Parecidos com Jesus

É Hora de Crescer!  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
0 ratings
· 7 views
Notes
Transcript
Texto base:
Ephesians 4:11–16 NVI
E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Dele todo o corpo, ajustado e unido pelo auxílio de todas as juntas, cresce e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada parte realiza a sua função.

Deus tem um bom propósito!

Porque, na igreja, onde falamos sobre unidade, Deus levanta pessoas diferentes, com diferentes dons?
Embora essa possa ser uma pergunta que pareça simples de responder, muitas pessoas não compreendem direito. E, por conta de não compreenderem direito — e por causa da imaturidade espiritual — acabam criando fã-clubes e facções dentro do corpo de Cristo.
O texto que nós lemos é muito importante para entender essa questão. E Paulo nos dá uma resposta a essa pergunta de maneira sábia. O propósito de diferentes funções e de diferentes dons no Corpo de Cristo é:
A preparação dos santos para a obra do ministério;
A edificação do corpo de Cristo;
A unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus;
Por último — e talvez aquilo que resuma tudo a maturidade.
E, embora tenhamos aprendido muito sobre maturidade nos últimos domingos, existem duas coisas a mais que são fruto da maturidade cristã.

Firmes em Cristo

O primeiro fruto da maturidade é a estabilidade.
Quando eu era mais novo, na escola, houve um passeio para um parque aquático – uma experiência incrível, pois era a primeira vez que eu visitava um lugar assim. Ao chegarmos, todos se reuniram com seus grupos e fui curtir o dia junto com meus amigos. Contudo, por não ser muito corajoso, optei por não acompanhar alguns brinquedos que eles decidiram fazer. Fiquei em frente a uma grande piscina, até que um grupo de alunos mais velhos percebeu que eu estava sozinho e me chamou para ficar com eles. Mesmo não sendo extrovertido e tendo dificuldade para fazer amizades, acabei aceitando o convite. Então, entrei na piscina seguindo-os, caminhando devagar, enquanto a água ia passando do umbigo, da barriga e quase atingia meu queixo. Quando tudo parecia tranquilo, ouvi uma sirene e, com os gritos de “uhuu”, as águas começaram a balançar cada vez mais, formando ondas cada vez maiores. Na primeira onda, balancei; na segunda, engoli muita água; e, na terceira, já não conseguia colocar os pés no chão – até que um dos alunos mais velhos me puxou para a parte rasa e disse: “Bom, é melhor você ficar por aí mesmo!”
Eu lembrei dessa história porque é exatamente a cena que Paulo nos mostra. O contraste da maturidade, aqui no nosso texto, é uma criança que é levada pelas ondas. Ou alguém que é levado por qualquer vento de doutrina.
A verdade é que existe hoje, infelizmente, um número muito grande de pessoas assim. Pessoas que, depois de um bom tempo dentro da igreja, ainda vivem oscilando em sua caminhada com Cristo.
Existem algumas características de pessoas assim:
São pessoas que são levadas por aquilo que sentem, e não pelo que creem. Pessoas que, se estão bem emocionalmente, comparecem à igreja, servem com alegria, abraçam e sorriem para todo mundo. Mas, se por algum motivo se frustram, desaparecem. O estado da alma da pessoa acaba determinando o nível do compromisso.
São pessoas que vivem atrás de experiências, mas que são incapazes de construir alguma coisa. São aquelas que correm atrás de palavras proféticas, de ambientes intensos, de promessas megalomaníacas, mas que dificilmente se envolvem a ponto de construir relacionamentos saudáveis, uma vida comunitária e um testemunho consistente.
São pessoas que são facilmente influenciadas. Basta um vídeo no YouTube, uma frase de um influenciador na internet, que, rapidamente, essa pessoa absorve isso, sem saber filtrar, e então tem a sua cabeça mudada. É o tipo de pessoa que não tem fundamento algum. E, por isso, muda de opinião frequentemente.
São pessoas que não conseguem permanecer. Gente que até começam bem algo, mas nunca conseguem terminar. Pessoas que entram animadas no ministério, assumem responsabilidades, mas não suportam uma mínima frustração.
São pessoas que têm dificuldade de lidar com confrontos e correções. Se forem contrariadas, essas pessoas logo abandonam e viram as costas para quem as confrontou. É gente que passa de igreja em igreja usando a desculpa de que “Deus está guiando”, quando, na verdade, está fugindo da confrontação que gera crescimento.
São pessoas inconstantes na fé e nos relacionamentos. Gente que tem dificuldade de confiar e de ser confiável. É o tipo de pessoa que julga a todos e que vive com o coração dividido. O tipo de pessoa que não consegue construir um vínculo saudável e, principalmente, não consegue firmar raízes.
No entanto, a maturidade nos livra de sermos inconstantes espiritualmente. A Maturidade nos dá:
Discernimento espiritual — A pessoa madura espiritualmente desenvolve a capacidade de discernir o que é verdadeiro daquilo que apenas parece ser. Ela não é facilmente enganada por discursos bonitos, por pregações emocionais ou por promessas vazias.
Firmeza doutrinária — Quem é maduro na fé não vive correndo atrás de novidades espirituais ou modismos teológicos. Não se deixa levar por heresias disfarçadas de revelações. Essa pessoa tem base, tem raiz, sabe no que crê — e por isso permanece firme, mesmo quando muitos ao seu redor estão sendo arrastados por ideias distorcidas do evangelho.
Constância emocional — O cristão maduro não é alguém dominado pelos impulsos. Ele não vive como um termômetro, reagindo ao ambiente, às emoções ou às circunstâncias. Em vez disso, ele se posiciona como alguém que aprendeu a depender da verdade de Deus, mesmo quando os sentimentos dizem o contrário.
Coerência de vida — Maturidade gera coerência. A pessoa madura vive de maneira compatível com a fé que professa. Suas atitudes, seus relacionamentos, sua conduta, tudo aponta para a verdade do evangelho. Não é alguém que fala bonito no culto e vive de qualquer jeito fora dele. É alguém que entendeu que o testemunho também prega.
Ser maduro não significa estar imune às lutas, às dúvidas ou às emoções. Significa saber lidar com tudo isso sem perder o rumo. A maturidade não nos blinda da tempestade — mas nos impede de afundar com cada onda. Ela nos mantém firmes, ainda que tudo ao redor esteja em movimento. E é por isso que ela é tão necessária nos dias de hoje.

Verdade em Amor

Agora, se o primeiro fruto da maturidade cristã é a estabilidade, o segundo, de acordo com o nosso texto, é a verdade. E para ser mais exato, Paulo é mais detalhista nesse ponto pois ele equilibra duas coisas que normalmente uma pessoa imatura tem dificuldade de dosar: a verdade e o amor. Guarde isso: Pessoas imaturas ou são duras demais, ou omissas demais.
Ephesians 4:15 NVI
Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.
Note que Paulo não está falando apenas sobre falar a verdade mas seguir a verdade. Viver a verdade. A maturidade nos leva a um compromisso profundo com aquilo que é verdadeiro, não só nos lábios, mas na vida. É uma entrega ao evangelho que não se limita a discursos bonitos ou opiniões certeiras, mas se revela no comportamento, nas decisões, nas relações.
Mas aqui está o problema: A imaturidade espiritual nos empurra para os extremos. E os extremos distorcem tanto a verdade quanto o amor.
De um lado, há pessoas que abraçam a verdade, mas se tornam ásperas, frias e distantes dos outros. São pessoas que sempre estão com a razão, sempre com a Bíblia na mão e o dedo apontado.
Sabem falar de doutrina, são firmes no argumento, rápidas para corrigir. Mas não sabem acolher. Conhecem a letra — mas não vivem o Espírito. Usam a verdade como um martelo, quando deveriam usar a verdade como um guia.
O mais curioso? É que por muitas vezes o que elas dizem está certo — mas a maneira como elas dizem acaba revelando o quanto ainda não amadureceram. A verdade dita sem amor, machuca.
Só que existe um outro lado. Existem aqueles que abraçam o amor, mas abandonam os princípios. São pessoas dóceis, receptivas, sempre compreensivas — mas relativizam tudo. São pessoas que por medo de parecerem duros ou intolerantes, deixam de corrigir, deixam de confrontar o pecado, deixam de se posicionar. É o famoso crente que diz “Deus é amor” e esquece que Ele também é santo, justo, reto.
Esse tipo de pessoa deseja proteger os seus relacionamentos e a maneira como é vista pelas pessoas, mas no fundo, sacrifica a verdade no altar da aprovação. Pessoas assim, dizem aquilo que os outros querem ouvir. Agem de acordo com a multidão e vive uma mentira o tempo todo. Elas não percebem, mas o amor, vivido sem verdade, é engano.
No final das contas, ambos os caminhos — o da verdade sem amor/rigidez sem amor e o do amor sem verdade/doçura sem verdade — têm algo em comum: são marcas da imaturidade espiritual.
O imaturo usa a verdade para ferir ou omite a verdade para agradar. Por isso Paulo é tão claro quando diz: “...seguindo a verdade em amor...”(v.15). A maturidade nos ensina que não se trata de escolher entre um ou outro — mas de viver os dois ao mesmo tempo. A verdade dita com amor transforma. E que o amor vivido na verdade edifica. E é assim que o cristão deve ser em toda a sua vida.
 

Parecidos com Jesus

Se existe algo que ficou evidente nessa mensagem, e principalmente nessa série que fizemos em junho, é que a maturidade espiritual não é apenas um objetivo a ser alcançado, mas é também a expressão mais clara de alguém que está se tornando parecido com Jesus.
Falamos sobre o novo nascimento, falamos sobre nós sermos como crianças birrentas, sobre a necessidade de aprender a obedecer, falamos sobre tomar as decisões certas, sobre guardar o nosso coração, sobre viver de maneira firme, e sobre seguir a verdade em amor.
Tudo isso para que venhamos nos parecer com Cristo Jesus. Esse é o nosso padrão. Esse é o nosso alvo. Não é se parecer com um líder religioso, nem com um pregador, nem com alguém que admiramos. O chamado de Deus para mim e para você é:
Ephesians 4:15 NVI
"...cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.”
Grande parte dos nossos problemas aqui nessa terra seriam resolvidos se fôssemos mais parecidos com Jesus do que hoje somos.
Se fôssemos mais parecidos com Jesus, haveria mais perdão e menos vingança. Estenderíamos mais a mão e apontaríamos menos o dedo. É claro que, se fôssemos mais parecidos com Jesus, não negociaríamos os nossos princípios. Andaríamos na verdade e falaríamos a verdade. Confrontaríamos aqueles que necessitavam. Mas, ainda assim, ofereceríamos amor, mesmo em meio a palavras duras.
O grande problema das igrejas, nos nossos dias, é que os líderes religiosos estão mais preocupados em formar clones de si mesmos, do que cumprir o propósito de Deus ao dar tantos dons aos homens. Vemos pastores e líderes preocupados em implementar uma visão, ao mesmo tempo que negligenciam o chamado de Deus, que é fazer com que os seus filhos e filhas se pareçam com Jesus.
E embora tudo isso seja muito bonito, podemos ter a certeza de que isso não é algo místico, algo filosófico, mas sim algo prático. Ser parecido com Jesus é algo que salvaria muitos casamentos. Ser parecido com Jesus é algo que uniria muitas famílias. Ser parecido com Jesus mudaria completamente a forma como lidamos com conflitos. Transformaria a forma como reagimos à ofensa, à crítica, à frustração.
Ser parecido com Jesus nos ensinaria a servir em vez de competir. A cuidar, em vez de controlar. A amar, mesmo quando não somos correspondidos.
O maior milagre não é alguém que anda sobre as águas. É alguém que aprende a andar como Jesus andava. Não é alguém que fala em línguas no domingo, mas alguém que guarda a língua na segunda. Não é alguém que impressiona quando está em cima do altar, mas alguém que permanece fiel quando ninguém está vendo.
O maior sinal de poder não está na “voz profética”, mas no coração que perdoa. O maior impacto não é causado por uma pregação poderosa, mas uma vida que, no secreto, revela Jesus. O maior sinal de uma igreja saudável não é uma grande multidão ouvindo uma mensagem, mas um povo que vive a mensagem que ouviu.
Maturidade não se mede por aplausos, mas pela entrega. Não se mede pelo quanto se sabe, mas pelo quanto você coloca em prática. Não se mede pelos nossos títulos ou pelo nosso “nível espiritual”, mas pelo quanto somos parecidos com o nosso Senhor.
Que Deus tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 29 de junho de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Mandaqui-Noite)
Por Alex Amaral
Soli Deo Gloria
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.