5. Para Vencer o Pecado e a Tentação
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O Poder na Vida Cristã Depende da Mortificação
O Poder na Vida Cristã Depende da Mortificação
Introdução
Introdução
Agora, no capítulo quatro, ele procurará desenvolver seu último ponto principal, que é o seguinte:
Que a vida, o vigor e o conforto da nossa vida espiritual dependem muito da nossa mortificação.
O objetivo de Owen neste breve capítulo é mostrar a relação correta entre mortificação e nossa experiência de paz, vigor e conforto. Ele não a considera como causa necessária, mas apenas como um meio.
Uma Discussão Detalhada do Argumento do Capítulo Quatro
Uma Discussão Detalhada do Argumento do Capítulo Quatro
Owen começa sua discussão com uma observação interessante. Ele diz que, na verdade, existem apenas duas perguntas que os crentes fazem; qualquer outra questão ou se relaciona com essas duas de alguma forma, ou simplesmente não merece ser considerada. Ele diz:
“Se qualquer um de nós fosse seriamente questionado sobre o que nos aflige, teríamos de enquadrar a resposta em uma destas duas categorias: ou nos falta força ou poder, vigor e vida em nossa obediência, em nosso caminhar com Deus; ou nos falta paz, conforto ou consolação nisso. Qualquer coisa que possa acontecer a um crente e que não pertença a uma dessas duas categorias, não merece ser mencionada nos dias das nossas queixas.”
Hoje, muitos de nós, vivendo em contextos urbanos, interpretamos mal esses anseios legítimos. Sempre que sentimos um desejo no coração, interpretamos isso como sinal de alguma necessidade — isto é, necessidade de alguma posse, relacionamento ou privilégio adicional. Essas “coisas” nunca trarão cura à alma ou verdadeiro poder espiritual. Mas, para o crente que reconhece que o que Owen diz é verdade, é preciso entender que a experiência genuína de poder, paz e conforto depende muito, segundo Owen, de um “curso constante de mortificação”.
Como a Mortificação Não Está Relacionada à Experiência de Poder e Paz
Como a Mortificação Não Está Relacionada à Experiência de Poder e Paz
Mortificação não gera necessariamente Poder e Paz
Mortificação não gera necessariamente Poder e Paz
Poder, paz, vigor e consolação não fluem da prática da mortificação no sentido de que estejam necessariamente vinculados a ela. Em nossa época, as pessoas frequentemente tratam Deus como uma máquina de música: “coloco uma moeda, recebo a canção que quero”. Mas Owen diz que não é assim que funciona o relacionamento entre poder espiritual e paz, e o dever da mortificação. A paz é de Deus, e Ele a concede como quer; não existe uma relação interna de causa e efeito, como se a mortificação automaticamente produzisse paz, como se a paz espiritual fosse inerente à mortificação. Não é assim.
Owen cita o lamentável relato de Hemã, no Salmo 88, como prova disso. Hemã perdeu amigos próximos e entes queridos (Sl 88:8,18). Diz que sua vida se aproximou da sepultura, prestes a ir para a terra do esquecimento. Em grande angústia, clamou ao Senhor “de dia e de noite” (v. 1), “todos os dias” (v. 9), “pela manhã” (v. 13), mas sentiu que Deus o havia rejeitado e escondido Seu rosto (v. 14). Ele conheceu o sofrimento desde a juventude, chamando as trevas de seu amigo mais próximo (v. 15, 18). Hemã manteve um caminho fiel de mortificação, não se entregou ao pecado, à amargura ou à murmuração, mas não experimentou paz e provavelmente morreu grande aos olhos do Senhor, mas considerado maldito por antigos amigos.
Isso nos mostra que é Deus quem dá a paz. Como Ele diz em Isaías 57.18–19 “Tenho visto os seus caminhos e o sararei; também o guiarei e lhe tornarei a dar consolação, a saber, aos que dele choram. Como fruto dos seus lábios criei a paz, paz para os que estão longe e para os que estão perto, diz o Senhor, e eu o sararei.”
Portanto, experimentar paz é um dom gracioso de Deus. Owen não está dizendo que Deus seja caprichoso ou infiel às Suas promessas de paz (como em João 14:27: “Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá…”). O que ele afirma é que Deus é soberano ao conceder paz e que a mortificação não é um sistema fechado para conseguirmos o que queremos. Nas palavras dele: “O uso dos meios para obter paz é nosso; a concessão dela é prerrogativa de Deus.”
A Mortificação Não É Causa Imediata de Poder e Paz
A Mortificação Não É Causa Imediata de Poder e Paz
A mortificação não é a causa imediata de poder, vigor, paz e consolação na vida cristã. Esses privilégios vêm através da adoção e justificação, aplicadas pelo Espírito: “O próprio Espírito testemunha com o nosso espírito que somos filhos de Deus” (Rm 8:16). É isso que dá o sentido imediato da presença, poder e paz de Deus.
Como a Mortificação Está Relacionada à Experiência de Poder e Paz
Como a Mortificação Está Relacionada à Experiência de Poder e Paz
Embora a mortificação não force Deus a nos dar paz, e não seja a causa imediata dela, Owen diz que nosso poder, paz, consolação e vigor dependem de mortificarmos as obras da carne. É uma causa sine qua non — ou seja, sem mortificação, nunca teremos a paz e o vigor de uma vida cristã saudável. É um meio designado por Deus, sem o qual nunca teremos a paz de Deus.
A Mortificação Impede Que o Pecado Nos Roube o Poder e a Paz
A Mortificação Impede Que o Pecado Nos Roube o Poder e a Paz
O Pecado Não Mortificado Enfraquece a Alma
O Pecado Não Mortificado Enfraquece a Alma
Todo pecado não mortificado fará duas coisas: (1) enfraquecerá a alma, tirando-lhe o vigor; (2) escurecerá a alma, privando-a de conforto e paz.
Três Maneiras de Enfraquecimento
Três Maneiras de Enfraquecimento
Distrai os afetos, que deveriam estar em Deus.
Ele toma o lugar do amor ao Pai. Os afetos principais — temor, desejo, esperança — ficam presos ao pecado. (1 João 2:15-16)
“Ele desvia o coração da disposição espiritual indispensável à comunhão vigorosa com Deus; apodera-se das afeições, fazendo com que amem e desejem o pecado, expulsando assim o amor do Pai, de maneira que a alma não pode dizer reta e verdadeiramente a Deus: ‘tu és a minha porção’, pois ama outra coisa mais.”
Enche os pensamentos com formas de satisfazê-lo, distraindo a mente de Deus.
“Os pensamentos são os grandes provedores da alma… se o pecado permanecer não mortificado, eles estarão sempre provendo para a carne.”
Impede o dever, enfraquecendo a vontade de fazer a vontade de Deus.
A energia é desviada para as coisas terrenas.
O Pecado Não Mortificado Escurece a Alma
O Pecado Não Mortificado Escurece a Alma
Ele é como uma nuvem espessa que impede a luz do amor e favor de Deus, tirando o senso da adoção. Qualquer pensamento de consolação logo é disperso.
A Mortificação Dá Espaço para as Graças Florescerem
A Mortificação Dá Espaço para as Graças Florescerem
Mortificar é matar continuamente o que pertence à natureza terrena. Isso abre espaço para que a paz, o poder e a semelhança com Cristo cresçam.
Owen compara isso a um jardim: se as ervas daninhas não forem arrancadas, a planta enfraquece; mas, com o solo limpo e cuidado, ela floresce.
“A mortificação poda todas as graças de Deus e abre espaço em nosso coração para que elas cresçam. A vida e o vigor do nosso viver espiritual consistem no vicejar e no florescer das plantas da graça em nosso coração. Mas, à semelhança de um jardim, se alguma especiaria preciosa for plantada sem que o terreno tenha sido capinado, as ervas daninhas crescerão em torno dela. E mesmo que sobreviva resultará numa planta débil, mirrada e inútil.”
Assim, as pessoas que negligenciam a mortificação, que não matam seus pecados todos os dias, que abre espaço para que pecados pequenos cresçam, essas pessoas estão prestes a morrer. Owen diz:
“Esse coração é como o campo do preguiçoso, tão tomado pelas ervas daninhas que é quase impossível enxergar o bom cereal. Alguém assim talvez procure a fé, o amor e o zelo, mas não achará quase nada deles. E embora descubra que essas graças ainda vivem e são sinceras, elas estarão debilitadas, tão embaraçadas pelas concupiscências que não servem para quase nada.”
Não Há Paz Sem Mortificação Sincera
Não Há Paz Sem Mortificação Sincera
A paz vem como resultado de mortificar sinceramente as paixões da carne. É essa sinceridade na prática da mortificação que identifica um coração piedoso.
“Assim como não há prova de sinceridade onde não há mortificação, também nada conheço, senão a mortificação, que seja em si mesmo prova de sinceridade - alicerce não pequeno da nossa paz. Mortificação é a enérgica oposição da alma ao eu, no qual a sinceridade mais se evidencia”.
Resumo do Capítulo Quatro
Resumo do Capítulo Quatro
A vida, o vigor e o conforto da vida espiritual dependem muito da mortificação do pecado. Ela não é a única causa, mas é o meio ordenado por Deus. Todo pecado não mortificado enfraquece e escurece a alma; mas, quando mortificamos o pecado, abrimos espaço para receber e desfrutar o poder, vigor, conforto e paz que vêm do Espírito de Deus.
