Alegria inaugurada desde já
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Salmo 122
Salmo 122
Introdução:
Vivemos em uma época em que o fenômeno dos desigrejados tem se tornado cada vez mais comum. Muitos, como já comentamos antes, tentam justificar seu afastamento da comunhão cristã apontando as falhas da igreja. No fim das contas, defendem a ideia de que é possível estar longe da igreja, mas perto de Deus. Mas será que essa ideia encontra respaldo na Bíblia?
Não precisamos, necessariamente, recorrer ao Novo Testamento para refutar esse pensamento. Já no Antigo Testamento, vemos o povo de Deus peregrinando até Jerusalém para adorar ao Senhor. Nos cânticos de peregrinação, percebemos a mistura de tristeza, dificuldade e, por fim, alegria quando a jornada termina. É esse aspecto que veremos hoje, com base no Salmo 122.
Desenvolvimento:
Verso 1-2
No início do Salmo, notamos a descrição íntima do salmista quanto à sua jornada até a casa do Senhor.
Pelo título do Salmo, entendemos que ele fala de um tempo diferente dos anteriores: sua alegria é despertada até pelo mínimo contato com a ideia de estar na casa de Deus. O simples convite dos companheiros — “vamos à casa do Senhor” — já enche seu coração de satisfação.
Vale lembrar que muitos que subiam a Jerusalém enfrentavam longas e difíceis jornadas até o lugar de adoração.
No entanto, isso não era obstáculo para se alegrarem no caminho. Apenas ouvir o chamado para adorar já lhes arrancava um sorriso sincero.
Trazendo essa perspectiva para nossos dias, deveria nos causar estranheza o fato de que tantas pessoas se recusam a adorar a Deus junto com Sua igreja.
Em muitos casos, sequer é preciso percorrer grandes distâncias até o local de reunião da comunidade. E mesmo que fosse longe, qual seria o problema de se esforçar para estar junto com os irmãos?
No Antigo Testamento, a peregrinação até a casa de Deus era repleta de dificuldades. Porém, a certeza de chegar e adorar ao Senhor era motivo suficiente para que os israelitas não desistissem.
Ao fim da jornada, a alegria transbordava. Como indica o verso 2, a exclamação ali está diretamente ligada ao sentimento descrito no verso 1: a jornada, o motivo e a chegada estavam todos entrelaçados no coração do salmista.
Ele era um adorador que vivia na expectativa de estar no lugar que Deus havia designado para a adoração.
Se é assim, por que nós, que também fazemos parte do povo de Deus e não precisamos subir até Jerusalém, encontramos tantas desculpas para não percorrer caminhos muito menores até os lugares onde podemos adorá-Lo em comunhão?
Não enfrentamos os mesmos perigos, não temos as mesmas limitações de locomoção — então, por que nos falta alegria no caminho até o templo onde nos reunimos?
O problema dos desigrejados é esquecer que o pecado também habita neles. Nosso Senhor não nos deu as costas; ao contrário, entregou o próprio corpo para sofrer por nossos pecados. Por que, então, haveríamos de virar as costas para aqueles que igualmente foram alcançados por esse mesmo benefício?
A causa da adoração foi o que levou o salmista a enfrentar todos os obstáculos para estar em Jerusalém. Essa mesma atitude deve ser a nossa, pois fomos amados de forma tão grande em Cristo que não podemos desprezar o privilégio de adorar juntos e perseverar a comunhão dos santos.
Irmãos, para cada um de nós, estar juntos é antecipar, de forma real e palpável, o estado eterno. É alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram, como temos experimentado aqui.
Isolar-se em casa e tentar justificar a ausência na comunhão do templo é abrir mão dessa antecipação e, de forma clara, até mesmo negar, ainda que de modo inconsciente, a própria fé.
Versos 3-5
Dos versos 3 a 5 temos uma descrição de como Jerusalém era vista pelos peregrinos.
Entendam, irmãos: isso não exclui os erros que a cidade tinha, nem os pecados do próprio Davi, mas não apagava sua identidade como o local separado para adorar ao Senhor. Lembra algum lugar? Pois é.
Jerusalém, como disse o salmista, é vista como uma cidade bem estabelecida; por isso é chamada de “cidade compacta”.
Essa característica deveria se refletir no próprio povo: bem fundamentado, unido como pedras ajustadas e tijolos ligados por bom cimento. O povo de Deus deve buscar essa unidade em todas as eras.
O lugar onde as tribos iam, representando a união de Israel, estava firmemente estabelecido — e assim deveria ser o coração do povo.
Cada tribo corria para lá com desejo de adorar ao Senhor. Eram tribos diferentes, espalhadas pelo território, mas suas aparentes diferenças não impediam a adoração conjunta — e nunca deveriam impedir.
O mandato do Senhor era que Seu povo se reunisse ali, sem criar barreiras para isso.
A ordem do Senhor deveria ser suficiente para motivá-los a subir.
Hoje, o povo judeu sofre a ausência dessa paz, por ter perdido seu território e o privilégio de participar do momento descrito pelo salmista.
No verso 5, o salmista lembra que ali também deveria se exercer direito e justiça, pois era a cidade do Rei. Isso sugere que este salmo pode ter sido composto na época de Davi.
Naquele lugar, o povo se reunia para que o Rei julgasse as causas de cada um. Infelizmente, nem sempre isso ocorria com integridade; às vezes, homens se aproveitavam das fragilidades do povo — como Absalão.
Ainda assim, Jerusalém era lembrada como o lugar da justiça, pois o rei, representante de Deus na terra, deveria exercer o julgamento com responsabilidade diante do Senhor.
Irmãos, isso nos lembra que a igreja, hoje, deve ter a mesma postura. Devemos levar a sério o que acontece nas assembleias, e não tratá-las como atraso ou perda de tempo.
É nesse contexto que a disciplina deve ser exercida — com o propósito de arrependimento do infrator — e que o direito não seja torcido para favorecer vontades pessoais.
Que possamos tomar a imagem que o salmista apresenta e aplicá-la à realidade atual, lembrando que, se o mundo é marcado por injustiça e pecado, o que deve ser visto na igreja? Justiça e direito — como era desejado em Jerusalém.
Apesar dos erros cometidos ao longo da história pelo povo de Deus, devemos prezar por exercer e buscar a justiça, sem permitir que nossa marca seja a falta de autocrítica.
É necessário avaliar nossas ações e discernir se estamos refletindo justiça ou injustiça em nossas atitudes.
Versos 6-9
Nos versos 6 a 9, encontramos um clamor pela paz dentro das portas da cidade do Rei. O salmista conclama seus leitores a orarem por Jerusalém, e reconhecemos que a situação atual está longe desse ideal.
No tempo da escrita do salmo, o povo desfrutava de segurança; durante os reinos de Davi e Salomão, Israel viveu seu auge militar, financeiro e espiritual. Mas isso não durou para sempre, e sabemos o que resultou do abandono do Senhor.
Ainda assim, permanece o chamado para orar pela paz do povo de Deus e amá-lo. Deus continua a olhar com favor para Israel — essa é a única explicação para sua sobrevivência até hoje.
Nós, que fomos enxertados na mesma oliveira, sabemos que, apesar do afastamento parcial de Israel, devemos orar para que se voltem a Jesus e desfrutem, juntamente conosco, dos dias de paz e descanso no estabelecimento do Reino do Senhor.
Não é correto amaldiçoar o povo de Deus, pois Deus o ama — e nós, que fazemos parte desse povo pela graça, também o amamos.
Devemos clamar pela paz e prosperidade de todo o povo de Deus. Orar por isso é pedir ao Senhor que nossos irmãos tenham dias tranquilos e sem guerra. É olhar com amor para o plano divino e agradecer pela trajetória que chegou até nós.
Devemos, portanto, interceder com misericórdia, rogando para que o Senhor remova a venda que ainda cobre seus olhos.
E devemos esperar, com fé, pelo cumprimento dessa realidade descrita nos versos finais do salmo — da qual participaremos ativamente, em plena submissão ao nosso Senhor Jesus.
Que, enquanto vivermos, busquemos o bem de nossos irmãos e roguemos graça sobre a Igreja e sobre todo o povo de Deus, espalhado por toda a terra. Amém.
Orem pela paz do povo de Deus — essa é uma atitude de amor e fidelidade ao plano do Senhor, que, pela cruz de Cristo, nos aproximou e não faz distinção entre nós.
Orar assim é enxergar o plano divino em sua totalidade, sem exclusões ou separações. Devemos buscar isso com perseverança, rogando por sabedoria e quebrantamento para todo o povo de Deus, certos de que esse dia chegará.
Conclusão:
Este Salmo nos deixa uma forte esperança no desejo de Deus e nos ensina a olhar com amor e expectativa para seus eleitos. Os erros dos que creem no Senhor não devem ser motivo para deixarmos de orar por sua sabedoria e santidade. Devemos pedir paz e segurança para nossos irmãos e clamar para que o Reino venha em sua plenitude, quando estaremos juntos na eterna comunhão diante do trono de Deus, em reverência e fidelidade perpétuas!
