Espiritualidade sem Birra

É Hora de Crescer!  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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1 Corinthians 3:1–9 NVI
Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições, porque ainda são carnais. Porque, visto que há inveja e divisão entre vocês, não estão sendo carnais e agindo como mundanos? Pois quando alguém diz: “Eu sou de Paulo”, e outro: “Eu sou de Apolo”, não estão sendo mundanos? Afinal de contas, quem é Apolo? Quem é Paulo? Apenas servos por meio dos quais vocês vieram a crer, conforme o ministério que o Senhor atribuiu a cada um. Eu plantei, Apolo regou, mas Deus é quem fez crescer; de modo que nem o que planta nem o que rega são alguma coisa, mas unicamente Deus, que efetua o crescimento. O que planta e o que rega têm um só propósito, e cada um será recompensado de acordo com o seu próprio trabalho. Pois nós somos cooperadores de Deus; vocês são lavoura de Deus e edifício de Deus.

Egocentrismo Infantil

Existe uma fase no desenvolvimento de toda criança que é chamada de Egocentrismo Infantil. Esse conceito, usado na psicologia e especialmente descrito por Jean Piaget, defende que crianças de 2 a 7 anos possuem certa incapacidade de considerar o ponto de vista de outra pessoa. Em outras palavras, crianças nessa fase da vida acreditam que todos veem o mundo do mesmo jeito que elas veem — pensam como elas pensam e sentem como elas sentem.
Eu vivi essa realidade em casa. Quando o Felipe tinha seus 6 anos, a Rafaela tinha 3. E era muito curioso — e às vezes até estressante — perceber que a maioria das brigas acontecia — e ainda acontece — porque um deles queria que as coisas acontecessem de um jeito, e o outro de outro jeito. E que, nessa confusão toda, nenhum deles conseguia parar, raciocinar e pensar em uma forma onde a vontade de cada um pudesse ser considerada, ou então uma maneira de resolver as coisas da melhor forma possível. E é exatamente isso que está acontecendo em nosso texto.

O Verdadeiro Problema

                Paulo escreve à igreja na cidade de Corintouma cidade importante no mundo antigo, por ser uma cidade portuária. Por conta disso, um pouco de todo mundo se encontrava naquela cidade, como acontece numa grande metrópole. Isso foi importante para o avanço do Evangelho e, certamente, contribuiu para que essa igreja fosse diferente de todos os outros relatos que temos no Novo Testamento.
A igreja de Corinto era uma igreja que, segundo as nossas métricas, poderíamos considerar como uma igreja avivada: cheia de dons, cheia de manifestações espirituais. Uma igreja composta por ricos e pobres, homens e mulheres, jovens e pessoas mais velhas — e que, aparentemente, tinha tudo sob controle.
No entanto, a igreja de Corinto também é considerada por muitos como a igreja mais problemática de todas as igrejas que nós temos registradas nas cartas apostólicas. E talvez o pior dos problemas — afinal, Paulo gasta um bom tempo tentando tratar disso, praticamente ao longo de toda a carta — era a divisão.
Porém o que aprenderemos é que divisão/desunião — que para a igreja do século XXI é uma questão difícil — não é um problema em si, mas sim uma resposta a outro grande, grave e verdadeiro problema.
Vejamos:no início do capítulo 3, encontramos exatamente aquilo que aprendemos no domingo passado: os que nascem da carne compreendem as coisas da carne. Mas, para compreender as coisas do Espírito, é necessário nascer do Espírito.
Paulo se dirige àqueles irmãos em Corinto com o objetivo de falar sobre assuntos espirituais. No entanto, ele precisa gastar seu tempo, sua energia e até sua escrita, falando principalmente sobre coisas carnais. Por quê? Porque esses irmãos não estavam agindo conforme era esperado de quem nasceu do Espírito. E é justamente aqui que Paulo aponta para realidade de Corinto e para o verdadeiro problema daquela igreja: Corinto, uma igreja aparentemente saudável espiritualmente, estava repleta de crentes imaturos — e esse é o grande e verdadeiro problema da igreja —, e por isso Paulo inicia esse capítulo apontando para a causa da imaturidade espiritual.

A Causa da Imaturidade

Lemos os primeiros versículos onde Paulo diz:
1 Corinthians 3:1–3 NVI
Irmãos, não lhes pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo. Dei-lhes leite, e não alimento sólido, pois vocês não estavam em condições de recebê-lo. De fato, vocês ainda não estão em condições, porque ainda são carnais. Porque, visto que há inveja e divisão entre vocês, não estão sendo carnais e agindo como mundanos?
A causa que aqui, Paulo aponta para a imaturidade do cristão é a sua dieta espiritual. Nesse texto, Paulo diz que nem se propôs a oferecer alimento sólido, dado a pessoas maduras, pois os cristãos de corinto não estavam em condições e por isso teve de oferecer leite — assim como a dado a crianças pequenas.
Todo pai e toda mãe experimentam um período em que o filho, passa da amamentação exclusiva para a chamada introdução alimentar. A partir desse período e à medida que a criança vai se desenvolvendo, diferentes tipos de alimentos, e diferentes tipos de texturas é ofertado, assimilado e aceito pela criança.
Logo, é necessário um período para que a criança não somente se acostume, mas também aprenda e deseje o novo tipo de alimentação que é mais sólida e mais nutritiva. Sendo assim, uma criança que ainda está no período de amamentação não tem condições de comer uma feijoada. E uma criança que já está acostumada com uma alimentação mais completa, não deseja retornar ao período da amamentação.
Mas nessa metáfora que Paulo usa, o que seria esse alimento? A resposta vemos estampa em toda a Bíblia é uma só: a Palavra de Deus. Jesus ao ser tentado no deserto disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 04.04). O Salmista diz que mais doce do que o mel são as Palavras do Senhor(Sl 119.103)
O que torna um cristão mais maduro ou imaturo espiritualmente é a maneira como se encontra o apetite espiritual dele. E aqui está uma verdade que precisamos encarar com seriedade: Há uma geração inteira de cristãos que perdeu o apetite pela Palavra de Deus.
Não é que essas pessoas estejam completamente afastadas do Evangelho. Em muitos casos, há ali uma fagulha, há ali uma lembrança, há até uma certa sensibilidade, mas o que falta é profundidade. Falta consistência. Falta nutriente espiritual de verdade nessa refeição.
E nisso tudo, existe culpa tanto para aqueles que ouvem, como para aqueles, que em cima dos altares pelo país, que se renderam à lógica do entretenimento.
Vivemos numa época em que é comum encontrar igrejas preocupadas em atrair pessoas pelo show, pela performance, pela luz, pela estrutura, pelo que pode ser oferecido materialmente — e não pelo conteúdo.
Até porque o conteúdo que é oferecido em lugares como esses, não necessariamente deixa de ser o Evangelho. A verdade é que você pode encarar isso como um desafio e perceber que, em muitas igrejas que se preocupam mais com o show e a performance, aquilo que é apresentado, na grande maioria das vezes, é um Evangelho raso.
Em outras palavras, é um tipo de alimento que deve ser oferecido apenas a crianças recém-nascidas na fé. E, nesse contexto, para esse tipo de pessoas (pessoas que estão iniciando na fé) isso até faz todo sentido. Porém, o problema surge quando essa dieta espiritual nunca evolui.
E esse problema se torna cada vez maior porque nesse tipo de ambiente, o pastor, o pregador, oferece às pessoas apenas esse alimento superficial, onde há pouca profundidade sobre questões que são essenciais para a fé cristã. Assuntos mais complexos e desafiadores são frequentemente ignorados ou minimizados, enquanto isso, o que vemos é uma enorme ênfase a frases prontas, a slogans fáceis, e a mensagens que agradam o ouvido, mas que não possuem nutrientes necessários para fortalecer e fazer crescer o cristão.
Isso tudo produz uma geração que se alimenta apenas do superficial. Que se nega a ouvir coisas mais profundas sobre a fé. Gente que resiste a maturidade, pois prefere ficar onde está. E é exatamente essa falta de apetite pelo alimento verdadeiro que mantém muitos cristãos presos a uma fé frágil, instável e vulnerável. A verdade é que tudo isso é proposital em muitas igrejas, afinal, o pregador pouco precisa estudar e se preparar e com isso as pessoas são mantidas em um estado de ignorância, onde é mais fácil manipular e enganar. Sem apetite pela Palavra, o cristão se torna criança para sempre — e uma igreja cheia de crianças espirituais jamais verá o crescimento do Reino.
A falta de apetite espiritual é a causa da imaturidade que Paulo aponta, no entanto, ele também nos fala sobre uma fatal consequência da imaturidade espiritual: a divisão no Corpo de Cristo.

A Consequência da Imaturidade

Tanto no capítulo 03, como no capítulo 01, Paulo fala sobre irmãos, salvos pelo mesmo Jesus, que fazem parte da mesma igreja de Cristo, mas que se dividiam em prol do culto à personalidade. Alguns diziam ser de Paulo, outros de Apolo, alguns outros de Pedro e ainda existiam aqueles que desejam ser mais espirituais no meio dessa briga e diziam ser de Cristo.
Paulo deixa claro que a imaturidade espiritual é responsável por gerar rupturas, ciúmes, partidarismos e facções. Afinal, o que pode ser mais infantil do que crianças brigando no meio do parquinho por tentarem defender que seu super-herói é mais forte do que o do outro amiguinho?
O que vemos em Corinto é um retrato claro do que acontece quando cristãos permanecem infantis: a comunhão é trocada pela competição, a unidade pela vaidade, e o foco em Cristo é substituído por preferências pessoais.
Podemos ter preferências? Podemos gostar mais de um estilo de pregação do que do outro? Podemos ter mais afinidade com uma pessoa do que com a outra? A resposta para todas essas perguntas é um: claro que sim! O problema é quando, por imaturidade, deixamos as nossas preferencias nos impedir de abrir espaço no nosso coração e da dar oportunidade para coisas diferentes que Deus prepara para a nossa evolução.
Quando as preferências pessoais, quando o ciúme, a desunião toma uma proporção grande em nossas vidas, devemos fazer uma séria pergunta: quem é o centro da nossa fé?
Porque se a nossa espiritualidade está firmada em nomes, estilos ou preferências, estamos perdendo o essencial. Nenhum pastor, nenhum líder, nenhum pregador, por mais eloquente que seja, tem o direito de tomar para si o lugar de Cristo.
Se não existe união no ambiente de igreja, o problema não é falta de mesa e de comida. O problema não é que os irmãos não marcam de ir ao shopping ou não estão visitando as casas uns dos outros, mas sim, que essas pessoas ainda não saíram da infância espiritual. São crianças que vivem em seus próprios mundinhos, como se não existisse outras pessoas.
Corinto era uma igreja tão imatura que se aproveitava dos dons e das manifestações do Espírito Santo em prol da glória das próprias pessoas.Corinto era uma igreja onde não existia amor, mas sim entretenimento barato, frio e distante de Deus. Era o lugar onde cada um vivia por si. Onde certamente o ar de superioridade de alguns irmãos era notável. Onde nem para cear se esperava pelo outro.
Paulo escreve aos coríntios como uma pessoa que está aflito por ver seus filhos crescendo sem crescer. Eles tinham idade de adultos, dons de adultos, responsabilidades de adultos — mas ainda estavam vivendo como crianças espirituais, agarradas às suas preferências, aos seus ídolos pessoais e à sua fome não pela palavra de Deus, mas por reconhecimento.
O problema com a imaturidade espiritual é que ela sempre se manifesta de formas parecidas: brigas tolas, ciúmes sem sentido, disputas por atenção, necessidade constante de afirmação, sensibilidade exagerada e birras — sim, birras — principalmente quando as coisas não saem do jeito da criança espiritual.
Quando o louvor não canta o que queremos, quando o pregador não é o preferido, quando a decisão não passa pelo nosso crivo, quando Deus começa a fazer algo diferente do que estávamos acostumados. Quando essas coisas acontecem agimos como crianças no parquinho que cruzam os braços, fazem bico e viram as costas porque o "brinquedo" já não é mais meu, agora é nosso.

Chega de Birrinhas!

Diante disso tudo, fica o questionamento: Será que não estamos nos tornando uma geração de crentes sensíveis, imediatistas e que não suportam ouvir verdades mais duras da Palavra? Será que, por não desejarmos alimento sólido, não temos permanecido imaturos, frágeis e birrentos?
A maturidade espiritual não é medida pelo tempo de igreja, nem pelos cargos que ocupamos, nem pela eloquência com que falamos de Deus. Ela se mede pela capacidade que temos de amar, de suportar uns aos outros, de manter o foco em Cristo mesmo quando nossas preferências não são atendidas.
A verdade é que crianças espirituais não constroem comunhão. Elas quebram. Não sustentam unidade. Elas dividem. Não se aprofundam e não querem se aprofundar em Cristo. Elas pulam de preferência em preferência. A maturidade dói, mas a imaturidade destrói.
Cristãos infantis vivem ofendidos, se sentem esquecidos por qualquer coisa, e competem por atenção como se a igreja fosse um palco — e Jesus, um coadjuvante. Quem precisa ser bajulado para continuar, ainda não entendeu o que é o evangelho. Quem abandona a comunhão por não ser o centro, já colocou outro no trono — e não foi Cristo.
Gente madura não faz birra. Faz a diferença. Criança espiritual precisa ser convencida a cada semana a continuar na igreja. Gente madura permanece porque entendeu que o evangelho não é sobre ela — é sobre Cristo.
Criança espiritual troca de comunidade como quem troca de roupa: se não agrada, se não elogia, se não atende os gostos, já não serve mais. Mas o discípulo maduro entende que igreja não é lugar de conforto, é um lugar de confronto. É campo de batalha. Entende que maturidade é continuar mesmo quando tudo em volta grita para desistir.
Quem entendeu o evangelho não está atrás de preferências atendidas, mas de uma cruz para carregar. Uma igreja forte, viva e que faz a diferença nesse mundo não é feita apenas de gente talentosa, mas sim de gente madura. Se queremos ser relevantes para o mundo, precisamos primeiro ser coerentes dentro da casa.
Deus está levantando a régua. Deus está aumentando o nível.E se esse fosse o único motivo, já seria motivo o suficiente para chegarmos à conclusão de que É Hora de Crescer!
Que Deus tenha misericórdia de nós. Amém!
Sermão exposto no dia: 08 de junho de 2025
Local: Igreja Vivendo em Amor (Sede-Noite)
Por Alex AmaralDomingo da Família | Noite
Soli Deo Gloria
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