Mateus 6.16-18 -- Sobre o Jejum

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Mateus 6.16-18

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Introdução
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OBSERVAÇÕES DO TEXTO
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v.16-18: “— Quando vocês jejuarem, não fiquem com uma aparência triste, como os hipócritas; porque desfiguram o rosto a fim de parecer aos outros que estão jejuando. Em verdade lhes digo que eles já receberam sua recompensa. Mas você, quando jejuar, unja a cabeça e lave o rosto, a fim de não aparecer aos outros que você está jejuando, e sim ao seu Pai, em secreto. E o seu Pai, que vê em secreto, lhe dará recompensa.
Nas Escrituras oração e jejum são frequentemente combinados (1Sm 7.5-6; Ne 1.4).
Mas o jejum como é entendido, refere-se não a uma condição imposta a uma pessoa (2Co 6.5; 11.27), mas à abstinência voluntária de alimento como um exercício religioso.
Que servia a diversos propósitos, quer isoladamente ou em qualquer combinação. Dessa forma, ele podia ser uma expressão de humilhação, ou seja, de tristeza pelo pecado e em conexão com a confissão de pecado (Lv 16.29-34; Dt 9.18), ou de lamentação pelo mal, quer já tenha sido experimentado — derrota numa batalha (Jz 20.26), luto (1Sm 31.12; 2Sm 1.12), a chegada de notícias dolorosas (Ne 1.4), uma praga (Jl 1.14) e alguns outros.
Havia, inclusive, base natural para os jejuns mencionados, uma vez que a tristeza esmagadora ou angústia produz a perda do apetite (cf. 1Sm 1.7).
Às vezes ordenava-se e/ou observava-se um jejum com o fim de se promover a concentração sobre um ato ou evento religioso importante, tal como no envio de missionários (At 13.2,3), ou na designação de presbíteros (At 14.23). Ver também Êx 34.2,28; Dt 9.9,18. Nessa conexão, merece especial atenção o que talvez seja o capítulo mais belo sobre o jejum em toda a Bíblia, ou seja, Isaías 58.6–12. É possível que aqui em Mt 6.16–18 Jesus esteja com Isaías 58 em mente, como se pode demonstrar por meio de uma comparação, pois em ambos os casos condena-se um tipo equivocado de jejum (cf. 1Rs 21.9,11; Zc 7.3–5), e recomenda-se o jejum aceitável.
Sobre o jejum nas Escrituras, Hendriksen comenta o seguinte:
“A lei de Deus sugere somente um jejum em todo o ano, ou seja, no dia da expiação (Lv 16.29–34; 23.26–32; Nm 29.7–11; cf. At 27.9). Contudo, com o passar do tempo, os jejuns começaram a multiplicar-se (nem sempre jejuns de forma total; ver o texto em cada caso); assim, lemos de sua ocorrência em outras ocasiões também: do nascer ao pôrdo-sol (Jz 20.26; 1Sm 14.24; 2Sm 1.12; 3.35); durante sete dias (1Sm 31.13); três semanas (Dn 10.3); quarenta dias (Êx 34.2,28; Dt 9.9,18; 1Rs 19.8), nos meses quinto e sétimo (Zc 7.3–5); e ainda nos meses quarto, quinto, sétimo e décimo (Zc 8.19). O clímax foi a observância de um jejum “duas vezes por semana”, o que se tornou o orgulho dos fariseus (Lc 18.12).
Portanto, o jejum como uma expressão de lamentação em circunstâncias dolorosas, Jesus não encorajou os discípulos a praticarem. Ao contrário, ele os queria alegres em virtude de sua própria presença entre eles (Mt 9.14–17; Mc 2.18–20; Lc 5.33–35).
Como já foi indicado, Jesus mesmo observou um jejum de longa duração, provavelmente com o propósito de concentrar-se na obra que o Pai lhe dera para fazer, e que ele, Jesus mesmo, assumira de forma voluntária (ver a explicação de Mt 4.2).
Entretanto, aqui em Mt 6.16–18 o que se tem em mente é o jejum como uma expressão de humilhação, quer fingida (v. 16) quer genuína (v. 17, 18).
Mas como faziam os hipócritas? Ou seja, os Escribas e Fariseus?
Resposta: eles assumiam um papel lúgubre, com rostos desfigurados, a fim de que as pessoas que os rodeavam pudessem perceber que pareciam estar muitíssimo tristes pelos seus pecados; por isso, quão piedosos pareciam não é mesmo? Mas isso era apenas um teatro.
Mas para os discípulos, Jesus dá a seguinte ordem:
v.17: “Porém tu, quando jejuares, unge a cabeça e lava o teu rosto.”
Jesus não diz que eles devem jejuar, tampouco os proíbe de fazê-lo, caso desejem. O ponto que Jesus enfatiza é que quando seus seguidores entendem que devem jejuar, então que o façam, contanto que unjam suas cabeças e lavem seus rostos, praticando esta observância religiosa da forma o mais discreta possível.
Essa admoestação é paralela à esmola e à oração, ainda no mesmo sermão, com o tema iniciado no cap. 6.
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