O PODER DA ORAÇÃO
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Estes são os últimos dias da vida e do ministério de nosso Senhor.
O assunto aqui é oração. Você pode pensar que aquela semana seria um momento estranho para falar sobre oração. Mas esta lição foi muito necessária naquele momento.
Nada do que nosso Senhor diz aqui foi novidade, Ele já havia dito várias vezes antes. E, certamente, em outras muitas vezes que não foram registradas nos evangelhos.
Por que agora? Por que uma lição sobre oração? Por três anos os discípulos viveram na presença do próprio Deus em carne humana. Qualquer coisa que eles precisassem, Jesus estava ali pessoalmente e fisicamente com eles.
Mas as coisas iriam mudar dramaticamente em poucos dias. Eles não iriam mais ter o Filho de Deus andando fisicamente com eles. E a missão que eles iriam cumprir iria exigir muito relacionamento deles com Deus. Enfim, uma mudança enorme estava se aproximando, e eles teriam que lidar com isso.
Para nós, tudo o que conhecemos é a oração. Nunca tivemos Jesus fisicamente por perto. O único acesso que temos a Deus é pela oração. É através da oração que temos a provisão de Deus.
E assim o Senhor traz uma tremenda lição para eles: todos os recursos do céu estariam à disposição do crente que ora. Que grande lição! E que grande promessa! Quão bom e gracioso Deus é! Que provisão maravilhosa!
Marcos 11
20 E, passando eles pela manhã, viram que a figueira secara desde a raiz.
Eles viram a figueira seca desde a raiz. a figueira é um símbolo de Israel. Jesus a amaldiçoou por não encontrar frutos nela. Foi um prenúncio do julgamento divino sobre o templo, sobre o judaísmo apóstata e sobre a nação de judeus incrédulos.
Jesus havia expulsado os mercadores do templo. Ali foi uma prévia do julgamento que viria sobre o templo, o coração de Israel, que foi destruído 40 anos depois. Não ficou pedra sobre pedra, como Jesus profetizou em Marcos 13:2.
A princípio, parece uma transição um tanto desajeitada, não é? Do comentário de Pedro: “Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou” (Marcos 11:21) e Jesus respondeu: “Tenha fé em Deus” (Marcos 11:22). É uma discussão sobre oração. Qual é a conexão entre esses versículos?
A conexão e a mensagem aqui, antes de tudo, é que o julgamento está chegando, e a maldição da figueira foi uma demonstração da força do julgamento.
Não foi um ato impetuoso de frustração de Jesus porque ele estaria bravo com a árvore sem frutos, foi uma oportunidade para Ele fazer uma analogia clara do que iria acontecer com o templo, com a estrutura religiosa de Israel e com Israel.
Mateus 21:20 registra o espanto dos discípulos: “Vendo isto os discípulos, admiraram-se e exclamaram: Como secou depressa a figueira!”. Ele viram muitos milagres, mas foi a primeira vez que viram algo assim.
Assim como aquela figueira, o templo não passava de folhas, não havia nada ali, não havia realidade e não havia fruto espiritual. O poder que matou aquela árvore foi uma demonstração de poder divino, não para bênção, como eles viram tantas vezes, mas para julgamento.
Os discípulos ficaram admirados e querendo saber como aquilo poderia acontecer? Jesus respondeu a Pedro dizendo: “Tenha fé em Deus” (Marcos 11:22). Em outras palavras, tais demonstrações de poder, para bênção ou juízo, vêm de Deus.
E então Ele começa a falar sobre como atrair o poder divino. Eles precisavam saber disso. Eles tinham Jesus por perto o tempo todo, mas isso estava perto de acabar.
Existem cinco elementos aqui para uma oração poderosa e eficaz. Alguns são implícitos e alguns são explícitos.
1) A oração poderosa e eficaz lembra dos feitos do Senhor.
Pedro diz: “A figueira que o Senhor amaldiçoou secou”. Ele está dizendo: “Tenho visto a demonstração do Teu poder”.
O fundamento histórico de uma vida de oração eficaz é entender que Deus mostrou Seu poder no passado e você está ciente disso. Eles não perceberam que a figueira secou imediatamente quando Jesus a amaldiçoou, só viram no dia seguinte. Pedro lembrou: “Mestre, eis que a figueira que amaldiçoaste secou”.
É aí que toda oração eficaz começa, com algum senso das demonstrações de poder de Deus no passado. Por que você invocaria o Senhor agora se Ele não tivesse se provado no passado?
Quando os filhos de Israel estavam prestes a entrar na Terra Prometida (em Deuteronômio), depois de todos os seus anos no Egito e quarenta anos vagando no deserto, a lei foi repetida para colocá-los em ordem antes de entrarem na terra, enfrentando antes duras batalhas para possuí-la.
E muitas vezes o livro de Deuteronômio diz que eles deveriam lembrar. Lembra do quê? De tudo que o Senhor já tinha feito para libertá-los da escravidão no Egito, das pragas, do anjo da morte na Páscoa, da travessia do Mar Vermelho e de todo o sustento no deserto. Esse é um fundamento da oração eficaz. Quanto mais você se lembra dos feitos do Senhor, mais forte é sua confiança em Deus.
As pessoas que são novas na fé, que não conhecem a história do que Deus fez no passado, seja na história das escrituras, na história da igreja ou na sua história pessoal, estão em desvantagem em relação àqueles que estão na caminhada há muito tempo. Existem algumas vantagens em ser velho, e essa é uma delas.
Um dos componentes da adoração é recitar as obras que Deus fez. Quanto mais você conhece as Escrituras, mais você sabe sobre a história da redenção e da igreja.
É tremendo conhecer, através da Escritura Sagrada e da história como Deus demonstrou seu poder de maneiras tão poderosas por meio de servos escolhidos e fiéis. Isso ancora nossa própria confiança de que Ele ouve e responde às orações. Quanto mais lembramos disso mais forte será o fundamento de nossa confiança na oração.
2) A oração poderosa e eficaz vem de um coração que confia em Deus
Jesus respondeu a Pedro dizendo: “Tende fé em Deus” (Marcos 11:22). “Confie em Deus”.
Se você quer ter uma vida de oração eficaz, você deve confiar em Deus, em Seu poder, em Seu propósito, em Sua promessa, em Seus planos e em Sua vontade. Em outras palavras, você precisa confiar que Ele sabe mais do que você. Confie em Deus!
No sermão do Monte, Jesus ensinou que devemos orar dizendo “venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:10). É assim que você ora? Você diz: “Deus, seja o que for que honre o teu nome, promova o teu reino e cumpra a sua vontade”? É assim que você ora?
Muitos estão orando de acordo com seus próprios desejos carnais. Tiago 4: 2-3 diz: “Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres”.
A oração tem que ser fundamentada com a busca da honra, reino e vontade de Deus. Isso significa confiar em Deus. Esta é a oração que Deus ouve e responde. O apóstolo João escreveu:
E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito. (1 João 5:14,15).
Jesus disse no cenáculo:
E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho (João 14:13).
Orar “em nome de Jesus”, não significa anexar uma expressão no fim da oração, como uma simples fórmula. Orar em nome de Jesus tem o sentido de orar consistente com a pessoa dele, com seu propósito e vontade. Fazer algo em nome de alguém é agir como ele agiria, em conformidade com a vontade dele.
Ou seja: “Confie em Deus; confie sua vida a Ele; confie suas circunstâncias a Ele”. O crente que ora com um grande senso de confiança e entende que a melhor de todas as coisas é a vontade de Deus, libera o poder do céu.
Isso era muito importante para os discípulos entenderem naquele momento. O cenário iria mudar totalmente em poucos dias. E de forma dramática. Nunca diga e exija de Deus o que você quer. Busque conhecer a vontade de Deus e queira sempre o que procede de Deus. Confie inteiramente que a vontade dele sempre é melhor do que qualquer outra coisa.
Confiança é igual a crer que o plano do Senhor sempre é o melhor
Ter fé é crer que ele tem poder de realizar qualquer coisa, que nada é demasiadamente difícil para ele.
3) A oração poderosa e eficaz é marcada pela fé, ainda que pequena
Precisamos confiar no Senhor, mas também crer no Senhor.
Marcos 11
23 porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.
Macarthur coloca:
Essa expressão “ergue-te e lança-te ao mar” estava relacionada a uma metáfora comum naquela época, “levantador de montanhas”, que era usada na literatura judaica a respeito dos grandes rabinos e líderes religiosos que podiam resolver problemas difíceis e aparentemente fazer o impossível.
É óbvio que Jesus não ergueu montanhas literalmente, Ele se recusou a fazer sinais espetaculares para os líderes religiosos incrédulos (Mateus 12:38-42).
O que Jesus quis ensinar aqui era que os crentes confiassem inteiramente e sinceramente em Deus, sem duvidar, e verdadeiramente percebessem o poder ilimitado que está disponível por meio dessa fé genuína nele, e assim veriam o seu grande poder em ação.
Mas, se estamos em dúvida, na verdade estamos duvidando de Deus. Tiago diz:
Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente e não o lança em rosto; e ser-lhe-á concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; o homem de ânimo dobre é inconstante em todos os seus caminhos. (Tiago 1:5-8)
A questão que Jesus destacou, e que Tiago escreveu, é que devemos crer e confiar em Deus, não podemos viver duvidando de Deus e de Sua Palavra. Sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6).
Temos que crer na soberania de Deus, na bondade de Deus, na sabedoria de Deus, no poder de Deus etc. O que Deus diz vai acontecer, sua Palavra se cumprirá, Ele reina.
4) A oração poderosa e eficaz é aquela que clama, pede.
Marcos 11
24 Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco.
Tiago diz: “Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tiago 4:2,3).
Jesus ensinou:
Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á. Qual dentre vós é o pai que, se o filho lhe pedir [pão, lhe dará uma pedra? Ou se pedir] um peixe, lhe dará em lugar de peixe uma cobra? Ou, se lhe pedir um ovo lhe dará um escorpião? Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais o Pai celestial dará o Espírito Santo àqueles que lho pedirem?” (Lucas 11:9-13).
Muitos leem esse texto como sendo um fundamento para transformar Deus em nosso servo. Mas não é isso que Jesus ensinou. Por isso Tiago 4:3 diz: “Você pede e não recebe, porque pede para consumir em seus próprios desejos.” E 1 João 5:14 diz: “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve”.
Jesus vivia em função da vontade do Pai e suas oração estavam sempre de acordo com os propósitos do Pai:
A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra (João 4:34)
Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou (João 6:38)
(Marcos 14:36)E dizia: Aba,Pai, tudo te é possível; passa de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, e sim o que tu queres.
Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste (João 11:41,42).
Jesus vivia em função da vontade do Pai. Ele vivia para cumprir a vontade do Pai. Suas orações eram consistentes com a vontade do Pai. Suas orações eram eficazes e respondidas.
E o que pedimos em seu nome, sendo algo que vai glorificar o Pai, Ele atenderá (João 14:12). Ele não ensinou que devemos pedir qualquer coisa em nome dele, mas aquilo que glorifica o Pai e é da vontade do Pai. Nossa oração tem que ser consistente com quem Jesus é, com Sua pessoa e com Seu propósito. Ainda no cenáculo, Jesus disse:
Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito. Nisto é glorificado meu Pai, em que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos. (João 15:7,8).
Se as suas palavras permanecem em nós e nós permanecemos em Jesus, quem está controlando nossa lista de desejos? Jesus. Por isso Ele disse que assim nossos desejos serão realizados. Ele continuou dizendo:
Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda. (João 15:16)
5) A oração poderosa e eficaz possui um componente moral
Marcos 11
25 E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.
26 [Mas, se não perdoardes, também vosso Pai celestial não vos perdoará as vossas ofensas.]
No sermão do montanha Jesus disse:
Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu […] e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores […] (Mateus 6:9-10,12]
Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas. (Mateus 6:14,15)
Marcos 11:26 é uma afirmação verdadeira, mas não aparece nos manuscritos mais antigos, então assumimos que Marcos não o incluiu. Provavelmente algum escriba, sabendo que Jesus estava citando o que disse no sermão da Montanha, incluiu este versículo.
Nota:
1) Na Bíblia Almeida Revista e Atualizada – ARA, Marcos 11:26 está em colchetes, indicando ser um texto ausente nos manuscritos mais antigos.
2) Os trabalhos de divisão da Bíblia em capítulos e versículos ocorreram entre 1189 e 1527, quando a Bíblia então foi dividida em 31.102 versículos, que é assim até o dia de hoje.
Então o Senhor diz: “Deixe-me simplificar para você. Perdoe. Se tens alguma coisa contra alguém, lança fora de seu coração, para que também o Pai perdoe suas transgressões”. A palavra “perdoar” vem do grego “aphiēmi”, que quer dizer “joga fora” ou “livre-te disso”.
Não negligencie sobre algo que pode afetar sua vida de oração. Isso é desastroso.
Em Mateus 18:23-35 Jesus contou a história de um homem que devia a certo rei uma dívida impagável, mas o rei lhe perdoou toda sua monstruosa dívida. Mas aquele homem perdoado saiu dali e encontrou alguém que lhe devia uma pequena quantia, mas agiu com muita severidade, não perdoando ao devedor e o lançou na prisão. O rei então chamou o homem e disse:
Servo malvado, perdoei-te toda aquela dívida, porque me suplicaste. Não devias tu, igualmente, ter compaixão do teu companheiro, como eu também tive misericórdia de ti? (Mateus 18:32,33).
Aqui está a sua escolha: guarde rancor ou tenha suas orações respondidas. Faça sua escolha. Guarde rancor, sinta vingança; ou ter suas orações respondidas.
Efésios 4:32 diz: “Sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo”. Precisamos da atitude de Estêvão ao ser apedrejado: “Senhor, não lhes imputes este pecado” (Atos 7:60).
Esta é uma grande promessa. Seremos atendidos no que quer que peçamos de acordo com a vontade, propósito e plano de Deus.
