Quando Deus Interrompe o Nosso Caminho

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Introdução

Conexão com a série: A igreja primitiva estava avançando, mesmo sob perseguição. O que parecia ser um obstáculo (Saulo) estava prestes a se tornar um dos maiores instrumentos de Deus para espalhar o Evangelho.
Imagem mental: Pense em alguém dirigindo numa estrada errado com toda convicção, acelerando cada vez mais — até que uma intervenção o obriga a parar e mudar de direção. Foi exatamente o que aconteceu com Saulo.
Frase de impacto: “A pior cegueira não é a dos olhos, mas a do coração que acha que vê.”
1. A Boa Vontade Não é Suficiente sem a Verdade (v. 1-2)
Saulo de Tarso era, sem dúvida, um homem de grande fervor religioso. Ele acreditava sinceramente que estava servindo a Deus ao perseguir os "do Caminho" – os seguidores de Jesus (Atos 9:1-2). Essa era a sua boa vontade, o seu entendimento da justiça divina. No entanto, sua visão estava distorcida. A voz que ele ouviu na estrada para Damasco foi clara e direta: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (Atos 9:4). Essa pergunta revelou uma verdade chocante: ao perseguir os cristãos, Saulo estava, na verdade, perseguindo o próprio Jesus.
Saulo tinha zelo religioso, mas estava errado (Filipenses 3.5–6 “circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.” ).
Ele acreditava servir a Deus, mas estava lutando contra Ele.
Aplicação: É possível estar sinceramente enganado. A boa intenção não substitui a obediência à verdade (Provérbios 14.12 “Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.” ).
Citação: “Zelo sem conhecimento é fogo fora de controle.” – Adaptado de Romanos 10.2 “Porque lhes dou testemunho de que eles têm zelo por Deus, porém não com entendimento.” .
Ilustração: Como um médico que aplica o tratamento errado achando que vai salvar — mas, sem o diagnóstico certo, o esforço é inútil ou até mortal.

2. Quando Cristo Confronta, Ele Revela a Realidade (v. 3-5)

“Saulo, Saulo, por que me persegues?”
O encontro foi pessoal: Jesus não disse “por que persegues a igreja?” mas “a mim”.
Perseguir o corpo é perseguir a Cabeça (Mateus 25:40; Colossenses 1:18).
Aplicação: Quando ferimos ou desprezamos um irmão em Cristo, estamos ferindo o próprio Cristo.
Citação: “A voz que interrompe é a mesma que chama para o verdadeiro caminho.”
Saulo representa o perigo de uma fé tão rígida e inflexível que não consegue discernir o novo mover de Deus. Ele estava tão apegado à sua interpretação da Lei e das tradições que não percebia que Deus estava agindo de uma maneira nova e surpreendente através de Jesus. Sua teologia, por mais sincera que fosse, o impedia de ver a verdade de Cristo.
Muitos de nós, por vezes, podemos estar agindo com boa vontade, mas com uma compreensão limitada ou até distorcida da vontade de Deus. Podemos, inadvertidamente, nos opor aos planos divinos ou ferir aqueles que Deus ama, pensando que estamos fazendo a coisa certa. O livro de Provérbios nos alerta: "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Provérbios 14:12). Saulo precisou que o próprio Jesus o confrontasse para que sua "boa vontade" fosse redirecionada.
Pense nos fariseus, que, com todo o seu conhecimento da Lei, não reconheceram Jesus como o Messias. Eles também agiam com zelo, mas sua cegueira espiritual os impedia de ver a verdade encarnada. Jesus repreendeu-os por colocarem tradições acima dos mandamentos de Deus (Marcos 7.8–9 “Negligenciando o mandamento de Deus, guardais a tradição dos homens. E disse-lhes ainda: Jeitosamente rejeitais o preceito de Deus para guardardes a vossa própria tradição.” ).

Olhos Fechados, Propósitos Obscurecidos: A Necessidade da Visão Espiritual (Atos 9:8-9)

Após o encontro com Jesus, Saulo ficou cego fisicamente e passou três dias sem ver, sem comer e sem beber (Atos 9:8-9). Esta cegueira física é um poderoso símbolo da sua cegueira espiritual anterior. Com os olhos fechados, ele não podia ver o mundo ao seu redor, da mesma forma que, antes, não podia ver a verdade de Cristo e o propósito de Deus para sua vida.
A Cegueira Voluntária: Muitas vezes, assim como Saulo, nos recusamos a ver. Fechamos os olhos para a verdade que Deus quer nos revelar, seja por medo, orgulho, preconceito ou apego a velhos hábitos e crenças. Podemos nos fazer de "surdos" à voz do Senhor, mesmo quando Ele fala claramente através de Sua Palavra, de outras pessoas ou das circunstâncias. Jesus advertiu sobre aqueles que "tendo olhos, não veem; e, tendo ouvidos, não ouvem" (Marcos 8:18).
Deus fecha os olhos físicos para abrir os espirituais (João 9.39–41 “Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos. Alguns dentre os fariseus que estavam perto dele perguntaram-lhe: Acaso, também nós somos cegos? Respondeu-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado algum; mas, porque agora dizeis: Nós vemos, subsiste o vosso pecado.” )
O Propósito dos Três Dias: Os três dias de cegueira e jejum não foram apenas um castigo, mas um tempo de profunda introspecção e preparação. Foi um período de total dependência de Deus, onde Saulo foi despojado de sua autossuficiência e de sua antiga identidade. Nesses dias, ele foi forçado a confrontar a verdade que havia negado e a se abrir para uma nova visão. Assim como um casulo, ele precisou ser envolvido na escuridão para emergir como uma nova criatura.
O silêncio e a escuridão podem ser parte do processo de Deus para nos quebrar e moldar
Exemplo bíblico: Jonas no ventre do peixe — parado para ser redirecionado.
A Abertura dos Olhos Espirituais: A história de Saulo nos lembra que, para que Deus realize Seus propósitos em nós e através de nós, precisamos ter os olhos espirituais abertos. Isso significa estar dispostos a ouvir, a aprender, a mudar e a abandonar nossas próprias agendas para abraçar a agenda de Deus. A oração do salmista deve ser a nossa: "Abre os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei" (Salmos 119:18).

Conclusão

A história de Saulo nos lembra que:
Podemos estar convictos, mas errados.
Jesus se identifica com Seu povo.
Deus pode usar até a escuridão para nos dar visão.
A interrupção de Deus é sempre para redirecionar para algo maior.

Chamado à Reflexão

Será que, em nossa boa vontade, estamos inadvertidamente nos opondo a algum mover de Deus?
Estamos dispostos a permitir que Deus "feche nossos olhos" para o que pensamos saber, a fim de nos revelar Seus planos mais elevados?
Estamos buscando ter uma visão clara do caminho que Deus tem para nós e para nossa igreja?
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