente de onde viemos ou do que fizemos.
Ser igreja e fazer parte da família de Deus é viver todos os dias com a confiança de que o nosso Pai nunca nos abandona e sempre nos sustenta.
Que possamos ter essa certeza. Vivermos essa esperança e nos aprofundarmos na verdade de que Deus é o nosso Pai e que isso muda tudo.
Que Deus tenha misericórdia de nós. Amém!
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.