Quando os Leões ao Redor Não Assustam Mais
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Leitura
Leitura
3 Todo louvor seja a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Por sua grande misericórdia, ele nos fez nascer de novo, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Agora temos uma viva esperança 4 e uma herança imperecível, pura e imaculada, que não muda nem se deteriora, guardada para vocês no céu. 5 Por meio da fé que vocês têm, Deus os protege com seu poder até que recebam essa salvação, pronta para ser revelada nos últimos tempos.
6 Portanto, alegrem-se com isso, ainda que agora, por algum tempo, vocês precisem suportar muitas provações.
1 Pedro 1:3-6
Introdução
Introdução
Temos a tendência de sentir que estamos sempre à beira de um precipício — basta mais um passo e cairemos no escuro. É como viver dentro de uma panela de pressão: cada segundo em fogo alto aumenta a sensação de que o colapso é inevitável.
Extra! Extra! Agora o mundo vai acabar! — grita o jornaleiro, tentando se fazer ouvir acima do burburinho da rua.
Parece que até o jornaleiro descobriu que espalhar conspiração dá lucro. O medo do desconhecido vende bem, atrai cliques, chama atenção. Então pensamos: “Preciso estar um passo à frente, porque, se algo acontecer, estarei no controle.”
Como resposta ao jornaleiro, o nosso íntimo exclama: Eu preciso ter o controle!
Ora, talvez alguém afirme que não é necessário falar de ameaças grandiosas quando temos problemas mais próximos. Como disse Cazuza: “Os meus inimigos estão no poder.”
Mudar o governo já é demais, então desta vez o nosso íntimo exclama: Oh, não! Já perdemos o controle. Eles irão transformar isto em uma selva. Eles nos transformarão em uma Venezuela de dimensões continentais.
Na verdade, esse é justamente o ponto: nós nunca tivemos o controle de nada. Os leões lá fora são reais, mas eles não precisam mais nos assustar, porque Aquele que permitiu que eles estivessem lá é o mesmo que nos sustenta para enfrentá-los.
No século XX, C. S. Lewis decidiu responder ao pânico coletivo que surgiu com a ameaça da guerra atômica no auge da Guerra Fria. No ensaio “Sobre Viver Numa Era Atômica”, ele nos convida a olhar para a vida de forma diferente. Eu gostaria de ler um trecho.
Sobre Viver Numa Era Atômica
(publicado pela primeira vez em 1948) por C. S. Lewis (1898–1963) De: Preocupações Atuais: Ensaios de C.S. Lewis (editado por Walter Hooper; Nova York: Harcourt Brace Jovanovich, 1986), páginas 73–80.
“De certa forma, pensamos demais na bomba atômica. "Como viveremos numa era atômica?" Sinto-me tentado a responder: "Ora, da mesma forma que teriam vivido no século XVI, quando a peste visitava Londres quase todo ano; ou como teriam vivido na era Viking, quando invasores da Escandinávia podiam desembarcar e cortar sua garganta a qualquer noite; ou, na verdade, como já estão vivendo numa era de câncer, uma era de sífilis, uma era de paralisia, uma era de ataques aéreos, uma era de acidentes de trem, uma era de acidentes de carro."
Em outras palavras, não comecemos por exagerar a novidade de nossa situação. Acredite, caro senhor ou senhora, você e todos que amam já estavam sentenciados à morte antes da invenção da bomba atômica: e uma porcentagem bastante alta de nós ia morrer de formas desagradáveis. Tínhamos, de fato, uma vantagem muito grande sobre nossos ancestrais — os anestésicos; mas ainda a temos.
É perfeitamente ridículo andar por aí choramingando e fazendo caras feias porque os cientistas acrescentaram mais uma chance de morte dolorosa e prematura a um mundo que já fervilhava de tais chances e no qual a morte em si não era uma chance, mas uma certeza. Este é o primeiro ponto a ser destacado: e a primeira atitude a ser tomada é nos recompor.
Se todos seremos destruídos por uma bomba atômica, que essa bomba, quando vier, nos encontre fazendo coisas sensatas e humanas: orando, trabalhando, ensinando, lendo, ouvindo música, dando banho nas crianças, jogando tênis, conversando com amigos com uma caneca de cerveja e um jogo de dardos—e não amontoados como ovelhas assustadas pensando em bombas. Elas podem quebrar nossos corpos (um micróbio pode fazer isso), mas não precisam dominar nossas mentes.”
E então surge a pergunta inevitável: existe alegria para quem sente a fome apertar? Para quem enfrenta a perda de alguém querido? Para quem acorda todos os dias sob o peso da incerteza, sem saber o que vai acontecer? Para quem trava a batalha contra o câncer? Para quem perde um filho?
Sim. Existe.
É sobre isto que vamos conversar hoje.
Existe uma alegria que não depende de circunstâncias e que pertence a todo cristão, em qualquer lugar do mundo. E, se você pertence a Jesus, isto é para você — é seu, e ninguém pode tirar.
Hoje vamos ouvir o apóstolo Pedro nos ensinar, em 1 Pedro 1:3-6, que devemos louvar a Deus porque:
Temos a vida eterna (v. 3)
Temos uma herança imperecível (v. 4)
Deus nos sustentará até o fim para recebermos essa herança (v. 5)
Para entender isso, vamos olhar para o texto em três partes:
Ressurreição: Deus nos deu nova vida (v. 3)3 Todo louvor seja a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Por sua grande misericórdia, ele nos fez nascer de novo, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.
Promessa: Deus nos garante uma herança eterna (v. 4)Agora temos uma viva esperança 4 e uma herança imperecível, pura e imaculada, que não muda nem se deteriora, guardada para vocês no céu.
Preservação: Deus nos protege até a salvação final (v. 5)Por meio da fé que vocês têm, Deus os protege com seu poder até que recebam essa salvação, pronta para ser revelada nos últimos tempos.
Desenvolvimento
Desenvolvimento
Parte 1: Ressurreição — Deus nos deu nova vida (v. 3)
Parte 1: Ressurreição — Deus nos deu nova vida (v. 3)
3 Todo louvor seja a Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Por sua grande misericórdia, ele nos fez nascer de novo, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.
Referência cruzada:
2De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, a nós os que para ele morremos? b
3Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados c em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? d
4Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida. e
5Porque, se fomos unidos com ele na semelhança da sua morte, certamente, o seremos também na semelhança da sua ressurreição,
6sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, f para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; g
7porquanto quem morreu está justificado do pecado. h
8Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos, i
9sabedores de que, havendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele.
10Pois, quanto a ter morrido, de uma vez para sempre morreu para o pecado; j l mas, quanto a viver, vive para Deus.
11Assim também vós considerai-vos m mortos para o pecado, mas vivos para Deus, em Cristo Jesus. n
12Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões;
13nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, o como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça.
14Porque o pecado não terá domínio sobre vós; p pois não estais debaixo da lei, e sim da graça. q Sociedade Bíblica do Brasil, Bíblia de Estudo Almeida Revista e Atualizada (Sociedade Bíblica do Brasil, 1999), Rm 6.2–14.
Pedro começa afirmando que Deus nos fez nascer de novo por meio da ressurreição de Jesus Cristo.
Para entendermos o que Pedro fala sobre o novo nascimento, precisamos entender sobre a morte de Jesus. Por que foi necessário que Jesus morresse? Por que todos nós por natureza somos condenados a morte eterna, e somente por meio do arrependimento, e da fé na morte e ressurreição de Jesus Cristo nós somos livrados da morte eterna?
Por que merecemos a morte eterna?
Por que merecemos a morte eterna?
Vamos começar com uma pergunta incômoda: é justo que Deus condene alguém à morte eterna? Pense comigo: se uma pessoa vive 80 anos no pecado, afastada de Deus, é justo que seja castigada por toda a eternidade? Não parece um castigo desproporcional? Oitenta anos contra milhões, bilhões, infinitos anos longe da presença de Deus?
A resposta está aqui: o castigo não é definido pelo tempo gasto cometendo o erro, mas pela natureza de quem foi ofendido.
Pode soar filosófico, mas é bem simples de entender.
Por que o castigo de alguém não deve ser equivalente ao tempo que essa pessoa passou cometendo um erro?
Eu faço-lhes uma pergunta: quanto tempo um assassino leva para tirar a vida de uma pessoa inocente com uma arma de fogo? Segundos… talvez menos que isso.
Pois então, o assassino deveria passar apenas alguns segundos na cadeia?
Não! Muito mais do que isso.
Isso nos mostra que a condenação de alguém não deve ter a mesma duração do tempo que levou para cometer o crime. E, da mesma forma, a condenação que Deus traz sobre alguém que viveu afastado d’Ele por toda a vida não deve estar limitada ao tempo de vida dessa pessoa.
Assim entendemos a primeira parte da afirmação:
“O castigo que recebemos não deve ser equivalente ao tempo que passamos cometendo erros.”
[Pausa]
Mas há a segunda parte:
“Ele deve ser equivalente à natureza daquele que foi ofendido.”
Vamos imaginar um cenário. Uma pessoa má mata um animal na rua. Cruel, sim… mas qual seria a punição? Prisão de três meses a um ano, mais uma multa.
E se essa mesma pessoa matasse um ser humano inocente? A pena aumentaria. A lei prevê reclusão de seis a vinte anos.
E se o alvo fosse um policial inocente, no exercício de seu dever? A pena sobe ainda mais: doze a trinta anos de prisão, por homicídio qualificado com agravante específico.
E se essa pessoa tentasse assassinar o presidente de uma nação poderosa? Dependendo do país, poderia receber a pena máxima… até mesmo a morte.
Você percebe? À medida que aumenta a importância, a dignidade, a autoridade daquele que sofre a ofensa… a pena aumenta.
É claro que Deus não pode ser morto. Mas e se alguém o ofendesse da pior forma possível — algo que equivaleria ao assassinato de uma pessoa? E se alguém transgredisse, rejeitasse, desobedecesse, abandonasse e se voltasse contra Ele?
A natureza e a grandeza de Deus não têm limites. Ele é infinito. Ele é eterno. Portanto, é justo que a pena por uma ofensa contra Ele seja proporcional à Sua natureza. E, sendo Ele eterno… a pena também é eterna.
Por que em Cristo temos a vida eterna?
Por que em Cristo temos a vida eterna?
Se parássemos aqui… estaríamos todos perdidos.
Sem esperança. Sem saída. Sem vida.
Mas é exatamente nesse ponto que a boa notícia brilha.
A sentença era justa. A condenação era inevitável. A morte eterna já nos aguardava.
Mas Deus — o próprio juiz — decidiu pagar Ele mesmo a pena.
E vejam só: a culpa eterna só poderia ser paga de duas formas:
1. Ou nós a pagaríamos eternamente — o que nos consumiria para sempre
2. Ou alguém que é eterno, em tempo e poder, pagaria por nós. Pois apenas a eternidade de Deus — o próprio ofendido — seria adequada para quitar a sentença eterna que nos havia sido imposta.
E foi exatamente isso que aconteceu na cruz: o Deus eterno assumiu nossa condenação eterna, para que nós fôssemos libertos.
Imaginem um juiz. Ele vê diante de si o assassino do próprio filho. O crime é grave. A sentença, de morte. Mas, em vez de executar a sentença… o juiz se oferece para recebê-la no lugar do culpado.
Escandaloso.
Impossível.
Mas isso é graça.
Isso é amor.
Quando cremos nesta mensagem, acontece então como Pedro diz: ele nos fez nascer de novo, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos.
Quando nós cremos na mensagem da salvação e nos arrependemos dos nossos pecados, somos selados com o Espírito Santo, que passa a habitar dentro de nós (Efésios 1:13, 4:30).
Recebemos uma nova vida. Como Paulo explica em Romanos 6, ao crermos e recebermos a mensagem da salvação, o nosso “eu” morre assim como Cristo morreu, e nós nascemos de novo em um novo “eu”, assim como Cristo ressuscitou.
E agora nós recebemos uma vida nova. Uma vida que vive para adorar e obedecer a Deus.
Recebemos uma nova cidadania, uma nova família, e uma nova herança.
Isso mesmo, nós recebemos uma nova herança. E é esta herança que Pedro nos diz no versículo seguinte, continuando a promessa de esperança que nos acompanha em Cristo.
Parte 2: Promessa: Deus nos garante uma herança eterna (v. 4)
Parte 2: Promessa: Deus nos garante uma herança eterna (v. 4)
Agora temos uma viva esperança 4 e uma herança imperecível, pura e imaculada, que não muda nem se deteriora, guardada para vocês no céu.
[Pausa]
Amados, essa herança é o coração da esperança cristã.
Uma herança é algo que nos é dado, não porque merecemos, mas porque alguém que nos ama escolheu nos entregar. Pode ser um objeto valioso, uma casa, dinheiro, ou até uma posição de honra. Mas a herança que Pedro fala aqui não é terreno, não se desgasta, não se perde, não pode ser roubada. Ela é imperecível, pura, imaculada.
E o que é a herança que nos é prometida? Pedro descreve três características:
Incorruptível: não se perde, não apodrece, não se deteriora. Diferente de qualquer bem terreno, ela permanece intacta.
Imaculada: absolutamente pura, sem mácula, perfeita.
Imarcescível: nunca murcha, nunca perde valor, nunca envelhece.
Essa herança é protegida nos céus, guardada pelo próprio Deus. Ninguém pode tirá-la de nós. É segura, eterna, e totalmente confiável.
[Pausa]
Creio que aqui podemos olhar novamente para a pergunta que fiz no início. Existe alegria para quem sente a fome apertar? Para quem enfrenta a perda de alguém querido? Para quem acorda todos os dias sob o peso da incerteza, sem saber o que vai acontecer? Para quem trava a batalha contra o câncer? Para quem perde um filho?
A alegria que supera qualquer tristeza, e enfrenta qualquer leão, só é possível quando nós entendemos e cremos na herança que nos é reservada no céu.
É a salvação da nossa alma, a libertação do pecado e da morte eterna. É também participar da glória de Cristo, viver eternamente ao lado de Deus, receber um corpo incorruptível, sem a influência do mal, sem dor, sem morte. É uma vida plena, uma recompensa eterna e segura.
[Pausa]
Pedro nos lembra que, mesmo enquanto aguardamos essa herança, podemos enfrentar provações.
[Pausa]
E é com essa esperança firme que Pedro nos conduz ao próximo ponto: Preservação, onde veremos que Deus nos protege até o momento em que receberemos plenamente essa herança.
Parte 3: Preservação: Deus nos protege até a salvação final (v. 5)
Parte 3: Preservação: Deus nos protege até a salvação final (v. 5)
Por meio da fé que vocês têm, Deus os protege com seu poder até que recebam essa salvação, pronta para ser revelada nos últimos tempos.
[Pausa]
Amados, aqui Pedro nos dá uma certeza inabalável: a salvação que recebemos não é instável, não depende das nossas forças, nem da nossa capacidade de permanecer firmes. Ela está nas mãos de Deus, que nos protege com poder soberano.
[Pausa]
Quando falamos de proteção divina, não nos referimos apenas a livramentos físicos ou circunstanciais. A proteção de Deus vai muito além: Ela preserva a nossa fé, guarda a nossa alma, mantém-nos firmes até o fim.
Imagine-se caminhando numa estrada cheia de armadilhas invisíveis — obstáculos, tentações, provações.
Você poderia tropeçar a qualquer momento, mas Deus vigia, segura, sustenta. Não estamos sozinhos. Cada passo que damos, mesmo na fraqueza, é acompanhado pelo Seu poder.
[Pausa]
Pedro acrescenta: essa proteção é até a salvação final, que será plenamente revelada nos últimos tempos.
Ou seja, não importa quanto tempo demore, nem quão difíceis sejam as provações — Deus não falhará, Ele nos conduzirá até a plenitude da vida eterna, até a total manifestação da nossa herança.
[Pausa]
E isso nos leva a um ponto prático: podemos viver com alegria agora, mesmo em meio às dificuldades, porque sabemos que a nossa esperança não se baseia em nós, mas na fidelidade de Deus.
Conclusão
Conclusão
Irmãos, eu gostaria de concluir da seguinte forma.
C.S. Lewis, como vimos anteriormente, consegue transmitir de forma humana e bela como devemos viver em meio às notícias ruins do dia a dia.
“Se todos seremos destruídos por uma bomba atômica, que essa bomba, quando vier, nos encontre fazendo coisas sensatas e humanas: orando, trabalhando, ensinando, lendo, ouvindo música, dando banho nas crianças, jogando tênis, conversando com amigos com uma caneca de cerveja e um jogo de dardos—e não amontoados como ovelhas assustadas pensando em bombas. Elas podem quebrar nossos corpos, mas não precisam dominar nossas mentes.”
Eu acrescento:
“… Elas podem quebrar nossos corpos, mas não precisam dominar nossas mentes, porque sabemos que o nosso Senhor vive, e no fim Ele se levantará sobre a terra, transformará os nossos corpos cansados em corpos indestrutíveis, para então reinarmos juntos com Ele.”
